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Os 5 maiores brasileiros da história do Bologna

Uma das equipes mais tradicionais da Itália, o Bologna é um dos poucos times de médio e grande porte da Bota que não deu tanto espaço para brasileiros em sua história. Ao longo de mais de 100 anos de existência, apenas 20 jogadores nascidos em nosso país atuaram no clube do estádio Renato Dall’Ara.

O primeiro de todos foi o zagueiro Paulo Innocenti, gaúcho que foi para a Itália nos anos 1920 e jogou pelos felsinei entre 1923 e 1924. O segundo brasileiro chegou em Bolonha mais de 40 anos depois: o atacante Sergio Clerici, de duas passagens pela Emília-Romanha, fez história. Foi ele quem acabou abrindo as portas para outros 18 compatriotas, como Enéas, Geovani, Zé Elias, Lima, que foram bem, e outros nomes discutíveis, como Coelho, Ibson e Roger Carvalho.

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Para montar a lista, o Quattro Tratti levou em consideração a importância dos jogadores na história do clube; a qualidade técnica do atleta versus expectativa; sua identificação com a torcida e o dia a dia do time (mesmo após o fim da carreira); grau de participação nas conquistas; respaldo atingido através da equipe e prêmios individuais conquistados. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais. A partir disso, escolhemos os brasileiros que marcaram a história da equipe e escrevemos breves biografias dos cinco maiores. Antes, veja também a lista completa daqueles que já vestiram a camisa do clube emiliano.

Brasileiros da história do Bologna
Adaílton, César, Claiton, Coelho, Daniel Bessa, Enéas, Geovani, Ibson, Juárez, Júnior Costa, Lima, Luciano, Luís Vinício, Matuzalém, Naldo, Paulo Innocenti, Rafael Santos, Roger Carvalho, Sergio Clerici e Zé Elias.

5º – Enéas

Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1980-81
Títulos: nenhum

Ídolo da Portuguesa nos anos 1970 e do Palmeiras na década seguinte, Enéas teve uma passagem rápida pela Emília-Romanha. O atacante assinou pelo Bologna em 1980, logo após a reabertura das fronteiras para estrangeiros na Serie A, e apesar das grandes expectativas da torcida, rendeu menos do que o esperado. A falta de adaptação ao rígido inverno, ao padrão tático e à saudade da família, além de uma lesão, fizeram com que ele fizesse 20 jogos e apenas três gols pelos felsinei.

No Brasil, Enéas já havia provado a sua qualidade – tanto é que já recebera convocações para a Seleção –, mas os problemas citados acima deixavam o técnico Luigi Radice desconfortável de colocá-lo em campo. Apesar das adversidades e de viver de lampejos – como uma bela atuação diante da Juventus –, o atacante ganhou a simpatia da torcida, com sua simplicidade. Em 1981, Enéas foi negociado com a Udinese e, em seguida, voltou ao Brasil.

4º – Geovani

Posição: meia-atacante
Período em que atuou no clube: 1989-90
Títulos: nenhum

O Pequeno Príncipe. Geovani deixou o Vasco com essa alcunha e o Bologna apostava que ele repetiria na Emília-Romanha os momentos que o fizeram um dos jogadores mais adorados pela torcida cruz-maltina. O meia-atacante capixaba foi contratado pelo presidente Gino Corioni para dar classe a um time com alguns bons e veteranos jogadores, como Bruno Giordano, Antonio Cabrini e Massimo Bonini. Durante a única temporada em que jogou na Itália, concluída com a classificação dos felsinei à Copa Uefa, ele até conseguiu, mas somente em alguns momentos.

Os lampejos de Geovani se devem, basicamente, às dificuldades que ele teve em manter o peso – lendas urbanas de Bolonha dão conta de que o jogador ficou viciado em tortellino, uma iguaria típica da cidade. Um dos grandes momentos do Pequeno Príncipe nos 27 jogos que fez vestindo rossoblù foi o golaço que decidiu o Dérbi dos Apeninos, contra a Fiorentina. Mesmo tendo passado apenas um ano no clube, Geovani é querido pela torcida e participou das festividades pelo centenário do Bologna, em 2009.

