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Os 10 maiores jogadores da história da Lazio

O especial do Quattro Tratti com os 10 maiores jogadores dos principais times italianos continua com o clube mais antigo de Roma. A Lazio teve seu auge na virada do século, quando a equipe milionária montada pelo presidente Sergio Cragnotti chegou ao topo da Velha Bota, mas vários jogadores de outras épocas figuram na lista, inclusive Silvio Piola, maior goleador do futebol italiano. Isso se dá por causa da identificação com o clube, algo que conta muito na capital.

Obviamente, alguns grandes nomes da história laziale ficaram de fora da lista, pois, ao longo de 114 anos, a Lazio montou algumas grandes equipes. Os principais critérios usados na votação interna do Quattro Tratti foram a já citada identificação com as cores da equipe, a relevância do jogador na história do clube, o grau de participação nos títulos, os prêmios individuais e, é claro, a qualidade técnica do atleta. A nossa lista, como qualquer uma, está sujeita a critérios próprios e, por isto, é discutível. Claro, você pode dar a sua opinião e discordar usando a caixa de comentários.

Além do “top 10”, com detalhes sobre os jogadores, suas conquistas e motivos que os credenciam a figurar em nossa listagem, damos espaço para mais alguns grandes. Quem não atingiu o índice necessário para entrar no top 10 é mostrado no ranking a seguir.

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período no clube. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores nos clubes em questão.

Colaborou Nelson Oliveira

Top 25 Lazio

11. Diego Simeone; 12. Miroslav Klose; 13. Paolo Di Canio; 14. Angelo Peruzzi; 15. Tommaso Rocchi; 16. Roberto Mancini; 17. Paul Gascoigne; 18. Filó; 19. Luciano Re Cecconi; 20. Bruno Giordano; 21. Humberto Tozzi; 22. Luca Marchegiani; 23. Giuseppe Favalli; 24. Hernanes; 25. Claudio López.

10º – Pavel Nedved

Posição: meio-campista
Período em que atuou no clube: 1996-2001
Títulos conquistados: Serie A (1999-2000); Coppa Italia (1997-98 e 1999-2000); Supercopa Italiana (1998 e 2000); Recopa Europeia (1998-99) e Supercopa Europeia (1999)
Prêmios individuais: jogador checo do ano (1998 e 2000) e Bola de Ouro da República Checa (1998, 2000 e 2001)

A contração de Nedved foi uma exigência do técnico Zdenek Zeman após o meio-campista ter se destacado na Eurocopa de 1996 com a seleção da República Checa. O treinador provou estar certo quando o seu conterrâneo marcou onze gols em sua primeira Serie A. Nas cinco temporadas em que defendeu as cores da Lazio, Nedved foi sempre o grande motor do meio-campo, graças a sua aplicação tática, inteligência, seu potente chute de fora da área e seus gols importantes.

O meia fez parte do melhor time da história da Lazio e foi peça importante para a conquista do segundo scudetto do clube, além de marcar gol na final da Recopa contra o Mallorca, que culminou no primeiro título europeu vencido por uma equipe romana. No total, Nedved fez mais de 200 partidas com a camisa biancoceleste, marcando 51 gols e vencendo sete títulos em apenas cinco anos. Hoje é dirigente da Juventus, onde também obteve bastante sucesso.

9º – Giuseppe Signori

Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1992-97
Títulos conquistados: Coppa Italia (1997-98 — jogou até as oitavas de final, depois foi emprestado à Sampdoria)
Prêmios individuais: artilheiro da Serie A (1992-93, 1993-94 e 1995-96); artilheiro da Coppa Italia (1992-93 e 1997-98); Guerin de Ouro (1993) e Prêmio Gaetano Scirea (2004)

Giuseppe, mas pode chamar de Beppe. Beppe Gol, porque gol era o que o baixinho nascido em Alzano Lombardo mais sabia fazer. E na Lazio fez muitos: até hoje, Signori é o segundo melhor marcador da história do clube, ficando atrás apenas do lendário Silvio Piola. Foram 127 tentos em pouco menos de 200 partidas. O ex-capitão deixou a equipe biancoazzurra pouco antes dos anos de ouro do clube. Somente isso explica a falta de títulos para um jogador do seu nível. O atacante era e ainda é tão estimado pelos torcedores que, em 1995, cinco mil deles ocuparam a sede da Lazio para impedir sua cessão ao Parma, que já era dada como certa.

