Com o fim da Serie A 2025-26, trazemos aqui na Calciopédia nossa tradicional retrospectiva da temporada, na qual analisamos o desempenho dos 20 clubes que disputaram o Campeonato Italiano. O torneio ficou marcado pelo domínio da Inter e pelo fracasso das outras gigantes, mas também pela consolidação de uma nova geração de treinadores e por campanhas que alteraram o status de equipes historicamente acostumadas a ocupar outros espaços no futebol do país.
Ao mesmo tempo, a Serie A 2025-26 muitas vezes passou a sensação de ter sido nivelada por baixo, em contraste com o crescimento técnico e competitivo observado pelo campeonato nos anos anteriores. A própria campanha dominante da Inter ajuda a explicar esse cenário: além da consistência nerazzurra, a equipe de Cristian Chivu encontrou pouca resistência real na metade final do torneio, algo que se refletiu também nos números gerais da competição.
O campeonato teve média de apenas 2,43 gols por partida, a pior da história da Serie A em formatos de 20 clubes, além de ter produzido 36 empates por 0 a 0, o equivalente a 9,5% dos jogos disputados. Nenhuma das cinco principais ligas europeias apresentou tantos placares sem gols ou média ofensiva tão baixa em 2025-26.
Pela primeira vez desde 1990-91, o artilheiro da Serie A não alcançou sequer 20 gols – Lautaro Martínez terminou na liderança com apenas 17, registrando a artilharia menos prolífica desde Diego Armando Maradona, que fez em 1987-88. Juntamente a isso, vale destacar o número reduzido de jogadores que atingiram ao menos 10 tentos no torneio: somente 14, o pior índice da competição desde 1991-92.
Nesse ambiente de menor brilho coletivo, poucos times da parte alta da tabela conseguiram escapar da mediocridade geral e sustentar um futebol realmente convincente ao longo da campanha, com destaque para Inter, Roma e Como, além da Atalanta em alguns momentos específicos da temporada. Curiosamente, algumas das histórias mais interessantes do campeonato acabaram surgindo justamente na metade inferior da classificação.
A Inter começou a temporada cercada de dúvidas após a saída de Simone Inzaghi e a escolha do inexperiente Chivu para assumir o comando técnico. A goleada sofrida diante do Paris Saint-Germain na final da Champions League anterior, somada ao fato de a equipe ter terminado aquela campanha sem títulos apesar de ter disputado todas as frentes até o fim, ampliava a pressão sobre um elenco já bastante desgastado física e psicologicamente, algo que também ficou evidente na participação nerazzurra na Copa do Mundo de Clubes.

Os trabalhos de Fàbregas e Chivu por Como e Inter, respectivamente, obtiveram destaque durante o ano (Getty)
A aposta no treinador chegou a ser vista como temerária por parte da torcida, mas o romeno conseguiu rapidamente reorganizar o ambiente, recuperar o nível competitivo de uma base já consolidada e devolver equilíbrio a uma time que parecia emocionalmente abatido. No fim das contas, a Beneamata deslanchou na Serie A, conquistou o scudetto com 11 pontos de vantagem e ainda faturou a Coppa Italia, produzindo a dobradinha nacional e estabelecendo-se como a equipe dominante da temporada.
O Napoli, que também se prepara para uma nova troca de comando, até conseguiu acompanhar o ritmo da Inter durante o primeiro turno, mas perdeu força na metade final do campeonato. Entre problemas físicos recorrentes, oscilações coletivas e um futebol menos convincente do que em outros momentos, os partenopei não foram capazes de sustentar a perseguição aos nerazzurri, embora tenham assegurado o vice-campeonato e uma vaga na Champions League.
Logo atrás, Roma e Como foram responsáveis por campanhas que superaram amplamente as expectativas. A equipe giallorossa voltou à Champions League ao terminar na terceira colocação, algo que não acontecia havia oito anos, enquanto o time dirigido por Cesc Fàbregas confirmou uma das histórias mais interessantes do campeonato ao estrear em competições europeias justamente pela principal porta de entrada do continente. Com uma defesa sólida, um jogo propositivo e um ataque bastante eficiente, os lariani se consolidaram com um futebol que figurou entre os mais agradáveis da temporada.
Pior para Milan e Juventus, que fracassaram na reta decisiva do campeonato. Ambos tiveram momentos de solidez ao longo da campanha, mas acabaram punidos pela irregularidade e precisaram se contentar com vagas na Liga Europa, resultado insuficiente para clubes acostumados a ambições muito maiores. A Atalanta, por sua vez, começou mal a temporada, errou na escolha inicial para o comando técnico, mas conseguiu corrigir o rumo após a troca de treinador e fechou a lista dos classificados às competições europeias com uma vaga na Conference League.
Entre as decepções, Bologna e Lazio não conseguiram repetir os bons momentos de temporadas anteriores, enquanto a Fiorentina chegou a flertar seriamente com o rebaixamento antes de reagir também graças a uma mudança de comando bem-sucedida. Do meio da tabela para baixo, merecem destaque os trabalhos consistentes de Udinese, Sassuolo, Parma e Cagliari, além da forte queda de rendimento da Cremonese, que chegou a iniciar o campeonato de maneira promissora antes de terminar rebaixada. Verona e Pisa completaram a lista das equipes que amargaram o descenso depois de campanhas muito frágeis e poucas respostas competitivas ao longo de 2025-26.
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Análise clube a clube
Pisa | Verona | Cremonese | Lecce | Genoa | Fiorentina | Cagliari | Parma | Torino | Sassuolo | Udinese | Lazio | Bologna | Atalanta | Juventus | Milan | Como | Roma | Napoli | Inter
Pisa
A campanha: 20ª colocação, 18 pontos. 2 vitórias, 12 empates e 24 derrotas. Rebaixado.
No primeiro turno: 20ª posição, 12 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nos 16-avos de final da Coppa Italia pelo Torino.
Ataque e defesa: 26 gols marcados (o segundo pior) e 71 sofridos (a pior)
Time-base: Semper; Calabresi, Caracciolo, Canestrelli; Touré, Marin (Akinsanmiro), Aebischer, Angori; Léris (Tramoni), Moreo; Meister (Nzola, Stojilkovic).
Artilheiros: Stefano Moreo (7 gols) e M’Bala Nzola (3)
Garçom: Mehdi Léris (3 assistências)
Técnicos: Alberto Gilardino (até a 23ª rodada) e Oscar Hiljemark (a partir da 24ª)
Os destaques: Stefano Moreo, Idrissa Touré e Mehdi Léris
A decepção: Lorran
A revelação: Ebenezer Akinsanmiro
Quem mais jogou: Stefano Moreo (37 jogos) e Simone Canestrelli (37)
O sumido: Calvin Stengs
Melhor contratação: Ebenezer Akinsanmiro
Pior contratação: Filip Stojilkovic
O retorno do Pisa à Serie A depois de 35 anos carregava um peso emocional evidente, mas a sensação de que o clube precisaria operar acima do próprio limite competitivo ficou clara desde o início da temporada. A saída de Filippo Inzaghi logo após o acesso retirou uma figura central do projeto e colocou Alberto Gilardino diante de um desafio ingrato: tentar manter na elite o elenco mais frágil da categoria. Ainda assim, os nerazzurri chegaram a produzir sinais interessantes nos primeiros meses. Competiram bem contra adversários mais fortes, arrancaram empates diante de Atalanta, Fiorentina, Lazio e Milan e chegaram perto de surpreender Roma e Napoli. Faltava, porém, capacidade para transformar atuações competitivas em triunfos. Os toscanos venceram apenas uma vez em cada turno e terminaram a temporada com um dos piores ataques do campeonato, cenário que aos poucos corroeu a confiança da equipe e expôs a falta de alternativas ofensivas do elenco.
Boa parte desse fracasso esteve ligada ao rendimento decepcionante das principais apostas do mercado. Lorran alternou atuações apagadas com sinais de displicência, Calvin Stengs praticamente não entrou em campo após sofrer uma grave lesão muscular no início da campanha e M’Bala Nzola fracassou a ponto de deixar o clube depois de um ultimato público de Gilardino. Outros nomes importantes, como Mattéo Tramoni, Michel Aebischer, Juan Cuadrado, Raúl Albiol, Samuel Iling-Junior e Rafiu Durosinmi, também renderam muito abaixo do esperado, transformando o Pisa em um time numeroso, mas pouco funcional. Nem mesmo as mudanças promovidas ao longo da campanha conseguiram alterar esse quadro. A equipe perdeu agressividade ofensiva, ficou excessivamente dependente de jogadas isoladas e passou boa parte do campeonato sofrendo, apesar da entrega dos atletas.
As poucas notas positivas acabaram insuficientes para evitar um desfecho previsível. Idrissa Touré ofereceu boas alternativas pelo lado direito, Ebenezer Akinsanmiro sustentou alguma regularidade no meio-campo e Stefano Moreo terminou isolado como principal referência ofensiva do time. O Pisa perdeu organização e confiança ao longo dos meses, e a troca de Gilardino por Oscar Hiljemark no início do returno apenas acelerou a queda de rendimento. O clube toscano terminou rebaixado com antecedência e de forma merecida. O sonho do retorno à elite durou pouco para os nerazzurri, que deixam a Serie A com a sensação de terem desperdiçado a oportunidade de construir sua permanência por erros de planejamento e por um mercado que fracassou em praticamente todas as apostas centrais.
Verona
A campanha: 19ª colocação, 21 pontos. 3 vitórias, 12 empates e 23 derrotas. Rebaixado.
No primeiro turno: 18ª posição, 13 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nos 16-avos de final da Coppa Italia pelo Venezia.
Ataque e defesa: 25 gols marcados (o pior) e 61 sofridos (a terceira pior)
Time-base: Montipò; Bella-Kotchap (Nuñez), Nelsson, Edmundsson (Valentini); Belghali, Gagliardini (Harroui), Akpa Akpro (Serdar, Niasse), Bernède, Frese (Bradaric); Orban, Bowie (Giovane, Sarr).
Artilheiros: Gift Orban (7 gols), Kieron Bowie (4) e Giovane (3)
Garçom: Giovane (4 assistências)
Técnicos: Paolo Zanetti (até a 23ª rodada) e Paolo Sammarco (a partir da 24ª)
Os destaques: Giovane, Gift Orban e Rafik Belghali
A decepção: Sandi Lovric
A revelação: Ioan Vermesan
Quem mais jogou: Victor Nelsson (38 jogos), Lorenzo Montipò (35) e Amin Sarr (34)
O sumido: Isaac
Melhor contratação: Giovane
Pior contratação: Yellu Santiago
O Verona iniciou a temporada já cercado por sinais preocupantes. Depois de escapar da queda no campeonato anterior, o time perdeu peças importantes, viu o grupo Presidio Investors atuar timidamente no mercado e rapidamente sentiu o peso da ausência de Tomás Suslov, que se lesionou na pré-temporada e perdeu grande parte da Serie A. Sem o eslovaco, a equipe viu sua criatividade se esvair e passou a depender de iniciativas individuais para conseguir competir. Ainda assim, o brasileiro Giovane chegou a oferecer algum respiro na primeira metade da campanha, valorizando-se rapidamente antes de ser vendido ao Napoli por cerca de 20 milhões de euros. O problema é que o Hellas já tinha um elenco limitado e acabou ficando ainda mais pobre ofensivamente após sua saída, sem conseguir encontrar soluções para manter competitividade ao longo do certame.
