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Meia cerebral, Mario Bortolazzi se tornou bandeira do Genoa na década de 1990

A Itália, tradicionalmente, produz ótimos registas. É difícil imaginar um time italiano sem aquele jogador de meio-campo cerebral, aplicado taticamente, responsável pela criação de jogadas e por ditar o ritmo do jogo. Por muito tempo, o Genoa teve Mario Bortolazzi, que não era um jogador de muitos gols, mas foi uma das peças mais importantes do time durante a década de 90, ao lado de Gennaro Ruotolo. O meia se tornou um dos jogadores mais queridos pela torcida e escreveu seu nome na história dos grifoni: está entre os 10 que mais entraram em campo com a camisa rossoblù.

Mario Bortolazzi nasceu em Verona, no ano de 1965. Logo na adolescência se mudou para Mantova, a 39 km da capital do Vêneto, e, com apenas 16 anos, fez sua primeira partida como profissional na Serie C1, pelos virgiliani. Os mantuanos caíram para a quarta divisão, mas Bortolazzi se destacou e, menos de dois anos depois, em outubro de 1982, acertou com a Fiorentina.

Em Florença, o jovem teve a oportunidade de disputar a Serie A, mas enfrentou a concorrência de jogadores mais consolidados na equipe viola – como Giancarlo Antognoni, Eraldo Pecci, Daniele Massaro e Patrizio Sala – e, por isso, não teve muitos minutos. Bortolazzi entrou no final das partidas contra Catanzaro e Sampdoria, totalizando apenas sete minutos em campo na temporada 1982-83. Devido à falta de espaço, foi transferido à equipe Primavera e, sob o comando de Vincenzo Guerini, conquistou o scudetto sub-19 de 1983. O veronês permaneceu por outras duas temporadas na Toscana, disputando apenas 21 partidas no total.

Após deixar a Viola, Bortolazzi foi contratado como um jovem promissor pelo Milan. Não se firmou nem pelos rossoneri nem por Parma, Hellas Verona e Atalanta, que defendeu em seguida. Seu melhor ano foi na segundona, com a camisa parmense, emprestado pelo Milan: em 34 jogos, anotou sete gols e acabou sendo aproveitado por Arrigo Sacchi, que o treinou na Emília-Romanha, no próprio Diavolo. Mario fez parte do elenco que faturou o scudetto em 1988. Naquela campanha, realizou treze partidas e anotou um único gol contra o Pescara.

Bortolazzi jogou pelo Verona, de sua cidade, mas não se firmou (Hellas Live)

Depois de tanta peregrinação por times do norte da Itália, Bortolazzi se fixaria no Genoa: chegou ao clube em 1990, permaneceu por quase uma década e se tornou uma de suas bandeiras. A contratação de Bortolazzi foi um pedido de Osvaldo Bagnoli, treinador recém chegado ao rossoblù, que tinha no currículo a conquista do histórico scudetto de 1985 pelo Hellas Verona, clube que dirigiu por nove anos – e no qual comandou o próprio Mario. Bortolazzi chegava para assumir a titularidade ao lado de Ruotolo e Roberto Onorati, sendo o principal responsável na ligação entre os meias e a dupla de ataque, composta por Carlos Alberto Aguilera e Tomás Skuhravy.

O início de sua trajetória no Genoa foi conturbado, afinal Bortolazzi ficou marcado por perder um pênalti em jogo decisivo da Coppa Italia, diante da Roma. Mesmo assim, conseguiu recuperar a confiança poucos dias depois e marcar um gol no clássico contra a Sampdoria. No decorrer da temporada, Mario ajudou o Genoa a engatar uma boa sequência no campeonato e assegurar a quarta posição, vencendo os confrontos diretos contra Juventus e Inter nas últimas rodadas.

O Genoa, naqueles tempos, vivia uma ascensão muito veloz: em 1989 conseguiu o acesso à Serie A e, dois anos depois, conseguiu a vaga na Copa Uefa. Dava sinais de que montaria um time competitivo para os próximos anos, algo que o torcedor não via desde a década de 1950. No ano seguinte os rossoblù começaram o ano com um ótimo rendimento e apenas uma derrota nas oito primeiras partidas. Bortolazzi foi o autor do primeiro tento da temporada no 2 a 0 na estreia contra a Cremonese, e ainda marcou nos triunfos sobre Juventus e Ascoli. Também voltou a vitimar a Sampdoria, desta vez com um golaço de falta. O Genoa no entanto, não conseguiu manter o ritmo inicial e chegou a lutar contra o rebaixamento em certa altura do campeonato.

Se não tiveram bons resultados em âmbito doméstico, os grifoni fizeram ótima campanha na Copa Uefa e só pararam na semifinais. Não entraram na competição com muito favoritismo, mas conseguiram eliminar Oviedo, Steaua e Dinamo Bucareste, em sequência. Nas quartas, encarou o Liverpool, vencendo tanto em Anfield como no Marassi. A campanha brilhante parou na semifinal diante do Ajax, que viria a ser o campeão daquele ano, ao derrotar o Torino na decisão.

No fim da carreira, Bortolazzi passou pelo West Brom (EMPICS/Getty)

Se o sucesso internacional não veio na Copa Uefa, o Genoa o alcançaria quatro anos mais tarde, ainda que houvesse caído para a Serie B, em 1995. A primeira e única conquista de Bortolazzi com o clube genovês foi na última edição da extinta Copa Anglo-Italiana, em 1996. Os grifoni passaram em segundo lugar na fase de grupos e, na final, derrotaram o Port Vale, da Inglaterra, com um placar de futsal: 5 a 2. Mario disputou todas as partidas do torneio e os grifoni terminaram a competição invictos, com cinco vitórias e três empates.

A trajetória rossoblù de Bortolazzi terminou em 1998, depois de 285 partidas e 18 gols marcados. Aos 33 anos, decidiu se aventurar pelo futebol inglês e assinou com o West Bromwich. Mesmo com idade avançada, ele foi titular do time na segunda divisão da Inglaterra, mas passou apenas uma temporada na ilha. No verão de 1999, Mario voltou para o futebol italiano e rumou ao Livorno, clube pelo qual disputaria a Serie C1 novamente. O veronês disputou a terceirona pelos labronici e pelo Lecco, até aposentar-se, em 2003. Em 2013, Bortolazzi foi escolhido para o Hall da fama do Genoa e fez parte do onze ideal da agremiação.

Fora dos gramados, Bortolazzi tem um extenso histórico como auxiliar técnico. Dois anos depois de abandonar o futebol profissional, o ex-meia foi chamado para ser o vice de Roberto Donadoni, então treinador do Livorno. A parceria da dupla, que começou quando ambos eram jogadores do Milan, foi muito duradoura. Afinal, Mario acompanhou o treinador lombardo na seleção italiana, no Napoli, no Parma e no Bologna. O trabalho no clube bolonhês foi tão positivo que Bortolazzi acabou sendo contratado como auxiliar fixo dos rossoblù. Atualmente, o ex-regista faz parte da comissão técnica de Sinisa Mihajlovic.

Mario Bortolazzi
Nascimento: 10 de janeiro de 1965, em Verona, Itália
Posição: meio-campista
Clubes como jogador: Mantova (1980-82), Fiorentina (1982-85), Milan (1985-86 e 1987-88), Parma (1986-87), Verona (1988-89), Atalanta (1989-90), Genoa (1990-98), West Bromwich (1998-99), Livorno (1999-2000 e 2002-03) e Lecco (2000-02)
Títulos: Serie A (1988) e Copa Anglo-Italiana (1996)

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