Serie A

18ª rodada: A mais forte

Jogando mal e aos trancos e barrancos, a Juve vence. Vai ser difícil desbancá-la (Caught Offside)

Cada vez mais parece difícil que o scudetto fique longe de Turim. Mais uma vez, a Juventus se demonstra absolutamente superior a seus adversários e, mesmo sem jogar bem, tem vencido suas partidas, como o complicado embate contra o Cagliari.  A campeã ainda bate recordes e amplia sua vantagem na liderança. É, sem dúvidas, a mais forte equipe da Itália. O que não quer dizer que será campeã, mas assegura enorme vantagem.

O blog trará as análises das equipes na parada de inverno, mas diminuirá sua frequência de postagens até a retomada da Serie A, no dia 5 de janeiro. Enquanto isso, acompanhe o resumo da rodada e, depois, continue acompanhando nossas atualizações nas redes sociais.

Cagliari 1-3 Juventus
Não foi fácil, mas a Juventus conseguiu derrotar o Cagliari por 3 a 1 no campo neutro de Parma, na sexta-feira, e conseguiu bater o próprio recorde de pontos em um único ano: em 2005, a Juve de Capello somou 93 pontos; já a de Conte, com esta vitória, chegou aos 94 pontos no ano de 2012 e tem a melhor marca da história da Serie A. Quarta vitória seguida, oito pontos de vantagem para o vice-líder, mas não foi tão simples como parece. O Cagliari, que teve sua Is Arena interditada e não teve a boa vontade dos juventinos para jogar na Sardenha, vendeu caro o resultado, que só se tornou favorável aos bianconeri a quatro minutos do apito final.

Pois quem abriu o marcador foi o Cagliari, logo aos 16 do primeiro tempo, com Pinilla cobrando pênalti erroneamente marcado pela arbitragem. Sem criatividade, a Velha Senhora teve dificuldades para superar a bem postada defesa rossoblù. E assim foi até aos 20 do segundo tempo, quando o capitão sardo Astori foi expulso – e os cagliaritanos poderiam ter tido mais outros jogadores expulsos. Não demorou muito e Matri, ex-jogador do Cagliari vindo do banco, empatou a partida aos 30 minutos, aproveitando rebote do goleiro Agazzi na pequena área (Vidal havia errado um pênalti, também mal marcado, dois minutos antes). Com um homem a mais, a Juve pressionou os sardos e esbarrava em Agazzi, até chegar à virada aos 47, quando o mesmo Matri aproveitou-se de um erro clamoroso do brasileiro Nenê na área e fez o segundo. A um minuto do fim, Giovinco ainda fez boa jogada individual e Vucinic, debaixo da trave, “tirou”o gol do baixinho para fechar o placar. (Thiéres Rabelo)

Sampdoria 0-1 Lazio

Gênova proporcionou boas coisas à Lazio nesta última rodada de 2012. O empate que o Genoa arrancou da Inter em Milão foi uma motivação a mais para a equipe biancoceleste que visitou o Marassi e derrotou a Samp por 1 a 0. Com o resultado, os biancocelesti assumem a vice-liderança da Serie A, com 36 pontos. A Samp, que teve a estreia de Delio Rossi como novo treinador, perde a terceira seguida e cai mais uma posição, agora 15ª, dois pontos à frente do Palermo, primeiro time dentro da zona de rebaixamento.

Rossi escalou a Samp com dois atacantes, Éder e Icardi, diferentemente do esquema que Ciro Ferrara vinha utilizando, com Icardi isolado. Isso resultou em uma postura agressiva dos donos da casa na primeira metade do primeiro tempo, com várias chances claras de gols. Mas, aos 31, em uma bola mal afastada na área blucerchiata, Hernanes aproveitou o rebote e fuzilou rasteiro para abrir o placar. A partir daí, a Samp não mais se encontrou e viu a Lazio dominar a posse de bola e se fechar na defesa, para assegurar a vitória e fechar 2012 com um sorriso no rosto. O técnico Vladimir petkovic vai caindo nas graças da torcida: apenas Sven-Göran Eriksson e Tommaso Maestrelli (que foram campeões com os laziali) tiveram melhor aproveitamento. (TR)

