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Os 10 maiores brasileiros da história da Roma

Nenhum time na Itália é mais brasileiro do que a Roma. Ao longo de seus quase 90 anos de história, a associação esportiva da capital da Bota contratou 40 jogadores brasileiros, 7 a mais do que a Fiorentina, que ocupa a segunda posição, com 33 futebolistas “verdeoro” – logo atrás, a Inter, com 30, ocupa o terceiro posto, seguida de perto por Lazio e Milan, com 29. Os brasileiros, inclusive, são os estrangeiros de nacionalidade mais representada na história giallorossa, seguidos de perto pelos argentinos e de longe por suecos e franceses.

Apesar da entrelaçada história dos jogadores do nosso país com a Roma, foram necessários 28 anos a partir da fundação do clube para que o primeiro brasileiro vestisse a camisa da Maggica. Dino da Costa, o estreante, não decepcionou e, ao se tornar carrasco da Lazio e o primeiro brasileiro a ser artilheiro da Serie A, abriu a porta para seus compatriotas. Como Angelo Sormani, Amarildo, Jair da Costa e José Ricardo da Silva, o China, que passariam por lá nos anos 60 e 70.

Obviamente, nem todos os brasileiros que passaram pela Cidade Eterna tiveram grande desempenho. Muitos foram apenas coadjuvantes, outros fracassaram e outros passaram apenas pelas divisões de base, com poucas chances entre os profissionais. Outros tantos, porém, brilharam pela Roma e se tornaram ídolos da torcida, como Rodrigo Taddei e Antônio Carlos Zago. Sem falar em Paulo Roberto Falcão e Aldair, dois dos maiores jogadores da história do clube – e os dois únicos não-italianos a constarem na nossa lista dos principais atletas romanistas.

Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história do clube, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período no clube. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores nos clubes em questão. Confira também: Os 10 maiores jogadores da história da Roma.

Brasileiros da história da Roma (por ordem alfabética e, em seguida, no ranking):
Adriano, Aldair, Alexandre Marangon, Amarildo, Andrade, Angelo SormaniAntônio Carlos Zago, Artur, Cafu, China (José Ricardo da Silva), Cicinho, Dino da Costa, Dodô, Doni, Emerson, Fábio Júnior, Fábio Simplício, Falcão, Filipe Gomes, Francisco de Mecenas, Jair da Costa, Juan, Júlio Baptista, Julio Sergio, Leandro Castán, Lima, Lucca, Maicon, Mancini, Marcos Assunção, Marquinho, Marquinhos, Michel Bastos, Paulo Sérgio, Rafael Tolói, Renato Gaúcho, Rodrigo Defendi, Rodrigo Taddei, Toninho Cerezo e Vágner.

10º – Juan


Posição: zagueiro
Período em que atuou: de 2007 a 2012
Títulos conquistados: 1 Coppa Italia (2007-08), 1 Supercoppa (2007), 1 Copa América (2007) e 1 Copa das Confederações
Prêmios individuais: nenhum

Desembarcasse em Roma dois ou três anos antes, Juan arriscaria ser lembrado como um dos melhores zagueiros da história do clube. Colaboraria, quem sabe, para o título da Serie A que nunca veio nos cinco anos em que esteve ali tentando botar ordem enquanto fazia dupla com Mexès, Burdisso, Heinze, Kjaer. Na vida real, porém, Juan ficará na memória apenas como mais um dos tantos brasileiros que jogaram na Cidade Eterna.

O zagueiro carioca chegou na capital aos 28 anos. Já apresentava os primeiros sinais dos problemas musculares com os quais convive até hoje e, por causa deles, nunca conseguiu engatar uma sequência de mais de 10 partidas no Campeonato Italiano. Mesmo com um dos salários mais altos do clube, disputou apenas 62% dos jogos enquanto lá esteve. Nos momentos em que esteve em campo, esbanjava técnica e a mesma liderança calada dos melhores tempos na seleção brasileira.

9º – Mancini

Posição: meia e lateral
Período em que atuou: de 2003 a 2008
Títulos conquistados: 2 Coppa Italia (2006-07 e 2007-08) e 1 Supercoppa (2007)
Prêmios individuais: nenhum

“É Manssini, não Mantchíni”. Todas as coletivas de imprensa de Mancini na Roma começaram iguais. Com gols desde as primeiras partidas na capital, ele se livrou da desconfiança da torcida e conseguiu ensinar a pronúncia à torcida. O jogador revelado pelo Atlético-MG começou como lateral-direito e agradou tanto a Fabio Capello que o técnico tentou levá-lo para a Juventus algumas vezes. A Roma bateu a porta, a pedido de Luciano Spalletti. E Mancini nunca mais guardou posição.

Sempre com a camisa 30, o brasileiro foi meia pela direita e pela esquerda e armador centralizado. Fez gol de calcanhar contra a Lazio, empilhou dribles na Serie A e na Liga dos Campeões, disputou 222 jogos em cinco anos de Roma, com média de um gol marcado a cada quatro jogos. Só foi vendido para a Inter de Milão depois que problemas pessoais minaram seu relacionamento com líderes do elenco. E, fora de Roma, nunca mais voltou a mostrar um futebol tão consistente.

