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Amedeo Carboni foi ídolo na Roma e se tornou bandeira e recordista na Espanha

Conhecido pelos espanhóis como “El Capo”, Amedeo Carboni teve longa carreira no futebol, entre 1983 e 2006. Lateral-esquerdo com alto poder de marcação, o italiano fez história na Roma e no Valencia, seu último clube. Apesar disso, o toscano nunca recebeu muitas oportunidades na seleção italiana.

A estrada de Amedeo teve início pelo Arezzo, de sua cidade natal. Carboni entrou na base do clube aos 10 anos e foi cedido à Fiorentina aos 18, antes mesmo de estrear como profissional. Carboni não teve muitas chances para desenvolver seu potencial na Serie A: nunca chegou a jogar pela viola e voltou ao Arezzo em 1984. No retorno, se firmou como titular e durou pouco na modesta equipe amaranto da Toscana.

Já se sabia na época que Carboni teria muito futuro. O Bari, então na primeira divisão, também quis apostar no lateral em 1985, mas ainda era cedo demais para que colhesse os frutos. O rebaixamento do clube apuliano abalou a carreira do defensor, mas ele tinha muito mais a oferecer. A prova disso foi a boa passagem pelo Empoli, que fazia a sua estreia na elite do futebol italiano.

Servindo aos azzurri da Toscana, Carboni teve como companheiros Walter Mazzarri, Eusebio Di Francesco, Marco Osio e Francesco Baiano. O lateral fez somente 11 jogos, mas contribuiu para a histórica permanência da equipe na Serie A. As aparições serviram de credencial para um contrato com o Parma, que à época disputava a segundona. Em uma época em que era complicado demais para um jovem estourar no futebol italiano antes dos 23 anos, Carboni ganhou oportunidades pelos crociati e recebeu um convite da Sampdoria. Foi a contratação pelo time de Gênova que alavancou a carreira do lateral-esquerdo, em 1988.

Carboni passou pela Sampdoria no início da carreira e contribuiu para a fase de ouro dos genoveses (Getty)

Carboni fez parte do time que venceu a Coppa Italia em 1989 e a Recopa Uefa em 1990, contra o perigoso Anderlecht. A potência para subir ao ataque e recompor a marcação em seu setor no campo foram determinantes para o sucesso. Amedeo se apresentava pela primeira vez como um atleta campeão; era hora de dar um passo adiante. A Sampdoria de Vujadin Boskov se preparava para a sua maior glória, na Serie A de 1991. Mas Carboni não quis esperar o milagre e assinou com a Roma em 1990.

Foram sete anos de entrega à camisa romanista. A garra e o incansável espírito lutador marcaram totalmente a sua carreira como titular e pilar defensivo de uma equipe em lenta decadência, que fazia a transição entre as gestões de Dino Viola e Franco Sensi. Logo de cara, mostrando estrela, o lateral ergueu a taça da Coppa Italia, em 1991, ganhando enorme projeção nacional, ainda mais do que havia conseguido pela Sampdoria.

Curiosamente, seu primeiro e único troféu em giallorosso foi justamente o que conquistou contra seu antigo clube. Com uma vitória por 3 a 1 na capital e um empate em 1 a 1 no Luigi Ferraris, em Gênova, a Roma de Ottavio Bianchi dava a cartada final em cima de Boskov e seus craques com gols de Rudi Völler em ambos os confrontos. Carboni, titular e pulmão de ouro na ala esquerda, terminava seu terceiro ano seguido levantando uma taça. E a espera pela próxima foi agoniante.

Um jovem Carboni, em sua temporada de estreia pela Roma (imago)

Mesmo entregando um futebol de força, técnica e aplicação tática, Carboni não conseguiu ver no resto do time uma aptidão semelhante para vencer. Campanhas medianas e longe da briga pelo título desanimaram o que seria o trecho final da carreira do valente defensor, que certamente merecia bem mais do que conquistou em sua trajetória desportiva. Nunca foi peça-chave da seleção italiana, por exemplo: recebeu todas as suas convocações para a Nazionale em seus tempos de Roma e a única competição de que participou foi a Euro 1996.

