Serie A

5ª rodada: goleada sobre a Lazio foi a prova de força que o Napoli precisava

Nem todo mundo gosta de rodadas no meio da semana. Os técnicos, por exemplo, as detestam, principalmente quando acontecem no início da temporada. Nestes dias de equipes cheias de modificações na Serie A, poucas são as torcidas que conseguiram comemorar os três pontos. Na ponta da tabela, foram as de Juventus e Napoli que puderam festejar triunfos que mantiveram os times com 100% de aproveitamento, na liderança do campeonato.

Para os partenopei, a vitória foi ainda mais significativa, pois aconteceu contra uma das sensações da temporada e em um momento em que algumas peças e a qualidade de algumas atuações começavam a ser questionadas. Por sua vez, Inter e Lazio tropeçaram e permitiram que Milan, Torino e Roma ganhassem terreno. Confira como foi a 5ª rodada do campeonato.

Lazio 1-4 Napoli
De Vrij (Immobile) | Koulibaly, Callejón, Mertens e Jorginho (pênalti)

Tops: De Vrij (Lazio) e Jorginho (Napoli) | Flops: Marusic (Lazio) e Reina (Napoli)

15 minutos de intervalo e, voilà, a mágica aconteceu no Olímpico. Se no primeiro tempo a Lazio de Inzaghi dominou e contou com fracas atuações de alguns adversários, na segunda etapa o Napoli de Sarri se aproveitou das lesões da rival para voar. Apesar do resultado elástico, a superioridade visitante não foi tão grande assim: a bem da verdade, o Napoli achou o empate e aproveitou o baque da Lazio para fazer mais dois gols em um espaço de menos de cinco minutos. O primeiro dos azzurri saiu aos 54 e o terceiro tomou forma aos 59. Clínica para acabar com a invencibilidade da sensação da temporada.

A Lazio já havia feito a primeira mudança na defesa quando abriu o placar. Aos 24 minutos o angolano Bastos saiu lesionado e, cinco minutos depois, De Vrij contou com assistência de Immobile para balançar as redes. Além de comparecer no ataque, o holandês se destacou pela excelente marcação sobre Mertens, mas também teve de ser substituído por questões físicas. Sua ausência foi determinante para a derrota laziale.

Aos 9 da segunda etapa, Koulibaly aproveitou a sobra em uma cobrança de escanteio e, da maneira menos “sarrista” possível, empatou. Dois minutos depois, o dedo do técnico apareceu. Os azzurri retomaram a posse de bola e a trabalharam por 60 segundos, até Callejón tabelar com Hamsík e virar o jogo. Mertens apareceria na sequência, para encobrir Strakosha e marcar um belíssimo gol. Jorginho, cérebro da equipe, ainda ganhou um presente no final do jogo, quando a Lazio já atuava com 10 – Basta teve de sair lesionado e a equipe capitolina já tinha realizado substituições. Sua cobrança de pênalti foi o último ato napolitano nesta prova de força de Sarri e companhia limitada.

Juventus 1-0 Fiorentina
Mandzukic (Cuadrado)

Tops: Bentancur (Juventus) e Laurini (Fiorentina) | Flops: Higuaín (Juventus) e Gaspar (Fiorentina)

O clássico entre Juventus e Fiorentina não foi dos melhores, mas pergunte ao juventino se ele ligou para o nível da atuação da equipe. Bianconeri e violetas fizeram uma partida equilibrada, sem grandes chances para ambas as partes, mas a maior ambição do time da casa gerou as ocasiões necessárias para o magro 1 a 0, que manteve a Juve na ponta da tabela, com 100% de aproveitamento. Allegri poupou boa parte dos titulares e perdeu um pouco em termos de entrosamento, mas Asamoah, Bentancur e Matuidi fizeram partidas interessantes, observando este cenário. Por sua vez, Cuadrado foi o jogador mais perigoso em campo, compensando as atuações apagadas de Dybala e Higuaín.

