Técnicos

Nereo Rocco, o fundador do mito do catenaccio

A carreira de Nereo Rocco como jogador não havia sido exatamente brilhante. Com passagens por Triestina, Napoli e Padova, entre 1929 e 1942, ele disputou 287 partidas na Serie A e marcou 69 gols. Foi chamado uma vez para a Nazionale, em 1934, mas ainda assim tornou-se um dos grandes ídolos da história da Triestina. Não demorou para que voltasse ao time alabardato.

Em 1947, Rocco estreou como treinador, comandando a Triestina na Serie A. Ele introduziu no futebol italiano o esquema que a seleção suíça havia consagrado na década de 1930: o catenaccio, que consiste em um sólido sistema defensivo com a introdução de um homem na sobra na defesa – anos anos depois, este foi chamado de líbero.

Neste esquema, Rocco levou a equipe ao vice-campeonato nacional, atrás apenas do Grande Torino. Ainda hoje, o melhor resultado alabardato na primeira divisão. Três anos depois, por divergências com a diretoria, ele deixou a equipe e foi treinar o Treviso.

Mas a história de Rocco era ligada ao clube e ele retornou, em 1953. Ficou apenas um ano e saiu para o Padova. Neste ano, lançou aquele que seria um dos grandes zagueiros da história, Cesare Maldini. Em Pádua, onde ficou sete anos, Rocco voltou a fazer história. Primeiro, colocou a equipe na Serie A e, em 1958, levou o clube ao terceiro lugar da competição. Em 1961, foi convidado a ser técnico do Milan.

Rocco, Cesare Maldini e a primeira Copa dos Campeões do Milan (Storie di Calcio)

Com um sistema defensivo muito forte, com Maldini, Trapattoni e Pelagalli, venceu a Serie A logo em sua estreia. Na temporada seguinte, ao bater o Benfica por 2 a 1, com dois gols de Altafini, o Milan também foi campeão da Copa dos Campeões. Mas Rocco não ficou para disputar o Taça Intercontinental: brigou com a diretoria, deixou o Milan após o título e foi para o Torino.

No clube granta, treinou Gigi Meroni e foi protagonista dos melhores resultados do Toro na Serie A desde o time que encantou a Itália nos anos 1940. Em 1967, um acidente tirou a vida Meroni. No mesmo ano, Rocco foi recontratado pelo Milan.

Ele conquistou outro scudetto e uma Recopa Europeia, em 1968, e uma Copa dos Campeões e um Intercontinental, no ano seguinte. Após deixar a equipe outra vez, em 1973, dirigiu a Fiorentina por uma temporada antes de encerrar a carreira.

Rocco e seu indefectível chapéu, que lhe conferia ar mafioso (Città Celeste)

Tido o pai do catenaccio, Rocco dizia que a única equipe que realmente praticara o sistema de maneira correta fora o Padova. Para ele, o restante dos times apenas se defendia muito bem. Estava criada a base na qual muitos técnicos do futebol italiano se inspiraram.

O principal pupilo foi Helenio Herrera, técnico da Grande Inter dos anos 1960, em uma época na qual as equipes rivalizavam em campo, mas seus grandes ícones eram amigos fora dele – assim como os dois técnicos nutriam simpatia entre si, os capitães Gianni Rivera e Sandro Mazzola também eram amigos.

Herrera, da Inter, e Rocco, do Milan, em divertidíssima reunião (Sky)

Quatro anos após abandonar o futebol, Rocco faleceu, em 1979, na mesma Trieste em que nasceu. Até 2006, o técnico deteve a primazia de treinador com mais partidas no comando de clubes da Serie A: foram 787, até que Carlo Mazzone chegasse a 795 e o ultrapassasse, em 2006.

Nereo Rocco
Nascimento: 20 de dezembro de 1912, em Trieste
Morte: 20 de fevereiro de 1979, em Trieste
Clubes como técnico: Triestina (1947–50 e 1953-54), Treviso (1950–53), Padova (1954–61), Milan (1961–63), Torino (1963–67) Milan (1967–73) Fiorentina (1974–75)
Títulos: 2 Campeonatos Italianos (1961-62 e 1967-68), 2 Copa dos Campeões (1962-63 e 1968-69) 1 Taça Intercontinental (1968), 1 Recopa Europeia (1967-68) e 2 Copas da Itália (1971-72, 1972-73)

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