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Subestimados do calcio: Marco Rossi

A importância de um capitão na Itália pode ser considerada maior do que em outros países do mundo e até mesmo da Europa. Na maior parte dos casos, é a bandeira do clube ou, em alguns clubes, o jogador mais experiente do grupo. No Genoa, acontece uma coisa semelhante: o capitão da equipe é o meia Marco Rossi, que comemorou 32 anos ontem e já vestiu rossoblù em três divisões distintas, desde quando assinou contrato, em 2003.

Mas, antes de ser o jogador mais popular com a tifoseria do clube de Gênova, Rossi começou a carreira em 1995 na Lucchese, clube toscano que disputava a Serie B. Em três anos pelo clube da cidade de Lucca, Rossi assumiu posição mais importante apenas em sua última temporada, quando atuou por 25 partidas na Serie B – embora tivesse apenas 20 anos. Assim que o futebol europeu retornou às atividades após a Copa da França, o meio-campista rossonero se transferiu para a Salernitana, que tinha sido campeã da cadetta e havia se classificado para a Serie A.

Pelos granata, Rossi jogou ao lado de Vannucchi, Fini, Di Michele, Di Vaio e Gattuso e começou entrando aos poucos, para, apenas na segunda temporada assumir uma posição mais importante no elenco. Ao lado do mesmo Gattuso, fez parte da seleção sub-21 italiana que foi campeã europeia na Eslováquia, após bater a República Tcheca na final. Porém, 2000 acabou com um gosto amargo, já que um empate contra o Piacenza não foi suficiente para garantir a salvezza da Salernitana, que ficou um ponto atrás do Perugia e retornou à Serie B.

As boas prestações de Rossi em seus dois anos de Salerno lhe valeram uma transferência para a Fiorentina, que, sob o comando de Giovanni Trapattoni, havia jogado a última Liga dos Campeões após 30 anos de ausência. Mas Trap havia deixado o clube para treinar a Itália e quem havia assumido era o turco Fatih Terim, credenciado por quatro títulos consecutivos da Süper Lig turca e uma Copa da Uefa. Rossi estreou oficialmente logo contra a Salernitana pela Coppa Italia e marcou um gol na goleada por 5 a 0 aplicada em plena Campânia. O toscano jogava com frequência com Terim e continuou o fazendo com Roberto Mancini, que assumiu o clube em janeiro. Pela Coppa Italia, o meia continuava tendo importância e participou de um dos gols do segundo jogo da final contra o Parma, fundamental para o título que acalmou o conturbado ano gigliatto.

Se esta temporada havia sido turbulenta, a seguinte foi ainda mais: em pleno processo falimentar, seus craques precisavam ser vendidos (Batistuta em 2000, Rui Costa e Toldo em 2001) e a equipe viola ia mal na Serie A. No meio da temporada, o meia pediu, juntamente a Nuno Gomes, a rescisão de contrato por não receber algumas bonificações e passou a ser visto como traidor pelos torcedores do clube. Os dois foram os primeiros a sair antes de a Fiorentina decretar falência ao fim da temporada em que terminaria rebaixada e obrigada a recomeçar do zero na antiga Serie C2.

Rossi acertou com o Como para a temporada 2002-03, mas não obteve sucesso e não conseguiu evitar a queda do clube azzurro para a Serie B. Na temporada seguinte, a transferência que daria uma guinada em sua carreira: Enrico Preziosi, dono e presidente do Como, vendeu o clube e comprou o Genoa, para onde levou consigo o atacante Nicola Caccia e o próprio Marco Rossi.

O meia destro chegou ao clube do Luigi Ferraris emprestado pelo Como e rapidamente assumiu a titularidade na equipe rossoblù. Na primeira temporada em Genoa, foi um dos artilheiros da equipe com oito gols marcados em 38 partidas, ficando apenas atrás de Bjelanovic e Milito (contratado em janeiro), que ficaram com 12. Um dos gols mais comemorados por Rossi na campanha (e na vida) foi justamente um marcado contra a Fiorentina, de onde saiu brigado. Até hoje, quando o Genoa visita Florença, Rossi é hostilizado.

