Liga dos Campeões

A noite titânica de Koulibaly ajudou o Napoli a despachar o Nice na Champions League

Balotelli? Sneijder? Saint-Maximin? Koulibaly.

Quem acompanha futebol italiano sabe o quanto o zagueiro senegalês evoluiu nas mãos de Maurizio Sarri. Koulibaly chegou ao Napoli em 2014, contratado junto ao Genk, e acumulou erros em sua primeira temporada, na qual foi treinado por Rafa Benítez. Esteve a um passo de deixar o clube, mas o substituto do espanhol bancou sua permanência. Com Sarri, Koulibaly se transformou em um dos mais sólidos defensores da Europa. Hoje, diante do Nice, Kalidou mostrou novamente o seu valor e ratificou porque é apelidado de K2 (em referência à segunda montanha mais alta do mundo) e The Wall.

O muro africano impediu que qualquer perigo rondasse a área do Napoli em quase 90 minutos. Em todo o primeiro tempo, os jogadores do Nice só conseguiram tocar na bola dentro da grande área azzurra em uma única oportunidade. Soberania garantida por Koulibaly, que anulou Balotelli, e por um grande trabalho de equipe. À frente de K2, os atacantes, meio-campistas e laterais dos partenopei executavam uma marcação alta muito eficiente, que quando não recuperava a bola já no campo de ataque, obrigava Seri, Dante e Le Marchand a rifar a pelota ou a cometer erros. Sneijder pouco articipou da partida e, longe da sua melhor forma física – tal qual Balotelli – foi inofensivo. Somente o ousado Saint-Maximin partiu para cima e tentou vencer em jogadas individuais, mas era apenas um contra um exército.

A vantagem conquistada no jogo de ida fez com que o Napoli tivesse uma abordagem um pouco diferente do que o habitual. Com 2 a 0 no placar agregado, a equipe italiana foi menos propositiva e mais reativa, atacando os erros dos Aiglons. Melhor no jogo, os azzurri só não inauguraram o marcador no primeiro tempo porque Mertens acabou perdendo duas chances claras.

Logo após o intervalo, a pressão napolitana no campo do Nice finalmente surtiu efeito. Hamsík roubou uma bola, tabelou com Insigne e cruzou rasteiro para que Callejón fizesse o gol da tranquilidade. Após ver a vaga ficar ainda mais longe, a equipe francesa começou a se perder, e a discussão entre Balotelli e o técnico Favre foi apenas uma amostra da irritação. Afinal, o Napoli conseguiu o feito de obrigar a sensação da última Ligue 1 a jogar mal.

Na sequência do primeiro gol, Mertens deixou Dante zonzo e acertou a trave. Depois, Insigne perdeu oportunidade clara frente ao goleiro Cardinale. Lorezinho, porém, não perdoou mais uma vez e, nos minutos finais, definiu o placar: após tabelar com Ghoulam, estufou as redes com um belo chute no canto. A jogada do 2 a 0 teve a marca do time de Sarri e teve origem em uma troca de passes iniciada na defesa. O Nice até assustou no final, com Ganago e Lees-Melou, mas a vitória azzurra e a passagem para a próxima etapa da Liga dos Campeões estavam garantidas.

A classificação do Napoli para a fase de grupos significa que pela primeira vez em quatro anos uma equipe italiana superou a fase preliminar – o último time tinha sido o Milan, que em 2013 deixou o PSV Eindhoven para trás. Desde que a Serie A passou a ter apenas três vagas na Champions League, em 2012, somente os rossoneri haviam conseguido eliminar seu adversário nos play-offs.

A classificação já é motivo de festa na Campânia, mas houve certo lamento nesta terça. Por pouco os azzurri não conseguiram ficar com uma vaga no segundo pote do sorteio realizado pela Uefa, que acontece nesta quinta. O Sevilla, que “tomou” seu lugar, quase viu sua classificação escapar: o Istanbul Başakşehir precisava de um gol para eliminar o adversário no Ramón Sánchez-Pizjuán, mas acertou a trave nos acréscimos. Competência, o Napoli tem de sobra, mas a sorte não lhe ajudou neste momento. Em Castelvolturno, a torcida é para que o cenário seja diferente no decorrer da competição.

Nice 0-2 Napoli

Nice: Cardinale; Souquet, Le Marchand, Dante, Jallet; Tameze (Lees-Melou), Seri, Walter (Marcel); Sneijder; Balotelli (Ganago), Saint-Maximin. Técnico: Lucien Favre.

Napoli: Reina; Hysaj, Albiol, Koulibaly, Ghoulam; Allan (Rog), Jorginho (Diawara), Hamsík (Zielinski); Callejón, Mertens, Insigne. Técnico: Maurizio Sarri.

Gols: Callejón e Insigne.
Local: estádio Allianz Riviera, em Nice, França.
Árbitro: Damir Skomina (Eslovênia)

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