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Mario Faccenda, o valente defensor que rebaixou o Milan e se tornou ‘lenda’ na Fiorentina

Barbudo e invocado, Mario Faccenda fez parte de uma geração de defensores caricatos do futebol italiano. Nem sempre esbanjando muita técnica em campo, e por vezes truculento, acabou sendo um jogador útil (e querido) por onde passou, entre as décadas de 1980 e 1990. Como zagueiro central, que atuava por ambos os lados da primeira linha, teve trajetórias sólidas em Genoa e Fiorentina, além de uma passagem frutífera pelo Pisa no meio do caminho.

Ao longo da carreira, Faccenda oscilou entre a primeira e a segunda divisões da Itália. Na estante de troféus, constam dois títulos da Serie B. Entretanto, sua “conquista” mais simbólica e lembrada talvez não tenha envolvido uma taça: em 1982, com a camisa do Genoa, marcou um gol na última rodada, diante do Napoli, que salvou sua equipe do rebaixamento. De quebra, o tento tardio condenou o poderoso Milan à categoria inferior. Pelo Pisa, o zagueiro voltaria a ter participação memorável em um duelo derradeiro da temporada, assegurando (de novo!) a permanência de seu time na elite.

Já pela Fiorentina, foi de vilão a herói, mas, em pouco tempo, caiu nas graças da torcida gigliata. Tudo por conta de sua lealdade e do espírito batalhador em campo. Apesar de uma expulsão bizarra com apenas 4 minutos em duelo da Copa Uefa, ganhou status de “lenda” pelos lados do Artemio Franchi. Um cântico com alta dose de ironia, é verdade, mas que traduz seu legado perante o povo de Florença.

Relegado com o time violeta à Serie B, permaneceu e ajudou na caminhada de volta à elite. Foi sua última contribuição em alto nível no futebol da Bota. Já veterano, voltou às raízes na terceira divisão, antes de se aposentar definitivamente. Sua despedida do esporte foi, de certa forma, semelhante ao restante de sua caminhada: discreta, mas em campo. Atuando quase todos os minutos com a camisa da Carrarese, Mario Faccenda colocou ponto final em uma carreira construída sem a presença dos holofotes, mas com elogiável consistência.

Faccenda marca o gol que o colocaria na história do Genoa e, indiretamente, na do Milan (Guerin Sportivo)

Anos de juventude e a passagem por Gênova

Em italiano, “faccenda” é um termo utilizado quando uma pessoa quer se referir às etapas que devem ser cumpridas para a realização de um trabalho ou, por exemplo, para as tarefas domésticas. E, em sua carreira, Mario executou cada passo de forma decidida, sem objeções. Nascido em novembro de 1960, em Ischia, no sul da Itália, ele ingressou no futebol no pequenino Isola Liri, time da província de Frosinone. A estreia profissional, porém, aconteceu já no Latina, da Serie C2, a quarta divisão do país. O ano era 1979 e o zagueiro já começava a se destacar. Em duas temporadas pelos nerazzurri, entrou em campo 51 vezes e marcou 11 gols. Um número elevado para um defensor.

Devido ao bom desempenho, principalmente em seu segundo ano, Faccenda ajudou o Latina a conseguir o acesso para a Serie C1. Não demorou, então, para que propostas chegassem às mãos do jovem promissor. Em 1981, ele se transferiu para o tradicional Genoa, eneacampeão italiano, que voltava, naquela temporada, à elite do futebol nacional. Antes, o time rossoblù havia amargado a segunda divisão por três épocas seguidas.

Faccenda fez sua estreia pelo novo time em 23 de agosto de 1981, contra o Varese. O defensor jogou os últimos 30 minutos de uma peleja válida pela Coppa Italia, que terminou sem gols. O Genoa até fez uma boa campanha na competição eliminatória. Invicto em um grupo com Fiorentina, Brescia, Foggia e o próprio Varese, acabou eliminado por conta do saldo de gols: a Viola, em primeiro, acabou se classificando.

Já na Serie A, a vida não foi nada tranquila. Desde o início, uma campanha desastrosa. Somente três triunfos em 15 jogos, no primeiro turno, e, depois, um mísero triunfo nas 12 partidas seguintes. Como consequência, o Genoa chegou à reta final do campeonato afundado na zona de descenso. Naquela época, três dos 16 clubes da elite eram rebaixados. No entanto, duas vitórias, na antepenúltima e penúltima rodadas, deram sobrevida ao time.

