Brasileiros no calcio

Ricardo Oliveira no Milan: amparo de Ancelotti, dicas de Ronaldo e título europeu



A história do Milan é repleta de jogadores brasileiros. De José Altafini a Kaká, há inúmeros talentos tupiniquins com passagens marcantes pelo clube milanês. Porém, a glória dos brazucas no Diavolo não é uma equação exata. Ricardo Oliveira sabe bem disso. Contratado na expectativa de substituir Andriy Shevchenko, o atacante não conseguiu corresponder às expectativas. Mas, ainda que tenha ficado menos de um ano em Milão, ele recebeu apoio de Carlo Ancelotti quando sua irmã foi sequestrada, ganhou conselhos essenciais de Ronaldo e foi campeão da Liga dos Campeões.

Muitas pessoas que conhecem o jogador e pastor Ricardo Oliveira não fazem ideia de seus perrengues na infância. Vindo de família pobre, ele morava no Carandiru, bairro da zona norte de São Paulo, região rodeada por cinco presídios. Aos 8 anos de idade, ele perdeu o pai. Com cinco irmãos em casa, o garotinho – caçula – saía às ruas e pedia dinheiro aos motoristas que paravam nos semáforos. Os vizinhos das vilas de classe média, ao arredor do Carandiru, também doavam moedas.

O pequeno Ricardo entregava nas mãos de sua progenitora tudo o que era arrecadado, a fim de que ela comprasse mantimentos e roupas para sua prole. Ele e sua irmã mais velha também iam para a porta dos presídios pedir sobras de comida. As funcionárias colocavam o alimento dentro das panelas que eles carregavam, e Ricardo e sua irmã voltavam para casa felizes da vida: haveria comida no lar para a semana toda.

Virar jogador de futebol se tornou uma meta de Ricardo por causa do falecido pai, que nutria o sonho de ver seu filho mais velho brilhando nos gramados do Brasil inteiro. Contudo, o primogênito da família Oliveira abdicou do desejo do pai para buscar emprego e ajudar sua mãe. Então, o caçula passou a acompanhar seu irmão nas peladas de bairro e, assim, se apaixonou mais ainda pelo esporte.

Aos 11 anos, já jogava pelo LEVAE (Levando o Evangelho Através do Esporte), time de futsal da comunidade. Em 1997, um amigo arranjou para o jovem garoto um teste no Corinthians. Entre mais de 300 meninos, os avaliadores gostaram do rendimento do adolescente de 17 anos e o aprovaram na peneira. No entanto, dois anos mais tarde, após a conquista da Copa São Paulo de Futebol Júnior, o clube alvinegro o dispensou.

Acompanhando a situação precária da família, Ricardo decidiu abandonar o futebol. Entretanto, não teve o aval da mãe, que insistiu para que o filho continuasse na caminhada futebolística. Resultado: seis meses depois que embarcou numa aventura no esporte amador, foi contratado pela Portuguesa, em 1999. O ano de 2000 não simbolizou apenas uma virada de século na vida de Ricardo Oliveira: além de subir para o time profissional da Lusa – parando de vez com trabalhos esporádicos, como ajudante de pedreiro, lavador de carros e faxineiro –, o atleta se converteu ao cristianismo e entrou para a congregação Assembleia de Deus.

Mas, antes, aos 11 anos, o atacante já havia tido uma experiência com a religião, quando seu irmão, preso em uma penitenciária no Carandiru, disse a ele que abriu mão das drogas ao conhecer o amor de Jesus. Em relato ao Globo Esporte, da TV Globo Minas, Ricardo revelou que foi às lágrimas com a declaração do irmão, que teve sua pena encerrada um ano antes do Massacre do Carandiru, que terminou com a morte de 111 detentos, em outubro de 1992.

