Serie A

Squadra Azzurra, mudança de posição, Verona: Rômulo passa a limpo sua trajetória na Itália

Quando pisou em Florença e assinou com a Fiorentina, no verão europeu de julho de 2011, Rômulo estava realizando um sonho. O gaúcho de Pelotas almejava tanto jogar na Bota que, antes mesmo do interesse da Viola, havia começado a estudar a língua italiana, no Brasil. A determinação do versátil jogador foi recompensada com uma história notória em solo estrangeiro. Chegou como uma aposta da Fiorentina e deixou o país, nove anos depois, como um dos cinco brasileiros que mais defenderam times na Serie A – está atrás apenas de Amauri, Angelo Sormani, Sergio Clerici e Felipe Dal Bello.

“Realmente rodei por bastantes clubes lá na Itália e, felizmente, tive uma história bonita em cada um deles”, reconhece o ítalo-brasileiro, em conversa com a Calciopédia. “Fiorentina, Hellas Verona, Juventus, Lazio, Brescia, Genoa… Só agradecer a todos. Essa história ainda não acabou, porque muito provavelmente, no futuro, a gente vai voltar para a Itália, não como jogador, mas com planos futuros pós-carreira”, revela.

Virar treinador está entre os “planos futuros pós-carreira” de Rômulo. Durante a sua estadia na Bota, inclusive, o atleta se capacitou em Coverciano, a maior escola de treinadores do mundo, e obteve a licença Uefa B, pensando justamente no que fazer após a sua aposentadoria dos gramados. Antenado com o que ocorre dentro e fora de campo, Rômulo certamente levará para a sua futura profissão de técnico algumas características de Cesare Prandelli. Afinal, o ex-treinador da seleção italiana foi o responsável por fazê-lo chorar com o anúncio da convocação para a Squadra Azzurra.

“O fato mais marcante, pra mim, foi quando o Cesare Prandelli estava no estádio e me chamou para conversar. Eu não imaginava que ele estaria no estádio, me chamaria para conversar e que falaria que eu estava convocado para a seleção italiana. Aquilo me marcou demais, chorei muito após essa conversa com ele, de emoção, de alegria, de felicidade, de saber que todo sacrifício valeu a pena. Então, esse foi o fato que mais me marcou, sem dúvida alguma”, admite.

O lateral-direito, que acabou convertido em meio-campista por Sinisa Mihajlovic, ainda em seu período de Fiorentina, só conseguiu um espaço na Nazionale devido ao ótimo desempenho pelo Verona, clube pelo qual se tornou ídolo. Após o destaque no Vêneto, foi comprado pela Juventus e esteve próximo de disputar uma Copa do Mundo, mas uma pubalgia o impediu de fazê-lo. Ele chegou a abrir o jogo para Prandelli sobre sua condição física.

“Em uma das conversas, falei que não seria justo eu ir para a Copa não estando bem, porque eu estava com muitas dores, não conseguia dar o meu 100%, e outro atleta, que estivesse melhor, ficasse [no grupo de convocados]. Chorei bastante, porque doeu muito; eu queria ter jogado a Copa pela seleção, seria um sonho. Mas, realmente, os problemas físicos não me deram essa possibilidade”, lamenta o experiente jogador, que contou com a ajuda de sua esposa, Pamela, para superar o período lesionado.

No bate-papo, Rômulo também comenta sobre sua adaptação ao futebol italiano, o relacionamento com o comandante Vincenzo Montella na Fiorentina, esmiúça seu primeiro contato com Prandelli, fala de títulos conquistados e jogadores marcantes com os quais atuou na Itália. Ele ainda conta sobre a felicidade de voltar ao Cruzeiro, um clube de raízes italianas que caminha a passos largos para retornar à elite após três temporadas na segunda divisão. Tudo isso você pode ler abaixo.

