Serie A

Muda, brasãozinho, muda: parte I

Já pararam para pensar de onde veio a ideia dos escudos das equipes? Ou, ao menos, a evolução deles? A Atalanta, por exemplo, utiliza a ninfa de mesmo nome do clube em seu brasão – antes bianconero; agora nerazzurro. Sempre foi assim. No entanto, os grandes clubes da Itália já mudaram de escudo várias vezes. A Juventus já usou a cor azul, a Inter colocou uma serpente em seu brasão e o Milan teve o Tinhoso estilizado em sua camisa. O Quattro Tratti preparou um especial sobre os logos dos clubes da Serie A 2012-13 e 2013-14. Nesta primeira parte, vamos com as agremiações da Lombardia, Lácio e Campânia.

Atalanta

 

O nome do clube vem da figura mitológica Atalanta. Por isso, a Atalanta também é conhecida como La Dea, que significa “a deusa”, mesmo que de forma errônea, pois a filha do rei de Arcadia, na Grécia Antiga, era uma princesa e não uma divindade. O logo oficial do time é constituído pela figura de Atalanta, em perfil, e era preto e branco até 1920, quando o uniforme da agremiação era bianconero. A partir da fusão com a Società Bergamasca di Ginnastica e Scherma, em 31 de março de 1920, a Atalanta Bergamasca Calcio acolheu o azul e o preto como as novas cores de seu uniforme e distintivo.

Inter

Em “Inter. La grande storia nerazzurra dal 1908 a oggi” (2006), contam Lotito e Grassia que Giorgio Muggiani, pintor, sócio-fundador da Inter e responsável pela confecção do emblema, tinha apenas as cores azul e preta em sua paleta. Inclusive, a escolha da coloração também teve a ver a oposição às cores do rival Milan, vermelho.

O brasão com as letras F, C, I e M foi abandonado em 1928, quando a Inter se tornou Ambrosiana. Nela era vista uma cobra do lado esquerdo e o brasão de Milão no canto oposto, tudo em cores mais claras e com o acréscimo do vermelho. O clube usou este emblema apenas na temporada 1928-29, pois no biênio seguinte, o brasão se tornou azul-escuro e preto; as iniciais A (Associazione) e S (Sportiva) foram incluídas no escudo, que agora apresentava o nome do time. Um novo emblema foi confeccionado em 1931, com a mudança para Ambrosiana-Inter. Uma bola foi colocada dentro de um quadrado com nove faixas verticais em nerazzurro, com um azul mais claro, desta vez.

Com a morte do Duce e a queda do fascismo, a agremiação voltou a ser Inter. A diretoria manteve o emblema original, de Muggiani, só que com a inclusão da cor dourada. Em 1960, a Inter mudou seu brasão drasticamente: um triângulo de lados curvados que apresentava uma serpente azul acima da data de fundação do clube, prontamente alterado para uma elipse similar ao que Juventus e Milan ostentam atualmente. De 1979 a 1990, o logo interista era uma cobra branca à frente de duas faixas azul e preta, no fundo branco, e com uma estrela dourada.

Depois de utilizar o mesmo emblema dos anos 60 durante os anos 90, a Inter acrescentou mais um círculo azul, com as inscrições “Inter” e “1908”, circundando o brasão original. O emblema atual da Inter foi confeccionado em 2007. As letras F, C, I e M foram coloridas de branco (antes, amarelo) e os círculos foram pintados de preto e azul, enquanto o fundo e a estrela são dourados. O nome do clube e o ano de fundação foram retirados do emblema.

Em julho de 2014, a Inter mudou novamente o seu escudo: inspirado no de 1908, ele foi estilizado com uma menor quantidade de linhas – simplificadas – e as dimensões foram alteradas. A estrela dourada será estampada apenas na camisa.

Milan

O escudo do Milan foi a bandeira de Milão (cruz vermelha no fundo branco) desde a fundação do clube de futebol e críquete por Alfred Edwards e Herbert Kilpin, ingleses, até a temporada de 1948-49 (salvo algumas exceções, como a feita pelo jornal “Guerin Sportivo” na década de 1920 – a primeira imagem).

Na década de 1950, o rossonero abandonou a cruz da cidade para acolher a bandeira da Itália em seu peito. O clube, no entanto, deixou o brasão de lado em 1963. Por quatro anos a camisa vermelha e preta do time ficou sem escudo. Nos anos 80, o Milan adotou o Diabo (Diavolo) como seu escudo; do lado esquerdo da camisa, apenas a estrela representando dez scudetti e, no outro, o Tinhoso estilizado na cor vermelha. No fim da década, a agremiação colocou uma pequena taça acima do patrocinador, abandonando o Diavolo. Era uma referência ao título mundial.

Aprovado em 1994, mas confeccionada nas camisas a partir da época seguinte, o brasão do Milan se tornou o que vemos até hoje no peito dos jogadores: um círculo com as cores vermelho e preto (representando o ardor e a raça, respectivamente) e a bandeira de Milão dentro de uma elipse com o nome do clube e o ano de sua fundação. Em 1999, o clube abriu um parêntese e fez um emblema comemorativo para o centenário, em forma de taça.

