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Os 5 maiores brasileiros da história da Sampdoria

A Sampdoria é resultado da fusão de duas equipes: a Sampierdarenese e a Andrea Doria, que se uniram em 1946. Desde então, o time quase sempre frequentou a Serie A: 59 participações na elite e 11 na Serie B. Curiosamente, a campeã italiana de 1991 nunca teve a tradição de ter muitos brasileiros em seu elenco.

Apenas 14 jogadores nascidos no Brasil atuaram pelos blucerchiati genoveses. O primeiro foi Demósthenes, em 1934 – em tempos de Sampierdarenese –, mas foi só a partir de Toninho Cerezo que a Samp começou a apostar um pouco menos timidamente em jogadores verde e amarelos. Mesmo com a escassez de nomes, fizemos uma lista dos cinco brasileiros que mais obtiveram sucesso pela Sampdoria.

>>> Saiba mais: Os 10 maiores jogadores da história da Sampdoria

Para montar a lista, o Quattro Tratti levou em consideração a importância dos jogadores na história do clube; a qualidade técnica do atleta versus expectativa; sua identificação com a torcida e o dia a dia do time (mesmo após o fim da carreira); grau de participação nas conquistas; respaldo atingido através da equipe e prêmios individuais conquistados. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais. A partir disso, escolhemos os brasileiros que marcaram a história da equipe e escrevemos breves biografias dos cinco maiores. Antes, veja também a lista completa daqueles que já vestiram a camisa do clube de Gênova.

Brasileiros da história da Sampdoria
Angelo Sormani, Catê, Demósthenes, Dodô, Doriva, Éder, Elisio Gabardo, Fernando, José Ricardo da Silva (China), Júnior Costa, Paco Soares, Renan Garcia, Silas e Toninho Cerezo.

5º – Silas

Posição: meia
Período no clube: 1991-92
Títulos conquistados: Supercoppa Italiana (1991)

Quando Silas chegou à Sampdoria, já era um jogador consolidado. Um dos “Menudos do Morumbi”, o meia formado no São Paulo já havia sido campeão brasileiro, atuado em duas Copas do Mundo, duas Copas América e passado por Sporting e Cesena. Bastante rodado, mas ainda com 26 anos, foi contratado pela diretoria doriana como reforço para a primeira temporada após o scudetto do clube, em 1991.

O jogador nascido em Campinas foi a grande contratação da Sampdoria para a temporada 1991-92, mas embora fosse um jogador de muita visão de jogo e qualidade técnica em passes e finalizações, não jogou tudo o que podia em Gênova. Silas até começou bem no Marassi, com o título da Supercoppa Italiana, mas foi criticado por seu estilo cadenciado de jogo e também recebeu o rótulo de pé-frio, em uma temporada concluída com o 6º lugar na Serie A e o vice-campeonato da Copa os Campeões. Ao todo, o paulista fez 35 jogos e anotou cinco gols na única temporada em que vestiu blucerchiato.

4º – Angelo Sormani

Posição: atacante
Período no clube: 1964-65
Títulos conquistados: nenhum

Indicado por Pelé ao Santos, Angelo Sormani (ao centro, na foto) foi reserva do Rei no Peixe, mas teve seus grandes dias mesmo na Itália – neto de italianos, chegou a disputar a Copa de 1962 pela Squadra Azzurra. Antes de se transferir para a Sampdoria, seu terceiro clube na Itália, o atacante passou pela Roma e fez sucesso no Mantova.

Em seu quarto ano na Itália, o ítalo-brasileiro chegou para fazer parte do elenco de um time que ainda não tinha nem 20 anos de vida, mas que já havia conseguido alguns bons resultados na Serie A. Em Gênova, Sormani atuou fora de posição – não foi centroavante, mas sim ala direito – e só anotou três gols em 31 partidas, contribuindo para salvar os dorianos do rebaixamento e levando o rival Genoa à queda. A passagem do jogador de Jaú pela Samp durou pouco, mas seu sucesso no Milan – conquistou Copa dos Campeões, Mundial Interclubes, Serie A e Recopa – mostrou que ele poderia ter dado mais alegrias aos blucerchiati.