Apesar da derrota, a Fiorentina pode tirar lições positivas da partida no Allianz Stadium. Pioli conseguiu uma rápida evolução tática e o time nem parecia o bando que foi largamente superado pela Inter, na estreia do campeonato. Os gigliati conseguiram 50 minutos de notável solidez contra a hexacampeã, mas a saída de Laurini para a entrada de Bruno Gaspar acabou por ser decisiva. O francês se superava na marcação ao sempre lutador Mandzukic, mas o português entrou desatento e permitiu ao croata fazer o gol que decidiu o cotejo. Além disso, ofereceu instabilidade ao setor: foi exatamente para cobri-lo que Badelj cometeu falta em Matuidi e acabou expulso, arruinando de vez a proposta do treinador. Se a Fiorentina não foi a campo pensando em atacar, com um a menos e atrás no placar é que não teria mesmo forças para superar a defesa da Juve.

Bologna 1-1 Inter
Verdi | Icardi (pênalti)

Tops: Verdi e Donsah (Bologna) | Flops: João Mário e Vecino (Inter)

O empate foi lucro para a Inter. Aliás, somar quatro pontos nos últimos dois jogos foi um prêmio para o time de Spalletti, que não fez boas partidas. Contra o Bologna, o técnico toscano foi vítima de um nó tático aplicado por Donadoni. O ex-craque do Milan foi inteligente ao aproveitar a falta de pegada do meio-campo interista e os espaços deixados por Vecino e Borja Valero no setor. Assim, Poli e, sobretudo Verdi, puderam castigar a Beneamata. Verdi foi soberano contra D’Ambrosio e, quando caiu pelo centro, acertou uma pancada no canto direito de Handanovic. Antes disso, o próprio trequartista já havia tido duas chances muito claras de abrir o placar.

No segundo tempo a Inter conseguiu equilibrar a partida e sofreu menos defensivamente. Apagadíssimo, João Mário deu lugar a Éder e a equipe visitante melhorou, fazendo Icardi enfim aparecer, depois de passar a primeira etapa totalmente isolado. Apesar disso, a Beneamata insistiu demais em cruzamentos de Candreva, que errou quase todos os que tentou. Em um dos equivocados levantamentos na área do camisa 87, a Inter deu sorte e viu Mbaye puxar Éder levemente pela camisa – o suficiente para Marco Di Bello assinalar pênalti, prontamente convertido por Icardi. Os interistas tiveram a invencibilidade salva pelo gongo, mas sabem que têm muito a melhorar no decorrer do campeonato. Os felsinei, por sua vez, saíram orgulhosos do Dall’Ara: com mais atuações neste nível, a zona de rebaixamento ficará bem distante.

Milan 2-0 Spal
Rodríguez (pênalti) e Kessié (pênalti)

Tops: Kessié e Biglia (Milan) | Flops: Paloschi e Felipe (Spal)

O básico para bater uma equipe organizada e chegar à quarta posição. O Milan passou longe de ser brilhante contra a Spal e se deu por satisfeito de conseguir vencer graças a dois pênaltis – um em cada tempo. A equipe spallina foi a San Siro disposta a amarrar o jogo e conseguir um empate. Não somou pontos, mas não dá para dizer que a proposta do técnico Semplici não teve êxito. Por mérito da Spal, os rossoneri não jogaram bem e os atacantes André Silva e Kalinic e o meia Çalhanoglu tiveram atuações especialmente ruins.

Por outro lado, Biglia e Kessié controlaram as ações do meio-campo e a equipe visitante quase não ameaçou Donnarumma. A dupla de registas mostrou evolução no entrosamento e quase tudo de notável que foi criado pelos donos da casa saiu dos pés dos dois. O terceiro elemento importante na vitória de hoje foi o suíço Rodríguez, que forçou o goleiro Gomis a rebater a bola no pênalti sofrido por Kalinic e converteu a infração. A partida ainda reservou um momento inédito: o marfinense Kessié e o senegalês Gomis protagonizaram a primeira vez na história da Serie A que um jogador africano bateu um pênalti contra um goleiro do mesmo continente.