Sem jogadores criativos, Paolo Zanetti tentou construir um time intenso e agressivo pelos lados, mas esbarrou em limitações muito claras. O Verona terminou com o pior ataque da Serie A e viveu excessivamente de jogadas individuais de Gift Orban, cruzamentos de Rafik Belghali, Martin Frese e Domagoj Bradaric ou raros lampejos de Abdou Harroui, novamente prejudicado por problemas físicos. As contratações de inverno até trouxeram alguma profundidade ao elenco, mas pouco mudaram o cenário. Andreas Edmundsson e Armel Bella-Kotchap ajudaram defensivamente em determinados momentos, porém a equipe continuou incapaz de sustentar rendimento ofensivo minimamente consistente – apesar das tentativas de Kieron Bowie, também adquirido em janeiro.
A troca de Zanetti pelo interino Paolo Sammarco simbolizou a falta de ambição esportiva do clube, que caiu depois de sete anos na elite. Sem buscar um treinador mais experiente ou com ideias bem conhecidas para tentar evitar o descenso, a diretoria preferiu uma solução interna até o fim da temporada, e o Verona acabou rebaixado de forma merecida após meses de rendimento muito frágil. O futuro também não parece particularmente animador. Além da queda para a Serie B, o clube vive um momento de possível desinvestimento em reforços e pode precisar direcionar recursos importantes para alavancar o projeto de reforma do Marcantonio Bentegodi.
Cremonese
A campanha: 18ª colocação, 34 pontos. 8 vitórias, 10 empates e 20 derrotas. Rebaixada.
No primeiro turno: 13ª posição, 22 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada nos 32-avos de final da Coppa Italia pelo Palermo.
Ataque e defesa: 32 gols marcados e 57 sofridos
Time-base: Audero; Terracciano, Baschirotto, Bianchetti (Luperto); Barbieri (Floriani Mussolini, Zerbin), Bondo (Payero), Grassi (Maleh), Vandeputte, Pezzella; Bonazzoli, Vardy (Sanabria).
Artilheiros: Federico Bonazzoli (10 gols) e Jamie Vardy (7)
Garçom: Jari Vandeputte (5 assistências)
Técnicos: Davide Nicola (até a 29ª rodada) e Marco Giampaolo (a partir da 30ª)
Os destaques: Federico Bonazzoli, Jamie Vardy e Federico Baschirotto
A decepção: Jeremy Sarmiento
A revelação: Tommaso Barbieri
Quem mais jogou: Filippo Terracciano (36 jogos), Federico Bonazzoli (35) e Emil Audero (36)
O sumido: Faris Moumbagna
Melhor contratação: Jamie Vardy
Pior contratação: Jeremy Sarmiento
Considerando as nove participações da Cremonese na Serie A, apenas em uma sequência, em 1994-95 e 1995-96, o clube conseguiu evitar o retorno imediato à segunda divisão – naquela oportunidade, caiu em 1996-97. Por isso, a chegada do milagreiro Davide Nicola parecia quase uma tentativa calculada de romper um padrão histórico bastante conhecido em Cremona, considerando a eficiência do técnico em salvar equipe do descenso. E, durante boa parte do primeiro turno, a aposta deu sinais de que poderia funcionar. Os grigiorossi acumularam cinco partidas de invencibilidade logo nas primeiras rodadas, frequentaram a metade superior da tabela por várias jornadas e encerraram a primeira metade do campeonato na 13ª colocação, com 22 pontos. A Cremo mostrava competitividade, organização e capacidade de aproveitar bem as chances criadas. O problema é que a estrutura coletiva começou a perder consistência de forma abrupta e o time jamais foi o mesmo novamente.
A queda de rendimento no returno foi brutal e o sonho de efetivar o milagre foi se desfazendo. A Cremonese passou 15 rodadas sem vencer, numa sequência que acabou custando o cargo de Nicola, e chegou à 35ª jornada com apenas seis pontos somados em 16 partidas. Curiosamente, o colapso aconteceu mesmo com alguns jogadores produzindo campanhas individuais bastante positivas. Emil Audero foi um dos goleiros mais seguros entre os times da parte inferior da tabela, Federico Baschirotto manteve regularidade defensiva e ainda contribuiu no ataque, enquanto Tommaso Barbieri ofereceu consistência pelos corredores. Jamie Vardy, contratação que inicialmente parecia apenas simbólica, respondeu com sete gols e teve papel importante durante a fase mais competitiva da equipe. Já Federico Bonazzoli terminou como um dos 14 atletas que alcançaram dois dígitos em tentos na Serie A e foi também um dos três italianos a atingir essa marca. Faltou, porém, sustentação coletiva ao redor desses destaques. Antonio Sanabria viveu temporada muito pobre, David Okereke participou pouco e Milan Djuric, contratado em janeiro, passou em branco, deixando o setor ofensivo excessivamente concentrado em poucos nomes.
A gordura construída no primeiro turno quase foi suficiente para salvar a Cremonese, que demorou bastante para entrar na zona de rebaixamento e chegou à reta final ainda brigando pela permanência – prova disso é que o time passou apenas sete rodadas entre os três últimos colocados e caiu somente na derradeira jornada. O descenso acabou sendo consequência natural de um segundo turno muito abaixo da média para qualquer time que almejasse permanecer na elite. A diferença em relação a outros rebaixados é que a Cremonese ao menos encerra a temporada preservando certa perspectiva de reconstrução rápida. O clube segue relativamente bem estruturado financeiramente graças ao investimento ligado a Giovanni Arvedi, magnata no ramo siderúrgico, e mantém uma base capaz de sustentar ambições imediatas de retorno à Serie A.
Lecce
A campanha: 17ª colocação, 38 pontos. 10 vitórias, 8 empates e 20 derrotas.
No primeiro turno: 16ª posição, 17 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nos 16-avos de final pelo Milan.
Ataque e defesa: 28 gols marcados (o terceiro pior) e 50 sofridos
Time-base: Falcone; Danilo Veiga, Tiago Gabriel, Gaspar (Siebert), Gallo; Ramadani, Coulibaly; Pierotti, Berisha (Gandelman, Ngom), Banda (Sottil); Stulic (Cheddira, Camarda).
Artilheiros: Lameck Banda (5 gols), Nikola Stulic (4), Walid Cheddira (3) e Lassana Coulibaly (3)
Garçons: Lameck Banda e Antonino Gallo (4 assistências)
Técnico: Eusebio Di Francesco
Os destaques: Wladimiro Falcone, Tiago Gabriel e Lameck Banda
A decepção: Nikola Stulic
A revelação: Matías Pérez
Quem mais jogou: Wladimiro Falcone (38 jogos)
O sumido: Thórir Helgason
Melhor contratação: Omri Gandelman
Pior contratação: Nikola Stulic
Eusebio Di Francesco conseguiu evitar seu terceiro rebaixamento consecutivo na Serie A. Depois de cair de forma dramática com Frosinone, em 2023-24, e Venezia, em 2024-25, sempre na última rodada, o treinador finalmente conseguiu escapar desse destino no comando do Lecce. E houve méritos claros nisso. Apesar dos descensos anteriores e dos anos complicados que vinha atravessando, seus trabalhos não tinham sido necessariamente ruins, especialmente o primeiro, realizado pelos canários. No Salento, mais uma vez, conseguiu construir algo positivo. Ao contrário de vários concorrentes diretos na luta contra a queda, o time giallorosso manteve uma espinha dorsal bastante reconhecível ao longo de toda a temporada, com poucas mudanças em sua estrutura. Wladimiro Falcone atuou em todas as partidas do campeonato, enquanto Antonino Gallo, Tiago Gabriel, Ylber Ramadani e Santiago Pierotti estiveram presentes em 37 das 38 rodadas e Danilo Veiga participou de 36. Essa continuidade ajudou os lupi a preservarem uma identidade clara do início ao fim da campanha e acabou sendo um dos fatores que explicam a permanência na elite.
A principal virtude do Lecce esteve na defesa. Falcone confirmou mais uma vez seu status como um dos goleiros mais confiáveis da categoria, acumulando intervenções decisivas ao longo da campanha. À sua frente, Tiago Gabriel deu um salto de qualidade importante e se consolidou entre os melhores zagueiros do campeonato, especialmente dentre os clubes da metade inferior da tabela. Gallo também recuperou rendimento após uma temporada abaixo das expectativas, enquanto Kialonda Gaspar, apesar dos problemas físicos, ajudou a manter a competitividade do setor quando esteve disponível. O problema aparecia do meio para frente. Com apenas 28 gols marcados, a equipe teve um dos ataques menos produtivos do campeonato e viu praticamente todas as apostas ofensivas fracassarem. Nikola Stulic passou boa parte do torneio brigando com a bola, Francesco Camarda não conseguiu se afirmar em meio às limitações criativas do conjunto e ainda perdeu espaço por causa de uma lesão na clavícula, enquanto o voluntarioso Walid Cheddira alternou lampejos com longos períodos de baixa produção.
O que salvou o Lecce foi justamente sua capacidade de crescer quando a pressão atingiu o ponto máximo. A reta final trouxe uma reação que parecia improvável semanas antes, com três vitórias nas últimas quatro rodadas e pontos somados em cinco das seis derradeiras partidas. Os gols decisivos dos contestados Stulic e Cheddira na vitória frenética sobre o Sassuolo – além da noite positiva do marroquino no triunfo em Pisa – acabaram simbolizando uma arrancada construída muito mais na força coletiva do que no brilho individual. Ainda assim, houve espaço para alguns destaques ofensivos, especialmente Lameck Banda, líder da equipe em participações em tentos (nove), e Lassana Coulibaly, responsável por oferecer equilíbrio e intensidade ao meio-campo. A permanência não elimina os problemas estruturais que acompanharam o time durante toda a campanha, mas oferece uma recompensa importante a um trabalho que, embora longe de ser espetacular, mostrou mais consistência do que os de muitos concorrentes diretos na luta contra o descenso.
Genoa
A campanha: 16ª colocação, 41 pontos. 10 vitórias, 11 empates e 17 derrotas.
No primeiro turno: 17ª posição, 16 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nas oitavas de final da Coppa Italia pela Atalanta.
Ataque e defesa: 41 gols marcados e 51 sofridos
Time-base: Leali (Bijlow); Østigard, Marcandalli, Vásquez; Norton-Cuffy (Sabelli), Frendrup, Malinovskyi (Masini), Martín; Vitinha (Ekhator) Ellertsson; Colombo.