O início da trajetória de Ricardo Oliveira no futebol profissional não foi tão animador, já que ele entrou em campo apenas cinco vezes e balançou as redes uma vez em 2000. No entanto, o centroavante deslanchou nos anos seguintes, marcando 24 gols em 2001 (40 jogos) e 2002 (34 partidas). Visado no futebol paulista, o centroavante foi convocado para a seleção brasileira após a conquista da Copa do Mundo, realizada na Coreia do Sul e no Japão.

Em 2003, o Santos perdeu o atacante Alberto, uma das principais peças do time na conquista do Campeonato Brasileiro de 2002, e precisava de um substituto. Ricardo Oliveira surgiu na pauta de reforços do Peixe e foi contratado. Não desapontou: marcou gols importante e conduziu a equipe praiana à final da Copa Libertadores da América, perdida para o Boca Juniors. Ele terminou a competição com nove gols, empatado na artilharia com Marcelo Delgado, do Boca.

Durante pouco menos de um ano em Milão, Ricardo Oliveira teve a missão de substituir Shevchenko (LaPresse)

Devido ao bom desempenho na Libertadores, Ricardo Oliveira despertou o interesse do Valencia, que o comprou no segundo semestre de 2003. Ele assinou contrato válido por cinco primaveras. Não demorou a se adaptar ao time comandado à época por Rafa Benítez. Começou a temporada como titular, marcou o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Barcelona, em pleno Camp Nou, e anotou dois hat-tricks em dois jogos de La Liga, contra o Mallorca e o Málaga, ambos fora de casa.

Porém, o brasileiro caiu de produção na segunda parte da campanha e foi para o banco de reservas, não sendo sequer utilizado na reta final da Copa Uefa, competição da qual os che foram campeões após baterem o Olympique Marseille na decisão, disputada em Gotemburgo, na Suécia. Além disso, o Valencia conseguiu desbancar os hegemônicos Barcelona e Real Madrid e venceu a Liga. Uma temporada inesquecível para o clube valenciano.

Após a conquista do doblete, Ricardo Oliveira se apresentou à seleção brasileira para disputar a Copa América de 2004, no Peru. Junto com ele, outros conhecidos do futebol italiano também foram convocados: o goleiro Júlio César, os laterais Maicon e Mancini (ainda não havia se convertido em meia-atacante), o zagueiro Juan, os meias Alex, Diego e Júlio Baptista, e o atacante Adriano. O Brasil foi soberano no torneio e levantou a taça ao derrotar a Argentina nos pênaltis (4 a 2, após 2 a 2 no tempo normal), em Lima. Reserva, Ricardo disputou três partidas e marcou um gol – seu primeiro pela Canarinho –, na goleada por 4 a 0 sobre o México.

Passada a euforia com o título da Copa América, Ricardo Oliveira trocou de clube na Espanha: deixou a cidade de Valência para aterrissar em Sevilha. O próximo destino do paulista seria o Betis. O brasileiro superou as expectativas pelo time verdiblanco, que pagou 4 milhões de euros para tirá-lo do morcegos. Na campanha de 2004-05, ele marcou 22 gols em 37 partidas pela Liga, ajudando sua equipe a terminar o campeonato na quarta colocação. O centroavante ainda anotou o tento decisivo na prorrogação da final da Copa do Rei, contra o Osasuna.

À medida que brilhava em solo espanhol, Ricardo Oliveira se firmava cada vez mais na seleção brasileira. Ele participou das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2006 e fez parte do grupo campeão da Copa das Confederações de 2005. Em março de 2005, vivenciou um momento ímpar: formou dupla de ataque com Ronaldo, sua grande referência, deixando o promissor Robinho no banco, na partida contra o Uruguai, em Montevidéu, válida pelas Eliminatórias da Copa. O embate terminou com o placar apontando 1 a 1, e o paulista deixou o campo no segundo tempo após sofrer uma contusão.

Aliás, por causa de uma séria lesão (rompimento do ligamento cruzado anterior do joelho direito) em novembro de 2005, durante um jogo da Liga dos Campeões entre Betis e Chelsea, Ricardo Oliveira perdeu a chance de disputar o Mundial da Alemanha. Ele voltou ao Brasil para tratar a lesão no final daquele ano e acabou sendo emprestado por seis meses ao São Paulo.