Benevento 0-4 Roma
Dzeko (Kolarov), Lucioni (contra), Dzeko (Perotti) e Venuti (contra)

Tops: Dzeko e Kolarov (Roma) | Flops: Memushaj e Lucioni (Benevento)

Poderíamos até dizer que só a Roma entrou no gramado do estádio Ciro Vigorito nesta quarta-feira. A verdade, porém, é que o Benevento também jogou, mas parecia mais disposto a ajudar os visitantes do que qualquer outra coisa – e não só pelos dois gols contra concedidos pela dupla de zaga dos stregoni. A disparidade técnica entre os giallorossi foi tão grande que a partida reabriu um debate habitual sobre uma possível redução de 20 para 18 participantes na Serie A. Vale lembrar que os sanniti foram goleados por 6 a 0 pelo Napoli e ainda não somaram pontos no torneio.

Sem forçar, a Roma de Di Francesco trabalhou principalmente pelos flancos e chegou a todos os seus gols dessa forma. No primeiro, Kolarov avançou sem ser incomodado e achou Dzeko livre na pequena área, após erro de posicionamento de Di Chiara e Lucioni. O capitão do Benevento falhou novamente 13 minutos depois e colocou contra o próprio patrimônio um passe rasteiro de Bruno Peres. Após o intervalo, foram os erros de Memushaj e Venuti que permitiram que a Roma ampliasse – embora Lucioni tenha sido impreciso no posicionamento nos dois lances. O quarto tento romanista foi didático para demonstrar a inépcia do elenco campano: o cruzamento de Kolarov foi idêntico ao de Bruno Peres, que também acabou originando um gol contra.

Udinese 2-3 Torino
De Paul (pênalti) e Lasagna | Belotti, Hallfredsson (contra) e Ljajic

Tops: Jankto (Udinese) e Belotti (Torino) | Flops: Hallfredsson (Udinese) e N’Koulou (Torino)

Festa dos gols e dos erros no Friuli. Em uma das partidas mais divertidas desta Serie A, o Torino manteve sua hegemonia nos confrontos contra a Udinese e comemorou duas marcas históricas: tem o melhor início de campeonato desde a adoção dos três pontos por vitória, em 1995, e também chegou aos 11 jogos consecutivos marcando gols fora de casa. Em termos táticos, Ljajic se encontrou jogando centralizado e mostrou isso mais uma vez em Údine, distribuindo o jogo e aparecendo para finalizar na entrada da área. Belotti, muito participativo, foi o destaque do jogo, com um gol anotado e várias finalizações defendidas por Scuffet. Belos auspícios para o clássico contra a Juve, no final de semana.

No entanto, o Torino continua sem passar confiança alguma quando o assunto é seu sistema defensivo. Mihajlovic testou a dupla formada pelo estreante Lyanco e por N’Koulou, mas teve fortes emoções – principalmente com o camaronês. O ex-zagueiro do Marseille falhou em saída de bola e, no afã de corrigir o erro, cometeu pênalti em Jankto – convertido por De Paul. O segundo gol também surgiu por uma falha do meio-campo, que deu espaço para um chute de fora da área, mal executado e escorado por Lasagna para as redes. No final do jogo, Ansaldi ainda foi decisivo para evitar o empate. Pelo lado da Udinese, também houve falha de Scuffet no gol de Belotti, mas foi Hallfredsson quem realmente não acertou uma durante os 45 minutos em que ficou em campo. O islandês fez até gol contra e não foi surpresa que a equipe de Delneri tenha melhorado depois que ele deu lugar a Jankto.

Atalanta 5-1 Crotone
Petagna (Ilicic), Caldara (Petagna), Ilicic, Gómez (Ilicic) e Gómez (pênalti) | Tumminello (Stoian)

Tops: Ilicic e Gómez (Atalanta) | Flops: Ceccherini e Ajeti (Crotone)

O início de temporada claudicante da Atalanta deu lugar a uma série de ótimos resultados e grandes atuações – a não ser pelo empate “sem sal” diante do Chievo, no fim de semana. Dessa vez, o time de Gasperini simplesmente destruiu o Crotone graças à sintonia entre o trio de ataque, formado por Ilicic, Petagna e Gómez, que infernizou a defesa visitante.