Artilheiros: Lorenzo Colombo (7 gols), Ruslan Malinovskyi (6), Vitinha (4) e Leo Østigard (5)
Garçom: Aarón Martín (5 assistências)
Técnicos: Patrick Vieira (até a 9ª rodada), Domenico Criscito (10ª) e Daniele De Rossi (a partir da 11ª)
Os destaques: Leo Østigard, Lorenzo Colombo e Johan Vásquez
A decepção: Nicolae Stanciu
A revelação: Nils Zätterström
Quem mais jogou: Lorenzo Colombo (38 jogos), Johan Vásquez (36), Morten Frendrup (36) e Mikael Ellertsson (36)
O sumido: Jean Onana
Melhor contratação: Leo Østigard
Pior contratação: Nicolae Stanciu
Como o trabalho de Patrick Vieira pelo Genoa na temporada anterior foi alvo de elogios, sua demissão precoce em 2025-26 foi uma decisão relativamente inesperada. O início de campeonato, porém, foi desastroso: os rossoblù não venceram nenhuma das nove primeiras partidas e mergulharam na zona de rebaixamento, obrigando a diretoria a agir antes que a situação se tornasse mais delicada. Depois de uma breve transição conduzida por Domenico Criscito e Roberto Murgita, o clube apostou em Daniele De Rossi para reorganizar a campanha. O efeito foi imediato. Uma sequência de cinco jogos de invencibilidade – um na gestão interina e quatro sob as ordens do efetivo – tirou o Grifone das últimas posições e devolveu tranquilidade a um time que parecia preso a uma espiral negativa. A partir dali, os lígures passaram a ocupar uma faixa mais confortável da classificação, ainda que sem ambições maiores do que uma permanência tranquila.
De Rossi conseguiu montar um conjunto competitivo, mas para isso deixou de lado o 4-2-3-1 de seu antecessor e apostou no 3-5-2 e no 3-4-2-1. Assim, o Genoa voltou a ser um time sólido, organizado e capaz de criar dificuldades para adversários teoricamente superiores. Houve vitórias importantes, como a conquistada sobre a Roma, tão querida pelo seu treinador, além de resultados positivos contra equipes da parte alta da tabela. O ataque não esteve entre os mais produtivos do campeonato, mas Lorenzo Colombo viveu a melhor temporada de sua carreira e encontrou regularidade especialmente entre novembro e fevereiro, logo após a chegada de DDR, quando anotou seis dos seus sete gols. Ao seu redor, veteranos como Ruslan Malinovskyi e Junior Messias contribuíram sempre que estiveram disponíveis. Pelos corredores, Brooke Norton-Cuffy ofereceu profundidade e agressividade, enquanto Aarón Martín e Mikael Ellertsson tiveram papel importante na construção das jogadas. Na defesa, Johan Vásquez manteve o nível consistente já visto em temporadas anteriores, e Leo Østigard combinou segurança sem a bola com verve artilheira intensificada pela eficiência nas bolas paradas.
No fim das contas, o Genoa terminou exatamente no espaço que parecia destinado a ocupar dentro da hierarquia da Serie A. A colocação final, prejudicada por uma última rodada que o fez perder algumas posições, transmite uma impressão um pouco pior do que foi efetivamente sua campanha. Os rossoblù passaram a maior parte da temporada longe de riscos reais e construíram uma permanência relativamente confortável após o ajuste promovido no comando técnico. Para além disso, tivemos a valorização de De Rossi, que reforçou a imagem de treinador capaz de ir além do aspecto motivacional e demonstrou também competência na montagem de uma equipe equilibrada e funcional. Sem grandes estrelas ou investimentos extraordinários, o Grifone cumpriu sua missão e encerrou o campeonato com bases razoavelmente sólidas para a continuidade do projeto.
Fiorentina
A campanha: 15ª colocação, 42 pontos. 9 vitórias, 15 empates e 14 derrotas.
No primeiro turno: 19ª posição, 13 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada nas quartas de final da Conference League pelo Crystal Palace e nas oitavas da Coppa Italia pelo Como.
Ataque e defesa: 41 gols marcados e 50 sofridos
Time-base: De Gea; Dodô, Pongracic, Ranieri (Comuzzo), Gosens (Parisi); Mandragora, Fagioli, Ndour (Brescianini); Harrison (Solomon), Kean (Piccoli), Gudmundsson.
Artilheiros: Moise Kean (8 gols), Rolando Mandragora (7) e Albert Gudmundsson (5)
Garçom: Albert Gudmundsson (4 assistências)
Técnicos: Stefano Pioli (até a 10ª rodada) e Paolo Vanoli (a partir da 11ª)
Os destaques: Dodô, David De Gea e Rolando Mandragora
A decepção: Roberto Piccoli
A revelação: Niccolò Fortini
Quem mais jogou: David De Gea (37 jogos), Dodô (36) e Marin Pongracic (36)
O sumido: Abdelhamid Sabiri
Melhor contratação: Jack Harrison
Pior contratação: Simon Sohm
A Fiorentina viveu sua pior temporada desde o retorno à Serie A em 2004. Nem mesmo os anos turbulentos de 2004-05 ou 2018-19 haviam produzido um cenário tão alarmante quanto o de 2025-26, sobretudo porque as expectativas eram completamente diferentes – e em nenhuma dessas campanhas os gigliati passaram o equivalente a um turno inteiro na zona de descenso. Depois de flertar com a Champions League na campanha anterior, a diretoria decidiu encerrar o ciclo de Raffaele Palladino e apostar no retorno de Stefano Pioli, imaginando um salto competitivo. O resultado foi desastroso: seis derrotas e nenhuma vitória em 10 jogos resultaram na demissão do técnico. Seu sucessor herdou um cenário caótico e inimaginável para um clube que sonhava com vaga em competições europeias.
Paolo Vanoli assumiu um elenco desorganizado, abalado emocionalmente e prejudicado por um mercado que fracassou quase por completo – prova disso é que Edin Dzeko, Tariq Lamptey, Mattia Viti e Simon Sohm deixaram Florença com a campanha em andamento. Inicialmente, o novo treinador manteve a estrutura tática recebida, focando no 3-5-2, mas os resultados continuaram negativos e sua permanência chegou a ser questionada. A virada começou na 16ª rodada, com a goleada por 5 a 1 sobre a Udinese, às vésperas do Natal, resultado que devolveu confiança ao grupo e abriu caminho para uma recuperação gradual. A partir dali, o comandante passou a alternar sistemas, abandonando em alguns momentos a defesa com três homens e explorando diferentes funções para atletas como o lateral-esquerdo Fabiano Parisi, que atuou como meia pela direita várias vezes.
Já Roberto Piccoli, aquisição mais cara da história violeta, jamais conseguiu oferecer o impacto esperado. Nem mesmo Moise Kean repetiu o desempenho da temporada anterior, convivendo com lesões e terminando muito distante do protagonismo que havia demonstrado poucos meses antes, quando foi vice-artilheiro da Serie A. Ainda assim, a Fiorentina reagiu. A saída da zona de rebaixamento veio apenas na 26ª rodada, com vitória no clássico toscano com o Pisa, mas a equipe já vinha crescendo (vide triunfos sobre Bologna e Como) e terminou o returno com a sétima melhor campanha da Serie A, rendimento compatível com a disputa por vagas europeias. Em uma temporada marcada também pela morte do presidente Rocco Commisso e pela constatação de que a troca de Palladino – que tinha rusgas com o diretor Daniele Pradè, posteriormente demitido – foi um erro estratégico, a permanência acabou representando um alívio. Ao menos, a torcida pôde encerrar o ano com uma última satisfação: o sucesso sobre a Juventus que foi fundamental para deixar a rival fora da próxima Champions League.
Cagliari
A campanha: 14ª colocação, 43 pontos. 11 vitórias, 10 empates e 17 derrotas.
No primeiro turno: 14ª posição, 19 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nas oitavas de final da Coppa Italia pelo Napoli.
Ataque e defesa: 40 gols marcados e 53 sofridos
Time-base: Caprile; Zé Pedro (Zappa), Mina, Rodríguez (Luperto); Palestra, Folorunsho (Deiola), Adopo, Gaetano (Prati), Obert; Esposito, Borrelli (Kiliçsoy).
Artilheiros: Sebastiano Esposito (7 gols), Gennaro Borrelli (5) e Semih Kiliçsoy (4)
Garçom: Sebastiano Esposito (5 assistências)
Técnico: Fabio Pisacane
Os destaques: Marco Palestra, Elia Caprile e Sebastiano Esposito
A decepção: Zé Pedro
A revelação: Riyad Idrissi
Quem mais jogou: Elia Caprile (38 jogos), Marco Palestra (37) e Sebastiano Esposito (36)
O sumido: Agustín Albarracín
Melhor contratação: Marco Palestra
Pior contratação: Zé Pedro
A decisão do presidente Tommaso Giulini de encerrar o trabalho de Davide Nicola e apostar no inexperiente Fabio Pisacane causou surpresa. Ex-zagueiro com passagem pelo Cagliari e então no comando dos juvenis do clube, o técnico havia acabado de conquistar a Coppa Italia Primavera e recebeu a missão de liderar um projeto mais voltado ao desenvolvimento de jovens talentos. O risco parecia evidente, mas a aposta funcionou melhor do que o esperado. Com a segunda menor média de idade da Serie A, de apenas 24,7 anos, a equipe passou toda a temporada longe da zona de rebaixamento e construiu uma campanha marcada por organização, personalidade e evolução de diversos jogadores. Os rossoblù garantiram a permanência e conseguiram estabelecer uma identidade bastante clara, algo raro para um elenco com tantos garotos.
Pisacane alternou principalmente entre o 3-5-2 e o 4-2-3-1, aproveitando a versatilidade de várias peças e potencializando especialmente Marco Palestra. O lateral foi utilizado em diferentes funções, tornou-se o italiano com mais dribles no campeonato e acabou eleito pela liga como o melhor defensor da temporada. Ao seu redor, Elia Caprile se afirmou como um dos principais goleiros da Serie A, Sebastiano Esposito liderou a produção ofensiva da equipe, com 12 participações em gols, e Gianluca Gaetano recuperou protagonismo após longo período de discrição – por outro lado, Michael Folorunsho não teve o impacto esperado. O treinador também encontrou espaço para lançar jovens como Riyad Idrissi, Yael Trepy e Paul Mendy, sem perder competitividade. Nem tudo foi simples. Lesões graves afetaram nomes como Andrea Belotti e Mattia Felici, enquanto veteranos como Alessandro Deiola e Leonardo Pavoletti tiveram participação reduzida. Coube a Yerry Mina assumir o papel de liderança dentro de um grupo inexperiente, mas que raramente demonstrou imaturidade em campo.
Os resultados reforçaram a impressão de que o projeto encontrou um caminho promissor. O Cagliari derrotou Roma, Juventus, Fiorentina, Atalanta e Milan, demonstrando capacidade para competir contra rivais mais qualificados. A vitória sobre os rossoneri na última rodada, que acabou custando ao adversário uma vaga na Champions League, serviu como símbolo de uma campanha acima das expectativas iniciais. A queda de rendimento observada na reta final não comprometeu um trabalho que foi sólido durante praticamente toda a temporada. Com Pisacane valorizado, uma geração interessante em desenvolvimento e um modelo que se mostrou sustentável, o clube sardo encerra 2025-26 com bons motivos para olhar para o futuro com esperança. E, principalmente, como uma das experiências mais encorajadoras do campeonato: uma prova de que apostar na juventude pode render frutos – inclusive para times mais modestos, que vivem sobre a linha tênue da briga pela permanência na elite.
