Serie A

2ª rodada: Lição de Zeman

Velho, eu? Totti dá show contra a Inter, em Milão, e levanta a bola: a Roma pode brigar pelo scudetto? (Getty Images)

Futebol pela Serie A, agora, só em duas semanas. O campeonato mal começou e, na semana que vem, será paralisado por conta de uma data Fifa, que contém, entre vários outros jogos, a estreia da Itália nas Eliminatórias para a Copa de 2014. No sábado, a Squadra Azzurra enfrenta a Bulgária e, na quarta, joga com Malta. Antes da pausa, o campeonato disse “até logo” em grande estilo, com uma rodada de muitos gols – 34, no total. Até agora, quatro equipes venceram seus dois jogos: a campeã Juventus, a Lazio, o Napoli e a Sampdoria. O destaque na rodada, porém, foi o show da Roma de Zdenek Zeman sobre a Inter de Andrea Stramaccioni. Confira a análise da rodada, jogo a jogo. 

Inter 1-3 Roma

No duelo de Andrea Stramaccioni, técnico mais novo da Serie A, com 36 anos, contra um de seus mentores futebolísticos, o “titio” Zdenek Zeman, de 65 – o mais velho do campeonato -, venceu a experiência. A postura romanista, no entanto, não foi essencialmente zemaniana. O bom futebol, exigência do treinador tcheco, estava lá (principalmente com Totti, craque do jogo), mas a equipe se preocupou defensivamente e, com um senso de ocupação de espaços muito bom no meio-campo, acabou por vencer o duelo. Florenzi em sua estreia como titular pela Roma, venceu o duelo contra o forte Guarín e, aproveitando uma falha de marcação do colombiano, recebeu passe de Totti e abriu o placar no início do jogo. 

A Inter tentou crescer e empatou com Cassano, mas não mostrou mais que 25 minutos de bom futebol, entre o fim do primeiro tempo e o início do segundo. Foi aí que Totti e Osvaldo entraram em ação: primeiro, o capitão romanista deu passe primoroso para o ítalo-argentino marcar de cavadinha, fazendo seu segundo golaço na temporada. Restou tempo para que ele ainda desse lindo passe de trivela para Marquinho definir o jogo e fosse expulso, por receber um segundo amarelo infantil. De qualquer forma, boa prova para a equipe giallorossa, que começou a temporada cercada de dúvidas, pela fragilidade defensiva, e também para a Inter. Stramaccioni precisa corrigir alguns erros táticos e até mesmo repensar a escalação de Álvaro Pereira no lado esquerdo meio-campo, superpovoando o lado esquerdo, mas deixando o direito sem opções. Terá duas semanas para trabalhar e acabar com a “maldição de San Siro”: nos três jogos disputados em casa, a Inter perdeu todos.

Udinese 1-4 Juventus

Ao se deparar com o resultado, seria fácil pensar em massacre da Juventus. Não foi bem assim. A Juve foi amplamente superior à Udinese, mas teve a vitória facilitada por um lance capital, aos 11 minutos de jogo. Em um choque com o goleiro Brkic, Giovinco caiu na área. O árbitro Valeri não hesitou e marcou pênalti (muito duvidoso) e ainda expulsou o goleiro (não bastasse o pênalti discutível, havia cobertura de dois zagueiros, ou seja, não era situação clara de gol). Vidal converteu e a partir daí, a Velha Senhora teve ainda mais facilidade de se impor ante uma Udinese que não tem sido sombra da que vimos nas duas últimas temporadas e que não venceu nenhum dos quatro jogos oficiais que fez em 2012-13. Um gol de Vucinic e dois de Giovinco, o melhor em campo, decretaram a vitória juventina, ainda que Lazzari tenha descontado. A derrota foi tão forte para a Udinese que o capitão Di Natale saiu muito nervoso, quando substituído, e foi direto para o vestiário.

