Serie A

Como nos velhos tempos

Hamsík lamenta enquanto Bonucci vibra: o empate teve gosto de goleada para a Juventus (Gazzeta.it)
Mais de 20 anos foram deixados para trás para que Napoli e Juventus voltassem a fazer um jogo que chamasse todas as atenções na parte de cima da Serie A. Fazendo sua melhor campanha desde o escândalo do Calciopoli, a equipe de Turim viajou até o San Paolo para encarar o melhor time partenopeu nas últimas duas décadas. Ingredientes não faltavam para que o duelo, adiado em mais de duas semanas por conta das fortes chuvas que assolaram a Itália em novembro, fosse um dos melhores da temporada. E o empate em 3 a 3 mostrou que os dois clubes estão mais do que preparados para conseguirem o scudetto, mesmo que o Napoli caia muito no segundo tempo. Mais do que isso, mostrou que a Vecchia Signora voltou.
Logo de início, um jogo bastante movimentado. Com o San Paolo lotado, como tem sido praxe nesta temporada, o Napoli partiu para cima e, mesmo sem Cavani, lesionado, chegou bem perto do gol aos 16 minutos, quando Hamsík desperdiçou pênalti batido dentro do gol pela primeira vez, mas anulado e cobrado direto na trave na segundo oportunidade. Não tardou, porém, para que o próprio eslovaco colocasse os donos da casa na frente, aos 23. Muito melhor em campo, os partenopei ainda ampliariam na primeira etapa. Substituindo o artilheiro uruguaio, Pandev mostrou estrela e fez o segundo tento napolitano aos 40, depois de bola mal afastada por Pirlo. Pirlo, aliás, foi um grande fantasma na primeira etapa: mal fisicamente, cometeu o pênalti sobre Lavezzi de maneira boba e não ofereceu proteção à defesa.
A volta do intervalo, porém, mostrou uma Juventus mais acesa e com disposição de buscar o resultado. Logo aos três minutos Vidal fez boa jogada para que Matri fizesse seu quinto gol em nove jogos contra o Napoli na Serie A. O duelo, porém, não mudou muito a tônica. Os donos da casa dominavam as principais ações de jogo e voltaram a ampliar sua vantagem novamente com Pandev, inspirado em noite de Cavani. Aproveitando bote errado de Bonucci, o atacante colocou os napolitanos novamente em vantagem confortável, com belo voleio, e deixou a impressão de que os partenopei haviam matado a partida e mantido a invencibilidade na temporada diante de sua torcida. Ledo engano. Como não se via há anos, a Juve jogou com um dos maiores times do mundo que é e foi buscar o resultado.
Após boa jogada de Vucinic, Estigarribia aproveitou o buraco que se abriu pela segunda vez no lado direito da defesa napolitana, em noite ruim de Maggio e sem proteção oferecida por um dia opaco de Gargano e Inler, e diminuiu novamente para os visitantes, aos 27 minutos. Pressionando de forma eficaz o adversário, os bianconeri conseguiram o importantíssimo e improvável empate com Pepe, que na última rodada já havia sido o herói do time ao marcar o gol da vitória contra a Lazio. 

Após roubar a bola de Gargano, o esterno partiu em velocidade e com liberdade pelo mesmo setor em que surgiram os outros gols da Juve. Passou por marcadores que apareceram à sua frente e só parou quando estufou as redes de De Sanctis, incrédulo pelo empate levado. Mais do que ter se mantido invicta na Serie A, a Juve parece ter retomado o espírito vencedor que há muito não dava as caras em Turim. Para o Napoli, sobra o consolo da manutenção da invencibilidade em casa. E para todos, a sensação de que o jogo não deixou em nada a desejar para os velhos tempos de Maradona e Platini. 

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