Roma 

O logotipo atual da Roma é um revival do primeiro escudo giallorosso. Hoje, a Lupa Capitolina aparece acima das letras A(ssociazione), S(portiva) e R(oma), nas cores vermelho e amarelo. O primeiro brasão do clube era bem parecido com o atual; as diferenças ficam para o tamanho da loba (bem maior) e pequenas linhas verticais embaixo das iniciais do clube. Entre as décadas de 1930 a 60, a Roma tirou a Lupa Capitolina de seu emblema e deixou apenas as letras, em tamanhos garrafais, estampadas na camisa. A representação da loba amamentando Remo e Rômulo voltou na metade dos anos 60, mas foi abandonada na década seguinte.

Em seu último ano de mandato (1978), Gaetano Anzalone, presidente do clube, viajou para os Estados Unidos, onde o time tinha um amistoso contra o New York Cosmos. A diretoria giallorossa notou que o futebol na América já era tratado como forma de produto; os clubes vendiam suas marcas para os torcedores. Desta forma, a pedido do presidente, o designer italiano Piero Gratton desenhou o novo brasão da Roma: uma loba preta com olho vermelho dentro de um círculo branco, com detalhes em vermelho e amarelo. O animal era uma homenagem à Lupa Capitolina, que não podia ser registrada como marca. Até hoje, o escudo é um dos mais amados pelo torcedor romano – e foi utilizado no uniforme reserva do clube na temporada 2012-13.

Em 1997, a cidade de Roma concedeu permissão ao clube utilizar o desenho original da loba em seu emblema, no formato em que conhecemos hoje. O marketing do clube explorou o aniversário de 80 anos dos giallorossi com um brasão especial em 2007, em formato de coração. Para a próxima temporada, a de 2013-14, a diretoria revelou um novo escudo. Segundo a própria, três elementos continuam iguais ao de seu antecessor: o formato, as cores e a presença da loba e os gêmeos. No entanto, o design evoluiu. Abaixo da Lupa Capitolina e de Rômulo e Remo (em desenho tridimensional), foram colocados o nome do clube e o ano de sua fundação.

Lazio

Concebida em 1900 na Piazza dela Libertà, a Lazio teve como seu primeiro escudo uma criação do próprio fundador, Luigi Bigiarelli. A águia, simbolizando a vitória e a prosperidade, segurava, no brasão inicial laziale, uma faixa com a inscrição S. Podistica Lazio – lembrando que a equipe se tornou Società Sportiva apenas em 1925. O escudo, por completo, foi estilizado nas cores azul e branco. Durante os anos de fascismo, a Lazio trocou seu emblema: a águia foi substituída pelo fascio littorio, símbolo de poder e autoridade na Itália de Mussolini.

O clube mudou seu escudo ao fim da II Guerra Mundial para um parecido com o de Bigiarelli. A águia voltava a aparecer na camisa da Lazio, porém, sem a faixa; o pássaro segurava, com as patas, o escudo biancoceleste. Na década de 1980, a agremiação romana criou um brasão que combinava com o novo patrocinador – Seleco. Na temporada 1982-83, aliás, a camisa da Lazio nem tinha escudo; uma águia gigante foi estilizada abaixo do nome da empresa do ramo eletrônico. Aqui, a vestimenta de Bruno Giordano.

Na época seguinte, o tamanho da águia diminuiu e o pássaro foi colocado dentro de um quase-losango de cor azul-escuro. Este emblema oitentista foi considerado o 3º mais bonito da história do futebol pelo periódico Guerin Sportivo (neste ano). Em 1993, foi realizada a confecção do escudo atual da Lazio, na cor azul-claro, e com a águia dourada.

Nota: todos os escudos utilizados pela Lazio em seus 113 anos de vida estão disponibilizados neste link. No entanto, muitos deles não chegaram a ser expostos nas camisas de jogo.

Napoli

O cavalo empinado, símbolo de Nápoles durante o Reino das Duas Sicílias (entre os anos de 1816 e 1861), estava presente no primeiro brasão da equipe fundada em agosto de 1926, a Associazione Calcio Napoli. O animal foi escolhido como símbolo de Nápoles ainda no século XIII. Corrado Hohenstaufen, antes de ser Rei da Sicília, em 1254, teve dificuldades em invadir a região italiana. O cavalo empinado significa a impetuosidade, luta e liberdade dos napolitanos.

No entanto, o primeiro emblema foi trocado pelo segundo já na temporada seguinte. Após a péssima época de 1926, com um empate e 17 derrotas, o Napoli só não foi rebaixado pela mudança do regulamento do ano subsequente. Para a nova chance na Primeira Divisão, os partenopei estamparam um N, em estilo napoleônico, em sua camisa. A letra foi inserida dentro de um círculo de cor azul-claro e contorno dourado. Uma nova mudança só aconteceu em 1964: a letra N foi diminuída e foi colocada acima do nome da agremiação; o contorno dourado ficou mais espesso; e as cores da bandeira da Itália foram pintadas dentro de pequenos retângulos dentro do contorno.

Na década de 1980, os partenopei substituíram o cotorno pelo nome da equipe (Societa Sportiva Calcio Napol). A agremiação desistiu da cor dourada e deixou apenas o azul. No uniforme reserva, um burro da cor preta foi estampado na camisa patrocinada pela Cirio. Após ir à falência, em 2004, o Napoli manteve o escudo redondo, mas trocou a frase para “Napoli Soccer”. Dois anos depois, o último desenho do emblema dos partenopei foi feito: a letra N, na cor azul-celeste, em cima de um fundo azul-claro e dentro de outro círculo de mesma coloração (só que mais escura).

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