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Sandro Cois foi tricampeão da Coppa Italia e pilar da Fiorentina



Nos anos 1990, a Fiorentina tinha um esquadrão, muito lembrado pelos milagres de Francesco Toldo, os gols de Gabriel Batistuta, os dribles de Edmundo, e as assistências geniais de Rui Costa. Porém, o equilíbrio da equipe era determinado pelos pés de Sandro Cois, regista raçudo e pouco badalado que fazia o trabalho sujo de roubar bolas e ditar o ritmo da Viola. Em quase uma década de Florença, o piemontês foi um dos jogadores mais consistentes do time, conquistou títulos e foi premiado com a convocação para a Copa do Mundo de 1998.

Sandro Cois defendeu um total de seis clubes na carreira. Seus primeiros passos no futebol foram aos 12 anos, com a camisa da Fossanese. Permaneceu até os 16 no time de Fossano, sua cidade natal, quando rumou para a Saviglianese, com a qual estreou na quinta divisão, em 1988-89. Depois disso, Cois acertou com o Torino, clube em que ficaria por seis anos.

No time Primavera do Toro, Cois costumava jogar próximo dos atacantes, como meio-campista ofensivo, e aos poucos foi recuando: foi testado como lateral e até como zagueiro, antes de se estabelecer como volante. Ao lado de Christian Vieri, Giuseppe Pancaro e Andrea Sottil, Sandro fez parte de uma ótima geração da base granata, que veio a conquistar o scudetto sub-19 duas vezes consecutivas, em 1991 e 1992. Ainda dividindo atenções entre base e time principal, o volante participou de alguns minutos da campanha do vice do Torino na Copa Uefa.

Depois do bicampeonato na Primavera e das primeiras chances no time em 1991-92, Sandro foi integrado de vez ao time profissional do Torino e, pelo terceiro ano consecutivo, pode sentir o gostinho de conquistar um título de caráter nacional. Na temporada 1992-93 foi bastante utilizado pelo treinador Emiliano Mondonico: entrou em campo 17 vezes pelo campeonato e seis vezes na marcante campanha da Coppa Italia, que culminou no troféu granata. O Torino eliminou, em sequência, Monza, Bari, Lazio e a arquirrival Juventus nas semifinais para enfrentar a Roma na decisão.

No jogo de ida, o Toro aplicou um 3 a 0 incontestável em uma noite inesquecível para Cois, que saiu do banco e marcou seu primeiro tento como profissional. O gol saiu em jogada de bola parada: um cruzamento de Carlos Alberto Aguilera encontrou Daniele Fortunato na área; o meia escorou de cabeça para Cois, completamente livre de marcação, fuzilar de direita e marcar o segundo do Torino. No jogo de volta, o volante atuou durante os 90 minutos no Olímpico e celebrou a quinta conquista da copa pelo clube do Piemonte, apesar da derrota por 5 a 2 na capital.

Depois do título, Cois permaneceu no Torino para jogar a temporada 1993-94, na qual o seu time disputou a taça da Recopa Uefa, além das competições domésticas. No torneio internacional, o volante teve quatro participações com a camisa granata na campanha que parou nas quartas de finais, diante do Arsenal. O Toro ainda foi vice-campeão da Supercopa Italiana e teve trajetórias positivas na Coppa Italia (semifinalista) e na Serie A (oitavo colocado).

Com a Fiorentina, o volante disputou competições internacionais, como a Recopa e a Champions League (Bongarts/Getty)

No verão de 1994, Sandro foi anunciado na Fiorentina junto com Andrea Sottil, seu companheiro de equipe desde as categorias de base no Torino. Depois de seis anos no clube piemontês, o volante rumou para Florença para se juntar à equipe campeã da Serie B do ano anterior. Sob o comando da família Cecchi Gori, os gigliati recebiam altos investimentos para subir de patamar. Em pouco tempo, Cois se tornou um dos pilares defensivos da Viola, equipe pela qual disputou 218 jogos e viveu o auge da sua carreira: pela Fiorentina, conquistou duas vezes a Coppa Italia e um título da Supercopa nacional, além de convocações para a seleção.

Nos três primeiros anos em Florença, foi comandado por Claudio Ranieri, que o escalou como primeiro homem à frente da defesa e conseguiu explorar seu bom porte físico e poder de marcação, motivo pelo qual o também meio-campista Angelo Carbone lhe deu o apelido de “Osso”. A primeira temporada não foi bem um sucesso – a Viola ficou apenas com um 10º lugar no campeonato –, porém no ano seguinte veio a primeira grande conquista. Além do surpreendente quarto posto no campeonato, a Fiorentina ganhou a Coppa Italia vencendo todas as oito partidas, eliminando a Inter nas semifinais e batendo a Atalanta na decisão.