Para a surpresa do departamento médico são-paulino, a recuperação do atleta se deu em cinco meses, tempo que não condiz com o tratamento desse tipo de lesão, que geralmente faz os jogadores ficarem parados de seis a oito meses. De todo modo, o então treinador do Brasil, Carlos Alberto Parreira, e sua comissão técnica preferiram não arriscar e, assim, deixaram o centroavante de fora da Copa.

Após o período de empréstimo ao São Paulo, Ricardo Oliveira se reapresentou ao Betis no dia 21 de agosto de 2006, com nove dias de atraso. O Tricolor tentou prorrogar o acordo para que o atacante jogasse o segundo jogo da final da Libertadores, contra o Internacional, mas José León Gómez, presidente do clube verdiblanco à época, não cedeu às exigências da agremiação. Sem o brasileiro, o São Paulo empatou com o Inter, em 2 a 2, na finalíssima. Os gaúchos venceram o primeiro duelo, por 2 a 1, e ficaram com a taça.

O imbróglio entre Betis e São Paulo ficou para trás, assim como sua passagem pela Espanha – pelo menos por algum tempo. À procura de um substituto para Shevchenko, que partira para o Chelsea de José Mourinho, o Milan analisava a contratação de dois atacantes brasileiros: Rafael Sóbis, então promessa do Inter, e Ricardo Oliveira. Ancelotti não queria outro atleta que não fosse o paulista. Com isso, a diretoria rossonera desembolsou cerca de 17 milhões de euros e cedeu o meio-campista Johann Vogel ao Betis para comprar o bomber brasiliano no último dia da janela de verão europeia de 2006. O paulista assinou contrato por cinco anos.

O atacante brasileiro teve dificuldades de render no Milan por causa de um sério problema extracampo (AFP/Getty)

Ricardo Oliveira herdou a camisa 7 de Sheva. Os italianos ficaram animados com as credenciais do jogador de 26 anos: centroavante móvel, com habilidade para dar trabalho aos zagueiros, facilidade para finalizar com ambas as pernas – embora destro –, destreza no jogo aéreo… A empolgação aumentou na estreia do brasileiro, contra a Lazio, em San Siro, pela abertura da Serie A 2006-07.

O Milan vencia a partida por 1 a 0 quando ele entrou na vaga de Alberto Gilardino aos 17 minutos do segundo tempo e, oito minutos depois, completou de cabeça um escanteio cobrado por Clarence Seedorf. No decorrer da segunda etapa, o camisa 7 teve mais duas grandes chances de ampliar o marcador, mas um arremate parou nas luvas de Angelo Peruzzi e o outro passou rente à trave direita. No fim das contas, o Diavolo venceu o duelo por 2 a 1.

Porém, um drama familiar influenciou no desempenho do atacante na temporada. Em 4 outubro de 2006, sua irmã, Maria de Lourdes Oliveira, foi sequestrada, na Casa Verde, zona norte de São Paulo. Ela ficou 159 dias em cativeiro, sendo encontrada por policiais civis num apartamento no Parque São Rafael, na zona leste da capital, após uma denúncia anônima, em 13 de março de 2007. À época, foi o sequestro mais longo da história de São Paulo. O drama tirou totalmente o foco de Ricardo.

Em entrevista ao programa Bolívia Talk Show, do canal Desimpedidos, em 2015, o jogador definiu aquele período como “um lado muito triste da minha vida”. “É chato tocar nesse ponto, mas [o sequestro] durou cinco meses e meio. Então, você imagina. Eu sou muito ligado à minha família. Graças a Deus hoje a minha irmã está muito bem. Mas me afetou, eu não queria jogar bola”, contou.

