Serie A

900 minutos em 9: 25ª rodada

Inter não aceitou a boa arbitragem de Tagliavento e decretou silêncio à imprensa (Getty Images)

A rodada deste fim de semana começou a todo vapor, mas a água… Ok, a péssima piada com Acquafresca, autor dos dois primeiros gols de sábado, será evitada. Mas o fato é que o centroavante chegou muito bem ao Genoa (9º lugar, 38 pontos), deixou suas primeiras marcas e é peça-chave nesta subida de rendimento dos grifoni neste mês de fevereiro. Contra a Udinese (16º lugar, 24 pontos), a tarefa do Genoa não foi das mais difíceis. Depois de um bom começo do time friulano, aos 30 minutos Sculli acertou o cantinho de Handanovic, que fez um milagre que ficou pela metade. No rebote, Acquafresca mandou para as redes em seu melhor estilo. Na volta do segundo tempo, mais Acquafresca: agora derrubado por Coda na grande área, converteu bem o pênalti. A Udinese viu suas esperanças minguarem quatro minutos depois, com a expulsão de Zapata. E não foi preciso nem mais cinco minutos para que Palácio mandasse às redes um cruzamento em ótima jogada de Sculli. O Genoa agora está só a três pontos na zona de classificação para a Liga dos Campeões e poderá contar com o importante retorno de Kharja na próxima rodada, depois de alguns meses afastado por lesão. Já a Udinese, em crise perene, afastou Gianni De Biasi e chamou de volta Pasquale Marino, que retornou irônico após dois meses: “não é fácil livrar-se de mim”.

E o sábado só esquentou na outra partida do dia, na qual a Inter (líder, 55) recebeu uma Sampdoria (7º, 40) em grande fase recente desde Cassano deixou o time titular, primeiramente afastado por Luigi Del Neri, e agora por lesão. Com o empate sem gols, os blucerchiati chegaram a 14 pontos nas seis rodadas do returno, marca que só fica atrás daquela da Roma, que fez 16. Em campo, o que se viu foi um pequeno milagre da Inter numa partida tensa com a Sampdoria. O time de José Mourinho esteve com nove jogadores por quase uma hora a partir das justas expulsões de Samuel e Córdoba e assim mesmo segurou o placar contra uma Samp estéril, que não conseguiu levar muito perigo. O empate só não pode ser ainda mais comemorado porque Eto’o perdeu um gol incrível no fim do segundo tempo, após grande jogada de Pandev. Em campo, um trio argentino confirmou-se como espinha dorsal da ainda favoritíssima ao título ao fazer outra partida espetacular: Zanetti, Cambiasso e Milito. Mas foi fora das quatro linhas que a partida pegou fogo. Depois do segundo vermelho, Mourinho cruzou os pulsos em sinal de protesto para que toda e qualquer câmera de TV o filmasse. E não só uma vez. Outro enfurecido era Muntari, que só não partiu para cima do árbitro Tagliavento porque foi segurado no banco. Ao fim do jogo, o presidente Massimo Moratti desceu aos vestiários e decretou silêncio à imprensa. Só isso mesmo para evitar que o pós-jogo ficasse ainda mais quente do que já havia sido a semana anterior, na qual Mourinho disparou contra metade dos técnicos da Serie A, de Zaccheroni a Mazzarri.

O domingo começou bem corrido na capital italiana. Às 2h da madrugada, ladrões entraram na casa de Mexès, que estava concentrado para a partida contra o Catania (17º, 24). O francês, que começaria como titular a partida que daria à Roma (2º, 50) a marca de sete vitórias seguidas na Serie A, ficou em casa com a esposa e os filhos. Bastou um gol de Vucinic, livre na área em escanteio cobrado por Ménez, para que o Catania se entregasse. Bem montados defensivamente, os etnei não se deixaram envolver para o cada vez mais encardido time de Claudio Ranieri, que também não deu espaço em seu campo. Doni, de volta à titularidade durante a lesão de Julio Sergio, só esteve sozinho com Maxi López por duas vezes: na primeira, o driblou com facilidade; na segunda, fez grande defesa quando o argentino já estava impedido. No meio-campo, já começa a preocupar o futebol mostrado por De Rossi, abaixo de seu nível habitual há alguns jogos. Ménez, por outro lado, já é caso para se dar como perdido. De qualquer forma, agora a cinco pontos de distância da Inter, a Roma já pode sonhar com o scudetto pela primeira vez na temporada. Ainda que Ranieri se recuse a dizer esta palavra.