Apesar da fragilidade do adversário, a partida serviu principalmente para que o meia esloveno e o centroavante italiano deixassem para trás as atuações contestáveis e possam trabalhar com tranquilidade nas rodadas seguintes. Por sua vez, os calabreses até comemoraram o gol da revelação Tumminello (o primeiro da equipe na temporada), mas saíram de campo extremamente pressionados. Vencer o Benevento no duelo dos desesperados de domingo será vital.

Verona 0-0 Sampdoria

Tops: Caracciolo (Verona) e Zapata (Sampdoria) | Flops: Kean (Verona) e Álvarez (Sampdoria)

Dos males, o menor. O Verona continua sem vencer na Serie A, mas conseguiu o segundo ponto na competição graças a mais um empate por 0 a 0 – desta vez arrancado no sufoco. O primeiro tempo contra a boa Sampdoria de Giampaolo, invicta na temporada, teve o domínio do Hellas: a equipe scaligera marcou a saída de bola blucerchiata e levou perigo a Puggioni com Valoti e Verde.

Na segunda etapa, porém, a Samp cresceu, após as saídas de um cansado Quagliarella e de um apagado Álvarez. Com os substitutos Zapata e Ramírez é que vieram as principais chances dos dorianos: o primeiro tirou tinta da trave e o segundo testou Nícolas, que teve uma atuação segura, recuperando-se das falhas nas rodadas anteriores. Destaque ainda para o zagueiro Caracciolo, que salvou uma cabeçada do uruguaio em cima da linha e ainda conseguiu, no último minuto, desviar para a trave uma forte testada do colombiano.

Genoa 1-1 Chievo
Laxalt | Hetemaj (Castro)

Tops: Laxalt (Genoa) e Cacciatore (Chievo) | Flops: Lazovic (Genoa) e Birsa (Genoa)

Genoa e Chievo cumpriram a promessa de uma partida de baixo nível técnico no Luigi Ferraris. Pior para os donos da casa, que ainda não conseguiram vencer no campeonato e saíram de campo vaiados no intervalo e após o apito final. Juric propôs seis modificações em relação ao time que perdeu para a Lazio, no domingo, mas sacou dois deles, Brlek e Lazovic, na volta para a segunda etapa.

O time melhorou com as entradas de Taraabt e Rosi, mas foi com o incansável Laxalt que abriu o placar. No entanto, o Chievo não se abateu depois de ter sofrido o gol: Maran fez uma rara alteração ofensiva e substituiu o zagueiro Dainelli pelo atacante Pellissier. Com mais profundidade, os clivensi empataram, depois que Castro acionou Hetemaj. Os grifoni sentiram o baque e o Chievo só não virou porque Pellissier desperdiçou uma chance clara nos acréscimos.

Cagliari 0-1 Sassuolo
Matri (pênalti)

Tops: Cragno (Cagliari) e Duncan (Sassuolo) | Flops: Diego Farias (Cagliari) e Politano (Sassuolo)

Demorou, mas a primeira vitória do Sassuolo na Serie A saiu. Não sem drama, é claro. A equipe emiliana foi bombardeada pelo Cagliari na Sardegna Arena, mas contou com a imprecisão dos casteddu, a atuação abaixo da crítica de Pavoletti e Diego Farias e a boa exibição do goleiro Consigli, autor de algumas boas defesas ao longo da partida.

Se o goleiro neroverde foi bem, o número 1 sardo também se destacou: Cragno foi muito seguro em todo o jogo e defendeu até pênalti cobrado por Matri. O antigo ídolo da torcida rossoblù, porém, conseguiu se redimir do erro na primeira cobrança e não desperdiçou a segunda chance que teve na marca da cal.

*Os nomes entre parênteses após os marcadores dos gols correspondem aos autores das assistências

Seleção da rodada
Cragno (Cagliari); Ansaldi (Torino), Caldara (Atalanta), Koulibaly (Napoli), Kolarov (Roma); Bentancur (Juventus), Jorginho (Napoli); Verdi (Bologna), Ilicic (Atalanta), Gómez (Atalanta); Dzeko (Roma). Técnico: Roberto Donadoni (Bologna).

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