Rômulo chegou à Itália após ser contratado pela Fiorentina, em 2011 (Getty)

Como você ficou sabendo do interesse da Fiorentina e qual a sensação ao receber a notícia de que um clube tradicional como a Viola estava querendo contratá-lo?

Olha, foi uma alegria muito grande saber que eu estava indo para o Campeonato Italiano, ainda mais um clube como a Fiorentina, de grande expressão, mundialmente conhecido, que grandes nomes do futebol brasileiro já tinham defendido. Lembro que eu estava na concentração, no Rio de Janeiro. Nós íamos jogar contra o Fluminense, e meu empresário me liga dizendo que tinha dado certo. Só que o interessante é que, antes de eu saber que iria para a Fiorentina ou qualquer clube na Itália, eu já estava estudando italiano, porque sempre gostei da língua, e tinha o sonho de jogar na Itália.

Então, eu estava me preparando sem saber de absolutamente nada. E aí, graças a Deus, as coisas aconteceram e começaram algumas conversas de ir pra lá, porque eu tenho passaporte italiano juntamente com a minha família. Confesso que, quando chegou a notícia que tinha dado certo com a Fiorentina, eu fiquei muito emocionado e feliz, por se tratar de um grande clube e por saber que meu sonho de jogar na Itália iria se realizar.

A sua chegada à Itália ocorreu em 2011. O que você lembra, de bom e de ruim, do seu primeiro ano na Itália? Na sua visão, a adaptação foi rápida?

Sempre tem o lado negativo quando a gente troca de país. Uma das coisas que mais pesa, sem dúvida alguma, é a língua. O italiano é uma língua que provém do latim, então ela é um pouco mais fácil para nós, brasileiros, entendermos. Só que, no dia a dia, quando tu precisa pedir uma coisa básica, é bem complicado. Então, o fato de não conseguir se comunicar como muitos se comunicam, é algo que pesa bastante no dia a dia. Tu consegue conversar pouco, tu não consegue pedir as coisas.

Às vezes, tu pede as coisas e as pessoas entendem completamente ao contrário do que tu realmente queria. É uma sensação de frustração. Eu lembro que, na primeira semana, bateu aquele desespero por eu não conseguir me comunicar bem [e deu] uma vontade desesperada de voltar ao Brasil. Mas aí logo foi passando, eu comecei a estudar muito, muito, muito. Comecei a entender bastante o italiano, consegui formar as primeiras frases, então as coisas começaram a melhorar.

De negativo, acho que é mais o linguajar mesmo. Depois que tu pega o idioma, não tem do que reclamar: viver na Europa, viver na Itália, onde a culinária, do meu ponto de vista, é a melhor de todas, disparadamente. O futebol italiano é muito competitivo, muito tático, então a gente aprende coisas novas que, no Brasil, nunca teria aprendido. [Isso] vai agregar muito no meu pós-carreira, [porque] eu tenho o desejo de ser treinador de futebol, então esses 10 anos de Itália me deram muita bagagem, muito conhecimento técnico-tático. Vai agregar muito.

Aqueles primeiros dias de dificuldade valeram a pena demais, porque eu conheci um dos países mais bonitos do mundo. Aprendi realmente a cultura italiana, a culinária italiana, a história da Itália. Aprendi muito no futebol italiano. Creio eu que a Itália ainda é a primeira escola do futebol a nível mundial, então só coisas positivas, praticamente.

Você sai do Brasil como lateral-direito e, na Europa, passa a atuar em várias outras posições: ponta, meia, volante… Como foi essa transição?

O meu primeiro treinador na Itália foi o Sinisa Mihajlovic. Lá, eles jogavam num 4-3-3, e o lateral-direito, pra eles, era como se fosse um zagueiro. Então, como eu sempre apoiei bastante, ele conversava comigo e falava: “Olha, o lateral aqui dificilmente passa do meio-campo. Eu vejo que tu chega muito ao ataque. Então, a gente vai ter que te readaptar se tu quiser ficar como lateral aqui, ou então mudar de posição”.