Quem também volta à disputa pelo título é o Milan (3º, 48), que bateu o Bari (11º, 32) mesmo jogando num San Nicola lotado. Com uma partida a menos que os rivais, os rossoneri pegam a Fiorentina na quarta-feira, no Artemio Franchi, e podem ultrapassar a Roma caso vençam. Seria uma ótima forma de recuperal a moral abalada com a derrota para o Manchester United e tudo o que ela representou no ambiente do clube. Neste domingo, o time teve dificuldades contra um Bari muito recuado, montado por Gian Piero Ventura para explorar os contra-ataques laterais em cima de Abate e Bonera. Ainda que o Milan tivesse a bola, eram os donos da casa quem estavam melhor, dentro de seu plano de jogo. Até que Bonera fizesse um pênalti claro em Barreto que o árbitro Gava deixou passar, assim como uma falta duríssima de Abate em Rivas. Daí pra frente, o Bari acusou o golpe e o Milan pôde dominar. Ambrosini e Gattuso formaram ótima dupla no meio, dando mais liberdade para Pirlo armar e Ronaldinho decidir: no fim do primeiro tempo, lançamento para belo voleio de Borriello; no segundo, um chute que virou rebote para Pato fechar o placar. Barreto até que teve seu pênalti no final, mas parou nas mãos de Abbiati, que garantiu o 2 a 0 pros comandados de Leonardo.

A rodada também serviu para recolocar a Juventus (4º, 41) na zona de classificação para a Liga dos Campeões. Os bianconeri foram ao Renato dall’Ara e bateram o Bologna (14º, 28) por 2 a 1 numa partida difícil e movimentada, valendo a Alberto Zaccheroni sua terceira vitória consecutiva (duas pela Serie A, uma pela Liga Europa) como técnico da Juve, outra com um Del Piero em grande fase e desta vez com o retorno da defesa com quatro jogadores. Já Franco Colomba vê encerrada a sequência de seis rodadas de invencibilidade de seus rossoblù. Logo com quatro minutos de jogo, Diego abriu o placar pegando um rebote duplo de Viviano, primeiro sobre ele, depois sobre Amauri. Ainda no primeiro, o brasileiro ainda acertou a trave e foi respondido por Adaílton, que mandou uma bola no travessão. Depois do intervalo, o Bologna voltou melhor e surpreendeu com o empate de Buscé nas costas de Buffon. Surpreendeu mais ainda ao ver Giménez perder, inacreditavelmente, um gol aberto após calcanhar de Zalayeta: o uruguaio acertou a terceira trave do jogo. O terceiro gol ficou por conta de Candreva, que recebeu um ótimo passe do capitão Del Piero (que teria ajeitado a bola com a mão, segundo os donos da casa) para virar o jogo e marcar pela primeira vez na Serie A. Outra nota positiva da tarde foi o retorno de Camoranesi aos gramados, nos minutos finais.

Com a vitória, a Juve ultrapassou um decepcionante Napoli (5º, 40), que não passou de um empate sem gols contra o Siena (20º, 17), na Toscana. Os azzurri não vencem desde 24 de janeiro, algo temeroso a esta altura para um time que tem pretensões tão altas. Nas seis últimas partidas, aliás, quatro terminaram empatadas, algo que tem sido bem comum sob o comando de Walter Mazzarri. Frente ao lanterna, a força ofensiva do Napoli parou numa verdadeira barricada armada por Alberto Malesani. O que no papel era um 4-1-4-1 fazia o Siena se defender com no mínimo seis jogadores a cada vez que o adversário ia ao ataque, numa atuação especial da dupla de zaga Cribari e Pratali, contratada em janeiro – assim Quagliarella chegou a seu 47º dia sem marcar gols e nem adiantou Lavezzi retornar aos campos para meia hora de jogo depois de um mês. Durante toda a partida, foram apenas três oportunidades reais de gol: uma de Hamsík, outra de Hoffer e a última por Rosi. Na próxima rodada, o Napoli receberá a Roma para dar a verdadeira dimensão de seus sonhos. E o Siena encontrará o Livorno para um confronto direto que lhe pode valer o último suspiro.