Faccenda, que iniciou o ano como reserva e, posteriormente, fisgou uma vaguinha de titular, figurava, àquela altura, novamente no banco de reservas. O defensor sequer foi relacionado para o jogo contra o Bologna, no qual o Genoa triunfou por 1 a 0. Na rodada seguinte, Mario permaneceu todo o duelo contra o Catanzaro no banco. Novamente, resultado positivo para os grifoni, por 2 a 0. Sem grande impacto até então, o campano, porém, foi ser uma peça crucial justamente no confronto derradeiro da temporada.

Contra o Napoli, na última rodada, o Genoa só não podia perder. Exatamente dois pontos à frente do Milan, a equipe de Faccenda tinha desvantagem no confronto direto e, por isso, não poderia terminar o campeonato empatada com a esquadra de Milão. E tudo começou bem. Logo aos três minutos, um gol do artilheiro Massimo Briaschi colocou os grifoni em vantagem no marcador. Só que o Napoli virou o duelo, com dois tentos na primeira metade da etapa complementar. Para piorar, enquanto isso, em Cesena, o Milan conquistava uma virada heroica, após estar perdendo por 2 a 0 para o time da casa.

Restava ao Genoa, portanto, empatar para se manter na elite do futebol italiano. Foi então que, com 34 minutos do segundo tempo, Mario Faccenda foi chamado para substituir Fabrizio Gorin. Embora fosse zagueiro, àquela altura sua entrada era uma medida desesperada. Por ser bom no jogo aéreo, apesar de ter 1,79m de altura, o beque foi se aventurar no ataque. O final da peleja reservou diversas bolas cruzadas na área pelos visitantes. O que ninguém esperava, porém, era a conclusão bizarra desse drama.

Numa tentativa de repor a bola, o veterano goleiro do Napoli, Luciano Castellini, acabou se atrapalhando e jogando a bola para trás – sim, isso mesmo. Escanteio concedido ao Genoa na marca de 40 minutos do segundo tempo. Na cobrança, um desvio de cabeça no centro da área colocou a bola na direção do segundo pau, onde estava Faccenda. Com um carrinho, de perna direita, o zagueiro chegou antes do goleiro e empurrou a bola para as redes: 2 a 2. O primeiro gol de Mario na Serie A salvou os rossoblù da degola.

Na comemoração do tento, êxtase do zagueiro barbudo e dos torcedores visitantes que foram a Nápoles. A festa se estendeu após o apito final, com a confirmação da permanência, e incluiu também as uniformizadas napolitanas, que vibraram com a queda do rival – as organizadas dos campanos e dos genoveses estabeleceram relação de amizade depois deste dia. Somente pela segunda vez em sua história, o Milan teria de jogar a Serie B, sendo a primeira por ser rebaixado, de fato, no campo. Pouco antes, na temporada 1980-81, os rossoneri foram condenados à segunda divisão por conta do Totonero, um escândalo de manipulação de resultados na Itália.

Já Mario Faccenda, com apenas 21 anos, acabou gravando seu nome de forma definitiva na rica história do Genoa por conta deste gol marcado. Certamente, o tento mais importante dentre os sete que anotou com a camisa rossoblù ao longo de sua passagem.

O barbudo Faccenda se consolidou como um zagueiro durão no Genoa (Guerin Sportivo)

Rebaixamento e transferência para o Pisa

Após o “milagre” de Nápoles, Faccenda retornou para a temporada seguinte com status de titular absoluto da equipe comandada por Luigi Simoni. O zagueiro atuou em todas as 30 partidas da Serie A de 1982-83 e marcou um gol. Com sua contribuição e voluntariedade, ajudou o Genoa a se manter, mais um ano, na elite. Dessa vez, com um pouco menos de emoção, já que o time foi o 11º colocado na tabela.

Entretanto, na temporada seguinte, a equipe de Gênova não conseguiu operar um novo milagre e acabou rebaixada. Nem mesmo a vitória na última rodada, por 2 a 1, frente à campeã Juventus salvou o time. Com 25 pontos na tabela – a mesma pontuação da Lazio –, o Genoa acabou relegado por desvantagem no confronto direto contra a formação romana, amargando a 14ª posição geral.