Parma
A campanha: 13ª colocação, 45 pontos. 11 vitórias, 12 empates e 15 derrotas.
No primeiro turno: 15ª posição, 19 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nas oitavas de final da Coppa Italia pelo Bologna.
Ataque e defesa: 28 gols marcados (o terceiro pior) e 46 sofridos
Time-base: Suzuki (Corvi); Delprato, Valenti (Troilo), Circati; Britschgi, Sørensen (Ordóñez, Nicolussi Caviglia, Estévez), Bernabé, Keita, Valeri; Gabriel Strefezza (Ondrejka, Cutrone), Pellegrino.
Artilheiros: Mateo Pellegrino (9 gols) e Adrián Bernabé (3)
Garçom: Hans Nicolussi Caviglia (3 assistências)
Técnico: Carlos Cuesta
Os destaques: Mateo Pellegrino, Enrico Delprato e Zion Suzuki
A decepção: Pontus Almqvist
A revelação: Sascha Britschgi
Quem mais jogou: Mateo Pellegrino (37 jogos), Mandela Keita (37) e Enrico Delprato (35)
O sumido: Vicente Guaita
Melhor contratação: Sascha Britschgi
Pior contratação: Vicente Guaita
O Parma iniciou a temporada cercado por dúvidas. Após escapar do rebaixamento na última rodada da Serie A 2024-25 e ver Cristian Chivu rumar à Inter, apostou no debutante Carlos Cuesta, segundo treinador mais jovem da história da Serie A, com apenas 30 anos – o espanhol fora auxiliar da equipe sub-17 da Juventus e de Mikel Arteta no Arsenal. O risco parecia ainda maior diante de um elenco que era o mais inexperiente do campeonato (média etária de 24,3) e que havia perdido peças importantes em relação à campanha anterior, como Giovanni Leoni, Simon Sohm, Dennis Man e Ange-Yoan Bonny. O cenário parecia especialmente arriscado para um candidato ao descenso e o começo também não ajudou, com quatro jornadas sem vitória, mas o time manteve a confiança no projeto e foi encontrando um caminho próprio. Em vez de tentar compensar sua falta de experiência com ousadia excessiva, os crociati construíram uma identidade pragmática, organizada e extremamente disciplinada, algo que acabou surpreendendo ao longo da temporada.
A principal marca do Parma esteve na organização defensiva. Mesmo sem contar durante boa parte da temporada com o goleiro Zion Suzuki, lesionado por um longo período, a equipe manteve um dos sistemas mais sólidos da metade inferior da tabela, sofrendo apenas 46 gols. Edoardo Corvi respondeu bem quando exigido, enquanto o capitão Enrico Delprato liderou uma retaguarda que também contou com boas contribuições de reforços como Mariano Troilo. Do meio para frente, houve menos brilho. O ataque produziu pouco, mas compensou com eficiência. Sete das 11 vitórias vieram por 1 a 0, retratando um conjunto que soube sofrer e aprendeu a maximizar cada oportunidade. Nesse contexto, Mateo Pellegrino tornou-se peça decisiva. Letal pelo alto e autor de nove tentos, respondeu sozinho por 32% das bolas na rede dos ducali e assumiu o protagonismo ofensivo em uma campanha que teve poucos destaques individuais.
A arrancada construída entre fevereiro e o início de março acabou definindo a permanência dos emilianos. Três vitórias consecutivas, incluindo triunfos sobre Milan e Bologna, e uma sequência de cinco partidas de invencibilidade garantiram uma margem de segurança que permitiu ao time atravessar o restante da temporada sem grandes sustos na luta contra o descenso. O Parma não foi um time brilhante, tampouco apresentou muitos destaques individuais, mas soube competir dentro de suas limitações e encontrou nos triunfos por margem mínima uma forma eficiente de sobreviver. O saldo final validou a aposta feita pela diretoria em juventude, algo semelhante ao que ocorreu no Cagliari. A diferença é que agora virá um desafio ainda maior: provar que um modelo baseado em organização defensiva, formação de talentos e pragmatismo consegue produzir outras campanhas tranquilas e, quem sabe, crescimento sustentável nos próximos anos..
Torino
A campanha: 12ª colocação, 45 pontos. 12 vitórias, 9 empates e 17 derrotas.
No primeiro turno: 11ª posição, 23 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nas quartas de final da Coppa Italia pela Inter.
Ataque e defesa: 44 gols marcados e 63 sofridos (a segunda pior)
Time-base: Paleari; Coco, Maripán (Tameze), Ismajli (Ebosse); Pedersen, Casadei (Ilkhan), Gineitis (Asllani), Lazaro (Obrador); Vlasic; Adams (Zapata, Ngonge), Simeone.
Artilheiros: Giovanni Simeone (11 gols), Nikola Vlasic (8), Ché Adams (6) e Cesare Casadei (6)
Garçons: Rafael Obrador e Nikola Vlasic (3 assistências)
Técnicos: Marco Baroni (até a 26ª rodada) e Roberto D’Aversa (a partir da 27ª)
Os destaques: Giovanni Simeone, Nikola Vlasic e Cesare Casadei
A decepção: Tino Anjorin
A revelação: ninguém
Quem mais jogou: Nikola Vlasic (37 jogos), Saúl Coco (35), Ché Adams (33) e Cesare Casadei (33)
O sumido: Ivan Ilic
Melhor contratação: Giovanni Simeone
Pior contratação: Kristjan Asllani
Muita coisa deu errado no Torino em 2025-26. E nós nem estamos falando do fato de o time ter terminado com a segunda pior defesa da Serie A, já que esse número foi fortemente impactado por apenas quatro partidas, nas quais Como (11) e Inter (sete) marcaram 18 dos 63 gols sofridos pelos granata ao longo do campeonato – quase 29% do total. Os problemas estavam em outro lugar. A escolha de Marco Baroni não funcionou como se esperava, mas o treinador acabou servindo também como bode expiatório para dificuldades que iam muito além do banco de reservas. O Toro enfrentou um calendário duríssimo nas oito primeiras rodadas, encarando Inter, Fiorentina, Roma, Atalanta, Lazio e Napoli neste início da competição e, apesar de ter conseguido vitórias importantes contra os giallorossi e os azzurri, jamais encontrou a regularidade necessária para transformar esses resultados em uma campanha mais ambiciosa.
Boa parte dessa limitação nasceu de um mercado decepcionante. Franco Israel foi contratado para assumir a titularidade e acabou perdendo espaço para Alberto Paleari, que não é um goleiro de nível tão alto. Kristjan Asllani e Cyril Ngonge deixaram o clube ainda durante a temporada sem justificar a aposta feita pela diretoria. Tino Anjorin fracassou, Zakaria Aboukhlal sofreu com problemas físicos e Niels Nkounkou teve participação reduzida. O saldo das contratações foi tão pobre que os principais acertos vieram de movimentos pontuais, como a chegada de Rafael Obrador na janela de inverno e a contratação de Matteo Prati. O acerto real mesmo foi o retorno de Giovanni Simeone, que acabou se transformando na principal referência ofensiva ao marcar 11 gols, enquanto o capitão Duván Zapata precisou recuperar ritmo após a seríssima lesão sofrida na temporada anterior, que lhe deixou de molho até o fim de setembro de 2025. Sem criatividade constante e excessivamente dependente de Nikola Vlasic e Cesare Casadei nessa função, o Torino produziu pouco para quem sonhava ao menos em se aproximar da disputa por vagas continentais.
A demissão de Baroni por um suposto risco de rebaixamento pareceu exagerada diante da realidade da classificação. A partir da sétima rodada, os granata nunca ficaram abaixo da 15ª posição e jamais deram sinais concretos de que brigariam contra a queda. Roberto D’Aversa assumiu o comando e conseguiu reorganizar a equipe, impulsionado por uma sequência positiva, de três vitórias em casa, durante a reta final da temporada. Ainda assim, o campeonato do Torino terminou exatamente onde tantos outros haviam terminado nos últimos anos: no confortável e frustrante meio da tabela. Esse é justamente o ponto que mais irrita a torcida. Enquanto Urbano Cairo mantiver uma gestão conservadora e impulsionada pelo desejo em seguir na mediocridade, o Toro continuará parecendo satisfeito em apenas dar conta do recado, muito distante da ambição que seu passado e sua história sugerem.
Sassuolo
A campanha: 11ª colocação, 49 pontos. 14 vitórias, 7 empates e 17 derrotas.
No primeiro turno: 12ª posição, 23 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nos 16-avos de final da Coppa Italia pelo Como.
Ataque e defesa: 46 gols marcados e 50 sofridos
Time-base: Muric; Walukiewicz, Idzes, Muharemovic, Doig (Coulibaly, Garcia); Thorstvedt (Lipani), Matic, Koné; Berardi (Volpato, Fadera), Pinamonti, Laurienté.
Artilheiros: Andrea Pinamonti (9 gols), Domenico Berardi (8) e Armand Laurienté (7)
Garçom: Armand Laurienté (9 assistências)
Técnico: Fabio Grosso
Os destaques: Armand Laurienté, Domenico Berardi e Tarik Muharemovic
A decepção: Luca Moro
A revelação: Tarik Muharemovic
Quem mais jogou: Armand Laurienté (38 jogos), Andrea Pinamonti (36), Ismaël Koné (35) e Jay Idzes (35)
O sumido: Daniel Boloca
Melhor contratação: Ismaël Koné
Pior contratação: Walid Cheddira
Quando o Sassuolo caiu para a Serie B em 2024, a sensação foi de que algo estava fora do lugar. Desde sua estreia na elite, em 2013, o clube havia construído uma identidade rara no futebol italiano: planejamento coerente, aposta em jovens, treinadores com ideias claras e um estilo de jogo reconhecível. Por isso, o retorno imediato à Serie A foi natural, assim como sua reafirmação no meio da tabela do campeonato. O elenco já era forte para o nível da segunda divisão e ainda recebeu reforços importantes, como Nemanja Matic, Jay Idzes e Ismaël Koné. Sob o comando de Fabio Grosso, os neroverdi não sentiram o impacto da mudança de categoria. Depois de perder os dois primeiros compromissos, jamais voltaram a ocupar posições desconfortáveis e passaram a maior parte da temporada transitando entre o nono e o 11º lugares.
A solidez da campanha esteve diretamente ligada à qualidade de seus principais jogadores. Domenico Berardi continuou a ser o rosto do projeto, enquanto Armand Laurienté confirmou seu status como um dos atletas mais decisivos do campeonato. Apenas ele e Federico Dimarco, eleito pela liga como MVP do campeonato, conseguiram combinar ao menos sete gols e sete assistências na Serie A – dado que ajuda a dimensionar sua influência ofensiva. Kristian Thorstvedt manteve o nível que o transformou em presença constante na seleção norueguesa, e Koné, autor de seis tentos, agregou intensidade e qualidade técnica ao meio-campo. Quando Berardi precisou se ausentar por lesão, Cristian Volpato respondeu de forma convincente, evidenciando a profundidade de um grupo que combinava experiência e juventude. Taticamente, Grosso montou uma equipe equilibrada dentro de seu 4-3-3. O time foi capaz de atacar pelos corredores, acelerar transições e trabalhar com organização sem abrir mão da iniciativa.
