Categorias de base

Entrevista: Daniele Monti

O Roma Campus Brasil chega à sua terceira edição no país no próximo mês de julho. Nas duas primeiras, dois garotos brasileiros foram garimpados para um estágio no clube da capital italiana. Caio Werneck, zagueiro de só dez anos, foi o primeiro deles e continua por lá. Já Bruno Barros, que foi chamado em depois do acampamento do último mês de novembro, em abril fez um estágio de quinze dias nas categorias de base romanistas.

A Roma, além dos resultados consistentes das últimas temporadas, tem ganhado os holofotes no Brasil pelo grande número de jogadores do país, alguns deles de importância inegável em sua história. Hoje, são oito brasileiros no elenco principal, totalizando 26 desde que a tradição verde-e-amarelo começou, com a contratação de Dino da Costa em 1955. Gente do naipe de Amarildo, Falcão, Toninho Cerezo, Aldair e Cafu.

Aproveitando o bom início e a ótima conexão com o país, ao contrário das edições passadas do AS Roma Campus Brasil, dessa vez não é só o Rio de Janeiro que receberá o projeto. O centro de treinamentos criado por Marcelinho Carioca em Atibaia-SP será estreado pelos romanistas entre 12 e 18 de julho, enquanto Barra do Piraí-RJ os receberá mais uma vez, de 19 a 25 do mesmo mês. As inscrições são limitadas e mais informações podem ser encontradas no site.


Leia entrevista com Daniele Monti, responsável pelo projeto.

O AS Roma Campus Brasil chega em julho à sua terceira edição em um ano. Qual o principal objetivo deste projeto?
Com a globalização, se abriram novos mercados. O acampamento pretende divulgar a marca da Roma no Brasil e ampliar e consolidar a torcida do clube no país, coisa que já têm Manchester United e Barcelona. Mas o principal objetivo é oferecer uma opção de lazer aos jovens inscritos, além de oferecer a quem se destacar a oportunidade de estágio nas categorias de base.

De quem saiu o projeto?
O projeto foi idealizado por Bruno Conti, diretor esportivo da Roma desde 2005. É uma grande oportunidade de recreação e ainda uma chance de ser aproveitado. Desses acampamentos, na Itália, já surgiu gente como De Rossi e Aquilani, ídolos da torcida romanista.

Quem é o embaixador brasileiro do AS Roma Campus?
Júlio Baptista. O Antônio Carlos Zago (zagueiro do clube entre 1998 e 2002) também representava os interesses no país e estava dentro do projeto, até ser contratado como técnico do São Caetano.

Em que outros países a Roma trabalha com este projeto?
Também estamos na Áustria, na Alemanha e na Austrália, além dos Estados Unidos desde o início do ano. Mas só no Brasil as crianças ganham essa oportunidade de fazer um estágio no clube, porque geralmente têm mais técnica.

O Milan trabalha projeto parecido no Brasil há cinco anos. Quais as principais diferenças entre as idéias de Roma e dos rossoneri?
Sempre trazemos técnicos de alguma de nossas categorias de base, o que garante um trabalho técnico mais eficiente. Aqui no Brasil, é o Ricardo Perlingiero, brasileiro e há seis anos técnico do sub-15. E a gente também abre para um possível aproveitamento na nossa base.


Quais as perspectivas de estabelecimento no Brasil?
Já é o terceiro acampamento em um ano, sempre nos mesmos moldes. É algo que superou as expectativas, tanto que depois de duas vezes no Rio de Janeiro, fechamos agora também em São Paulo.

Em longo prazo, o Roma Campus pode evoluir ao ponto de servir de base pra um sistema de captação como o da Udinese, por exemplo, que busca jovens valores em todo o mundo?
Não é nisso que a gente tem focado, o principal ponto é mesmo a recreação no acampamento. Essa peneira fica em segundo plano.

Quais os brasileiros na base da Roma, hoje?
Hoje em dia, só o Caio Werneck, que saiu do acampamento do ano passado. O irmão mais novo de Doni, João Paulo Marangon, está emprestado à Vibonese, onde ganhou a Coppa Lazio nesta semana.

Caio Werneck tem só dez anos e já completou uma temporada na Itália, depois de uma passagem pelo primeiro acampamento. Como está sendo sua adaptação?
O garoto está na categoria Pulcini, dos nascidos em 1999, e tem se adaptado muito bem. Já faz escola em Roma, é bem querido pelos companheiros e tem um ótimo relacionamento com os brasileiros do time, principalmente com Juan. Inclusive treinou na Granja Comary com ele na última quinta-feira, agora que está passando as férias no Brasil. Seus pais também se mudaram para Roma e o garoto vai continuar na base nos próximos anos.

Qual o melhor brasileiro no futebol italiano?
Bom, era o Kaká… Agora é mais complicado. O Juan, talvez.

3 comentários

  • Quem já viu entrevistas com o garoto Caio Werneck já deve ter percebido a figuraça que está ali.
    Amigo de Juan, o garoto não faz cerimônia ao apontá-lo como o cara mais bacana que encontrou no futebol. Além disso, nem titubeou ao classificar o Totti como "um mala".

    Abraços e parabéns pela entrevista.

  • Braitner parabéns pela entrevista. Muito bem elaborada. Quanto ao comentário do garato eu não tomei conhecimento, soube por outros amigos do Portale Romanista, mas o que se nota é que se depender do ponto de vista de Caio, seu futuro é muito incerto em Roma :).

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