Como eu sempre gostei de ficar bastante com a bola, fazer essas transição do setor defensivo para o setor ofensivo, rapidamente eu fui para o meio, onde atuei praticamente sempre na Itália, como volante, segundo volante, box-to-box. Mas foi por uma questão de característica: o treinador observou, fez as mudanças e deu certo, porque eu consegui fazer uma carreira bonita lá na Itália, jogando no meio-campo e, em algumas necessidades – lesão ou suspensão de algum atleta, por exemplo –, jogando aberto, como um ponta.

O ítalo-brasileiro viveu momentos intensos no Verona e se tornou ídolo do clube (Getty)

Na sua primeira temporada na Fiorentina, você não ganhou muitas chances. Mas, com a chegada do Vincenzo Montella, você recebeu mais oportunidades, sobretudo no time titular. Como era o relacionamento com o técnico?

Não é que os brasileiros não tenham oportunidade, mas a Itália trabalha dessa forma. No primeiro ano, eles querem que o jogador aprenda o idioma, as funções táticas, o modo italiano de jogar. Então, é meio que estudado: eles querem que realmente o jogador se adapte às funções técnico-táticas do futebol italiano. Dificilmente um brasileiro chega na Itália e já joga desde o primeiro ano, principalmente porque eles não querem queimar o atleta.

O atleta chega, joga, não entende o idioma, não consegue se comunicar com os companheiros, não consegue dar uma entrevista pós-jogo – que lá é sagrado, quase todos os jogadores falam [com a imprensa]. Aí, ele fica sem uma função dentro de campo, por não entender, e acaba se queimando. Então, é parte da cultura deles.

Mas sempre me dei bem com todos os treinadores. Quando o Montella chegou, eu já estava adaptado, já conseguia falar muito bem o italiano, então as coisas foram mais fáceis e fluíram de uma forma melhor. Ele é um ídolo na Itália, jogou muitos anos na Sampdoria e na Roma, ganhou títulos lá e fez uma carreira muito bonita também como treinador. Hoje ele está na Turquia, treina o Balotelli e é um grande amigo que eu tenho no futebol.

Em 2013, você chega ao Hellas Verona por empréstimo, se destaca no meio-campo e, no ano seguinte, reforça a Juventus. Mas aí vieram os problemas físicos que limitaram sua presença em campo. Fica um gosto amargo por não ter conseguido entrar em campo direito pela Juve?

Toda lesão causa uma certa frustração ao atleta. Claro que comigo não foi diferente. Eu acabei perdendo uma Copa do Mundo por [causa de] uma pubalgia e praticamente o ano inteiro na Juventus, onde nós fomos campeões italianos, campeões da Coppa Italia e chegamos à final da Champions League. Eu atuei pouco em função desses problemas físicos. Com certeza foi muito dolorido estar fora naquele período, mas tudo é aprendizado.

Fortaleceu ainda mais o meu relacionamento com a minha esposa. Eu aprendi a dar muito mais valor a cada treinamento que eu faço, porque quando eu queria treinar e não podia, em função de um problema físico, hoje, cada vez que eu tenho a oportunidade de treinar e estou bem de saúde, valorizo cada segundo de treinamento. Foi dolorido no momento, mas me trouxe grandes aprendizados para o futuro.

Passado o empréstimo à Juventus, você volta ao Verona e cai para a segunda divisão. Porém, na temporada seguinte, atua em várias posições, ajuda os gialloblù a retornarem à elite e depois até vira capitão do time. Você imaginaria que teria uma ligação tão forte com o Verona?

Desde o primeiro dia. Verona, no meu ponto de vista, é a cidade mais aconchegante da Itália. Em beleza, tem Florença, Roma, Milão; são cidades lindas, mas Verona é uma cidade menor – em torno de 300 mil habitantes – e tem tudo na cidade. Tudo que tem em Roma, Milão e Florença, tu encontra em Verona, só que em uma proporção menor. Não tem o caos daquele trânsito em horário de pico, é uma cidade em que se vive muito melhor, qualidade de vida altíssima. Então, já me apaixonei no primeiro dia que cheguei e tive uma ligação muito forte – tenho até hoje – com os torcedores gialloblù.