Inter 1-1 Genoa
Fechando o desastroso ano de
2012, Inter e Genoa repetiram aquilo que mais fizeram no ano: tropeçaram. Enquanto
o Genoa perdeu a chance de aliviar a barra do grupo para a segunda parte da
temporada, a Inter caiu em seus próprios erros e viu a rival Juventus disparar
na liderança e ainda ser ultrapassada por Lazio e Fiorentina. No Giuseppe Meazza, um primeiro
tempo de poucas chances e superioridade da Inter, que variou entre o 3-4-3, o 4-3-3 e o
4-4-2, dominava a posse de bola e a vantagem territorial, mas não
conseguia criar e, consequentemente, finalizar. O Genoa, por sua vez, se
portava bem atrás e saía em contra-ataques. 
Na segunda etapa, Stramaccioni mudou, a
Beneamata pressionava e a falta de qualidade na criação ainda era empecilho. E
como quem não faz, leva, o Genoa soube aproveitar um dos poucos vacilos
defensivos nerazzurri: saída de bola errada com Gargano, lançamento de
Antonelli para Immobile nas costas de Zanetti, vencendo Ranocchia na velocidade
e se antecipando a Samuel para finalizar contra Handanovic, que também falhou
no lance. Somente na base do abafa a Inter empatou, quando após levantamento na
área despretensioso de Cassano, Cambiasso, livre, impediu o vexame interista e
a quebra de um tabu de 18 anos sem vitórias dos grifoni em Milão.
Palermo 0-3 Fiorentina
E a Fiorentina de Montella segue
fazendo suas vítimas na Serie A. Sem a pressão de uma equipe grande, os
toscanos passearam diante do Palermo de Gasperini e subiram na tabela. O técnico palermitano ao menos comeu o panetone, como se diz no Belpaese, mas está cada vez mais em rota de
colisão com o presidente Maurizio Zamparini.
Com Jovetic de volta ao onze inicial após um
mês parado por lesão, foram através dos pés do montenegrino que as principais
chances saíram, contando com a boa participação de Cuadrado, Aquilani, Valero,
Pasqual e do velho Toni. Em ritmo mais baixo, os gols saíram apenas na
etapa final, com Jovetic, duas vezes: um após passe em profundidade de
Cuadrado, outro após pênalti sofrido por Toni, com direito a “cavadinha”. Também de pênalti, Gonzalo Rodríguez fechou a conta. (AB)

Siena 0-2 Napoli

A partida realizada no Artemio Franchi foi decidida apenas nos minutos finais. Siena e Napoli viviam situações bem parecidas, apesar da distância na tabela de classificação. Sob comando do novo treinador, Giuseppe Iachini, a equipe bianconera foi eliminada da Coppa Italia pela Lazio, nos pênaltis; o Napoli vinha de quatro derrotas seguidas (campeonato, Coppa e Liga Europa). Também foi a primeira partida pelo torneio nacional após a suspensão de Cannavaro e Grava por manipulação de resultados. Em campo, os partenopei perderam muitas chances durante os dois tempos e os gols só vieram no fim da etapa complementar.

Aos 40 minutos, Maggio desviou cruzamento de Hamsík para fazer a festa da torcida azul na Toscana. Momentos depois, Felipe derrubou Pandev dentro da área e, de pênalti, Cavani deu números finais ao jogo. O uruguaio chegou ao gol de número 13 na atual temporada. O Napoli permanece na 5ª colocação após a vitória. Com 11 pontos, o Siena continua na lanterna e tem desfalque importante para o primeiro jogo do returno, contra o Milan, em janeiro: Calaiò foi expulso e está de fora. (Murillo Moret)

Roma 4-2 Milan

Mais uma vez, a Roma de Zeman deu espetáculo. No Olímpico, a equipe giallorossa chegou a abrir 4 a 0 sobre o Milan, e só sofreu dois gols porque, com um a menos desde a injusta expulsão de Marquinhos, se abriu ainda mais. Mesmo assim, no confronto direto da rodada, os romanistas ampliaram a vantagem sobre os rossoneri de dois para cinco pontos, e mantiveram a 6ª posição, com 32 pontos, contra 27 do Milan.

No primeiro tempo, a Roma praticamente matou o jogo, marcando 3 a 0: primeiro Burdisso, de cabeça, depois com Osvaldo, em mais uma assistência de Totti (melhor em campo) e, outra vez, com Lamela, que marcou depois de lindo passe de De Rossi. De volta ao time titular, o vice-capitão romano jogou muito bem, e foi elogiado por Zeman depois do jogo. Provavelmente voltará ao time titular, barrando Tachtsidis. Na segunda etapa, Lamela marcou mais um, saindo do jejum que durava desde outubro com estilo – chegou aos 10 gols no campeonato. Pazzini e Bojan ainda diminuíram, mas o ano do Milan termina em baixa, depois de uma alta nas últimas rodadas.