Apesar da queda, Faccenda não abandonou o barco. Novamente, com muitos minutos acumulados, atuou em 33 dos 38 jogos de seu time na segunda divisão. O campeonato, porém, foi completamente bizarro. Marcado por um número inacreditável de empates (para se ter ideia, o Perugia empatou em 26 das 38 rodadas, perdeu somente uma partida e não conseguiu o acesso), a disputa acabou decidida por detalhes. Oscilante, o Genoa se despediu da briga ainda cedo, ficando somente com a sexta colocação – apenas três clubes subiram. Um cenário muito semelhante aconteceu, também, na temporada seguinte, em 1985-86. Os grifoni terminaram o certame com os mesmos 40 pontos do ano anterior e, na sétima posição, novamente, não conseguiram o acesso.

Esta foi a última temporada de Faccenda com o Genoa. Estabelecendo um novo recorde pessoal de 37 partidas disputadas pela segunda divisão, além de mais cinco pela Coppa Italia, o zagueiro decidiu mudar de ares. Deixou os rossoblù com 172 duelos oficiais computados e sete gols. Certamente, um gostinho amargo acabou marcando a despedida, já que o time falhou em conseguir o acesso pelo segundo ano consecutivo – e assim seria por mais duas longas campanhas.

Já mais experiente, Faccenda se mudou para a Toscana. Contratado pelo Pisa, ele voltou à disputa da Serie B em 1986-87, mas com muito mais sucesso do que teve no biênio anterior defendendo o Genoa. De novo, o beque, que jamais abandonou o visual com cabelos longos e barba por fazer, foi titular indiscutível. Após perder os dois primeiros jogos da temporada, emplacou uma sequência de 22 partidas atuando em todos os minutos. No caminho, o reencontro com os grifoni, no qual levou a melhor: os nerazzurri venceram por 2 a 0.

Ao final da temporada, os 44 pontos acumulados (16 vitórias, 12 empates e 10 derrotas) foram suficientes para garantir o acesso à elite. Mais do que isso, o Pisa compartilhou o título daquela edição da Serie B com o Pescara, já que ambos tiveram campanhas idênticas, inclusive no saldo de gols. Esta foi a segunda conquista da equipe da Toscana na segunda divisão, após levantar o troféu em 1984-85. Para Faccenda, este representou seu primeiro título, aos 26 anos de idade.

Sua identificação com a torcida do Pisa foi praticamente instantânea. Seu temperamento explosivo lhe rendia alguns cartões amarelos, é verdade, mas também servia para que ele fosse um defensor muito respeitado em campo. Capaz de atuar tanto na direita quanto na esquerda da zaga, se destacava pelo incrível tempo de bola e por sua impulsão quase sobrenatural. Através do jogo aéreo, Faccenda conseguiu a grande maioria de seus golzinhos como profissional. Dois deles, inclusive, marcariam ainda mais, de maneira positiva, a sua trajetória com a camisa nerazzurra.

Faccenda dobra a marcação sobre Gullit: no Pisa, o zagueiro ganhou dois títulos e ainda fez gol decisivo (imago)

Novamente, o salvador da pátria!

Na temporada 1987-88, o Pisa estava de volta à primeira divisão, e com um objetivo muito claro em mente: permanecer na elite. Naturalmente, a campanha da equipe toscana foi marcada por altos e baixos. Após quatro derrotas seguidas logo de largada, o time se recuperou, aos poucos, mas nunca deixou de figurar na parte de baixo da tabela. Na última rodada do campeonato, os nerazzurri tinham 22 pontos e sofriam uma ameaça real de rebaixamento. Para garantir a manutenção na Serie A, era preciso vencer o Torino, no estádio Romeo Anconetani, em casa. Uma situação já vivenciada por Mario Faccenda nos tempos de Genoa. E, mais uma vez, o zagueiro acabou sendo o protagonista do jogo derradeiro.

Faccenda anotou os dois gols da partida. Foi a única vez em sua carreira na qual conseguiu uma doppietta. E os tentos foram semelhantes: em ambos, bolas alçadas na área, que encontraram a cabeçada potente do zagueiro. Na primeira, o camisa 4 antecipou o goleiro após escanteio e abriu o marcador. Já na segunda etapa, desviou cobrança de falta como manda o manual: forte e para o chão, sem chances de defesa. Duas jogadas de impressionante impulsão de Mario que, novamente, salvou seu time do rebaixamento na última rodada. O placar de 2 a 0 manteve o Pisa na Serie A e condenou o Avelino – junto ao Empoli, que sofrera uma punição de cinco pontos naquela edição do torneio.