A gente caiu pra segunda divisão naquele ano, mas eu tinha acabado de voltar da Juventus e acabei ficando o ano inteiro praticamente parado em decorrência de cirurgias, não conseguia atuar. E aí, no ano seguinte, quando o time estava na segunda divisão, eu consegui me recuperar 100% e a gente conseguiu o acesso. Ficou marcado na cidade. Realmente me tornei o capitão do time e foi algo muito legal. Tenho uma relação muito boa com a torcida, com a cidade, com o time, com as pessoas que trabalham lá até hoje. Tenho certeza de que isso vai durar para sempre.

Uma pubalgia impediu que Rômulo representasse a Itália na Copa do Mundo e minou a sua passagem pela Juventus (AFP/Getty)

Vamos falar agora da sua experiência na seleção italiana. Você chama a atenção da comissão técnica do Cesare Prandelli e é inserido na pré-lista de convocados à Copa do Mundo de 2014; mas acaba abrindo mão devido à sua condição física. Poderia dar mais detalhes sobre aquele período? Como foi a decisão de optar defender a Squadra Azzurra?

Eu estava me destacando pelo Hellas Verona na temporada e começaram a surgir boatos de que eu poderia ir para a seleção italiana, mas eram apenas boatos. Ninguém do staff da seleção tinha me ligado ou conversado comigo. Eu lembro que eu cheguei um dia no clube e o diretor começou a me pedir a minha documentação italiana. Eu fiquei com uma pulguinha atrás da orelha. Ele me deu um sorriso e não me falou nada, mas é aquele sorriso, tipo, é algo bom. Então, ali eu comecei a imaginar que teria essa possibilidade.

Em um jogo que eu estava suspenso, a gente estava jogando contra o Genoa, em casa, lá no Bentegodi, o Cesare Prandelli estava no estádio – eu não sabia – e o segurança do time me chama, falando: ‘Olha, o Cesare Prandelli quer falar contigo’. Aí, eu comecei a rir, achei que era uma brincadeira dele – o segurança era muito meu amigo. O meu coração disparou na hora. Eu fui, me dirigi até ele.

Quando vi que ele estava ali mesmo e veio conversar comigo, eu já imaginei tudo; passou um filme na minha cabeça. Ele perguntou se eu queria defender a seleção italiana, se pra mim seria um motivo de orgulho ou seria mais um objetivo profissional. Falei para ele que era o meu sonho jogar na Itália, defender o país, que eu me sentiria muito orgulhoso de defender as cores da seleção italiana. Ele falou: “Bom, então tu já está convocado, a gente se vê na próxima convocação, que é daqui a 15 dias, e a gente se vê também para o Mundial”.

Quer dizer, ele já tinha me chamado para uma primeira convocação e já tinha garantido que eu estaria na Copa do Mundo. Só que, infelizmente, eu tive uma pubalgia muito forte e essas notícias circularam em toda Itália, porque eu conversei com ele. Em uma das conversas, falei que não seria justo eu ir para a Copa não estando bem, porque eu estava com muitas dores, não conseguia dar o meu 100%, e outro atleta, que estivesse melhor, ficasse [no grupo de convocados]. Chorei bastante, porque doeu muito; eu queria ter jogado a Copa pela seleção, seria um sonho. Mas realmente os problemas físicos não me deram essa possibilidade.

Dos três títulos que ganhou na Itália, qual foi o mais especial pra você?

