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Em vias de reforma, Lega Pro começa amanhã

A arte de escalar: dois anos depois de falir e recomeçar da Serie D, Avellino retorna à Prima Divisione à base de repescagens (avellinofans.it)

Após um verão movimentado pelo recente escândalo Last Bet, e repleto dos problemas de sempre, a Lega Pro está pronta para os pontapés iniciais de seus campeonatos, que ocorrerão amanhã (4).

Em números absolutos, a pré-temporada deste ano foi menos dolorosa que a última, quando 20 clubes foram vitimados e outros tantos foram promovidos improvisadamente. Desta vez, “apenas” 14 sociedades alçaram a bandeira branca e as reposições foram cirúrgicas, levando a uma diminuição sensível no total de participantes: 77.

Tecnicamente, a Lega Pro insiste em sua política de incentivar (financeiramente, inclusive) o uso de jovens nas equipes, sem instituir, porém, uma cota mínima reservada para as categorias de base dos próprios clubes. O resultado é a transformação dos campeonatos em grandes vitrines dos já poucos clubes das Series A e B que possuam “viveiros” de qualidade.

Em obras

Nesta temporada, a categoria deu início, ainda que timidamente, à tão necessária reforma estrutural de seus campeonatos, que pretende contar com 60 participantes (20 na Prima e 40 na Seconda Divisione) num giro de três anos.

Foram adotadas medidas duras: as taxas de inscrição e garantia bancária foram aumentadas para excluir sociedades em grave desequilíbrio, liminares provisórias para regularização de estádios não foram aceitas e, sobretudo, estabeleceram-se critérios mais eficientes de repescagem, como a proibição do “duplo salto” dos campeões de Eccellenza e perdedores da Serie D. Além disso, a fiscalização trimestral da Covisoc – o órgão financeiro da FIGC – continuará, e promete ser ainda mais rígida que a da última temporada, em que atribuiu mais de 130 pontos em penalizações por irregularidades.

Ausências

A pré-temporada registrou as falências de Salernitana, Lucchese, Cosenza, Gela, Canavese, Crociati Noceto, Sangiovannese, Cavese, Matera, Sanremese e Brindisi. Para muitos desses clubes, um fim já esperado. Alguns deles, como os três primeiros, perderam o direito até sobre suas marcas, sendo substituídos por Salerno Calcio (guiada por Claudio Lotito, presidente da Lazio), FC Lucca e Nuova Cosenza, respectivamente. Com excessão da Sanremese, que jogará na Prima Categoria de Impéria, todos estão inscritos entre a Serie D e os torneios regionais de Eccellenza ou Promozione.

O Ravenna, que já não teria recursos para se manter na terceirona, foi expulso do profissionalismo após o recente escândalo de apostas (caso Last Bet). Triste epílogo para o Atletico Roma, finalista dos play-offs da Prima Divisione na última temporada, que negociu sem sucesso a transferência de seu título para Pomezia e depois não pôde se inscrever no torneio. No caso do Rodengo Saiano, prevaleceu a sensatez: sem recursos para suportar mais uma temporada profissional, o clube se inscreveu voluntariamente no torneio de Eccellenza.

Retornos

Neste ano as repescagens ficaram restritas apenas à Prima Divisione, e foram promovidos Pro Vercelli, Avellino, Prato, Ternana, Südtirol e Monza. O retorno de maior prestígio, claro, é o da equipe de Vercelli, detentora de sete scudetti e que estava afastada da categoria desde 1978. O acesso do Avellino é inusitado: pela segunda vez consecutiva, o clube é alçado a uma categoria superior sem obter esse direito dentro de campo. Ternana e Südtirol terão a chance de apagar os rebaixamentos da última temporada. Também rebaixado meses atrás, o Monza foi chamado às pressas para substituir o Alessandria, rebaixado nos bastidores como punição pelo envolvimento no caso Last Bet.

Pro Vercelli reencontra a Terceira Divisão após mais de três décadas de ausência (Alè Leoni)

A estrutura da Prima Divisione permaneceu inalterada, com 36 clubes divididos em dois grupos de 18 e jogando entre si em turno e returno. Os campeões de cada chave conquistam o acesso automático à Serie B. Outros dois promovidos são conhecidos após a disputa dos play-offs, que envolve os segundos, terceiros, quartos e quintos colocados de um mesmo grupo. Equipes classificadas entre a 14ª e 17ª posições jogam pela sobrevivência nos play-outs; os quatro perdedores se unem aos últimos colocados de cada chave, rebaixados diretamente.

Grupo A

Sorrento (semifinalista dos play-offs na última temporada) e a repescada Pro Vercelli, que festejou seu retorno com um mercado de alta performance, são as estrelas. Reggiana e Benevento, apesar das punições do caso Last Bet, devem jogar pela promoção direta. Lumezzane, Spal e Taranto têm recursos para lutar diretamente pelos play-offs, com Pisa, Carpi e Avellino correndo por fora. Sem o técnico Zdenek Zeman (atualmente no Pescara) e muitos jovens, o Foggia é uma incógnita. A prioridade dos demais times é evitar a Seconda Divisione.