O camisa 11 chegou à Lazio para substituir ninguém menos do que o uruguaio Rubén Sosa, mas não decepcionou. Pelo contrário. Com sua canhota precisa, marcou gols atrás de gols e formou dupla infernal com Gigi Casiraghi. Apesar da sua estatura física, o centroavante conseguia aterrorizar qualquer zagueiro que viesse pela frente e era um dos mais temidos numa época em que a Serie A contava com grandes jogadores.

8º – Vincenzo D’Amico

Posição: meia-atacante
Período em que atuou no clube: 1971-80 e 1981-86
Títulos conquistados: Serie A (1973-74)
Prêmios individuais: nenhum

Cria da equipe Primavera da Lazio, D’Amico estreou entre os profissionais ainda aos 16 anos. Aos 19, já era peça fundamental do time que conquistou o primeiro scudetto da história da Lazio. Sua genialidade foi talvez atrapalhada por por suas seguidas lesões e por sua indisciplina fora dos gramados. O jovem Vincenzo era daqueles que gostava de curtir a noite e de exagerar na pasta. Sabendo disso, o técnico Tommaso Maestrelli “sequestrava” seus documentos e seu dinheiro e controlava a sua alimentação. Dava certo, pois, em 1974, D’Amico surpreendeu a Itália com o seu talento, capaz de decidir alguns jogos sozinho.

D’Amico formou com Chinaglia e Garlaschelli um trio de ataque fenomenal. Apesar de não marcar muitos gols, o camisa 11 sempre participava das jogadas ofensivas. Com 14 temporadas disputadas com a camisa celeste, o jogador nascido em Latina é considerado pelos mais saudosistas como a última grande bandeira da Lazio.

7º – Sinisa Mihajlovic

Posição: zagueiro
Período em que atuou no clube: 1998-2004
Títulos conquistados: Serie A (1999-2000); Coppa Italia (1999-2000 e 2003-04); Supercopa Italiana (1998 e 2000); Recopa Europeia (1998-99) e Supercopa Europeia (1999)
Prêmios individuais: jogador sérvio do ano (1999) e time do ano da European Sports Magazines (1998-98 e 1999-2000)

O passado giallorosso de Mihajlovic não atrapalhou a sua identificação com a Lazio. Foi no lado azul da capital que o sérvio encontrou a melhor fase da sua carreira. Versátil, passou do meio-campo à defesa, sem perder a qualidade habitual. Dotado de uma ótima visão de jogo e de uma vontade inacabável, cobria bem os espaços e dificultava muito a vida dos atacantes. Depois, seus lançamentos longos eram uma arma a mais para os contra-ataques.

Sua potentíssima perna canhota lhe permitia marcar uma infinidade de gols de falta — Mihajlovic é considerado até hoje um dos melhores de todos os tempos nesse quesito e chegou a marcar três vezes dessa forma em um único jogo. Em seis anos de Lazio, venceu praticamente tudo o que pode e foi capitão em seus últimos dias de biancoceleste.

6º – Giuseppe Wilson

Posição: zagueiro
Período em que atuou no clube: 1969-78 e 1978-80
Títulos conquistados: Serie A (1973-74)
Prêmios individuais: nenhum

Capitão e líder da defesa laziale durante uma década, Pino Wilson era daqueles zagueiros que não precisavam fazer faltas para parar o atacante. Seu tempo de bola o permitia chegar sempre antes na dividida e, com ele jogando como líbero, a retaguarda da Lazio estava sempre bem protegida.

Wilson é o capitão pelo qual os torcedores mais sentem saudades. Um jogador que sabia representar as cores do clube dentro e fora de campo. Sempre muito astuto, conseguia, junto com Maestrelli, controlar os ânimos de um vestiário explosivo. Foi o “verdadeiro capitão de outros tempos”, como diz o título da sua biografia.

5º – Juan Sebastián Verón

Posição: meia
Período em que atuou no clube: 1999-2001
Títulos conquistados: Serie A (1999-2000); Coppa Italia (1999-2000); Supercopa Italiana (2000) e Supercopa Europeia (1999)
Prêmios individuais: Time do ano da European Sports Magazines (1999-2000) e inserido na lista Fifa 100

Foram apenas dois anos em Roma, mas Verón garantiu seu lugar entre os maiores jogadores da história da Lazio. No mais forte time já montado pelos biancocelesti, o argentino teve papel de destaque no meio-campo, e foi uma das mais brilhantes estrelas daquela Lazio, que ganhou tudo em solo nacional e um pouquinho mais em competições europeias. La Brujita chegou após passagens por Sampdoria e Parma custando o equivalente a 18 milhões de libras para ser fundamental nas conquistas da equipe.

