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Capitã da Itália ganha Barbie e vira capa de revista: ‘Garotas podem fazer o que quiserem’

Sportsweek

Sara Gama, capitã da Juventus e da seleção italiana, acaba de virar uma Barbie. A ação, que para os desavisados pode soar como uma objetificação do corpo feminino, é mais um símbolo do caminho aberto para as meninas italianas no futebol. Nesta semana, a zagueira ganhou os holofotes na mídia esportiva local. Ela é capa da revista Sportweek que chega às bancas no sábado (16/11). Para promover uma edição especial dedicada ao esporte feminino, ela lotou um andar da loja de departamentos mais tradicional de Milão, La Rinascente, na quinta-feira (14). A seu lado, estavam Valentina Giacinti, atacante do Milan, e o velocista Filippo Tortu.

Com a fama e uma revista de renome chancelando o título de “maior jogadora italiana”, Sara Gama poderia até acreditar que o jogo está ganho para o futebol feminino no país. O evento de quinta-feira mostrava que o prestígio, ao menos, não falta. Na plateia, estavam o prefeito de Milão, Giuseppe Sala, e o campeão mundial em 1982 Daniele Massaro, para citar alguns presentes. Conselheira da Associação Italiana de Jogadores (AIC) junto à federação, ela fez questão de lembrar que é necessário conseguir mais apoio: “Precisamos de investimento, e estamos no momento certo para fazer isso”, afirmou, durante o talk show.

Sara Gama na Rinascente

A zagueira Sara Gama, ao lado da atacante Valentina Giacinti, em loja de departamento em Milão

A zagueira comemorou a popularidade que o futebol feminino ganhou após a Copa do Mundo deste ano, na França, e, em seu discurso, focou nos talentos que podem surgir a partir de agora. “Este é o momento de disseminar”, disse Gama, ao lado de Valentina Glacinti, que reforçou o discurso voltado às meninas: “Nos Estados Unidos, vi garotinhas no trem com as chuteiras nos ombros. Espero que em breve não tenhamos apenas sapatilhas de dança”, sugeriu a atacante rossonera.

Capa de revista

Sara Gama

“Ser uma Barbie é uma coisa especial”, diz Sara Gama, em entrevista à Sportweek

Filha de pai imigrante do Congo e mãe italiana, Sara Gama tem 30 anos, é formada em letras e fala inglês, francês e espanhol, além do italiano. Na entrevista à Sportweek, ela exaltou o futebol feminino e pediu mais investimento para a modalidade. Uma bandeira, sugere, que pode sair do conselho da federação e chegar à direção de equipes ou, quem sabe, outro cargo na política esportiva: “Talvez um dia você me encontre a quilômetros de uma bola. Mantenho todos os caminhos abertos”.

A militância por mais popularidade no futebol feminino começou na infância, claro. Perguntada o que meninas devem fazer para ter sucesso no esporte, ela defendeu que o objetivo deve ser outro. “Elas precisam jogar para se divertir”, argumentou. “Depois, dia após dia, precisamos ter uma elite esportiva e o profissionalismo do esporte. O público precisa se fidelizar, com campeonatos mais competitivos, visibilidade das partidas na televisão. O produto está melhorando, precisa continuar nesse caminho.”

Ela mostrou, também, saber o papel dela para que as meninas sintam mais vontade de jogar bola. Quando soube que viraria uma Barbie, riu. A boneca, que já foi vista como símbolo de mulher-objeto, neste momento. tem outro significado. “Mostra que garotas podem fazer o que quiserem”, comemora. “Eu não brinquei muito com Barbies quando eu era criança, mas agora fizeram uma com o meu rosto.”

Dúvida para domingo

A Juventus feminina enfrenta o Milan no domingo (17/11), às 15h, no estádio Brianteo, em Monza. Durante o talk show em Milão, as jogadoras chegaram a lamentar que a partida não esteja marcada no San Siro. Sara Gama não confirmou se estará em campo – na semana passada, a jogadora lesionou a panturrilha direita na goleada da Itália sobre a Geórgia pelas Eliminatórias da Eurocopa Feminina.

Durante o evento, um torcedor da Juventus perguntou se ela estaria pronta para a partida, mas Gama não deu certezas: “Estou trabalhando para me recuperar. Espero que isso aconteça a tempo, vamos ver”. No fim do encontro, ela abraçou a adversária Valentina Giacinti e sussurrou: “Então nos vemos no domingo.”

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