No embalo do triunfo que encerrou um jejum de 21 anos sem títulos, a Fiorentina venceu também a Supercopa Italiana ao bater o Milan, em San Siro, com uma tripletta de Batistuta. Na temporada consecutiva, o ponto alto foi a campanha positiva na Recopa Uefa, que fez os Gigliati sonharem com o título. No entanto a Viola parou diante do Barcelona de Ronaldo, nas semifinais.

A regularidade de Cois pela Fiorentina lhe rendeu a convocação para a seleção principal em 1997 pelo mesmo Cesare Maldini que já o observava quando era técnico da equipe sub-21 italiana. Sandro fez sua estreia em um amistoso contra a Eslováquia e, mesmo com uma única atuação, foi chamado para fazer parte do elenco da Itália na Copa de 1998. Apesar disso, o piemontês ficou na reserva durante toda a competição e não entrou em campo. A Nazionale foi eliminada pela França, campeã, nas quartas de final.

De volta à Itália, Sandro Cois teve chances reais de faturar o scudetto com a Fiorentina, que liderou o campeonato por 18 rodadas, mas viu a coisa desandar no segundo turno. A lesão de Batistuta, principal jogador, somado à falta de comprometimento de Edmundo com a equipe, provocaram uma queda de rendimento do time de Giovanni Trapattoni, que não só perdeu a liderança como também saiu da disputa pelo título. “Uma pena que, naquele ano, com Bati lesionado, Edmundo preferiu o carnaval do Rio à Fiorentina”, lamentou o volante em entrevista concedida à Sky Sports, em 2010.

Para salvar a temporada, a Viola tinha pela frente o Parma, em uma final de Coppa Italia. O título seria decidido no Artemio Franchi após o empate por 1 a 1 em Parma. Na partida de volta, o placar se repetia e a decisão caminhava para os pênaltis. Porém, no segundo tempo, Cois voltaria a marcar em uma final de copa, como havia feito em 1993, pelo Torino. Novamente o gol saiu na bola parada: a cobrança de Rui Costa encontrou o camisa 14 da Viola, que testou para o fundo das redes de Gianluigi Buffon. Tudo foi por água a baixo dez minutos depois, quando o Parma chegou ao 2 a 2 com Paolo Vanoli e se sagrou campeão pela regra do gol fora de casa.

Durante oito anos, Cois foi pilar do meio-campo florentino (Allsport)

Dois anos mais tarde, as duas equipes vieram a se reencontrar em uma final de Coppa Italia e a Fiorentina teve a chance de dar o troco nos crociati. Naquela ocasião, os gigliati venceram por 2 a 1 no agregado, mas Cois sequer entrou em campo, pois àquela altura estava perdendo seu espaço no time. Isso porque um ano antes, Sandro sofreu uma lesão séria que fez cair drasticamente o nível de suas atuações.

“Aconteceu naquele maldito Arsenal-Fiorentina, em 1999, quando eu tomei uma cabeçada de Tony Adams. Fui ao hospital em Londres e me diagnosticaram com uma simples lesão na cabeça. Eu tive febre, alergia aos medicamentos e depois de vários exames descobriram duas hérnias cervicais, inclusive uma grave”, declarou o regista em entrevista ao site Tuttomercatoweb. O incidente em Londres acabaria sendo crucial para sua aposentadoria precoce. A partir daquele dia passou por uma queda de rendimento e perdeu espaço no time.

Em 2002, ano em que a Fiorentina decretou falência, Sandro foi negociado com a Sampdoria e, seis meses depois, estava no Piacenza, clube em que se aposentou com apenas 31 anos. “Nos últimos anos na Samp e no Piacenza eu não era mais o mesmo, tinha dificuldades até para ficar em pé. Daí a decisão de parar”, contou Cois, em entrevista à Sky Sports. O volante atuou em apenas cinco partidas por cada uma das equipes.

Depois da aposentadoria, Cois se afastou do mundo do futebol e foi morar em Montecatini Terme, cidade da sua esposa. Lá, ele passou a trabalhar na agência imobiliária de sua companheira, com reestruturação de imóveis. Sandro também teve a oportunidade de conhecer e fazer amizade com um de seus ídolos, o ex-piloto Michael Schumacher, em eventos beneficentes.

Sandro Cois
Nascimento: 9 de junho  de 1972, em Fossano, Itália
Posição: meio-campista
Clubes: Saviglianese (1988-89), Torino (1989-1994), Fiorentina (1994-02), Sampdoria (2002) e Piacenza (2003).
Títulos: Coppa Italia (1993, 1996 e 2001), Supercopa Italiana (1996) e Copa Mitropa (1991)
Seleção italiana: 2 partidas



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