Todo título marca a nossa carreira. Desde o primeiro título com a Juventus, [quando] a gente foi campeão italiano… Imagina, era um sonho jogar na Itália e, quando a gente foi campeão italiano, jogando em Gênova contra a Sampdoria, com duas ou três rodadas de antecipação, foi a realização de um sonho. Depois, [veio] a festa no estádio da Juventus, a gente entrando em campo, recebendo a medalha, fazendo a foto oficial com o time, estando ao lado de grandes craques, como [Gianluigi] Buffon, [Andrea] Pirlo… Realmente foi a realização de um grande sonho, marcou demais.

Mas também as duas Coppa Italia, o acesso com o Verona, que era algo muito desejado pela cidade, pela torcida. Fizemos uma festa tremenda – foi um jogo contra o Cesena, lá em Cesena –, mas a torcida gialloblù encheu o estádio e a gente comemorou junto o acesso. Foi algo muito legal.
Qual foi o jogador que você mais gostou de jogar junto? E qual o mais difícil de encarar?
São vários jogadores. É difícil eu falar um nome, porque foram vários, amigos e craques, que eu joguei. Tive o privilégio de jogar junto com o [Paul] Pogba, que, pra mim, é o jogador mais completo que eu atuei até hoje, o mais elegante, sem dúvida alguma. Tem o Pirlo também. E se formos falar de superação e história no futebol, o Buffon, pela idade, pelo que já ganhou, pelo que representa para o futebol italiano e mundial.

O mais difícil [de encarar] eu acho que foi o zagueiro Kalidou Koulibaly, do Napoli. Realmente ele tem um poder de reação incrível, uma velocidade fora da curva, uma leitura de jogo impressionante, é um dos caras mais difíceis de serem driblados no futebol. Então, é um dos caras que eu mais respeito, defensivamente, no futebol.

Na segunda passagem pelo Verona, o volante ajudou o time a voltar a disputar a Serie A (Getty)

O que passava pela sua cabeça depois que você deixou o Brescia, em meados de 2020, e ficou sem contrato até fechar com o Cruzeiro? Sua prioridade era continuar na Itália ou voltar mesmo ao Brasil?

A minha prioridade sempre foi ficar na Itália, só que aí veio a pandemia e a gente ficou trancado na Itália por longos meses, não podia ver a família, não podia colocar o pé para fora de casa. Então, a gente fez uma análise detalhada, eu juntamente com a minha esposa, se valeria a pena continuar na Itália ou voltar para o Brasil, perto da nossa família.

Mudamos completamente os nossos objetivos, porque nós sempre prezamos muito pela família, então o fato de a gente não conseguir ver ninguém, já que a pandemia parou o mundo, nos fez repensar bem, voltar para o Brasil e fechar com o Cruzeiro. Imagina, já tinha jogado aqui, já me sentia em casa, então o fato de voltar e encarar um grande objetivo, que é fazer o Cruzeiro retornar para a elite, nos motivou bastante.

Hoje você sente falta de alguma coisa da Itália? No futuro, pensa em voltar ao país, seja para passear ou morar?

Para passear, sempre. Temos grandes amigos, no futebol e fora dele, então sempre que possível, nós iremos visitá-los. E eu tenho muitas portas abertas no futebol, principalmente no pós-carreira. Clubes para trabalhar no futebol como treinador, os clubes em que passei, onde eu tenho uma história muito bonita, como a Fiorentina, o Hellas Verona, a própria Lazio. Então, muito provavelmente eu receba convites, no futuro, para trabalhar em um desses times. Caso a situação esteja normalizada – a família puder entrar e sair [do país] – como sempre foi, há grandes possibilidades de a gente voltar para a Itália, no futuro.

Após 15 anos na elite, o Genoa caiu para a Serie B. Quando atuou pelo clube, você sentia que nos anos seguintes os rossoblù poderiam sofrer um rebaixamento?