Vivendo a agonia familiar de longe, Ricardo Oliveira recebeu o amparo de Ancelotti. “Em uma conversa com o Carlo Ancelotti, ele falou assim: ‘Ricardo, é injusto eu fazer isso com você. Você não tem cabeça. Se eu coloco você para jogar, você não vai render. Então, eu acho melhor você ficar aqui. Se você quiser vir treinar, vem treinar. Se você não quiser vir treinar, não vem treinar'”, revelou, ao Bolívia Talk Show.

Sem cabeça para entregar tudo de si em campo, Ricardo Oliveira oscilou entre a titularidade e a reserva na temporada 2006-07. Em janeiro de 2007, depois de tanto flertar, o Milan finalmente conseguiu tirar Ronaldo do Real Madrid e levá-lo para o lado vermelho e preto de Milão – afinal, ele brilhara e se tornara ídolo na Internazionale entre 1997 e 2002. O negócio quase levou o próprio camisa 7 rossonero para o gigante espanhol, mas a transação acabou melando. Com a chegada do Fenômeno, ele teve a oportunidade de fazer dupla com sua maior referência no futebol. Antes, eles haviam dividido concentração em jogos da seleção brasileira.

Nos treinos em Milanello, Ricardo Oliveira observava a dedicação de Ronaldo às atividades. As dicas do astro sobre os arremates também foram de grande valia. “Eu ficava só olhando ele nas finalizações, como ele batia na bola”, afirmou, ao UOL Esporte. “E os conselhos: ‘Quando sair na frente do goleiro faz assim, não chuta forte, o goleiro gosta disso, se você põe força sai sem direção, melhor direcionar, tira do goleiro, o goleiro não gosta quando você tira’. Ele ajuda muito, fora de campo também com a história de vida dele. Isso marca muito. Contribuiu muito para a minha carreira. Fiquei feliz com a simplicidade e humildade dele”, completou.

Ricardo Oliveira sempre foi um atacante com alto índice de gols com a perna mais fraca, ou seja, a esquerda. Segundo o bomber, foi olhando o estilo de arremate de Ronaldo que ele aprimorou seu chute de canhota. “Eu sempre trabalhei as duas pernas, o Ronaldo não tinha muito a esquerda, eu já tinha uma facilidade maior com ela. Mas a forma de definir que eu peguei com ele. Às vezes pegava a bola com a esquerda, eu chutava de um jeito, e comecei a aperfeiçoar”, apontou, ao UOL Esporte.

O camisa 7 milanista marcou apenas cinco gols em 37 jogos pelo clube italiano. Um desses tentos teve a assistência de Ronaldo. Foi na vitória por 4 a 3 sobre o Siena, fora de casa, pela 24ª rodada da Serie A. Ambos, contudo, não foram importantes na conquista da Liga dos Campeões de 2007. Ronaldo chegou em janeiro e, por já ter disputado a competição pelo Real Madrid, não pôde ser inscrito na segunda etapa. Ricardo, por sua vez, até entrou em campo em cinco das seis partidas da fase de grupos, mas não recebeu muitas chances no mata-mata – Filippo Inzaghi e Gilardino deram conta do recado.

Oliveira, Kaká e Ronaldo em treinamento em Milão: Ricardo declarou ter aprendido muito com o Fenômeno (Arquivo/AC Milan)

Além da conquista mais importante da carreira de Ricardo Oliveira, o ano de 2007 simbolizou a consagração oficial como pastor evangélico. Quando se converteu à religião, sete anos antes, o atleta já pregava o evangelho para seus companheiros de time e adversários dentro de campo. Por isso, ele ganhou o apelido de “Pastor”. “A gente não escolhe ser pastor. É um chamamento”, garantiu, em entrevista ao Estadão.

Com a compra de Alexandre Pato, Ricardo Oliveira perdeu definitivamente espaço no Milan. À TV Galo, o atleta definiu assim sua passagem pelo Diavolo: “Foi um ano incrível de experiência. Eu costumo falar que foi um divisor de águas na minha carreira. Eu sempre fui um cara muito disciplinado, sempre treinei bastante, sempre fui muito dedicado. Só que quando eu chego ao Milan, eu vejo caras de 37, 38 anos, [Paolo] Maldini, [Alessandro] Costacurta… E esses caras puxando fila nos treinos físicos, com bola. Isso mexeu demais comigo”, conta.