3º – China

Posição: atacante
Período no clube: 1962-65
Títulos conquistados: nenhum

José Ricardo da Silva, mais conhecido como China, foi um atacante revelado no Botafogo no final dos anos 1950 –  até defendeu a Seleção na conquista da medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de 1959 e na Olimpíada de 1962, disputada em Roma. Foram os gols feitos e as boas atuações no torneio olímpico que fizeram o centroavante nascido em Fortaleza chamar a atenção da Sampdoria, que o contratou imediatamente.

Logo na temporada de estreia, o jogador de traços orientais não se intimidou com a nova realidade e fez 13 gols, ajudando a Samp a fazer uma campanha sólida – de quebra, foi um dos maiores goleadores do campeonato. Nas temporadas seguintes, China fez nove e sete gols, respectivamente, ajudando os blucerchiati a se salvarem do rebaixamento. Três destes tentos foram contra o Genoa, e fazem do cearense o segundo maior goleador estrangeiro da história do Derby della Lanterna, ao lado de Éder e só abaixo de Diego Milito (4). China ficou três anos em Gênova e, depois de rodar a Itália e se aposentar, ali perto fixou residência. Morreu em Rapallo, cidade da região metropolitana genovesa, no fim dos anos 1990.

2º – Éder

Posição: atacante
Período no clube: 2012-16
Títulos conquistados: nenhum

As grandes atuações de Éder na Sampdoria o levaram à seleção… italiana. Com dupla nacionalidade, o veloz e habilidoso atacante ítalo-brasileiro se consagrou como goleador por Frosinone e Empoli na Serie B, mas nunca dava certo na elite do Belpaese. Após ser contratado pela Samp quando o time jogava a segundona, Éder engrenou: em quatro anos, o jogador catarinense fez 135 partidas e 49 gols com a camisa doriana.

O atacante fez duas temporadas regulares em Gênova, mas foi a partir do terceiro ano que explodiu. Sob o comando de Sinisa Mihajlovic, Éder marcou 12 gols e foi fundamental na arrancada que colocou a Samp no meio da tabela. Ainda no time do sérvio, fez um 2014-15 fantástico, em um tridente com Stefano Okaka e Manolo Gabbiadini (depois, chegou Samuel Eto’o), merecendo a convocação para a Squadra Azzurra e classificando os blucerchiati para a Liga Europa. Na temporada 2015-16, o atacante nascido em Lauro Müller fez 12 gols em 19 partidas e, com a regularidade nas atuações e na frequência de tentos, foi vendido para a Inter.

1º – Toninho Cerezo

Posição: meia
Período no clube: 1986-92
Títulos conquistados: Serie A (1990-91), Recopa Europeia (1989-90), Supercopa italiana (1990-91) e Coppa Italia (1987-88 e 1988-1989)

Nós, brasileiros, já conhecíamos Cerezo muito bem quando ele foi para a Itália defender a Roma. Craque de estilo clássico, passadas largas, lançamentos precisos e muita elegância, Cerezo teve passagem destacada de três anos pelo Olímpico. Ele fez seu último jogo na equipe romana depois de ter sido cortado da Copa do Mundo de 1986 e disputou a final da Coppa Italia. Com um gol de cabeça, no segundo tempo, Pluto (apelido que ganhou na Itália) evitou o bicampeonato do seu futuro time, a Sampdoria, e deixou a equipe giallorossa de alma lavada. Foi a única vez que ele deu tristezas ao torcedor blucerchiato. Se sua passagem por Trigoria foi boa, em Bogliasco foi melhor ainda.

Em seis anos pelo clube genovês, Cerezo foi um dos pilares do mágico meio de campo em seus anos de ouro, todos sob o comando do histórico técnico Vujadin Boskov. Além de marcar, apoiar o ataque e dar assistências primorosas, o brasileiro anotou vários gols e foi um dos maiores craques do Campeonato Italiano no final da década de 80 e início dos anos 90. Conquistou o bi da Coppa Italia em 1988 e 1989 e foi essencial na conquista do único scudetto da história do clube, em 1990-91. Marcou seu nome na memória de todos os blucerchiati fazendo um dos gols no 3 a 0 sobre o Lecce, jogo que garantiu a taça. No ano seguinte, ao lado de Roberto Mancini e Gianluca Vialli, Pluto comandou a equipe até a final da Copa dos Campeões, perdida para o Barcelona. Deixou Gênova em 1992 para continuar a brilhar no São Paulo.

 

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