Logo na primeira temporada, foram 31 jogos e oito gols – seis deles em bolas paradas, inclusive um gol olímpico em um 4 a 0 frente ao Verona. O argentino ainda marcou um em uma difícil vitória por 2 a 1 no dérbi da capital, contra a Roma, na reta final do campeonato que acabou vencido pela própria Lazio. Foi vice-artilheiro da campanha do scudetto, atrás apenas de Marcelo Salas. No ano seguinte, um imbróglio envolvendo seu passaporte prejudicou seu futebol, mas Verón continuou jogando bem e acabou sendo vendido ao Manchester United por 28 milhões de libras, maior transferência envolvendo um clube inglês à época. A sua saída foi um dos primeiros passos para a dissolução da grande equipe laziale formada pelo dinheiro da Cirio.

4º – Alessandro Nesta

Posição: zagueiro
Período em que atuou no clube: 1993-2002
Títulos conquistados: Serie A (1999-2000); Coppa Italia (1997-98 e 1999-2000); Supercopa Italiana (1998 e 2000); Recopa Europeia (1998-99), Supercopa Europeia (1999), Campeonato Primavera (1994-95) e Europeu Sub-21 (1996)
Prêmios individuais: Melhor jovem do futebol italiano (1998), Melhor zagueiro do futebol italiano (2000, 2001 e 2002), time do ano da European Sports Magazines (2000-01), time do ano da Uefa (2002) e inserido na lista Fifa 100

Romano de nascimento e laziale de coração, Nesta entrou muito cedo no clube. Em 1985, com apenas nove anos, já fazia parte das categorias de base da equipe, depois que seu pai vetou uma proposta da rival Roma. Prodígio, o zagueiro estreou na equipe com menos de 18 anos, sob o comando de Dino Zoff, mas foi efetivado como titular por Zdenek Zeman. E, a partir de então, o zagueiro de grande técnica e velocidade, mas também força física e ótimo senso de antecipação, se tornou um dos maiores zagueiros da história do clube e do futebol italiano.

Ainda jovem, Nesta virou titular da equipe e também da seleção italiana na Copa de 1998. Após o Mundial, se tornou capitão da Lazio e viu a equipe perder um scudetto que parecia garantido. No ano seguinte, porém, veio a consagração e a primeira Serie A do defensor, que fez dupla com Mihajlovic e levantou a taça, mesmo suspenso no jogo que garantiu o sétimo dos seus nove títulos pelo clube. Em 2002, Nesta teve de ser vendido a contragosto para sanar as dívidas do clube e, na apresentação ao Milan, deixou claro o seu descontentamento com a transferência, pois queria continuar defendendo seu clube do coração. Apesar disso, passou 11 anos em Milão e continuou sendo referência para a posição.

3º – Roberto Lovati

Posição: goleiro
Período em que atuou no clube: 1954 e 1955-61
Título conquistado: Coppa Italia (1957-58)
Prêmios individuais: nenhum

“Se escreve Lovati, se lê Lazio”. Quando o ex-goleiro faleceu, em 2011, a faixa em seu funeral não poderia ser mais explícita. Bob Lovati passou relativamente pouco tempo como jogador na Lazio, mas mesmo assim se tornou símbolo do clube. Lovati chegou em 1954, mas foi logo emprestado ao Torino, onde estreou na Serie A. No ano seguinte, voltou à capital, onde teria a missão de substituir Lucidio Sentimenti, experiente goleiro que havia tido sucesso na Juventus e havia sido titular na Lazio por cinco temporadas, com sucesso. O técnico inglês Jesse Carver lhe deu a alcunha de “Bob”, que ficou para toda a carreira, e foi como Bob que ele conquistou dois terceiros lugares e uma Coppa Italia como capitão do time. Foi o primeiro título oficial da história do clube.