Em julho de 2007, acertou seu retorno à Espanha. O Zaragoza era a bola da vez: acordo de empréstimo de um ano (2 milhões de euros), com opção de compra fixada em 11 milhões de euros. Com a cabeça no lugar e em plena forma física, o Pastor formou ótima dupla de ataque com Diego Milito, que anos depois se tornaria bandeira da Inter. Juntos, eles marcaram 33 dos 55 gols do clube na campanha 2007-08 de La Liga. Mesmo assim o Zaragoza não resistiu e caiu para a segunda divisão espanhola.

Na última semana de maio de 2008, os maños exerceram a opção de compra e ficaram com o bomber brasileiro. Só que, em janeiro do ano seguinte, ele aceitou proposta do Betis e retornou ao Benito Villamarín. O clube de Sevilha pagou 8,9 milhões de euros, e o centroavante firmou vínculo até junho de 2013. Na sua reestreia pela equipe verdiblanca, ele marcou na vitória por 2 a 1 sobre o arquirrival Sevilla, em pleno Ramón Sánchez Pizjuán, pela 22ª rodada da Liga. O Betis não vencia na casa dos rojiblancos desde a temporada 1996-97.

No entanto, a campanha do Betis foi ruim, a ponto de o time ser rebaixado. Mais um descenso na carreira do atacante. Com isso, em julho de 2009, ele deixou a Europa e rumou aos Emirados Árabes. Por 14 milhões de euros, o Pastor assinou vínculo com o Al Jazira. Depois de oito gols em 13 partidas, o atacante foi emprestado ao São Paulo no começo de 2010. A segunda aventura pelo Morumbi não foi muito boa, ainda que o atleta tenha se readaptado ao futebol brasileiro e quisesse seguir no Tricolor. Em 2011, retornou ao Al Jazira.

Ricardo Oliveira permaneceu por quatro anos nos Emirados Árabes, onde deixou grande legado. Ele foi campeão da Etisalat Emirates Cup (2010), UAE League (2011), UAE President Cup (2011 e 2012), artilheiro da Liga dos Campeões da Ásia em 2012, com 12 gols, e eleito o melhor jogador estrangeiro atuando no futebol asiático em 2012.

O Pastor ganhou todas essas premiações defendendo o Al Jazira, ainda que, em 2014, tenha se transferido para o Al Wasl, onde não conseguiu destaque – deixou o clube na metade do ano. O atacante aproveitou sua estadia no mundo árabe para fundar a primeira igreja evangélica em Abu Dhabi, um marco na cidade. No templo cristão, pregava em inglês para os muçulmanos. O brazuca também fez amizade com o sheik Mohammed bin Zayed Al Nahyan, príncipe de Abu Dhabi e irmão do presidente nacional.

Depois de quase seis meses desempregado, Ricardo Oliveira acertou com o Santos em 12 de janeiro de 2015. Sob olhares de desconfiança, aceitou baixar bruscamente seu salário e assinou um “contrato de teste” de apenas quatro meses, válido até o fim do Campeonato Paulista. O rendimento foi mais do que satisfatório e surpreendeu diretoria, torcedores e imprensa.

Durante o período de “avaliação” na Vila Belmiro, o camisa 9 conduziu o Peixe ao título, se tornou artilheiro do Estadual, com 11 gols – inclusive contra Corinthians, Palmeiras e São Paulo – e foi eleito o craque da competição. Por isso, firmou outro vínculo, este válido até o fim de 2017 e com aumento salarial (R$ 150 mil por mês), além de bônus por produtividade.