Bologna 1-3 Milan
Pela terceira vez na carreira, Pazzini assinalou uma tripletta e saiu com a bola do jogo debaixo do braço. Ótimo para o Milan, que, depois de uma estreia bem abaixo da média na Serie A (derrota para a Sampdoria), pôde voltar a sorrir e a ter esperanças. Afinal, saber que lá dentro da área tem alguém que sabe balançar as redes dá maior tranquilidade para o resto do grupo trabalhar e se entrosar. Os três gols do Pazzo saíram de esperteza característica de grandes centroavantes: primeiro cavou um pênalti (que não houve), depois aproveitou falha do goleiro Agliardi, e por último desviou a bola para o fundo do gol, em toque sutil de calcanhar. Mas Pazzini foi o único ponto positivo do Milan no jogo, é bom deixar claro. Durante boa parte da partida, foi o Bologna quem criou mais. Mesmo sem a posse da bola, o time de Pioli mostrou boa movimentação e viu a dupla Guarante e Diamanti (que marcou o gol rossoblù, de pênalti) incomodar bastante o setor defensivo do Milan. Montolivo saiu lesionado, ainda no primeiro tempo, e o meio de campo rossonero, que passou a ser formado por De Jong, Ambrosini e Nocerino, perdeu a pouca criatividade que tinha. Será que vem uma Pazzodependência por aí? (Rodrigo Antonelli)

Napoli 2-1 Fiorentina

Quem imaginaria que o ataque de um fungo prejudicaria um dos jogos de melhor potencial futebolístico de toda a rodada e, quiçá, do campeonato? Foi o que aconteceu em Nápoles: o gramado do San Paolo, praticamente destruído, mais parecia um campo de futebol de areia e prejudicou o bom jogo das equipes, que prezam pelo toque de bola (no caso da Fiorentina) e das jogadas em velocidade (no caso do Napoli). Por isso, os destaques individuais inexistiram. Valeu a maior vontade do Napoli, na estreia frente à sua torcida. Os gols saíram no segundo tempo, em jogadas de bola parada: primeiro, Zúñiga bateu falta na cabeça de Hamsík, que contou com desvio para encobrir Viviano. Depois, Dzemaili aproveitou rebote em cobrança de escanteio e chutou rente ao terreno, dificultando a defesa para o goleiro viola. Coisa semelhante aconteceu quando Jovetic diminuiu o placar: ele chutou de fora da área e a bola pingou antes de De Santcis, que pouco pode fazer. Com três semanas sem jogos no estádio, espera-se que o problema no gramado seja resolvido.

Lazio 3-0 Palermo

Começa muito bem o campeonato laziale. Após vencer a entrosada Atalanta fora de casa, a equipe de Vladimir Petkovic se apresentou pela primeira vez frente à sua torcida e deu uma prova bastante convincente. Sem forçar tanto, a Lazio imprimiu um domínio territorial muito grande sobre o Palermo, graças a uma boa partida de seu trio de meio-campistas (Hernanes, Candreva e González), auxiliados por Lulic e Konko. O destaque do jogo, porém, foi Klose, autor de dois gols de centroavante – o terceiro, muito bonito, com direito a belo controle no peito, que deixou Cetto sem pai nem mãe. O Palermo, por sua vez, teve apenas uma chance, quando cruzamento de Dybala quase entrou, após desvio de Biava, e com Ilicic, que fez Marchetti trabalhar no rebote. No entanto, o time ainda parece totalmente desconexo, principalmente na defesa, que levou seis gols. Giuseppe Sannino, que montou a boa defesa do Siena (apenas 45 gols sofridos em 2011-12), foi contratado para resolver problemas no setor e, até então, está se saindo muito mal.

Catania 3-2 Genoa

Um dos jogos mais movimentados da rodada, Catania-Genoa foi marcado pela despreocupação defensiva. Acabou vencendo justamente quem teve as chances mais agudas de gol e teve controle da partida. Os rossoazzurri tiveram três ótimas chances para sair na frente no primeiro tempo, mas, em um erro de marcação, Kucka abriu o placar para os visitantes. No segundo tempo, porém, Bergessio surgiu muito bem e, em três minutos, colocou seu faro de gol de centroavante para funcionar e colocar o Catania novamente em vantagem. Jankovic, por sua vez, acertou uma bomba de fora da área e deixou tudo igual por pouco tempo, antes que Lodi, maestro catanês, decidisse o jogo com uma linda cobrança de falta. O Genoa poderia, ainda ter tido melhor sorte, mas Andújar fez ótimas defesas e, quando não conseguiu defender, Sampirisi acertou o travessão. No final das contas, o público saiu do Massimino divertido e as duas equipes passaram boas impressões.

