Serie A

26ª rodada: A vitória de Totti na derrota da Roma

Resignado, Ranieri não resistiu a mais um péssimo resultado e se demitiu.
O vestiário da Roma comemora (Getty Images)

Se uma derrota por 4 a 3 depois de estar vencendo por 3 a 0 e sofrendo os gols em 20 minutos não derrubasse Claudio Ranieri, nada mais o faria. Balançando no cargo há mais de um mês, o treinador romano não resistiu à má fase e preferiu se demitir, “pelo bem da Roma”, time do qual é torcedor. Em seu lugar, entra Vincenzo Montella, ex-ídolo do clube, campeão nacional em 2001, autor de um poker contra a Lazio, amigo de Totti e treinador dos Allievi (sub-16). A demissão do romano e a escolha de seu substituto são vitórias pessoais para o capitão, que tinha um relacionamento muito conturbado com Ranieri e agora deve ter ainda mais influência e controle sobre o grupo. A rodada ainda teve vitórias dos quatro primeiros colocados e mais um vexame da Juventus.

Genoa 4-3 Roma

Depois de um primeiro tempo praticamente perfeito, a Roma acabou traída pelos jogadores que lhe davam a vitória. Ironicamente, no dia da queda de Ranieri, Totti fazia sua melhor partida em meses. Logo na primeira etapa, já havia cruzado duas bolas nas cabeças de Mexès e Burdisso, que marcaram 2 a 0 antes de 20 minutos de jogo. Totti continuou dando um show à parte e colocou outros colegas na cara do gol. Na segunda etapa, o capitão romanista fez o terceiro, em seu primeiro gol com bola rolando desde novembro. Um minuto depois, tudo caiu por terra.

Palacio, que já vinha levando perigo ao gol capitolino, aproveitou uma falha conjunta de Mexès, Burdisso e Julio Sergio para diminuir. Com a vantagem de dois gols, Ranieri tirou Simplício e colocou o time para frente, colocando Menez. A partir daí, a equipe romanista entrou em colapso. Floro Flores teve pelo menos três chances muito boas, mas o goleiro brasileiro da Roma vinha se redimindo de seus erros. O restante da defesa romanista, não: Paloschi, recém-entrado, fez o Genoa voltar de vez ao jogo, depois de mais uma falha de posicionamento da zaga da Roma. Outra falha deu a Palacio a chance de empatar o jogo, que Totti pode desempatar logo em seguida, mas, sem goleiro, chutou em cima de Criscito. O lateral ainda participou, juntamente com Palacio, do gol da virada, marcado por Paloschi, uma aposta feliz de Ballardini. Ao contrário da aposta de Ranieri em Menez, que acelerou sua demissão.

Chievo 1-2 Milan

Foi por pouco. O Milan não foi tão superior ao Chievo durante toda a partida, mas graças a um golaço de Pato, conseguiu três pontos importantes em uma rodada na qual os rivais diretos ao título também venceram seus jogos. A vitória milanista, no entanto, veio com polêmica. O gol de Robinho, no primeiro tempo, foi claramente irregular, já que o brasileiro dominou bola no braço, antes de concluir para o gol. Os rossoneri se mantinham no domínio da partida, com maior posse de bola e tranquilidade, mas não forçavam muito.

No segundo tempo, pouco mudou. Bogliacino entrou no lugar de Pulzetti e deu um pouco mais de vivacidade ao time, que tem um Constant absurdamente opaco, se comparado àquele que despertou o interesse de Milan e Inter no mercado de inverno. O malinês, no entanto, apareceu bem em um lampejo, quando cruzou muito bem para Gélson Fernandes marcar, de cabeça. Allegri, então, fez duas alterações que mudaram a partida: Pato entrou no lugar de um apagado Cassano, enquanto Boateng voltou ao time, substituindo um tímido Merkel. Boateng colocou o time mais para cima e Pato mostrou como tem sido matador nesta temporada: sua média de gols é de quase um gol por jogo – mais precisamente, um gol a cada 96 minutos. Tal sucesso tem gerado alguma insatisfação no atacante, que não quer ficar no banco. Como afirmamos em outra oportunidade, fazer Ibrahimovic, Robinho, Cassano e Pato coexistirem poderia ser um problema. Será agora o momento em que Allegri deverá resolvê-lo?