Para coroar a sofrida – porém vantajosa – temporada, os toscanos ainda levantaram um troféu após o término do Campeonato Italiano. Foi a conquista da Copa Mitropa, um torneio europeu que teve alguma importância principalmente entre as décadas de 1930 e 1960, mas que perdeu prestígio com o passar dos anos – e com o sucesso da Copa dos Campeões. Em uma edição que contou com seis clubes (entre eles, o Pescara, com quem o Pisa dividiu o título da Serie B anterior), a equipe nerazzurra sagrou-se vitoriosa. Na final, venceu o Vác, da Hungria, por 3 a 0. Faccenda atuou nos 90 minutos da final, e comemorou com os companheiros a segunda taça conquistada no biênio.

Na parte final da carreira, o zagueiro defendeu a Fiorentina por cinco temporadas (Juha Tamminen)

Os anos de Fiorentina

As alegrias com os toscanos, porém, terminaram após a conquista da Copa Mitropa. Na temporada 1988-89, não houve milagre de Faccenda que mantivesse a equipe na primeira divisão. Numa edição que contou com 18 clubes, o Pisa acabou amargando a penúltima colocação, com apenas 23 pontos. A participação do defensor também foi reduzida: apenas 27 aparições e muitos duelos perdidos na reta final do campeonato. Como consequência do rebaixamento, Mario decidiu deixar o time após três anos, 105 jogos disputados e quatro gols marcados. No entanto, o já veterano zagueiro não precisou mudar de cidade.

Acertado com a Fiorentina, Faccenda se manteve na Toscana, para a disputa da Serie A em 1989-90. Em um time que contava com Roberto Baggio em ótima fase no ataque, o zagueiro chegou para tentar solucionar os problemas defensivos que acometiam a equipe havia alguns anos. No entanto, ele demorou algumas partidas para virar titular. Sem fazer uma grande campanha na competição nacional, a Viola focou seus esforços nos torneios eliminatórios. Naquela temporada, o clube disputava a Copa Uefa, além da Coppa Italia. E foi no campeonato europeu que os gigliati conseguiram emplacar uma firme trajetória, apesar de muitos percalços.

Um desses problemas envolveu, inclusive, Faccenda. No duelo de volta da segunda rodada, contra o Sochaux, da França, o defensor foi protagonista de uma situação bizarra. Após empatar em 0 a 0 na Itália, a Viola precisava de ao menos um gol para se classificar de forma direta à próxima fase. Só que Mario acabou expulso com apenas quatro minutos de jogo, após uma entrada desproporcional em um atleta do time francês. A “bicuda” do zagueiro lhe rendeu um vermelho direto e colocou a Fiorentina em apuros. Esta era apenas a quarta aparição do beque com a camisa violeta e uma desclassificação, neste contexto, poderia manchar por completo sua passagem por Florença.

Mas, para a sorte de Faccenda, a Viola conseguiu avançar de fase, mesmo com um a menos durante quase todo o jogo. Renato Buso marcou o gol salvador, contando com assistência de Roby Baggio, ainda na primeira etapa. O Sochaux até empatou, mas o placar por 1 a 1 era favorável à Fiorentina devido ao tento fora de casa.

Após a presepada em solo francês, Faccenda continuou como titular do time, ao menos no campeonato nacional. Seja por conta da expulsão bizarra ou não, fato é que ele só atuou mais 27 minutos nos oito confrontos restantes da Fiorentina na Copa Uefa. A Viola ainda eliminou Dynamo Kyiv, Auxerre e Werder Bremen, antes de encontrar a Juventus na decisão, que marcava a primeira final europeia entre equipes italianas na história. Em um duelo que envolveu polêmicas até mesmo na escolha do estádio (o Artemio Franchi passava por obras para a Copa de 1990, e os gigliati precisaram mandar seu jogo em Avellino), a Juventus levou a melhor: 3 a 1 e 0 a 0 nos dois duelos, que deram o título à Vecchia Signora.