Sampdoria 2-1 Siena

Começa muito bem a campanha de retorno da Sampdoria à Serie A. A equipe treinada por Ciro Ferrara venceu seus dois jogos e só não divide a liderança com Juventus, Lazio e Napoli porque tinha um ponto de penalização por envolvimento no escândalo de apostas. Na estreia – discreta – de Zé Eduardo pelo Siena, quem se deu melhor foi um brasileiro que vestia as cores da Samp: Éder, muito ativo em campo, teve três oportunidades durante o jogo, mas não conseguiu marcar – em uma delas, acertou a trave. Maxi López, seu companheiro de ataque, teve melhor sorte e, no primeiro chute a gol, após belo giro, surpreendeu Pegolo e fez o seu primeiro em blucerchiato. O Siena ainda tentou reagir, depois que Gastaldello derrubou Calaiò na área e cometeu pênalti – o gol saiu no rebote, com Vergassola -, mas o próprio defensor doriano se redimiu pouco depois, marcando de cabeça e dando números finais ao jogo. Maresca, no finalzinho, quase coroou sua boa partida, ao acertar o travessão de Pegolo, mas foi só.

Torino 3-0 Pescara
Em Turim, foi Sgrigna quem brilhou. Em sua primeira partida na Serie A, o camisa 10 do Torino, de 32 anos, abriu o caminho para o time da casa e fez 1 a 0, aos 34 minutos de jogo. Já na segunda etapa, ele se aproveitou de um erro de arbitragem, que não assinalou impedimento, arrancou bem pela direita, invadiu a área e só rolou para Brighi fazer o segundo. Pouco depois, foi a vez de Bianchi, que já tinha cobrado um pênalti nas mãos do promissor Perin, se redimir e fechar o caixão do Pescara, que jogava com um a menos desde os 28 minutos do primeiro tempo, quando Terlizzi foi expulso. A boa movimentação dos meio campistas e a consistência defensiva do Toro, proporcionada por Gillet, Ogbonna e Masiello, fazem o treinador Ventura esboçar um sorriso para o resto da temporada. Na próxima rodada, o time enfrenta a Inter, em casa, para tentar comprovar o bom momento. Já o Pescara continua demonstrando que sua passagem na Serie A será uma via-crúcis. Se nem mesmo com o Torino, que também estava na segundona, o time pode competir de igual para igual, como fazer com equipes mais sólidas? (RA)

Cagliari 1-1 Atalanta

Os supersticiosos diriam que a inauguração do novo estádio sem que houvesse festa ou público levou azar ao Cagliari. A temporária Is Arena, com arquibancadas montadas urgentemente, para que o time sardo não ficasse sem casa na Serie A, depois da interdição do Sant’Elia, ainda não foi liberada para a torcida, mas já tem história para contar: em seu primeiro jogo oficial no estádio, o Cagliari desperdiçou dois pênaltis ainda no primeiro tempo, com Larrivey e Conti. Ambos foram defendidos por Consigli, que ainda fez outras ótimas defesas no jogo, sobretudo depois que Peluso foi expulso e deixou a Atalanta com 10. O goleiro, para azar da Atalanta, acabou saindo lesionado após choque com Stendardo, dando lugar a Polito. Heróica, a equipe bergamasca ainda saiu na frente, com gol oportunista de Denis, e só sofreu o empate nos acréscimos da segunda etapa, quando Ekdal se antecipou à defesa.

Parma 2-0 Chievo

Pouco movimentada, a partida no Ennio Tardini teve a recuperação do Parma, após a derrota contra a Juventus. O Chievo, ao contrário, que até impressionou pelo volume de jogo contra o Bologna, foi tímido e ameaçou o gol parmense apenas duas vezes, com Théréau e Pellissier. Melhor para o Parma, que não jogou de forma tão incisiva quanto na última temporada, mas conseguiu seus dois gols, com Belfodil e Rosi, em duas jogadas atravessadas de um lado a outro na área clivensi. A tática confundiu a marcação, que nada pode fazer para evitar os dois gols e a derrota. Ponto a ser revisto por Domenico Di Carlo em seus rigorosos treinos táticos.

Relembre a 1ª rodada aqui.

Confira estatísticas, escalações, artilharia e da 2ª rodada, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada

Consigli (Atalanta); De Sciglio (Milan), Paletta (Parma), Burdisso (Roma), Ogbonna (Torino); Lodi (Catania), Maresca (Sampdoria), Candreva (Lazio); Totti (Roma), Pazzini (Milan), Klose (Lazio). Técnico: Zdenek Zeman (Roma).

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