Em 1961, quando já frequentemente perdia posição para Cei e Pezzullo, decidiu se aposentar, aos 33 anos, com o rebaixamento da Lazio à Serie B. Porém, seguiu no clube e, nos anos seguintes, desempenhou quase todos os papeis possíveis nos bastidores e no comando técnico do clube: preparador de goleiros, auxiliar técnico, treinador, dirigente esportivo, diretor técnico, chefe dos olheiros.Havia uma crise na equipe? Lá estava Lovati pronto para deixar um cargo e se tornar treinador de forma interina. Ao todo, foram 55 anos de dedicação ao clube que adotou, afinal, sua origem é milanesa, e não havia nenhum tipo de ligação familiar à Lazio antes de sua chegada. Mesmo assim, tornou-se um monumento da “lazialità”, e quando esteve no clube, como treinador revelou jovens que se tornaram ligados ao time, como Manfredonia, Montesi e Tassotti.

2º – Silvio Piola

Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1934-43
Títulos conquistados: Copa do Mundo (1938) e Copa Internacional (1933-35)
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie A (1936-37 e 1942-43) e inserido no Hall da fama do futebol italiano

Piola é o maior artilheiro da história do campeonato italiano, com 274 gols (mais 16 na primeira divisão, antes de o torneio ser em turno único), e é um dos maiores jogadores da história da Lazio. Por identificação com o clube, Piola fica atrás de outros craques já citados aqui, como Nesta, Lovati e Chinaglia. Embora tenha jogado em outros clubes, como Pro Vercelli, Juventus, Torino e Novara, foi na Lazio que Piola jogou por mais tempo (nove anos) e por onde mais brilhou. Até hoje, Piola é, também, o maior artilheiro da Lazio em partidas oficiais (149) e na Serie A (143). Curiosamente, Piola também gostava de fazer gols sobre a Lazio. Quando atuou por outros times, marcou 11 vezes, e até hoje é um dos maiores carrascos da equipe da qual foi ídolo.

Nas décadas d 1930 e 1940, Piola se tornou um dos maiores centroavantes da história do futebol mundial e, na Itália, só rivalizava com craques do calibre de Giuseppe Meazza e Valentino Mazzola, outros ícones na posição. Era um atacante completo, e marcava gols de todas as formas, sem ter uma predileção específica pela arte de balançar as redes. Piola foi o segundo jogador da Lazio a se tornar campeão mundial, em 1938 – o primeiro foi o ítalo-brasileiro Filó, em 1934. No Mundial, marcou cinco gols, dois dos quais na final, e só passou em branco frente ao Brasil de Leônidas (foto).

1º – Giorgio Chinaglia

Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1969-76
Títulos conquistados: Copa dos Alpes (1971) e Serie A (1973-74)
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie B (1971-72), Artilheiro da Copa dos Alpes (1971) e Artilheiro da Serie A (1973-74)

Dono do primeiro scudetto da Lazio, Chinaglia é um dos grandes jogadores que vestiram a camisa celeste. Na temporada de ouro da equipe, marcou 24 gols em 30 jogos, média invejável para qualquer atacante, e se tornou artilheiro da competição, que terminou com o incontestável título dos romanos. O “grito de batalha” foi o líder e símbolo absoluto daquela Lazio e ainda foi responsável pelo gol do título, contra o Foggia. Antes, Chinaglia já havia emplacado outras artilharias pela equipe, como a da Serie B e a da Copa dos Alpes.

O artilheiro, inclusive, é símbolo de uma equipe que se superou para chegar ao scudetto. Pela mesma equipe, Chinaglia foi artilheiro da primeira e da segunda divisão no espaço de dois anos, o que já seria algo louvável, e que se torna ainda mais impactante pela conquista do título. Na campanha do scudetto, antes de um jogo contra a Roma, foi ao vestiário dos adversários para intimidá-los, dizendo que “esperava-os lá fora”. Seu gesto, apontando o dedo contra a torcida romanista após um gol no dérbi é uma das imagens mais marcantes da história do futebol italiano. O jogador ainda se tornou presidente do clube na década de 80, mas enfrentou vários problemas financeiros e judiciários, deixando o cargo algum tempo depois. Mesmo tendo sido rebaixado como jogador e presidente, é um dos grandes ídolos na Lazio e foi eleito o melhor jogador da história do clube nas comemorações de seu centenário, em 2000.

3 comentários

  • Faltou Casiraghi e Stam entre os Top25, Mihajlovic foi mais importante que Veron. E Peruzzi também junto com Marcheggiani merecia uma posição melhor, Boksic também deveria estar entre os 25, Klose na frente de Di Canio (Top5 no mínimo, jogou muito tempo na Lazio e tem identificação com o clube além de ser torcedor) e Mancini é um desrespeito, cade Salas e Vieri (sem contar Crespo), resultado tem muita coisa a ser modificada aí!

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