Copa do Mundo

Se for pro gol, me chama que eu vou

Pazzini, um dos melhores da surpreendente Samp, corre por fora por uma vaga na Copa (Reuters)

A 80 dias para a Copa do Mundo, a Serie A ainda tem nove rodadas até seu fim. Pouco tempo para alguém tirar de Antonio Di Natale o posto de maior goleador italiano da competição: o atacante da Udinese tem atuado mais centralizado nesta temporada, no 4-3-3 proposto por Pasquale Marino. Mesmo que a campanha friulana seja sofrível até aqui, imagine só sem os 21 gols que Di Natale já anotou até aqui na temporada. Só contra a Roma, na derrota por 4 a 2 neste fim de semana, foram mais dois. O argentino Diego Milito, que também marcou na última rodada, vem logo atrás, com 17. O próximo italiano da lista é Alberto Gilardino, que brigou para cobrar um pênalti nos 3 a 0 da Fiorentina sobre o Genoa e chegou aos 14 tentos no certame.

Pois Di Natale e Gilardino vão à Copa. O último ainda luta por um posto de titular, apesar de não ter rendido bem desde que Marcello Lippi retomou o comando da Nazionale – com Roberto Donadoni como técnico, Di Natale era indispensável para a seleção. Já Gilardino tem crescido nos últimos jogos e tende a ser titular no provável 4-3-1-2 a ser escolhido por Lippi. Mas há quem corra por fora na convocação. Um deles é o quarto na lista de artilheiros da Serie A 2009-10, Giampaolo Pazzini. Com Cassano a seu lado durante boa parte do campeonato, o camisa 10 faz sua melhor temporada da carreira e chegou a 13 gols na competição.

Outro que sonha com a vaga de centroavante na próxima Copa do Mundo, e talvez tenha ainda mais chances que Pazzini, é o agora romanista Luca Toni. Querido por Lippi, o camisa 30 tem bons números desde que voltou ao futebol italiano, em janeiro: já tem quatro gols na Serie A, um a cada 3,5 finalizações. Toni tem atuado muito bem na Roma como um verdadeiro aríete, derrubando defesas bem postadas. O gol que abriu o placar contra a Udinese foi uma boa prova de seu trabalho, achado por um atacante em ótima fase. O artilheiro, encostado no Bayern de Munique, voltou à Itália porque sonhava com a Copa. Mesmo parado por mais de um mês desde que chegou à capital, mostrou que o sonho é possível. Se mantiver o ritmo, é complicado que Lippi não recorra a um de seus velhos conhecidos que tanto valoriza.

Até hoje, foram 16 campeonatos da Serie A disputados antes das participações italianas na Copa do Mundo. Em 11 destes, o artilheiro foi italiano (ou jogaria pela Squadra Azzurra, como o brasileiro José Altafini). Em 1961-62, quando Altafini saiu capocannoniere, dividiu a honra com Milani, da Fiorentina. Desses 12 artilheiros, oito foram à Copa do Mundo. Se considerarmos o melhor italiano em cada tabela de goleadores, foram 11 convocações entre os 17. E ainda há Christian Vieri, que disputou a Copa de 1998 após ser artilheiro da Liga Espanhola na única temporada em que atuou pelo Atlético de Madrid. A mensagem não pode ser mais clara: para sonhar, é preciso marcar.

Toni briga com a defesa da Udinese: pode não ser lá muito jeitoso, mas faz seus gols (Getty Images)

Artilheiros italianos da Serie A que foram à Copa seguinte:

1933-34: Felice Borel (Juventus), 31 gols

1937-38: Giuseppe Meazza (Ambrosiana-Inter), 20 gols

1961-62: José Altafini (Milan), 22 gols

1969-70: Luigi Riva (Cagliari), 21 gols

1973-74: Giorgio Chinaglia (Lazio), 24 gols

1977-78: Paolo Rossi (Lanerossi Vicenza), 24 gols

1993-94: Giuseppe Signori (Lazio): 23 gols

2005-06: Luca Toni (Fiorentina): 31 gols

Artilheiros italianos da Serie A que não foram à Copa seguinte:

1961-62: Aurelio Milani (Fiorentina), 22 gols

1981-82: Roberto Pruzzo (Roma), 15 gols

1985-86: Roberto Pruzzo (Roma), 19 gols

2001-02: Dario Hübner (Piacenza), 24 gols

Maiores goleadores italianos em torneios pré-Copa com artilheiros estrangeiros:

1949-50: Alberto Galassi (Fiorentina), 24 gols – não-convocado

1953-54: Adriano Bassetto (Atalanta), 17 gols – não-convocado

1965-66: Sandro Mazzola (Inter), 19 gols – convocado

1989-90: Roberto Baggio (Fiorentina), 17 gols – convocado

1997-98: Roberto Baggio (Bologna), 22 gols – convocado

*O título da postagem foi eternizado por Dirceu Maravilha, atual narrador da Rádio Record-SP. Dirceu narrou pela Bandeirantes por duas décadas e ganhou fama por seus bordões. “Se for pro gol, me chama que eu vou!” foi só o mais marcante de tantos. O torcedor mais atento vai se lembrar dele também nas transmissões da Liga dos Campeões pela Rede Mulher.

1 comentário

  • aproveitando o leque de Mario Balotelli em um post mais acima, acredito que seria um grande desperdício não levá-lo pra copa. A Itália não é tudo isto que impõe sua camisa hoje. O time sofre de revelações importantes que poderiam ser uma alternativa na renovaçõa do time. Mario pode ser mala que for, mas assusta e joga um futebol refinado como ninguém. Diria que até nem dá pra compará-lo a Cassano, porque o Bares as vezes vemos que é muito mais marra que talento, embora sua classe seja indiscutível. Balotelli precisa de correção? Precisa de humildade? Não será o Lippi nem a não conovocação, nem ninguém que irá mostrar isto a ele. E o que é pior nestes casos, é como o primeiro sintoma de suicidio, a negação, que faz do jogador cada vez mais pirracento e rebelde. Isto se torna combustível fundamental para sua atitude incoerente. Toni? Eu convocaria, porque não? Está vivendo uma ótima fase na Roma, e não é porque eu sou romanista, mas quem faz aquele pivô melhor?

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