3º – Luís Vinício

Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1960-62
Títulos: Copa Mitropa (1961)

O atacante Luís Vinícius (na foto, o quarto, da esquerda para a direita) foi rebatizado Vinício na Itália. O jogador formado no Botafogo é praticamente desconhecido no Brasil, mas fez carreira de muito sucesso no Belpaese, principalmente por Napoli e Vicenza. Ele chegou à Bota para jogar em Nápoles e, após cinco anos no sul da Bota, fechou com o Bologna. Na temporada de estreia, o mineiro de 28 anos marcou 11 gols em 30 partidas, sagrando-se campeão da Copa Mitropa, competição que incluía times de países da região central da Europa, como Itália, Hungria, Áustria e Checoslováquia.

Apesar de ter ido muito bem no ano de estreia, Vinício perdeu espaço com a chegada de Harald Nielsen, atacante de apenas 20 anos. Desde a chegada do dinamarquês, que seria ídolo do clube e artilheiro da Serie A por duas vezes consecutivas, o brasileiro atuou menos de 20 vezes pelos felsinei. Dessa forma, Luís Vinício encerrou sua trajetória em Bolonha com 47 jogos e 17 gols, rumando para o Vicenza, clube pelo qual mais brilharia na Itália.

2º – Adaílton

Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 2007-10
Títulos: nenhum

Formado pelo Juventude e artilheiro do Mundial Sub-20 de 1997 com 10 gols, Adaílton chegou à Itália através do Parma, mas não conseguiu se firmar. O brasileiro se destacou mesmo com a camisa do Verona, principalmente na Serie B, e se tornou uma figurinha carimbada da segundona. Foi exatamente na segunda divisão que Ada começou sua passagem pelo Bologna, em 2007. Ao longo de três anos, o jogador gaúcho emprestou a sua experiência e a sua ótima técnica com a perna canhota, principalmente nas bolas paradas, quesito em que ele era muito eficiente.

Adaílton foi contratado já aos 30 anos e foi importante na campanha que devolveu o Bologna à elite, em 2007-08: anotou oito gols, que ajudaram os felsinei a ficarem com o vice. No ano seguinte acabou sendo menos utilizado, mas fez parte de um time que garantiu a salvezza na bacia das almas. O script foi o mesmo em 2009-10, última temporada do trequartista na Emília-Romanha: salvação apenas na penúltima rodada. Desta vez, porém, Adaílton, foi protagonista: aos 32 anos, parecia rejuvenescido e fez 11 gols, sendo vice-artilheiro da equipe, atrás apenas de Marco Di Vaio (12). Adaílton será sempre lembrado pelo gol marcado nos acréscimos contra a Juventus (empate por 1 a 1) e pela tripletta diante do Genoa (virada por 4 a 3, em Gênova).

1º – Sergio Clerici

Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1967-68 e 1975-77
Títulos: nenhum

Matador. Mais conhecido no Brasil como técnico de Ferroviária de Araraquara, Santos e Palmeiras, Sergio Clerici saiu cedo do país e, aos 19 anos, trocou a Portuguesa Santista pelo pequeno Lecco, da Lombardia. Após se destacar nos blucelesti, e jogar quatro edições da segundona e três da primeira, o paulistano, então com 26 anos, fechou com o Bologna, sendo o substituto de Harald Nielsen. No entanto, apesar da 6ª colocação na Serie A, a primeira passagem do ítalo-brasileiro não foi boa e ele só fez quatro gols. Depois de rodar por Atalanta, Verona e Fiorentina e jogar com regularidade, ele chegou ao Napoli, clube em que virou ídolo, com 29 gols marcados em duas temporadas nas quais os azzurri foram muito bem: ficaram com um terceiro lugar e um vice-campeonato na Serie A.

Foi aí que, já aos 34 anos, o brasileiro de origem italiana voltou a Bolonha, embora não desejasse muito jogar de novo no clube. Envolvido em uma troca que levou o goleador Giuseppe Savoldi a Nápoles, o atacante, conhecido como “El Gringo”, caiu no gosto da torcida: mestre da grande área e bom finalizador com os dois pés, fez 15 gols em dois anos – marca boa, pois a Serie A só tinha 16 equipes e era um torneio de poucos tentos, à época. Depois do biênio aos pés da Torre de Maratona, Clerici foi para a Lazio, onde se aposentou. Com 103 gols anotados na carreira, ele está no time dos 100 maiores artilheiros da história da Serie A e é o estrangeiro que vestiu a camisa do maior número de clubes na Itália: sete, ao todo.

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