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Gaetano Scirea, o zagueiro-modelo

Ontem, dia 3 de setembro de 2009, foram completados 20 anos da morte de um dos maiores zagueiros da história do futebol mundial. Gaetano Scirea foi ídolo juventino e nacional, nas décadas de 70 e 80, quando enchia os olhos dos torcedores com sua garra, liderança e grandes atuações. No aniversário de 10 anos de sua morte, o jornalista Luigi Garlando o definiu assim, na Gazzetta dello Sport: “Nenhum foi tão grande como Gaetano, porque os outros, incluindo aí Beckenbauer e Baresi, eram defensores que iam ao ataque. Já ele era defensor na defesa, meio-campista verdadeiro no meio-campo e atacante verdadeiro no ataque. Foi único”.

O acidente fatal aconteceu em um domingo de 1989, quando Scirea, então auxiliar técnico de Dino Zoff, seguia para a Polônia, de carro, para observar o Górnik Zabrze, próximo adversário da Juventus na Copa da UEFA. Em manobra perigosa do motorista, o carro bateu e pegou fogo. Mais duas pessoas morreram no incidente: o tradutor que o acompanhava e o motorista. Somente o dirigente polonês, que estava no banco de trás, se salvou.

Essa semana, Scirea foi lembrado também por causa da contratação de Fabio Grosso, pela Juve. O ex-jogador do Lyon vestirá a camisa número 6, que pertenceu ao antigo capitão da Vecchia Signora. Número que, hoje em dia, veste as costas dos laterais esquerdos, em sua grande maioria, mas que no passado era usado pelos últimos defensores antes do goleiro: os líberos.

Scirea foi um dos maiores marcadores da história do futebol (Getty)

Foi atuando ali atrás que Gaetano se consagrou e conquistou todos os títulos da sua vida, mas poucos se lembram que foi no meio-campo que o provinciano começou. Enquanto jogava na Atalanta, entre 72 e 74, exibia elegância no passe e grande conhecimento tático, qualidades que o ajudaram a ser convocado pela seleção nacional com apenas 20 anos e chamaram a atenção da Juventus.

Contratado pelo time de Turim na temporada 1974-75, chegou para ser o reserva do experiente Sandro Salvadore, prestes a se aposentar, mas ao final da temporada computou 28 jogos disputados, de um total de 30. Ganhando a titularidade já nas suas primeira exibições, Scirea conservou o posto até o fim do campeonato e apareceu na foto do título.

A partir daí, sua história de títulos confunde-se com a do técnico Giovanni Trapattoni, que treinou os bianconeri de 76 a 86. Nesse período foram mais seis scudetti, com destaque para o de 1982, que dava ao clube dos alpes o direito de bordar mais uma estrela em sua camisa. No mesmo ano, Gaetano tornou-se campeão mundial com a azzurra de Enzo Bearzot e viveu um dos maiores momentos da sua carreira: deu o passe para o gol de Marco Tardelli, na final contra a Alemanha.

Na Juventus, fez ainda mais história, participando dos doubles de 1977-78 (Serie A e Copa da UEFA) e 1983-84 (Serie A e Liga dos Campeões), e levando a Vecchia Signora ao topo, em 1985: A conquista da Liga dos Campeões, frente ao Liverpool, elevou os bianconeri ao posto de melhores da Europa; e a conquista da Copa Intercontinental, em Tóquio, após vencer o Argentino Juniors, os colocou no topo do mundo. Esse seria o último título internacional de Scirea, já que no ano seguinte, cairia nas oitavas de final da Copa do Mundo, frente à França de Platini.

Além dos inúmeros títulos conquistados vestindo branco, preto e azul, Gaetano ficou marcado por ter sido o jogador que mais vezes vestiu a camisa da Juve antes de Del Piero, somando 552 partidas, e ainda por nunca ter recebido um cartão vermelho. Estatística que explica o elevado número de títulos de fair-play que recebe seu nome. Hoje estaria com 56 anos e talvez treinando um grande time, ensinando seus comandados não só como se tornar um grande jogador, mas também um grande esportista.

Gaetano Scirea

Nascimento: 25 de maio de 1953, em Cernucsco sul Naviglio
Posição: Líbero
Clubes: Atalanta (1972-74) e Juventus (1974-88)
Seleção italiana: 78 jogos, 2 gols
Títulos: 7 Campeonatos Italianos (1974-74, 1976-77, 1977-78, 1980-81, 1981-82, 1983-84 e 1985-85), 2 Copas da Itália (1978-79 e 1982-83), 1 Liga dos Campeões (1983-84), 1 Copa da UEFA (1976-77), 1 Supercopa da UEFA (1984), 1 Copa das Copas (1983-84), 1 Copa Intercontinental (1985) e 1 Copa do Mundo (1982)

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