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E a Lega Pro sobreviveu

O Casale do vice-presidente Giorgio Zanon retorna ao profissionalismo (casalecalcio.it)

Depois de uma avalanche de falências e exclusões, a Lega Pro finalmente conseguiu formatar os grupos de seus campeonatos, que começarão nos dias 22 (Prima Divisione) e 29 de agosto (Seconda Divisione). Os prejuízos são evidentes. Além do calendário tardio, executado a menos de um mês do pontapé inicial, foram feitas 24 repescagens. Recorde absoluto na categoria – e no futebol europeu. 

Clubes repescados
Oito dos nove pedidos de repescagem na Prima Divisione foram aceitos: Barletta, Bassano Virtus, Gela, Nocerina, Paganese, Pavia, Pisa e Siracusa – apenas o Giulianova ficou de fora. Já os premiados da Seconda Divisione foram Avellino, Bellaria Igea, Campobasso, Carpi, Carrarese, Casale (campeã da Serie A 1913-14), Virtus Entella, Vigor Lamezia, L’Aquila, Latina, Matera, Pomezia, Pro Vercelli, Renate, Sanremese e Trapani.

Entre todos os retornos, o caso mais curioso é o da Sanremese. Há duas temporadas, o clube foi desfiliado da federação italiana, terminou o campeonato de Seconda Categoria (nona divisão nacional) no nono lugar e se reergueu a partir da aquisição do título esportivo da Ospedaletti, então recém-promovida do campeonato de Promozione (sétima divisão). Em 2009-10, a Sanremese conquistou os títulos da Eccellenza (sexta divisão) e da Coppa Liguria da categoria.

Destaque, também, para a ressurreição da Pro Vercelli, que teve o título comprado pela Pro Belvedere Vercelli após a falência e conseguiu resgatar sua mais que centenária e vencedora história. 

Grupos
A disparidade regional entre as equipes integrantes da Prima Divisione levou à adoção do critério de “corte horizontal” para a formação das chaves. A justificativa oficial foi a separação de muitos dérbis de risco no sul da Itália, sobretudo na região da Campânia, que conta com sete representantes nesta temporada. A medida penalizou muitos clubes, como Pisa e Lucchese, da região da Toscana, que deverão viajar para o sul em quase todos os jogos fora de casa. O fato não apenas complica a logística, como também aumenta custos.

Na Seconda Divisione, a lógica foi inversa. Após 13 exclusões no período de inscrições e oito repescagens, seriam necessárias mais 21 repescagens para manter o número de clubes da temporada passada (54). Mas apenas 16 pedidos foram julgados possíveis pela Covisoc – e, claro, foram aceitos. Por este motivo, ao invés de três chaves de 18 times, formaram-se dois grupos de 16 equipes e um com 17. Confira aqui os grupos oficiais.
 
Regulamentos
Na Prima e na Seconda Divisione serão promovidas duas equipes por grupo: os campeões de cada chave conquistam o acesso direto à série superior. Segundo, terceiro, quarto e quinto colocados jogam play-offs de acesso, que premiarão mais uma equipe por grupo.

Na Prima Divisione, o descenso ainda obedece à mesma fórmula, que rebaixa três equipes por grupo. O último colocado de cada grupo cai diretamente e, do décimo quarto ao décimo sétimo colocados de cada chave, disputam-se play-outs para definição dos outros dois.

O descenso da Seconda Divisione precisou de alterações. No Grupo A, o lanterna cai diretamente, e penúltimo e antepenúltimo colocados só disputarão o play-out se estiverem separados por cinco pontos ou mais na classificação final (caso contrário, a pior classificada também cai diretamente). Nos Grupos B e C, vale a regra dos cinco pontos de destaque, aplicada, porém, entre o último e penúltimo colocados de suas respectivas chaves. 

Confusão
Pouco antes de anunciar as 24 repescagens que seus campeonatos foram obrigados a realizar para continuar existindo, o presidente da Lega Pro, Mario Macalli, abriu a coletiva de imprensa com uma triste declaração: “Para o próximo ano, voltaremos a ter 90 clubes e não existirão mais repescagens. Acontecerá uma reforma geral, que se dará a partir da classificação e não de expulsões de sociedades que não possuem os meios para encarar o futebol profissional”.

Um índice de desesperança para uma categoria agonizante, que não encontra alento para mudanças sequer na figura de seu máximo mandatário. Não há dúvidas de que, na próxima temporada, não serão apenas 20 os clubes excluídos dos campeonatos da categoria. O fato de sociedades em claríssima situação de falência, como Salernitana e Cavese, terem conseguido suas inscrições contando os centavos de seus cofres fazem-nas se tornar os próximos alvos de uma falta de estrutura que não permite programas em logo prazo, a não ser pelas constantes mudanças de propriedade.

Isto  transforma os clubes em meros ativos financeiros patronais, fazendo com que percam suas identidades como instituições nascidas para representar os anseios e culturas de suas cidades de origem – basta pensar que, em Cava de’ Tirreni, mesmo após os torcedores terem coletado mais 120 mil euros dos 200 mil necessários para a inscrição do clube, não se fala em acionário popular. A Lega Pro sobreviveu, mas a um preço altíssimo. E este deverá, como sempre, ser pago pelos clubes que integram seus campeonatos e pelos torcedores.

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