No fim da temporada, o Genoa expressou a vontade de contratar o meia em definitivo, mas não conseguiu concluir as negociações com o Como antes do fechamento da janela de verão. Dessa maneira, Rossi só pode atuar a partir de janeiro, mas não deixou de ser fundamental para a campanha. Milito e Stellone marcavam muitos gols e lideravam o time treinado por Serse Cosmi, que caminhava a passos largos para voltar a Serie A após dez anos, mas Rossi foi seu “principal coadjuvante” a partir de janeiro.

Nos dois últimos jogos da temporada, o mediano mostrou sua característica mais marcante: estar em todos os lugares aos quais é requisitado. Ele marcou dois gols nos jogos decisivos daquela temporada e ainda deu uma assistência para Milito marcar na última partida, na qual bastava apenas bater o rebaixado Venezia em casa para garantir matematicamente o acesso. Porém, a cúpula diretiva do Genoa, encabeçada por Preziosi, preferiu pagar a jogadores do clube vêneto para que entregassem o jogo, que nada valia, constituindo mais um escândalo de manipulação de resultados no futebol local. A trapaça foi descoberta logo após o jogo e punida com o rebaixamento do clube para a antiga Serie C1. As consequências foram tão severas que Franco Scoglio, ex-treinador e torcedor histórico do clube, morreu meses depois ao sofrer um infarto fulinante após discutir com Preziosi sobre os rumos do clube que amava.

Mesmo assim, Rossi permaneceu no Genoa, em prova de uma lealdade que preferiu não demonstrar quando jogava na Fiorentina. O toscano foi um dos jogadores que permaneceram no time após o rebaixamento e, assim, logo passou a se consolidar como um dos líderes em campo. O Grifone logo retornaria a Serie B, após apenas um ano no inferno da C1 e também não demoraria a recuperar o bom futebol demonstrado na temporada 2004-05. Numa Serie B “enobrecida” com as participações de Napoli, Bologna e Juventus, os rossoblù coroaram o futebol eficiente aplicado pelo técnico Gian Piero Gasperini com a classificação direta para a elite junto ao Napoli, num jogo que terminou de forma emocionante. Ambos os times não precisaram passar pelos play-offs, já que terminaram 10 pontos a frente do Piacenza, quarto colocado.

Foi com Gasperini que Rossi aprendeu a se multiplicar cada vez mais em campo. O treinador improvisou o jogador, originalmente um meia que cai pelo lado direito do meio-campo, na lateral-direita, no centro ou no lado esquerdo do meio-campo e até como esterno no tridente de atacantes, mas sempre com sucesso. O sacrifício em campo e seu perfil de liderança fizeram de Marco Rossi o homem no qual Gasperson poderia confiar e entregar a faixa de capitão, que ostenta até hoje.

A história de Rossi pelo clube rossoblù parece longe de acabar, à medida que o capitão faz temporadas cada vez mais interessantes, como se envelhecesse como o vinho. Em 2008-09, fez o trabalho sujo para que Milito retornasse ao clube de maneira brilhante: a classificação para a Liga dos Campeões não veio por critérios de desempate, mas o Genoa voltava a Europa após quase duas décadas de ausência. Rossi continua a escrever sua história vestindo rossoblù e, desta vez, é o jogador mais importante do clube. Na atual temporada, marcou um dos gols na fantástica vitória no Derby della Lanterna, contra a Sampdoria, e ainda deixou uma doppietta contra a Juventus, totalizando cinco gols na Serie A. Levar o Genoa a LC será difícil, mas certamente Rossi se desdobrará em campo para tentar.

Marco Rossi
Nascimento: 1º de abril de 1978, em Seravezza, Itália.
Posição: meio-campista
Clubes: Lucchese (1995-98), Salernitana (1998-2000), Fiorentina (2000-02), Como (2002-03), Genoa (2003-hoje)
Seleção italiana sub-21: 6 jogos.
Títulos: 1 Europeu sub-21 (2000) e 1 Coppa Italia (2000-2001)

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