Os resultados contra adversários mais qualificados ratificaram que o Sassuolo não era um time para se preocupar com a simples luta pela permanência. Os neroverdi somaram vitórias sobre Milan, Lazio, Como e Fiorentina, além de dois triunfos contra a Atalanta, incluindo um expressivo 3 a 0 em Bérgamo. Ainda que nunca tenha conseguido se inserir efetivamente na disputa por vagas europeias, o time mostrou competitividade suficiente para frequentar o pelotão intermediário sem maiores sobressaltos. O saldo final deixou Grosso valorizado (e a um passo da Fiorentina), além de confirmar que o rebaixamento de dois anos antes foi um mero acidente de percurso.
Udinese
A campanha: 10ª colocação, 50 pontos. 14 vitórias, 8 empates e 16 derrotas.
No primeiro turno: 10ª posição, 25 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada nas oitavas de final da Coppa Italia pela Juventus.
Ataque e defesa: 45 gols marcados e 48 sofridos
Time-base: Okoye; Kristensen, Kabasele (Bertola), Solet; Ehizibue (Zanoli), Ekkelenkamp (Piotrowski), Karlström, Atta, Kamara (Zemura); Zaniolo, Davis.
Artilheiros: Keinan Davis (10 gols), Nicolò Zaniolo (5), Arthur Atta (5) e Jurgen Ekkelenkamp (5)
Garçom: Nicolò Zaniolo (5 assistências)
Técnico: Kosta Runjaic
Os destaques: Nicolò Zaniolo, Arthur Atta e Keinan Davis
A decepção: Vakoun Bayo
A revelação: Nicolò Bertola
Quem mais jogou: Jesper Karlström (36 jogos), Oumar Solet (35) e Jakub Piotrowski (33)
O sumido: Sandi Lovric
Melhor contratação: Nicolò Zaniolo
Pior contratação: Adam Buksa
Em sua segunda temporada no comando da Udinese, Kosta Runjaic voltou a entregar um trabalho positivo, embora o contexto sugerisse dificuldades. O mercado conduzido pela diretoria parecia temerário, sobretudo no setor ofensivo, montado com uma mistura de apostas arriscadas, jogadores de currículo modesto e atletas que precisavam se reabilitar. O exemplo mais evidente era Nicolò Zaniolo. Entre problemas físicos, questões extracampo e uma carreira que parecia ter perdido força após graves lesões nos joelhos e polêmicas, o camisa 10 chegou cercado de dúvidas. Terminou a temporada, porém, como um dos líderes da equipe em participações em gols, com cinco bolas na rede e cinco assistências, a ponto de recolocar seu nome na discussão em torno da seleção italiana, que não defende desde o início de 2024. Outro caso ainda mais improvável foi o de Keinan Davis. Depois de anos discretos na Inglaterra e de duas temporadas pouco relevantes em Údine, o atacante finalmente encontrou espaço, confiança e continuidade para atingir os dois dígitos em tentos pela primeira vez na carreira.
Embora o ataque tenha dependido excessivamente dessa dupla, a força da Udinese esteve espalhada por vários setores do campo. Arthur Atta foi o principal líder técnico da equipe e o jogador que melhor sintetizou a afirmação do projeto de Runjaic, combinando qualidade na construção, capacidade de dar ritmo ao jogo e também de marcar seus golzinhos, ao passo que o zagueiro Oumar Solet voltou a fazer uma temporada muito sólida – os dois citados aparecem como prováveis futuras grandes vendas do clube. A propósito, a contribuição da defesa no ataque também chamou atenção. Além de Solet, Christian Kabasele e Thomas Kristensen marcaram três vezes cada um, aproveitando o poderio aéreo que se transformou em uma arma importante ao longo da campanha.
A classificação final refletiu exatamente o que a Udinese foi durante a maior parte da Serie A: uma equipe sólida de meio de tabela, capaz de competir contra praticamente qualquer adversário, mas sem consistência suficiente para transformar essa capacidade em candidatura real às competições europeias. As vitórias sobre Inter e Milan em San Siro, além dos triunfos diante de Napoli, Atalanta, Roma e Fiorentina, mostraram que o time friulano tinha capacidade de machucar rivais fortes. Ao mesmo tempo, a incapacidade de sustentar uma sequência longa de resultados impediu voos mais altos. Ainda assim, o saldo é amplamente positivo. Os bianconeri valorizaram ativos importantes, recuperaram jogadores que pareciam em declínio e consolidou uma base competitiva que permite encarar a próxima temporada com alguma ambição e, quem sabe, disputar algo além de um lugar no meio da tabela.
Lazio
A campanha: 9ª colocação, 54 pontos. 14 vitórias, 12 empates e 12 derrotas.
No primeiro turno: 9ª posição, 25 pontos.
Fora da Serie A: Vice-campeã da Coppa Italia.
Ataque e defesa: 41 gols marcados e 40 sofridos
Time-base: Provedel (Motta); Marusic, Gila (Provstgaard), Romagnoli, Nuno Tavares (Pellegrini); Taylor (Guendouzi), Cataldi, Basic (Dele-Bashiru); Isaksen (Noslin), Cancellieri (Dia, Castellanos, Maldini), Zaccagni (Pedro).
Artilheiros: Pedro (5 gols), Gustav Isaksen (5), Tijjani Noslin (4) e Matteo Cancellieri (4)
Garçons: Danilo Cataldi, Toma Basic e Valentín Castellanos (3 assistências)
Técnico: Maurizio Sarri
Os destaques: Mario Gila, Matteo Cancellieri e Pedro
A decepção: Mattia Zaccagni
A revelação: Edoardo Motta
Quem mais jogou: Adam Marusic (33 jogos), Alessio Romagnoli (32) e Mario Gila (31)
O sumido: Elseid Hysaj
Melhor contratação: Edoardo Motta
Pior contratação: Petar Ratkov
A Lazio viveu um dos períodos mais caóticos da era Claudio Lotito. Pela primeira vez em 34 anos, o clube ficou fora das competições europeias por duas temporadas consecutivas, e isso ficou muito na conta da diretoria. Problemas fiscais fizeram com que os celestes ficassem proibidos de fechar reforços na janela de verão, situação que teria sido omitida de Maurizio Sarri quando o treinador aceitou retornar a Formello após meses de um período sabático. A relação entre presidente e técnico se deteriorou rapidamente, enquanto as torcidas organizadas intensificaram os protestos contra o presidente – a ponto de promoverem greves e até boicotar emo dérbi contra a Roma no returno. O ambiente foi tóxico durante praticamente toda a campanha, e os aquilotti jamais conseguiram escapar dessa instabilidade. Não por acaso, o time passou o campeonato inteiro fora da zona de classificação para torneios continentais. Nunca conseguiu ir além da oitava posição, aliás.
As limitações do elenco ficaram evidentes semana após semana. A Lazio só pôde se reforçar em janeiro, quando já era tarde demais e a temporada estava comprometida. Ademais, ainda precisou vender peças importantes, como Christos Mandas, Mattéo Guendouzi e Valentín Castellanos para financiar a reformulação. Kenneth Taylor foi um dos poucos reforços a produzir impacto imediato, assumindo protagonismo no meio-campo, enquanto Daniel Maldini teve dificuldades para atuar como falso nove e Petar Ratkov não conseguiu se firmar. Sarri passou boa parte da temporada procurando soluções, alterando peças e tentando compensar a irregularidade de nomes como Fisayo Dele-Bashiru, Gustav Isaksen, Tijjani Noslin, Mattia Zaccagni e Boulaye Dia. Nesse cenário, veteranos como Danilo Cataldi e Pedro acabaram ganhando importância desproporcional. O espanhol, aos 38 anos, tornou-se um dos poucos jogadores capazes de oferecer regularidade em uma campanha marcada por rendimento muito abaixo das expectativas.
A Lazio só conseguiu alimentar alguma ambição na Coppa Italia, competição em que alcançou o vice-campeonato impulsionada pelo goleiro Edoardo Motta, que substituiu o lesionado Ivan Provedel e pegou quatro pênaltis nas semifinais contra a Atalanta. Na Serie A, porém, nunca houve uma reação consistente que permitisse sonhar com algo maior. A saída de Sarri ao fim da temporada encerra um retorno que começou cercado de esperança e terminou em frustração. Agora, com Gennaro Gattuso apontado como favorito para assumir o comando – após uma sequência de trabalhos ruins e sem nada incontestável em seu currículo –, o futuro não parece dos mais brilhantes. Distante dos tempos em que mirava voos mais altos, o clube capitolino passou a acumular evidências preocupantes de declínio.
Bologna
A campanha: 8ª colocação, 56 pontos. 16 vitórias, 8 empates e 14 derrotas.
No primeiro turno: 7ª posição, 29 pontos.
Fora da Serie A: Vice-campeão da Supercopa Italiana, eliminado nas quartas de final da Liga Europa pelo Aston Villa e nas quartas da Coppa Italia pela Lazio.
Ataque e defesa: 49 gols marcados e 46 sofridos
Time-base: Skorupski (Ravaglia); Zortea (João Mário, Holm), Heggem (Vitík), Lucumí, Miranda; Freuler (Pobega), Moro (Ferguson); Orsolini, Odgaard (Bernardeschi), Rowe (Cambiaghi); Castro.
Artilheiros: Riccardo Orsolini (10 gols), Santiago Castro (7) e Jens Odgaard (5)
Garçom: Nicolò Cambiaghi (4 assistências)
Técnico: Vincenzo Italiano
Os destaques: Riccardo Orsolini, Santiago Castro e Jonathan Rowe
A decepção: Thijs Dallinga
A revelação: Massimo Pessina
Quem mais jogou: Riccardo Orsolini (35 jogos), Santiago Castro (35), Juan Miranda (32) e Nadir Zortea (32)
O sumido: Ibrahim Sulemana
Melhor contratação: Jonathan Rowe
Pior contratação: Ibrahim Sulemana
Depois de voltar a levantar um troféu de relevância pela primeira vez em mais de cinco décadas, o Bologna entrou em 2025-26 cercado por expectativas altas. O time de Vincenzo Italiano, porém, jamais conseguiu reproduzir o nível competitivo mostrado na temporada anterior ou mesmo nos melhores momentos da era Thiago Motta. Embora tenha passado boa parte do primeiro turno orbitando posições que davam acesso às competições europeias, a queda de rendimento após a metade do campeonato foi gradual e irreversível. A partir da 20ª rodada, os rossoblù passaram a maior parte do tempo estacionados em oitavo lugar e não foram além disso, penalizados principalmente pelo desempenho ruim em seus domínios – os emilianos ganharam somente seis de suas 19 partidas no Renato Dall’Ara.