O Renzo Barbera foi palco para a vingança de Delio Rossi, em sua segunda partida e primeira vitória contra a Lazio (15º, 25) desde que deixou o clube da capital. O Palermo (6º, 40) entrou com alguns desfalques importantes, como os de Cavani e Simplício, mas fez um ótimo primeiro tempo e chegou à sétima vitóra consecutiva em casa, ficando a um só ponto da zona-LC. No 4-3-1-2 referendado por Rossi, foi Hernández quem substituiu seu compatriota Cavani, com febre na noite antes da partida. E não deixou a desejar, com um lindo gol logo no primeiro minuto, após lançamento de Nocerino. Com a defesa alta, a Lazio passou a criar mais perigo, até que o goleiro Muslera parasse Miccoli com um pênalti enquanto o baixinho puxava contra-ataque – e o cartão amarelo ficou barato. Miccoli converteu e foi importante para manter o Palermo no ataque: Sirigu só fez sua primeira defesa aos 40 minutos de jogo. Depois do intervalo, os biancocelesti voltaram melhor, mas foram castigados com a retribuição de Hernández para Nocerino marcar. Kolarov ainda fez o de honra, tarde demais. Fim de papo, Palermo 3 a 1 numa Lazio em frangalhos.

A coisa só não ficou pior para a Lazio porque ninguém do pelotão traseiro conseguiu vencer. Nem mesmo o Livorno (18º, 23), que foi para o intervalo do ensolarado dérbi toscano com a Fiorentina (10º, 34) com vantagem no placar. O 2 a 1, de virada, fez a Fiorentina voltar a vencer, algo que não acontecia desde 10 de janeiro. E ainda fez as pazes de Gilardino com o gol, algo que não acontecia há sete jogos. Desde o primeiro tempo, o time de Cesare Prandelli jogou avançado. Mas as primeiras chances foram do Livorno: aos sete minutos, um travessão de Lucarelli. Aos 36, uma falta da intermediária cobrada por Rivas e que atravessou a barreira antes de morrer nas redes de Frey. A entrada de Ljajic no intervalo pôs os viola à frente, no jogo e no placar. Vargas empatou com um chutaço de fora da área desviado em Rivas, sempre o colombiano. Pouco depois, o mesmo Rivas seria expulso por reclamar de uma falta em Moro não concedida por Celi. Na bagunça, ficou barato para Vargas, que acertou uma cabeçada em Marchini. De volta ao jogo, Gilardino decidiu em um cruzamento do peruano que havia conseguido um tempo extra na partida.

Quem também se complicou na parte de baixo da tabela foi a Atalanta (19º, 21 pontos), que parou na ótima defesa do Chievo (12º, 32) e alcançou sua sexta derrota em 12 jogos em casa. O único gol da partida foi do capitão Pellissier, que teve seu chute desviado em Garics antes de ver a bola entrar nas redes de Consigli. Em campo, Mimmo Di Carlo optou por um time diferente: Frey de volta à lateral-direita, De Paula estreando no ataque e Morero e Rigoni barrando Mandelli e Bentivoglio. Já a Atalanta não conseguiu substituir o capitão Bellini à altura e penou com Amoruso no ataque, com Tiribocchi no banco. Para fechar a rodada, o Cagliari (8º, 38) bateu o Parma (13º, 30) e já vê a Europa como um sonho mais palpável. Se vencer a Udinese na quarta-feira, em jogo adiado da 17ª rodada, ultrapassaria a Juve para entrar na zona-LC. Para os sardos, os gols de mais uma vitória convincente foram de Zaccardo (contra) e Matri. Já os gialloblù podem ter se despedido de Francesco Guidolin, que barrou Galloppa da partida, só ganhou dois pontos nas últimas nove rodadas e já estaria com a cabeça a prêmio.

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Seleção da 25ª rodada
Storari (Sampdoria); Zanetti (Inter), Dainelli (Fiorentina), Cribari (Siena), Vargas (Fiorentina); Cambiasso (Inter), Nocerino (Palermo), Candreva (Juventus); Hernández (Palermo), Acquafresca (Genoa), Ronaldinho (Milan)

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