Para piorar, poucos dias depois, Roberto Baggio, o ídolo da torcida gigliata, seria vendido, na calada da noite, à própria Juventus. A transação silenciosa, conduzida pela família Pontello, dona da Fiorentina naquela época, gerou quebra-quebra e confusão nas ruas de Florença. O clube acabaria sendo vendido por conta da pressão dos torcedores.

Nesse contexto turbulento, Mario permaneceu por mais quatro temporadas em Florença. Aos poucos, a expulsão inconsequente no duelo da Copa Uefa perdeu importância em meio às boas apresentações do zagueiro com o manto violeta. Por sua dedicação e esforço em campo (atributos sempre muito valorizados pelos fãs da Fiorentina), acabou até ganhando, carinhosamente, uma canção que ecoava nas arquibancadas do Franchi: “Alguns o chamam de Mario, outros o chamam de Faccenda, nós chamamos de lenda, nós o chamamos de lenda!”, cantavam os torcedores.

Em Florença, Faccenda disputou as séries A e B (Getty)

Um tom levemente zombeteiro, mas que atestava sua simpatia para com os torcedores da Viola. Consistente em termos de atuações nas épocas seguintes, a “lenda” Faccenda sempre ultrapassou a marca de 30 jogos por época. A Fiorentina, porém, não obteve muito destaque em seus resultados entre 1990 e 1992. Após dois anos amargando uma ínfima 12ª colocação, o time sucumbiu na amaldiçoada temporada de 1992-93.

Com um belo elenco à disposição, a equipe de Florença simplesmente despencou na tabela após um começo promissor. De forma chocante, acabou rebaixada, após 54 anos na elite do futebol italiano. Mario já conhecia este roteiro e, novamente, permaneceu no time apesar da queda. Relegado tanto com o Genoa quanto com o Pisa, o zagueiro fez sua última temporada pela Viola, também na Serie B, em 1993-94.

A esta altura, o experiente zagueiro já era bem menos utilizado. Com a camisa 5 da Fiorentina, o jogador de 33 anos atuou em apenas 15 dos 38 duelos pela segunda divisão. Destes, em apenas sete conseguiu completar os 90 minutos. Era o atestado claro de que a trajetória na elite do futebol italiano estava chegando ao fim para o aguerrido e invocado beque. Sem grandes surpresas, Faccenda deixou a Viola após o término da temporada. Para coroar sua respeitável passagem pela Toscana, mais um título da Serie B para o defensor, tal qual conseguira com o vizinho Pisa.

O ano derradeiro da carreira de Mario Faccenda se deu entre 1994-95. Com a camisa da Carrarese, ele disputou a Serie C1 e, apesar de já ter uma idade avançada, participou bem da campanha, entrando em campo em 32 dos 34 jogos da equipe no torneio. Como de costume, ainda deixou um golzinho – e que valeu a vitória pelo placar mínimo contra a Pro Sesto. Um fim de trajetória digno para um atleta sem grandes frescuras, vícios ou exigências.

Com Faccenda em campo, não houve tempo ruim. O defensor foi, do início ao fim de sua carreira, uma figura extremamente cristalina. Era fácil identificar suas deficiências e atributos no gramado, não havia segredos. Mas, mesmo assim, ele quase sempre entregava uma atuação homogênea, correta e valiosa – o que levou adiante em sua trajetória como olheiro de Fiorentina, Palermo e Atalanta.

Como “premiação” pela luta ao longo dos anos, tornou-se protagonista de lances emblemáticos no Campeonato Italiano. Já imaginou ser o responsável por rebaixar o Milan? Faccenda foi. Curiosamente, Mario ainda desenvolveu uma mística difícil de explicar nas últimas rodadas por seus times. Parece que, quando precisava, lá estava o cabeludo saltando no quinto andar para conseguir seus golzinhos de cabeça – ou de carrinho. Sem grandes títulos na estante, mas com muitas histórias boas para contar. Este é Mario Faccenda.

Mario Faccenda
Nascimento: 23 de setembro de 1960, em Ischia, Itália
Posição: zagueiro
Clubes: Latina (1979-81), Genoa (1981-86), Pisa (1986-89), Fiorentina (1989-94) e Carrarese (1994-95)
Títulos: Serie B (1987 e 1994) e Copa Mitropa (1987)

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