Parte dessa irregularidade esteve ligada às escolhas do próprio Italiano. O treinador manteve sua característica de promover rodízios constantes e, desta vez, o excesso de alternâncias pareceu prejudicar a construção de uma base mais estável. No centro da defesa, Martin Vitík e Torbjørn Heggem alternaram com frequência, enquanto na faixa direita, apesar do domínio de Nadir Zortea, revezaram muito Emil Holm, no primeiro turno, e João Mário, no segundo. Do meio para frente, não se podia adivinhar quem era titular: Lewis Ferguson, Remo Freuler, Nikola Moro, Tommaso Pobega, Jens Odgaard, Federico Bernardeschi, Jonathan Rowe, Nicolò Cambiaghi e Riccardo Orsolini entravam e saíam do onze inicial ao bel-prazer do técnico – embora Orso tenha alcançado dois dígitos em gols pela quarta vez seguida. Já Santiago Castro, frequentemente vítima de falta de criação, permaneceu como referência ofensiva, favorecido também pela lesão precoce de Ciro Immobile, negociado em janeiro, e pela incapacidade de Thijs Dallinga de se firmar. Por fim, a lesão de Lukasz Skorupski também pesou, já que Federico Ravaglia não transmitiu a mesma segurança.
As quedas nas quartas de final dos torneios de mata-mata esvaziaram os objetivos do Bologna na reta decisiva da temporada e o prêmio de consolação seria a permanência entre os oito primeiros colocados, resultado que ao menos garantiu entrada direta nas oitavas de final da próxima Coppa Italia. No fim das contas, foi um ano de poucos momentos realmente marcantes, com raras vitórias sobre times que terminaram o certame acima na tabela. A rigor, os triunfos sobre Como e Atalanta e as duas vitórias sobre o Napoli – algo que os rossoblù não conseguiam desde o início dos anos 2000. Foi pouco para uma equipe que havia criado expectativas bem mais elevadas. Ainda assim, o encerramento do ciclo de Italiano não ocorreu sob clima de ruptura ou insatisfação. A sensação predominante em Bolonha é a de que 2025-26 representou mais uma desaceleração do que um fracasso propriamente dito. Afinal, o clube tem estruturas sólidas o suficiente para encarar a mudança de comando como uma oportunidade de renovação, e não como uma reconstrução completa.
Atalanta
A campanha: 7ª colocação, 59 pontos. 15 vitórias, 14 empates e 9 derrotas. Classificada para a Conference League.
No primeiro turno: 8ª posição, 28 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada nas semifinais da Coppa Italia pela Lazio e nas oitavas da Liga dos Campeões pelo Bayern de Munique.
Ataque e defesa: 51 gols marcados e 36 sofridos
Time-base: Carnesecchi; Scalvini (Hien), Djimsiti, Ahanor (Kolasinac, Kossounou); Zappacosta (Bellanova), De Roon, Éderson, Zalewski (Bernasconi); De Ketelaere (Samardzic), Pasalic (Sulemana); Krstovic (Scamacca).
Artilheiros: Nikola Krstovic (10 gols) e Gianluca Scamacca (10)
Garçons: Nikola Krstovic e Charles De Ketelaere (5 assistências)
Técnicos: Ivan Juric (até a 11ª rodada) e Raffaele Palladino (a partir da 12ª)
Os destaques: Nikola Krstovic, Marco Carnesecchi e Gianluca Scamacca
A decepção: Raoul Bellanova
A revelação: Lorenzo Bernasconi
Quem mais jogou: Marco Carnesecchi (37 jogos), Davide Zappacosta (35), Marten De Roon (34) e Berat Djmisti (34)
O sumido: Mitchell Bakker
Melhor contratação: Nikola Krstovic
Pior contratação: Yunus Musah
Quase tragédia anunciada. Depois que se concretizou a saída de Gian Piero Gasperini, encerrando um ciclo de nove anos que transformou a Atalanta em uma potência do futebol italiano, já se sabia que a escolha de Ivan Juric para sucedê-lo não daria certo. Embora compartilhasse algumas referências táticas com o antigo treinador, o croata vinha de trabalhos decepcionantes em Roma e Southampton e não conseguiu dar continuidade ao modelo que encontrou em Bérgamo. A equipe até permaneceu invicta nas nove primeiras rodadas, mas venceu apenas duas vezes nesse período, acumulando empates e desperdiçando terreno na classificação. Quando as derrotas para Udinese e Sassuolo chegaram em sequência, a diretoria concluiu que a experiência havia fracassado. O treinador deixou a Dea apenas na 13ª posição.
A reação veio com a contratação de Raffaele Palladino. O novo comandante rapidamente devolveu identidade e competitividade a um grupo que parecia perdido. O rendimento cresceu de forma evidente, a ponto de a Atalanta registrar a sexta melhor campanha do returno, mas o atraso acumulado nos primeiros meses acabou sendo irreversível. A equipe alcançou a sétima posição na 20ª rodada e permaneceu ali até o encerramento da Serie A, distante tanto da disputa por Champions League quanto da briga pela Liga Europa – objetivo que escapou também com a queda nas semifinais da Coppa Italia para a Lazio. Ainda assim, houve sinais encorajadores. Marco Carnesecchi ratificou seu posto entre os melhores goleiros do campeonato, Éderson e Marten de Roon sustentaram o meio-campo, Davide Zappacosta voltou a ser decisivo pelo flanco direito, e tanto a revelação de Lorenzo Bernasconi quanto a afirmação do jovem Honest Ahanor ofereceram perspectivas interessantes para o futuro.
No ataque, Gianluca Scamacca e Nikola Krstovic dividiram espaço – nenhum deles frequentou o onze inicial por nem mesmo um turno – e terminaram com 10 gols cada, compensando parcialmente a queda de rendimento de Charles De Ketelaere e a irregularidade de Lazar Samardzic. A turbulenta saída de Ademola Lookman, que ficou muito tempo afastado, também deixou marcas em uma equipe que perderia uma de suas principais referências técnicas ainda no meio da temporada. No fim das contas, a Atalanta precisou se contentar com a vaga na Conference League. Para a maioria dos clubes italianos, esse resultado seria satisfatório. Para uma instituição que vinha frequentando a elite do campeonato e disputando a Champions League com naturalidade, ficou a sensação de uma temporada abaixo das expectativas – embora a terceira principal competição continental forneça aos nerazzurri uma oportunidade de título. O mais curioso é que, mesmo após a recuperação promovida por Palladino, tudo indica que o clube iniciará um novo ciclo, possivelmente com Maurizio Sarri e uma ruptura significativa em relação ao modelo tático que definiu a última década em Bérgamo.
Juventus
A campanha: 6ª colocação, 69 pontos. 19 vitórias, 12 empates e 7 derrotas. Classificada para a Liga Europa.
No primeiro turno: 4ª posição, 36 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada nas quartas de final da Coppa Italia pela Atalanta e nos 16-avos de final da Liga dos Campeões pelo Galatasaray.
Ataque e defesa: 61 gols marcados (o terceiro melhor) e 34 sofridos (a terceira melhor)
Time-base: Di Gregorio (Perin); Kalulu, Bremer (Gatti), Kelly; Cambiaso, Locatelli, Thuram, McKennie; Conceição, Yildiz; David (Vlahovic)
Artilheiros: Kenan Yildiz (10 gols), Dusan Vlahovic (7) e Jonathan David (6)
Garçom: Kenan Yildiz (6 assistências)
Técnicos: Igor Tudor (até a 8ª rodada), Massimo Brambilla (9ª) e Luciano Spalletti (a partir da 10ª)
Os destaques: Kenan Yildiz,
A decepção: Loïs Openda
A revelação: Vasilije Adzic
Quem mais jogou: Pierre Kalulu (37 jogos)
O sumido: Arkadiusz Milik
Melhor contratação: Jérémie Boga
Pior contratação: Loïs Openda
A Juventus desperdiçou uma oportunidade que estava ao seu alcance e os erros foram demonstrados em diferentes fases da temporada. Para começar, a escolha de manter Igor Tudor após o fim de 2024-25 foi equivocada: o croata jamais teve plena sintonia com o elenco e foi demitido após a oitava rodada, encerrando um ciclo que a própria diretoria prolongou sem grande convicção. Luciano Spalletti assumiu em seguida e melhorou o rendimento coletivo, mas o estrago inicial acabou pesando demais. Os números sugerem uma equipe capaz de alcançar a Champions League sem maiores dificuldades: terceira melhor defesa, terceiro melhor ataque e 69 pontos conquistados. O novo treinador consertou problemas anteriores, mas a Juve também ficou fora do G4 porque fracassou justamente quando a vaga estava ao alcance das mãos, na reta final do certame, empatando com o já rebaixado Verona e perdendo em casa para uma Fiorentina que já não tinha objetivos relevantes no campeonato.
Embora tenha evoluído sob o comando de Spalletti, a Vecchia Signora conviveu durante toda a temporada com limitações de elenco que acabaram sendo expostas nos momentos decisivos. Não bastou nem mesmo o brilho de Kenan Yildiz, que confirmou seu crescimento e foi o principal jogador ofensivo da equipe, ainda que enfrentando problemas físicos ao longo da campanha. Francisco Conceição também produziu bons momentos, assim como Weston McKennie e o reforço de inverno Jérémie Boga. O problema é que a Juventus esperava muito mais de suas contratações. Jonathan David e Loïs Openda ficaram aquém das expectativas. Tanto é que Dusan Vlahovic, lutando contra lesões, terminou sendo o atacante mais eficiente em relação aos minutos disputados. O ataque foi muito menos produtivo do que o potencial do plantel sugeria.
E nem mesmo a boa campanha defensiva esteve livre de contradições. O goleiro Michele Di Gregorio teve um ano abaixo do esperado e um dado ajuda a explicar essa percepção: em 47% das vezes que a Juventus sofreu um chute no alvo pela primeira vez em uma partida, acabou sofrendo gol. Foram 17 nos 36 primeiros arremates adversários em direção à meta bianconera, um índice elevado para um postulante ao topo da tabela – e foi isso que motivou a escolha por Mattia Perin como titular em algumas situações. No fim das contas, a Juve viu a temporada terminar sem alcançar o objetivo mínimo traçado pela diretoria e com impactos financeiros importantes, já que a ausência na Champions League reduz receitas e limita a margem para investimentos. A ver os impactos que isso causará já em 2026-27.
Milan
A campanha: 5ª colocação, 70 pontos. 20 vitórias, 10 empates e 8 derrotas. Classificado para a Liga Europa.
No primeiro turno: vice-líder, 42 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nas semifinais da Supercopa Italiana pelo Napoli e nas oitavas de final da Coppa Italia pela Lazio.
Ataque e defesa: 53 gols marcados e 35 sofridos
Time-base: Maignan; Tomori (De Winter), Gabbia, Pavlovic; Saelemaekers, Fofana (Ricci, Loftus-Cheek), Modric, Rabiot, Bartesaghi (Estupiñán); Pulisic (Nkunku), Rafael Leão (Giménez).