Na Cidade Eterna, porém, ninguém ameaçava a sua titularidade. Carboni caminhava para se transformar em um ídolo da geração ao lado de Aldair e Giuseppe Giannini. Na sua última temporada, em 1996-97, Carboni herdou o posto de capitão com a saída de Giannini. O bastão foi passado para Aldair, que foi entregar a braçadeira apenas em 1998 para Francesco Totti, prata da casa que despontava como liderança para a década seguinte.

Em 1997, Amedeo se deparou com a escolha de sua vida. Feliz em Roma, mesmo sem títulos, foi convidado a defender o Valencia. A negociação foi persistente por parte dos che, que queriam os serviços do lateral de 32 anos a qualquer custo. Viam nele o homem experiente que o clube precisava para alcançar os rivais de maior prestígio em La Liga.

Carboni chegou a ser capitão na Cidade Eterna (Allstar/imago)

Depois de muita conversa e promessas, o italiano desembarcou na Espanha, convencendo sua esposa (grávida de oito meses) a se mudar de país pela primeira vez. E depois de alguns meses, se via com importância similar para o time de Claudio Ranieri. Com a camisa 15 e o papel de dono da ala esquerda, Amedeo tornou a ser campeão em 1999, quando o Valencia desbancou o Atlético de Madrid na final da Copa do Rei, por 3 a 0. Acabavam os vinte anos da seca de títulos dos morcegos. O desempenho feroz de Carboni na decisão e em toda a temporada o colocaram como indispensável para os anos seguintes.

Se por acaso ele pensava que sua caminhada estava acabando, ainda havia muito o que comemorar pelo clube do Mestalla. Figura carismática e muito querida pela torcida nos anos 2000, o ex-romanista se viu em uma equipe vencedora, que levantou mais duas vezes o Campeonato Espanhol, uma Copa Uefa e disputou em 2000 e 2001 a final da Liga dos Campeões.

Apesar do destino inglório imposto aos che nas decisões europeias, a trajetória da equipe foi muito além do que se esperava do reinado de Héctor Cúper – que depois assinaria com a Inter. Carboni, por sua vez, esteve apenas na segunda final da Champions, contra o Bayern de Munique, fazendo a falta que originou o pênalti no tempo normal, além de desperdiçar sua cobrança nas penalidades. Ao contrário do que se pode pensar, o veterano jamais foi hostilizado por esses erros.

Carboni foi um dos poucos jogadores italianos que brilharam na Espanha (Valencia CF)

Havia muito mais no fim do túnel, já sob o comando de Rafa Benítez. Em 2004, sem perder o pique, Amedeo impressionou com o seu preparo, aos 39 anos, durante a dobradinha em La Liga e na Copa Uefa, quando o Valencia passou pelo Marseille. Imortalizado pelos nove anos impecáveis em Valencia, Carboni chegou a ser capitão da equipe e se aposentou em 2006, perdendo a batalha da posição para o conterrâneo Emiliano Moretti.

Até hoje, Carboni é o jogador mais velho que já atuou pelo clube. Durante sua década valencianista, o italiano disputou 337 jogos e entrou para a lista dos 10 jogadores que mais vezes vestiram a camisa blanquinegra – e também gravou de vez seu nome na história como o atleta mais velho a conquistar um troféu europeu, aos 39 anos. Com 41, o notável italiano saiu de cena, deixando saudade na apaixonada torcida valenciana.

Após a aposentadoria dos gramados, Amedeo Carboni virou diretor técnico do Valencia, entre 2006 e 2008, e também teve uma passagem como consultor de Rafa Benítez na Inter. Atualmente, volta e meia aparece em transmissões esportivas fazendo as vezes de comentarista.

Amedeo Carboni
Nascimento: 6 de abril de 1965, em Arezzo, Itália
Posição: lateral-esquerdo
Clubes: Arezzo (1983, 1984-85), Fiorentina (1983-84), Bari (1985-86), Empoli (1986-87), Parma (1987-88), Sampdoria (1988-90), Roma (1990-97), Valencia (1997-2006)
Títulos: Coppa Italia (1989, 1991), Campeonato Espanhol (2002, 2004), Copa Uefa (2004), Recopa Uefa (1990), Copa do Rei (1999), Supercopa da Espanha (1999), Copa Intertoto (1998), Supercopa Uefa (2004),
Seleção italiana: 18 jogos

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