Serie A

Amor e ódio

Protagonistas no derby d’Italia, Juventus e Inter têm as maiores torcidas da Itália.
E são, também, os times mais antipáticos do país (Getty Images)
Em um dos hits da música italiana em 1962, Rita Pavone se perguntava “por que no domingo você me deixa sempre sozinha para ir ver futebol?”. Hoje, a história é outra. Quatro em cada dez mulheres já dizem torcer por alguma equipe, segundo pesquisa realizada pela Demos. No geral, 52,2% dos italianos têm um time do coração, número que subiu nos últimos cinco anos, apesar das dificuldades que vive o futebol local. Também aumentou a quantidade de “torcedores militantes”, aqueles que respiram o esporte. Algo esperado: a política italiana beira a falência e parte da sociedade vive em crise de identidade, então para algum lado há de se correr.
O escândalo do calciopoli, em 2006, tirou da Juventus uma vaga na Serie A, dois títulos nacionais, muito moral, e vários jogadores importantes. Mas poucos torcedores. Em cinco anos, a representatividade da torcida bianconera caiu apenas três pontos percentuais. Hoje, mais de 9 milhões de italianos têm a Juventus como time. Provando que a antipatia está ao lado de quem vence, a Velha Senhora não é mais a equipe mais odiada. Em 2005, 24,4% dos torcedores do país tinham sérias restrições à Juve. Agora, o número está em 13,3% e é menor do que a Inter – que é “a nova Juventus”, segundo o sempre ácido Maurizio Zamparini, presidente do Palermo.
A multicampeã Inter é quem mais se aproxima da Juventus. A pesquisa mostra que suas fileiras crescem, enquanto as do Milan caem. Há cinco anos, a torcida do Milan era quase 60% maior que a da Inter. Agora, os nerazzurri têm 20% a mais de torcedores. Fora do trio de ferro, as torcidas de Napoli e Roma têm crescido bastante. Os giallorossi beiram o 75% de crescimento em apenas cinco anos. Quase 1 milhão de novos adeptos. Um dos fatores que explica este aumento de torcidas é a proximidade de mais pessoas ao futebol. Em resumo, a Inter não rouba torcida do Milan, apenas tem sido mais atraente que o rival.
É politicamente que pode ser encontrada a melhor explicação para este boom da torcida da Internazionale. A pesquisa indica que, apesar de ter torcida em todo o país, o clube tem ganhado forte identificação com a Liga Norte, partido político que defende a independência da Padânia, aquele trecho mais rico do norte da Itália. Com tantas vitórias, os leghisti veem na Inter a melhor bandeira para sua causa. Do outro lado, a torcida da Roma é predominantemente de esquerda e centro-esquerda, uma possível reação à tradicional direita da Lazio. A Juventus tem torcida mais centrista, sem grande identidade política. O que reflete a maior parte do país, diga-se de passagem.
As maiores torcidas
1. Juventus (29%)
2. Internazionale (17,4%)
3. Milan (14,1%)
4. Napoli (9,2%)
5. Roma (7,4%)
6. Cagliari (2,1%)
6. Fiorentina (2,1%)
8. Bologna (1,7%)
Outros times: 14,8%
Torcem apenas para a seleção italiana: 2,2%
Gráficos e comparações
Veja aqui os dados completos da pesquisa. Em italiano.

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