Artilheiros: Rafael Leão (9 gols), Christian Pulisic (8) e Christopher Nkunku (7)
Garçons: Adrien Rabiot, Christian Pulisic e Samuele Ricci (4 assistências)
Técnico: Massimiliano Allegri
Os destaques: Luka Modric, Adrien Rabiot e Mike Maignan
A decepção: Rafael Leão
A revelação: Cheveyo Balentien
Quem mais jogou: Mike Maignan (37 jogos), Alexis Saelemaekers (35), Luka Modric (34) e Strahinja Pavlovic (34)
O sumido: David Odogu
Melhor contratação: Luka Modric
Pior contratação: Koni De Winter
O Milan foi o grande flanelinha da Serie A 2025-26. Esteve no G4 em 34 das 38 rodadas, da quarta à 37ª, incluindo uma sequência de 16 jornadas na vice-liderança, guardando com zelo uma vaga na Champions League para entregá-la ao Como no capítulo derradeiro do campeonato. Embora já estivesse atrás da Inter na reta decisiva, o time rossonero chegou a parecer o único adversário capaz de manter viva a corrida pelo scudetto. A vitória no dérbi alimentou essa percepção, mas acabou se transformando no marco inicial de sua queda: o Diavolo venceu apenas três dos últimos 10 compromissos e perdeu justamente quando precisava confirmar um objetivo que parecia encaminhado há meses. A sensação que ficou é de que o elenco notou que a perseguição à líder não traria frutos e, ao mesmo tempo, acreditou que a classificação para a Champions League aconteceria naturalmente. Não ocorreu. Assim, Massimiliano Allegri produziu o que poderíamos chamar de “resultadismo sem resultados”. Os rossoneri nunca haviam terminado o certame fora do G4 com um aproveitamento tão alto.
O fracasso foi ainda mais difícil de explicar porque o Milan teve uma temporada relativamente livre de compromissos paralelos. Eliminado precocemente da Coppa Italia e fora das competições europeias, o time podia concentrar todas as energias na Serie A. Até a derrota para o Parma na 26ª rodada, acumulou 24 partidas de invencibilidade e parecia ter construído uma base sólida. Aos poucos, porém, a filosofia de Allegri revelou limitações cada vez mais evidentes, e os rossoneri sequer puderam contar assiduamente com Rafael Leão e Christian Pulisic, que conviveram com problemas físicos e produziram muito menos do que se esperava – embora ainda tenham terminado o ano como os principais artilheiros da equipe. O norte-americano, vale lembrar, nem balançou as redes em 2026.
Nomes como Pervis Estupiñán, Fikayo Tomori, Koni De Winter, Youssouf Fofana, Christopher Nkunku e Niclas Füllkrug também ficaram aquém das expectativas, contribuindo para um conjunto frequentemente previsível, pouco criativo e excessivamente dependente dos lampejos de seus dois principais atacantes. Em contrapartida, Luka Modric, Adrien Rabiot, Mike Maignan e Strahinja Pavlovic figuraram entre os melhores de suas posições no campeonato. O rendimento desse quarteto, aliado ao brilho intermitente de Leão e Pulisic, parecia suficiente para o Milan ficar no G4, mas o time se dissolveu fisicamente no fim do returno e deu no que deu. A pressão constante da torcida contra a gestão do fundo RedBird culminou em uma profunda reformulação administrativa, com as saídas dos diretores Igli Tare, Geoffrey Moncada e Giorgio Furlani, além da de Allegri. Como se não bastasse, o camisa 10 rosonero admitiu o desejo de mudar de ares.. O cenário é de absoluta incerteza e os torcedores do Diavolo sequer têm a garantia de que a revolução produzirá as mudanças que tanto desejam.
Como
A campanha: 4ª colocação, 71 pontos. 20 vitórias, 11 empates e 7 derrotas. Classificado para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 6ª posição, 33 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nas semifinais da Coppa Italia pela Inter.
Ataque e defesa: 65 gols marcados (o segundo melhor) e 29 sofridos (a melhor)
Time-base: Butez; Smolcic (Van der Brempt), Kempf (Diego Carlos), Ramón, Valle (Moreno); Da Cunha, Perrone; Rodríguez (Vojvoda), Paz, Baturina (Caqueret, Diao); Douvikas.
Artilheiros: Tasos Douvikas (14 gols), Nico Paz (12), Lucas Da Cunha (6) e Martin Baturina (6)
Garçom: Jesús Rodríguez (9 assistências)
Técnico: Cesc Fàbregas
Os destaques: Nico Paz, Lucas Da Cunha e Jacobo Ramón
A decepção: Álvaro Morata
A revelação: Jacobo Ramón
Quem mais jogou: Jean Butez (38 jogos), Tasos Douvikas (38), Lucas Da Cunha (36) e Máximo Perrone (36)
O sumido: Edoardo Goldaniga
Melhor contratação: Jacobo Ramón
Pior contratação: Álvaro Morata
O Como não foi exatamente uma surpresa em 2025-26. O investimento dos donos indonésios, a presença de Cesc Fàbregas no comando e a construção de um projeto claramente inspirado no futebol espanhol já indicavam que o clube poderia dar um salto de qualidade. O que ninguém imaginava era que esse avanço seria tão rápido. Afinal, os lariani disputarão pela primeira vez uma competição europeia e o farão justamente pela porta da frente, após uma classificação histórica para a Champions League. Curiosamente, o time passou pouquíssimo tempo no G4 ao longo da campanha e só entrou de forma definitiva neste pelotão na última rodada, aproveitando quedas de rendimento de Milan e Juventus para concluir uma escalada construída sobretudo na segunda metade do certame – os biancoblù tiveram aproveitamento inferior apenas ao da Inter no returno.
A identidade da equipe foi uma das mais particulares do campeonato. Com elenco repleto de jogadores formados ou desenvolvidos no futebol espanhol, o Como apostou em posse de bola, controle territorial e movimentação constante, fugindo de padrões tradicionais da Serie A. Nico Paz foi a principal estrela, Jesús Rodríguez desequilibrou pelo lado direito e o capitão Lucas Da Cunha – formado como ponta – consolidou brilhantemente a transformação em meio-campista central, vivendo a melhor temporada da carreira ao lado de Máximo Perrone. No ataque, Tasos Douvikas terminou como vice-artilheiro da competição, embora boa parte de sua produção tenha ocorrido contra adversários da metade inferior da tabela; gols pesados mesmo, só ante Lazio e Roma. Ainda assim, sequer foi ameaçado por Álvaro Morata, que ficou zerado. Mas vale destacar que o verdadeiro diferencial dos lombardos residiu no funcionamento coletivo. Dono da melhor defesa do campeonato, o time lariano somou 19 clean sheets (nas maiores lugas europeias, só o Arsenal se igualou) e contou com contribuições importantes de Diego Carlos, do jovem Jacobo Ramón e de uma estrutura que raramente dependia de individualidades para funcionar.
O trabalho de Fàbregas acabou sendo recompensado com a classificação continental e coroou a melhor temporada da história do clube, já que os lariani jamais haviam combinado percursos tão brilhantes nas duas competições nacionais. Semifinalista da Coppa Italia, vencedor de Lazio e Juventus em turno e returno na Serie A, além de responsável por triunfos marcantes sobre Roma, Fiorentina e Torino, o Como mostrou que sua posição final esteve longe de ser obra do acaso. Agora, o desafio passa a ser sustentar um crescimento que chegou antes do previsto e adaptar a sua estrutura às exigências da Champions League. Uma realidade que parecia distante há poucos meses e que está prestes a se tornar parte do cotidiano às margens do Lago de Como.
Roma
A campanha: 3ª colocação, 73 pontos. 23 vitórias, 4 empates e 11 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 5ª posição, 36 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada nas oitavas de final da Liga Europa pelo Bologna e nas oitavas da Coppa Italia pelo Torino.
Ataque e defesa: 59 gols marcados e 31 sofridos (a segunda melhor)
Time-base: Svilar; Mancini, Ndicka, Hermoso (Ghilardi); Çelik, Cristante, Koné, Wesley (Rensch); Soulé (Dybala), Pellegrini (Pisilli); Malen (Ferguson).
Artilheiros: Donyell Malen (14 gols), Matías Soulé (6) e Wesley (5)
Garçom: Paulo Dybala (6 assistências)
Técnico: Gian Piero Gasperini
Os destaques: Donyell Malen, Gianluca Mancini e Wesley
A decepção: Kostas Tsimikas
A revelação: Antonio Arena
Quem mais jogou: Mile Svilar (38 jogos), Bryan Cristante (37) e Gianluca Mancini (36)
O sumido: Bryan Zaragoza
Melhor contratação: Donyell Malen
Pior contratação: Leon Bailey
A Roma voltou ao terceiro lugar do Italiano e à Champions League oito anos depois, mas a conquista esteve longe de ser um caminho tranquilo. A chegada de Gian Piero Gasperini, escolhida para elevar o patamar de uma equipe que havia sido reconstruída por Claudio Ranieri na temporada anterior, chegou a provocar uma crise institucional. O novo treinador não foi bem aceito inicialmente pela torcida e, mais tarde, entrou em rota de colisão com o seu antecessor, que permaneceu na estrutura do clube como conselheiro da família Friedkin: Gasp questionou publicamente o mercado, foi rebatido e protagonizou uma disputa de poder que terminou com a saída do veterano dirigente antes mesmo do fim da campanha; posteriormente, Frederic Massara, também alvo de críticas do comandante, deixaria Trigoria. O técnico permaneceu no cargo e encerrou o campeonato fortalecido pela classificação à principal competição continental.
Em campo, a trajetória teve oscilações. A Roma iniciou a Serie A em alta, permaneceu longos períodos no G4 e chegou até a liderar a competição em uma rodada, mas perdeu rendimento na reta final do segundo turno e viu a vaga na Liga dos Campeões ficar ameaçada. O diferencial esteve justamente na capacidade de reação. Com seis vitórias nas últimas sete partidas, incluindo uma sequência de cinco triunfos consecutivos para encerrar o campeonato, o time aproveitou os tropeços de Milan e Juventus para assegurar seu objetivo. Até janeiro, o principal problema era ofensivo, algo incomum para formações de Gasperini – um profissional reconhecido por potencializar centroavantes. O técnico jamais se convenceu de que Artem Dovbyk e Evan Ferguson eram as respostas para o comando do ataque e não escondia sua insatisfação. A situação mudou radicalmente com a chegada de Donyell Malen. Autor de 14 gols em apenas 18 jogos, o holandês registrou a campanha mais goleadora de um reforço contratado na janela de inverno desde a introdução do mercado de janeiro no futebol europeu, em 2001-02, transformando uma equipe que acumulava vitórias magras em um conjunto muito mais agressivo e eficiente.