Inter 1-0 Cagliari
Leonardo e Donadoni jogam para vencer. Prova disso é que nenhum deles empatou qualquer partida no campeonato até agora. No Giuseppe Meazza, a escrita continuou, com uma vitória da Inter que parecia facilmente assegurável quando Ranocchia marcou um gol polêmico, impedido, depois de chute de Kharja, e com desvio de Canini. O Cagliari foi para o jogo decidido a pressionar os nerazzurri e marcava muito forte, mas a Inter fez uma partida primorosa no que diz respeito ao quesito toque de bola, pelo menos no primeiro tempo: passe de bola muito bom, inversões de jogo e muitas recuperações de bola, sobretudo de Motta e Ranocchia – o último, melhor em campo, mais uma vez.

Aparentemente, o time, acostumado aos tempos de Mourinho, joga melhor no 4-2-3-1, que voltou a ser utilizado hoje, para privilegiar o futebol de Pandev, que jogando aberto pelos lados, voltou a jogar bem, depois de meses de má fase. A partir da metade do segundo tempo, porém, Leonardo poupou Eto’o e Motta, colocando Stankovic e Cambiasso em campo, que não entraram bem. A perda do domínio no meio-campo fez com que o Cagliari fosse para cima e quase chegasse ao empate. Se os três pontos foram valiosos para a Inter, a vontade de segurar o resultado a todo custo tirou Maicon da visita à Sampdoria, na próxima semana, depois que o lateral ganhou amarelo por perda de tempo.

Parma 2-2 Cesena
No final do jogo, o Cesena lamentou mais do que o Parma pelo empate que não serviu a nenhuma das duas equipes na luta contra o rebaixamento. Os cesenáticos estiveram na frente do placar por duas vezes depois de erros dos crociati, com gols de Rosina e Sammarco, mas cederam o empate e continuam na zona de rebaixamento, com 22 pontos.

Palladino salvou, por enquanto, o cargo de Pasquale Marino no Parma, mas o treinador pode ser demitido a qualquer momento, para dar lugar a um entre Walter Zenga, Franco Colomba e Serse Cosmi. O clima é tenso em Parma e vários jogadores foram alvo de contestação da torcida. Logo ao lado, na Romanha, a situação é pior: torcedores ultrà fazem constantes ameaças ao presidente Igor Campedelli, pedindo a cabeça de Massimo Ficcadenti, e já atiraram uma bomba na loja do clube. O mandatário do clube reagiu fortemente, ameaçando vender todos os jogadores e não inscrever o clube no próximo campeonato, seja na Serie A ou B. Ingredientes nada benvindos em qualquer momento, principalmente quando o time precisa de apoio da torcida para tentar deixar a parte de baixo da tabela.

Napoli 1-0 Catania
Dividindo as atenções entre Serie A e Liga Europa, o Napoli foi a campo com um time misto, no jogo que envolvia as duas equipes do sul e alguma rivalidade. Com menos de 10 minutos de jogo, o Catania mostrava que iria para cima e já havia acertado a trave, com Schelotto. O Napoli respondeu, mas Cavani perdeu cobrança de pênalti e o jogo permaneceu empatado até Zúñiga aproveitar sobra e marcar seu primeiro gol na Serie A. O Napoli gerenciava bem a partida e, mesmo que os Elefantes pressionassem bastante, faziam partida madura. No final do jogo, o Catania tentou empatar de maneira desesperada, mas os partenopei não perderam a calma e conseguiram segurar um importante resultado, uma rodada antes da partida-chave contra o Milan, em San Siro e sem Lavezzi, suspenso por três partidas por uma cusparada em Rosi, da Roma.

Lecce 2-0 Juventus

Quando parecia que ia engrenar, a Juventus voltou a causar decepção para a grande torcida bianconera. O jogo começou muito mal para a Velha Senhora, quando Buffon foi expulso aos 12 minutos, por tentar evitar gol de Di Michele interceptando bola com a mão fora da área. A expulsão do goleiro ocasionou também a saída de Krasic, enfraquecendo o time no meio-campo. A partir daí, o Lecce impôs um domínio sobre a maior campeã italiana que talvez nunca tenha sido visto na história. Os salentini marcaram o primeiro com Mesbah e colocaram a Juventus na roda. O segundo, depois do intervalo, com Bertolacci, foi apenas consequência, e assegurou os três pontos para o Lecce, que chega aos 27 e fica quatro acima do Brescia, o 18º colocado. Na Juventus, início de crise: o presidente Andrea Agnelli criticou duramente a postura dos jogadores em campo e devem haver cobranças ainda nesta semana.