Fica a dúvida: não fosse o drama familiar, quanto Ricardo Oliveira poderia ter rendido no Milan? (AFP/Getty)

Ainda em 2015, Ricardo Oliveira manteve o bom nível, voltou a ser convocado para a seleção brasileira depois de oito anos, foi vice-campeão da Copa do Brasil e encerrou o ano como artilheiro do Campeonato Brasileiro (20 gols). Também ganhou a Bola de Prata, da ESPN Brasil; a Chuteira de Ouro, da Revista Placar; e duas estatuetas (artilheiro e melhor atacante do Brasileirão) no Prêmio Craque Brasileiro 2015, da CBF e da Rede Globo. Ao todo, ele entrou em campo 67 vezes na temporada, balançando as redes em 37 ocasiões.

Com ainda mais moral na equipe santista, Ricardo se tornou uma das principais referências do elenco. Sua influência entre os jogadores era tanta que acabou batizando o meia Thiago Maia e o atacante Geuvânio. Em grande fase, o R09, carinhosamente apelidado pela torcida do alvinegro praiano, estava nos planos do então técnico da seleção brasileira, Dunga, para a Copa América Centenário de 2016, nos Estados Unidos. Uma tendinite no joelho direito, no entanto, tirou o Pastor da lista final, e o treinador optou por chamar Jonas, do Benfica.

Em 2016, voltou a soltar o grito de campeão paulista e findou a temporada como vice-campeão brasileiro, atrás do rival Palmeiras. Ele marcou 22 gols em 39 jogos naquele ano. Em 2017, porém, conviveu com obstáculos atípicos para um jogador – caxumba, corte na orelha, pneumonia – e viu sua média de gols diminuir. Ao fim da época, não renovou com o Santos. O Peixe propôs um ano a mais ao camisa 9, enquanto o atacante queria contrato de duas temporadas.

Com 37 anos, Ricardo Oliveira trocou o litoral paulista pela tranquilidade mineira. Tornou-se o novo centroavante do Atlético-MG nos últimos dias de 2017, possibilitando a saída conturbada de Fred para o arquirrival Cruzeiro. Aliás, a Raposa também tinha o nome do Pastor na pauta de contratações. No Galo, assumiu a camisa 9 e não demorou para emplacar.

Ricardo Oliveira foi o artilheiro do Campeonato Mineiro, com seis gols, junto com Aylon, do América-MG, mas sua nova equipe sucumbiu no segundo jogo da final do Estadual, contra o Cruzeiro, no Mineirão, e perdeu o caneco. Ele fez parte da seleção do campeonato e recebeu o Troféu Globo Minas. O bom desempenho fez a diretoria atleticana, em setembro, ampliar seu contrato até o dezembro de 2020. Concluiu a temporada 2018 como artilheiro do time: 22 tentos em 56 partidas.

Até o fechamento deste texto, Ricardo havia marcado nove gols – sendo cinco pelo Estadual e quatro na pré-Libertadores – em cinco duelos em 2019. É o melhor início de temporada de sua carreira. Não importa se é de direita, esquerda, cabeceando ou batendo falta: o Pastor vive um momento iluminado. E olha que, em maio próximo, completará 39 anos. Ótimo rendimento para um jogador que é disciplinado, cuida do corpo e tem muita fé.

Ricardo José Dognella Lima de Oliveira
Nascimento: 6 de maio de 1980, em São Paulo
Posição: atacante
Clubes: Portuguesa (2000-02), Santos (2003 e 2015-17), Valencia (2003-04), Betis (2004-06 e 2009), São Paulo (2006 e 2010), Milan (2006-07), Zaragoza (2007-09), Al Jazira (2009-14), Al Wasl (2014-15) e Atlético-MG (2018-hoje)
Títulos: La Liga (2004), Copa da Uefa (2004), Copa América (2004), Copa das Confederações (2005), Copa do Rei (2005), Campeonato Brasileiro (2006), Liga dos Campeões (2007), Etisalat Emirates Cup (2010), UAE League (2011), UAE President Cup (2011 e 2012) e Campeonato Paulista (2015 e 2016)
Seleção brasileira: 15 jogos e quatro gols



Deixe um comentário