Bologna 1-2 Parma

O Parma voltou a vencer o dérbi da Emília-Romanha ao derrotar o Bologna por 2 a 1. A última vitória, até então, tinha sido em 1998. Após o primeiro tempo sem chances, Sorensen, após confusão dentro da área, acertou um bonito chute com a perna direita para marcar o primeiro gol da partida. Porém, o time da casa mal teve tempo de comemorar. Valdés arriscou um chute da intermediária e acertou o ângulo direito, marcando um golaço no Renato Dall’Ara. Sansone virou a partida e levou o cartão amarelo ao comemorar na frente do capitão adversário, Diamanti. Roberto Donadoni substituiu o atacante por Acquah e brigou com Sansone, pela atitude irônica.

Os rossoblù tentaram uma reação em cobrança de falta de Diamanti, mas Pavarini conseguiu fazer a defesa. Sem Paletta, suspenso, a defesa palermitana se portou muito bem com Benalouane, Santacroce, Lucarelli e Gobbi. O lateral-esquerdo, aliás, salvou o Parma ao travar Gabbiadini dentro da área, durante o primeiro tempo. Na parada de inverno, o Parma arrancou a 8ª posição do Catania, subindo aos 26 pontos; o Bologna caiu para a 14ª colocação, permanecendo com 18 pontos. (MM)

Atalanta 1-1 Udinese

Depois de eliminada pela Fiorentina na Coppa Italia em um jogo no qual o time foi desastroso, a Udinese viajou até Bergamo com a missão de encarar a sempre complicada Atalanta. Com Di Natale de fora, Francesco Guidolin apostou novamente em Muriel, que parece estar reencontrando o bom futebol com o qual se destacou na temporada passada.

Apesar de sufocado pelo time nerazzurro, Brkic pouco trabalhou. Na primeira – e única – oportunidade, Muriel em uma acrobacia no melhor estilo Ibrahimovic, sem chances para Consigli, abriu o placar para os friulanos. Mas nem deu para saborear a vantagem e minutos depois, o árbitro Marco Guida aponta um pênalti muito controverso de Angella em Peluso. Na cobrança, Denis empatou a partida. Na segunda etapa, a pressão do time bergamasco continuou e Denis bem que tentou marcar o segundo, mas Badu tirou em cima da linha, salvando a Udinese de mais uma derrota e conseguindo um ponto importantíssimo, embora não mude a situação de nenhuma das duas equipes, que continuam no meio da tabela. (Caio Dellagiustina)

Torino 2-0 Chievo
Bastaram 26 minutos para que os torcedores do Torino tivessem a certeza de que o Natal seria tranquilo, como há muito não acontecia. A missão de bater o Chievo, que vinha de três vitórias consecutivas, inclusive a última sobre a Roma no Olímpico, parecia difícil, mas bastou a bola rolar para que os comandados de Eugenio Corini se mostrassem irreconhecíveis no jogo.

Primeiro Glik, de cabeça e depois Gazzi, num chute de fora da área, desviado por Andreolli, marcaram os gols do Toro, que pouco viram os gialloblù chegarem perto do gol de Gillet. Nas poucas oportunidades, o arqueiro belga fez belas intervenções que ajudaram o time a se distanciar da zona do rebaixamento. O jogo estava tão calmo que a torcida granada já pensava em 2013, especialmente no mercado de transferências, e a possível perda de seu capitão, Rolando Bianchi, especulado em times como Fiorentina, Napoli e Parma, além de times do futebol australiano. (CD)

Pescara 2-1 Catania

No jogo que abriu a rodada, o Pescara conseguiu sua primeira vitória desde que o técnico Cristiano Bergodi assumiu a equipe, no início do mês. Frente a um organizado Catania, a equipe do Abruzzo conseguiu somar três pontos preciosíssimos, que valeram o término de 2012 fora da zona de rebaixamento. Com 17 pontos, dois a mais que o Palermo, primeiro que cairia, os golfinhos ocupam a 16ª posição. Já o Catania fica em 9º, com 25 pontos.

Os sicilianos tomaram a iniciativa do jogo, mas acabaram saindi atrás, depois que Celik teve chute desviado na zaga e viu a bola passar por Andújar. Depois de um erro da defesa pescaresa, Izco cruzou para Barrientos, que bateu bonito e deixou tudo igual. Mas, nos acréscimos, o brasileiro Rômulo Togni, de 30 anos e carreira toda construída nas divisões inferiores da Itália, bateu falta e contou com o atraso de Andújar para fechar o placar.

Relembre a 17ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Agazzi (Cagliari); Biava (Lazio), Granqvist (Genoa), Rodríguez (Fiorentina), Burdisso (Roma); Valdés (Parma), De Rossi (Roma), Lamela (Roma); Jovetic (Fiorentina), Matri (Juventus), Totti (Roma). Técnico: Zdenek Zeman (Roma)

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