Participantes: Avellino, Carpi, Como, Foggia, Foligno, Lumezzane, Monza, Pavia, Pisa, Pro Vercelli, Sorrento, Spal, Ternana, Tritium, Taranto (-1), Viareggio (-1), Reggiana (-2) e Benevento (-6).

Grupo B

Os quatro rebaixados da Serie B estão aqui: Frosinone e Triestina vêm com elencos fortes, o Portosummaga ponta a uma participação mediana e o Piacenza tem tudo para viver um ano difícil: trocou de dono, foi mal no mercado e começa com pontos a menos. Com grandes investimentos, o Siracusa mira a Serie B. Carrarese (de propriedade de Buffon e Cristiano Lucarelli), Bassano Virtus, Spezia e o repescado Prato deverão figurar nas partes altas da tabela. Protagonista do melhor mercado do grupo, a Cremonese terá que recuperar os pontos descontados. Para os outros participantes, o título é a salvezza.

Participantes: Andria, Barletta, Bassano Virtus, Carrarese, FeralpiSalo’, Frosinone, Latina, Pergocrema, Portosummaga, Prato, Siracusa, Spezia, Sudtirol, Trapani, Triestina, Virtus Lanciano, Piacenza (-4) e Cremonese (-6).

Uma falência e dois títulos amadores depois, Perugia está de volta ao futebol profissional (asdperugia.it)

A Seconda Divisione agora conta com apenas dois grupos, de 20 e 21 clubes respectivamente, e se converte num campeonato tão longo quanto à Serie A. Como na categoria superior, as equipes também jogam entre si em turno e returno, mas, além dos campeões, os vices também estarão promovidos diretamente. A disputa dos play-offs de acesso continua, agora entre terceiros, quartos, quintos e sextos colocados de uma mesma chave. Na parte de baixo, a Serie D engolirá nove times: os três últimos de cada grupo; os dois perdedores dos play-outs (disputados entre 16º e 17º colocados no Grupo A, e 17º e 18º no B); e, finalmente, o perdedor do spareggio, jogado entre os vencedores dos play-outs.

Grupo A

Rebaixado “à força”, o Alessandria, semifinalista dos play-offs da Prima Divisione na última temporada, desponta como favorito absoluto ao acesso, seguido por Lecco, Cuneo – atual campeão nacional amador – e Mantova, que retorna ao convívio dos profissionais. Fim do amadorismo também para Treviso e Rimini, que buscam reestear em bom nível. Pro Patria, Renate, Poggibonsi e San Marino podem ser as surpresas. As demais equipes deverão priorizar a permanência na série antes de voos mais altos.

Participantes: Alessandria, Bellaria Igea, Borgo a Buggiano, Casale, Cuneo, Giacomense, Lecco, Mantova, Montichiari, Poggibonsi, Renate, Rimini, Sambonifacese, San Marino, Santarcangelo, Savona, Treviso, Valenzana, Virtus Entella e Pro Patria (-1).

Grupo B

Recuperado de sua última falência, e embalado por dois títulos, o Perugia chega à Seconda Divisione cotado para realizar o sonhado doppio salto de divisão. Aversa Normanna, Paganese, Catanzaro (por mais embaraçoso que seja vê-lo ainda entre os profissionais), Milazzo e Neapolis também são pretendentes ao acesso direto. Chieti e L’Aquila, que vêm de ótimas participações na última temporada, podem surpreender mais uma vez. Após o projeto fracassado do último ano, o Giulianova é uma incógnita. Os outros times lutam pela permanência.

Participantes: Aprilia, Arzanese, Aversa Normanna, Campobasso, Catanzaro, Celano, Chieti, Ebolitana, Fano, Fondi, Gavorrano, Giulianova, Isola Liri, L’Aquila, Melfi, Milazzo, Neapolis, Paganese, Perugia, Vibonese e Vigor Lamezia.

1 comentário

  • Ótimo texto Thiago, parabéns!

    A LP1 promete ser bastante interessante esse ano, há times com nível pra jogar a Série B (caso do Spezia e do Benevento) e vai voar sangue no Girone B, com certeza.

    A LP2 está legal, quero só ver como o Santarcangelo vai se comportar, se reforçaram bem pra essa temporada, podem pintar como surpresa.

    No Girone B realmente o Perugia é o grande favorito, trouxeram o Carloto de volta, contrataram o excelente Sebastian Bueno para o ataque e trouxeram o lateral Anania e o bom Daniele Giordano para o gol. Se tem alguém para bater de frente, são Paganese, Giulianova e a filial do Catania (Milazzo).

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