O Genoa é o clube mais antigo da Itália. Quando eu estava lá, a gente começou muito bem o campeonato. A gente estava no G4, depois ficamos no G6; começamos forte mesmo no campeonato. Depois, eu saí e fui pra Lazio. Ali, coincidentemente depois da minha saída, o time começou a decair bastante. Saíram eu e mais alguns jogadores, mas não foi por isso; não tem nada a ver uma coisa com a outra. Mas sim a troca de jogadores. O Genoa, com o antigo presidente, sempre foi conhecido por trocar muitos jogadores em todas as janelas de mercado, algo que é completamente raro de acontecer na Itália.

O Enrico Preziosi sempre gostou de trocar muitos jogadores: terminava uma temporada, saíam 10, 15 jogadores e chegavam outros 10, 15. Então, o fato de não ter uma base sólida no clube atrapalhou bastante. A gente meio que percebia que uma hora essa bomba ia estourar. A gente fica triste porque é o clube mais antigo da Itália, clube pelo qual tenho muito carinho, grandes amigos lá dentro. E agora, com a compra da 777 [Partners], grupo que está negociando com o Vasco, tenho certeza que eles vão mudar um pouco a filosofia do clube e vão fazer o Genoa voltar já nesse primeiro ano para a Serie A.

O título da Coppa Italia, pela Lazio, foi o último de Rômulo em sua trajetória na Europa (Getty)

Mesmo agora no Cruzeiro, você acompanha o futebol italiano? Se sim, qual a sua avaliação sobre a Serie A recém-encerrada?

Acompanho bastante, até porque tenho grandes amigos lá dentro. O futebol italiano está melhorando a cada ano. Ele teve um pico no qual os principais jogadores do mundo só queriam jogar na Itália, e depois deu uma caída muito grande, com os jogadores indo para Inglaterra e Espanha. Agora, está voltando com força máxima. Acabou aquele super poder da Juventus, que ganhou nove títulos seguidos, então o Campeonato Italiano estava ficando sem graça, porque já sabia quem seria o campeão antes de começar o campeonato.

Quando vem a Inter, ano passado, e quebra essa sequência de títulos, já deu um up muito legal na Serie A. Aí, esse ano, uma briga até quase a penúltima rodada entre Milan, Inter e Napoli, todo mundo começou a acompanhar muito mais. Estamos falando de grandes nomes querendo ir para o Campeonato Italiano. Tenho certeza de que está numa crescente muito grande, esse ano foi muito legal.

A avaliação que eu dou para o Campeonato Italiano é 10, pela disputa até a última rodada pelo título, pela disputa até as três últimas rodadas para ver quem ia chegar à zona de Liga dos Campeões, à zona da Liga Europa e também lutando contra o rebaixamento. Então, foi um campeonato disputado, muito legal. A tendência é que agora, com a temporada 2022-23, o campeonato aumente de nível.

Sabia que você é o quinto brasileiro que defendeu mais times na Serie A, atrás apenas de Amauri, Sormani, Clerici e Felipe? Lá no início da sua trajetória na Itália, você imaginaria que alcançaria um feito tão notável como este?

Não sabia. Um fato curioso, legal. Realmente rodei por bastantes clubes lá na Itália e, felizmente, tive uma história bonita em cada um deles. Fiorentina, Hellas Verona, Juventus, Lazio, Brescia, Genoa… Só agradecer a todos. Essa história ainda não acabou, porque muito provavelmente, no futuro, a gente volte para a Itália, não como jogador, mas com planos futuros pós-carreira.

Para finalizar, teve alguma história ou curiosidade que você vivenciou lá na Itália e gostaria de contar para o nosso público?

Que eu lembre, não… O fato mais marcante, pra mim, foi quando o Cesare Prandelli estava no estádio e me chamou para conversar. Eu não imaginava que ele estaria no estádio, me chamaria para conversar e que falaria que eu estava convocado para a seleção italiana. Aquilo me marcou demais, chorei muito após essa conversa com ele, de emoção, de alegria, de felicidade, de saber que todo sacrifício valeu a pena. Então, esse foi o fato que mais me marcou, sem dúvida alguma.

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