Embora Malen tenha mudado o rumo da temporada, a classificação passou igualmente por uma estrutura defensiva extremamente sólida. Mile Svilar voltou a figurar entre os melhores goleiros do campeonato, enquanto Gianluca Mancini, Evan Ndicka, Mario Hermoso e Daniele Ghilardi deram consistência à segunda defesa menos vazadas da Serie A. Nas alas, Zeki Çelik viveu seu melhor momento desde que chegou à capital, enquanto Wesley confirmou a confiança depositada por Gasperini e terminou o ano como uma das principais armas do elenco, mesmo atuando fora de sua função original. Bryan Cristante e Manu Koné também ofereceram equilíbrio ao meio-campo. Esse núcleo duro, aliado a Malen, compensou o baixo rendimento de vários reforços, como Kostas Tsimikas, Leon Bailey, Bryan Zaragoza e Ferguson, além da ausência de Dovbyk por parte considerável do ano. A Roma ainda fechou a temporada com o sabor adicional de ter vencido os dois dérbis contra a Lazio, mas o principal legado de 2025-26 foi outro: Gasperini venceu a primeira batalha política e esportiva de sua passagem pelo clube. Resta saber se o triunfo inicial será apenas um capítulo ou o começo de uma transformação mais profunda.
Napoli
A campanha: Vice-campeão, 76 pontos. 23 vitórias, 7 empates e 8 derrotas. Classificado para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 3ª posição, 39 pontos.
Fora da Serie A: Campeão da Supercopa Italiana, eliminado nas quartas de final da Coppa Italia pelo Como e na fase de liga da Liga dos Campeões.
Ataque e defesa: 58 gols marcados e 36 sofridos
Time-base: Milinkovic-Savic (Meret); Di Lorenzo (Beukema), Rrahmani (Juan Jesus), Buongiorno (Olivera); Politano, Lobotka, McTominay, Spinazzola (Gutiérrez); Elmas (David Neres), De Bruyne (Anguissa, Alisson Santos); Højlund.
Artilheiros: Rasmus Højlund (12 gols) Scott McTominay (10) e Kevin De Bruyne (5)
Garçons: Rasmus Højlund e Matteo Politano (5 assistências)
Técnico: Antonio Conte
Os destaques: Scott McTominay, Rasmus Højlund e Amir Rrahmani
A decepção: Kevin De Bruyne
A revelação: Antonio Vergara
Quem mais jogou: Matteo Politano (34 jogos)
O sumido: Romelu Lukaku
Melhor contratação: Rasmus Højlund
Pior contratação: Lorenzo Lucca
Defendendo o título da temporada anterior, o Napoli iniciou 2025-26 como o principal candidato ao scudetto. Mantinha Antonio Conte no comando, preservava boa parte da estrutura campeã e ainda havia acrescentado nomes de peso ao elenco, como Kevin De Bruyne. A expectativa seguiu viva por alguns meses, já que os partenopei jamais deixaram o G4, frequentaram a liderança em diferentes momentos, ocupando-a isoladamente em duas rodadas, e passaram quase todo o campeonato entre os três primeiros colocados. O problema é que a disputa pelo título foi se esvaziando à medida que a temporada avançava. A partir da virada do turno, o time perdeu força, viu a Inter escapar e acabou se contentando com uma campanha segura, mas distante do nível exigido para sonhar com o pentacampeonato da Serie A.
As lesões tiveram peso importante nesse processo, mas não explicam tudo. Kevin De Bruyne, Romelu Lukaku, David Neres, André-Frank Zambo Anguissa e Amir Rrahmani perderam muitas partidas, porém o rendimento coletivo também decepcionou quando estavam disponíveis. O futebol produzido por Conte raramente empolgou e acabou gerando desgastes internos. O meia belga, principal contratação do verão, jamais reproduziu o impacto esperado e terminou a temporada em rota de colisão com o treinador demissionário, reclamando publicamente do estilo de jogo, da utilização fora de posição e da excessiva preocupação com resultados mínimos. Em campo, o Napoli apresentou menos intensidade, menos criatividade e menor capacidade de controlar partidas do que no ano anterior. Jogadores fundamentais, como Alessandro Buongiorno, Stanislav Lobotka e o próprio Anguissa, renderam abaixo de seus padrões, enquanto reforços como Lorenzo Lucca, Noa Lang, Sam Beukema e Giovane não conseguiram oferecer as respostas imaginadas pela diretoria.
Até Scott McTominay falhou na tenativa de conseguir reproduzir o impacto da campanha anterior. Principal jogador do scudetto conquistado em 2024-25, o escocês continuou útil, mas apareceu muito menos nos momentos decisivos. Mas nem tudo foi negativo. Højlund assumiu protagonismo diante dos problemas físicos de Lukaku e terminou como artilheiro da equipe, enquanto Alisson Santos chamou atenção pela capacidade de acelerar um ataque frequentemente preso a um ritmo excessivamente previsível. Ainda assim, o vice-campeonato pareceu mais consequência da organização estrutural do time, uma espécie de piso mínimo entregue por Conte, e da irregularidade dos concorrentes do que de uma campanha verdadeiramente convincente. O próprio presidente Aurelio De Laurentiis admitiu que o técnico cogitou deixar o cargo ainda em novembro, após derrota para o Bologna, evidenciando um ambiente menos saudável do que a classificação final sugere. Agora, entre possíveis saídas de De Bruyne e Lukaku e a perspectiva de uma nova mudança de comando, com a provável chegada de Max Allegri para o lugar de um Conte já livre de contrato, o Napoli tentará se apegar ao resultadismo mais uma vez no próximo ciclo.
Inter
A campanha: Campeã, 87 pontos. 27 vitórias, 6 empates e 5 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: Líder, 45 pontos.
Fora da Serie A: Campeã da Coppa Italia, eliminada nas semifinais da Supercoppa Italiana pelo Bologna e nos 16-avos de final da Liga dos Campeões pelo Bodø/Glimt.
Ataque e defesa: 89 gols marcados (o melhor) e 35 sofridos
Time-base: Sommer; Bisseck (Acerbi), Akanji, Bastoni (Carlos Augusto); Dumfries (Luís Henrique), Barella, Çalhanoglu (Sucic), Zielinski (Mkhitaryan), Dimarco; Lautaro (Bonny), Thuram (Esposito).
Artilheiros: Lautaro Martínez (17 gols), Marcus Thuram (13) e Hakan Çalhanoglu (9)
Garçom: Federico Dimarco (18 assistências)
Técnico: Cristian Chivu
Os destaques: Federico Dimarco, Lautaro Martínez e Hakan Çalhanoglu
A decepção: Davide Frattesi
A revelação: Francesco Pio Esposito
Quem mais jogou: Federico Dimarco (35 jogos) e Francesco Pio Esposito (35)
O sumido: Matteo Darmian
Melhor contratação: Manuel Akanji
Pior contratação: Luís Henrique
L’Inter è riuscita a vincere lo scudetto pur non essendo la miglior difesa del torneo (35 gol subiti): nelle precedenti 18 stagioni di Serie A solo una volta la vincitrice dello Scudetto non aveva avuto la miglior difesa a fine campionato: la Juventus nel 2019/20 con Maurizio Sarri allenatore (terza per gol subiti con 43, dietro ai 36 dell’Inter e i 42 della Lazio).
Infallibile l’Inter sugli sviluppi di calcio d’angolo: i nerazzurri hanno segnato 18 reti in questa Serie A stabilendo un nuovo record per una singola squadra da quando il dato è disponibile (dal 2004/05).
Federico Dimarco (24 – 7G+17A) – record di assist stagionali in Serie A dal 2004/05 – è il difensore che ha preso parte a più reti in una singola stagione nei maggiori cinque campionati europei nelle ultime 20 stagioni (dal 2006/07), superato Alejandro Grimaldo nel 2023/24 (23 – 10G+13A). Quarto com mis participações em gols na história dos cinco campeonatos europeus, atrás só de Lionel Messi – que encabeça as três primeiras posições.
A goleada por 5 a 0 sofrida para o Paris Saint-Germain na final da Champions League havia deixado a Inter cercada por dúvidas. O ciclo de Simone Inzaghi terminara sem títulos em 2024-25, Cristian Chivu chegava com apenas 13 partidas como treinador profissional e parte da torcida enxergava a escolha como um risco desnecessário para um elenco ainda traumatizado pelos fracassos recentes. Poucos meses depois, porém, Giuseppe Marotta voltava a provar por que é um dos dirigentes mais vitoriosos do futebol europeu. A Beneamata conquistou o scudetto com autoridade, assumiu a liderança isolada na 15ª rodada e não a largou mais, permanecendo no topo durante 24 jornadas consecutivas. A vantagem final de 11 pontos sobre o Napoli foi até modesta diante da superioridade demonstrada, já que os nerazzurri reduziram o ritmo após confirmarem matematicamente o título diante do Parma. Embora tenham persistido questionamentos sobre o rendimento em confrontos diretos, a crítica era apenas parcialmente justa: a Inter não venceu Milan e Napoli, mas bateu Juventus, Roma, Como, Atalanta e todos os demais concorrentes relevantes ao longo da campanha no Italiano.
O grande mérito de Chivu foi transformar um grupo abatido em uma máquina competitiva novamente. O romeno trabalhou sobretudo o aspecto mental, mas também introduziu ajustes importantes na gestão do elenco. Se em 2024-25 Lautaro Martínez e Marcus Thuram chegaram esgotados à reta final pela falta de alternativas confiáveis, desta vez Francesco Pio Esposito e Ange-Yoan Bonny ofereceram profundidade suficiente para permitir rotações mais frequentes. A consequência apareceu no rendimento coletivo: a Inter teve o melhor ataque da Serie A, alcançou um saldo de 54 gols e estabeleceu um novo recorde da competição com 18 marcados a partir de escanteios. Federico Dimarco foi o símbolo máximo dessa engrenagem, liderando o campeonato em assistências, estabelecendo um novo recorde, enquanto o capitão Lautaro foi o artilheiro do certame, com 17 bolas nas redes, e líder anímico dos nerazzurri. No meio-campo, Hakan Çalhanoglu, Piotr Zielinski e Nicolò Barella sustentaram a circulação de bola e o controle territorial – ainda que o turco tenha convivido com problemas físicos em diferentes momentos da temporada e o italiano tenha oscilado.
Defensivamente, os números foram ligeiramente menos impressionantes do que em outros anos da era recente nerazzurra – a Inter conquistou o título sem possuir a melhor defesa da Serie A, algo raríssimo entre campeões –, mas ainda assim houve solidez suficiente para compensar algumas atuações abaixo do padrão habitual. Alessandro Bastoni não repetiu seu auge, Yann Sommer falhou em momentos importantes e a equipe precisou conviver com ausências relevantes, especialmente a de Denzel Dumfries, substituído durante longos períodos por um Luis Henrique que não convenceu. Em contrapartida, Manuel Akanji realizou uma temporada de altíssimo nível, Yann Aurel Bisseck mostrou muita evolução e Dimarco transformou o corredor esquerdo em uma fonte permanente de desequilíbrio. O resultado foi um título amplamente merecido e a confirmação de que a aposta em Chivu funcionou. Agora, porém, o contexto muda: o treinador deixa de ser o novato que precisava provar seu valor e passa a carregar o peso de defender um scudetto. A reconstrução psicológica foi concluída com sucesso; o desafio seguinte será sustentar uma equipe vencedora no topo do futebol italiano.




