Bologna 1-0 Palermo
A disputa entre os dois goleiros da seleção foi honrada: ambos fizeram grande primeiro tempo e conseguiram impedir gols dos adversários. Se Viviano fez grande defesa após cabeçada de Bovo, Sirigu colocou para escanteio um chute traiçoeiro de Ramírez. Na segunda etapa, o Bologna cresceu no jogo, depois que García (improvisado na ala esquerda) foi expulso, mas só conseguiu definir o placar aos 89, com um gol de cabeça de Paponi, depois de um cruzamento de Rubin, melhor em campo. O improviso de García, pela falta de laterais no elenco, quando Cassani e Balzaretti não podem jogar, como nesta partida, deve custar caro a Rossi. Seu emprego está ameaçado e sua experiência em rosanero pode acabar ainda nesta semana. Na direção contrária, Malesani vai realizando o melhor trabalho de sua carreira em um Bologna que já está praticamente confirmado na próxima Serie A.

Lazio 1-0 Bari
A rodada foi boa para a Lazio. Com a vitória sobre o Bari no Olímpico e os tropeços de Roma, Palermo, Juventus e Udinese, o time abriu quatro pontos para o quinto colocado e se tranquilizou ao menos por uma rodada na briga pela Liga dos Campeões. Em campo, Hernanes travou um duelo particular contra Gillet. Logo aos seis minutos, o Profeta aproveitou bom passe de Sculli e, de primeira, abriu o placar. Depois, armando quase todas as jogadas dos aquilotti e arriscando bons chutes a gol, esbarrou no goleiro belga, em tarde inspirada. No segundo jogo de Bortolo Mutti no comando do time barês, os jogadores parecem ainda sem muita atitude de jogo: por mais que seu capitão mantivesse a partida aberta, com boas defesas, não conseguiam construir jogadas. Acabou ficando fácil para a Lazio, que, até agora, vai segurando as pontas e não caiu bruscamente de rendimento. Uma vaga em alguma das competições europeias parece possível. Em Bari, infelizmente, mais um evento de violência: Donati, Rivas e Rossi foram fisicamente agredidos por torcedores ultrà, em mais um desserviço ao futebol.

Udinese 0-0 Brescia
O “Barcelona da Itália”, como vem sendo chamada a Udinese, ficou longe de parecer a equipe catalã neste domingo e perdeu a chance de conseguir mais tranquilidade na briga pela Liga Europa, com os tropeços de Palermo, Roma e Juventus. Sem Sánchez, suspenso, Guidolin teve de escalar o tanque Denis no comando do ataque e o time perdeu sua característica principal, a velocidade. O bom posicionamento defensivo do Brescia, marca registrada do time desde o retorno de Iachini ao comando, segurou os friulanos, que perderam os avanços de Armero graças à boa partida de Zambelli. O defensor ainda salvou um chute de Denis em cima da linha no final do jogo, garantindo um importante ponto para o Brescia uma semana antes da partida-chave pela salvezza contra o Lecce. Os brescianos ainda tiveram a sorte de o árbitro Bergonzi ter reconhecido um erro e ter voltado atrás na marcação de um pênalti inexistente para a Udinese.

Fiorentina 0-0 Sampdoria
Depois de uma série de bons jogos, a Fiorentina voltou a decepcionar sua torcida e ficou em um empate chocho contra a Sampdoria. Sem muitas ideias, a equipe viola nem parecia aquela que deu uma canseira na Inter na quarta-feira e que virou uma partida difícil contra o Palermo fora de casa. Durante toda a partida, Gilardino chutou apenas uma bola no gol defendido por Curci. Fora isso, a Fiorentina criou pouquíssimo e saiu vaiada de campo, pela falta de iniciativa. Melhor para a Sampdoria e, principalmente para Di Carlo, que ganha sobrevida após um ponto importante e inesperado, que acabou com a série de cinco derrotas consecutivas em jogos fora de casa.

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Seleção da 26ª rodada
Gillet (Bari); Santacroce (Napoli), Ranocchia (Inter), Criscito (Genoa), Rubin (Bologna); Mesbah (Lecce), Hernanes (Lazio), Hamsík (Napoli); Totti (Roma), Palacio (Genoa), Paloschi (Genoa). Técnico: Davide Ballardini (Genoa).

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