8º – Emerson


Posição: volante
Período em que atuou: de 2000 a 2004
Títulos conquistados: 1 Serie A (2000-01) e 1 Supercoppa (2001)
Prêmios individuais: nenhum

Emerson chegou à Europa como um bom “segundo volante” do futebol brasileiro. Evoluiu no Bayer Leverkusen e estourou de vez sob o comando de Fabio Capello. Começou a trabalhar com o técnico justamente na Roma, aos 24 anos, quando passou a ser conhecido como “puma”. A alcunha valorizava o dinamismo e a combatividade de Emerson na frente da linha de zagueiros.

O volante brasileiro pouco jogou na conquista da Serie A em 2001, mas foi fundamental nas três temporadas seguintes, quando mandou Cristiano Zanetti para o banco. Os chutes foras de fora da área e os passes rápidos depois do desarme o transformaram em peça fundamental de uma Roma que ainda lutava por títulos importantes. Deixou a capital para jogar na Juventus e acabou acusado de traição por parte da torcida, pecha que ainda carrega.

7º – Rodrigo Taddei

Posição: meia, volante, lateral e atacante
Período em que atuou: de 2005 a 2014
Títulos conquistados: 2 Coppa Italia (2006-07 e 2007-08) e 1 Supercoppa (2007)
Prêmios individuais: nenhum

O profissionalismo transformou Rodrigo Taddei num dos grandes ícones da Roma neste século. Longe de ser um jogador habilidoso, o ex-volante do Palmeiras dedicava boas horas para evoluir. Conseguiu. A inteligência tática foi mantida e, graças ao trabalho, ele ainda conseguiu aprender um punhado de dribles, melhorar os chutes a gol e avançar na qualidade do passe. Resultado: três títulos e 11 vice-campeonatos em nove temporadas, a maioria delas como protagonista.

Enquanto esteve na Roma, Taddei só não atuou como goleiro. Até como zagueiro chegou a jogar, num amistoso preparatório sob o comando de Luis Enrique. Com Luciano Spalletti, chegou a substituir – com sucesso – Francesco Totti na posição de centroavante. Lateral, meia ou atacante, percorria vários quilômetros por partida e mostrava o coração para a torcida a cada gol marcado. Teve a saída lamentada pelo torcedor comum e pelas organizadas, feito raro na capital.

6º – Antônio Carlos Zago

Posição: zagueiro
Período em que atuou: de 1998 a 2002
Títulos conquistados: 1 Copa América (1999), 1 Serie A (2000-01) e 1 Supercoppa (2001)
Prêmios individuais: nenhum

Poucos torcedores romanistas devem se recordar de alguma dividida, algum desarme de Antônio Carlos – ou apenas Zago, pelas bandas da capital italiana. Não que seja um tipo de lembrança necessária para explicar os motivos que levam o zagueiro ao posto de um dos grandes brasileiros da história da Roma. O cuspe em Diego Simeone no meio de um dérbi da Serie A repetiu-se na Copa da Uefa, contra Rogério, do Boavista. Logo virou ídolo das organizadas.

Quando conseguiu o scudetto, argumentou que uma taça levantada com a Roma valeria o mesmo que dez por Milan ou Juventus. Lento demais para o estilo italiano, Zago teve de se reinventar, jogando mais recuado do que o habitual. A falta de velocidade era compensada pela técnica acima da média, algo essencial para o jogador que se tornaria o esteio do 3-4-1-2 vitorioso de Fabio Capello.

5º – Dino da Costa

Posição: atacante
Período em que atuou: de 1955 a 1961
Títulos conquistados: 1 Copa das Feiras (atual Liga Europa, 1960-61)
Prêmios individuais: artilheiro da Serie A (1956-57)

Com a camisa da Roma, Dino da Costa foi o primeiro brasileiro a se tornar artilheiro da Serie A. Jogava tanto como centro-médio quanto no ataque, mas gostava mais da segunda posição. Atuando na frente, durante uma excursão com o Botafogo, convenceu olheiros do time italiano a levá-lo. Deu tão certo que Dino nunca mais deixou o país: ainda defenderia Fiorentina, Atalanta, Juventus, Verona e Ascoli antes de se aposentar. E vestiria até a camisa da Squadra Azzurra.

O atacante carioca ainda detém o posto de artilheiro máximo do dérbi de Roma, com 12 gols: nove na Serie A, dois na Coppa Italia e um em amistoso. Dino da Costa chegou a marcar o 13º, mas ele foi assinalado como contra do zagueiro Francesco Janich, em 1960. Até hoje, o artilheiro é lembrado como terror do goleiro laziale Roberto Lovati. Antes de deixar a capital, atingiu uma média de um gol a cada duas partidas.

4º – Toninho Cerezo

Posição: meia
Período em que atuou: de 1983 a 1986
Títulos conquistados: 2 Coppa Italia (1983-84 e 1985-86)
Prêmios individuais: nenhum

Com duas Bolas de Ouro de melhor jogador do Campeonato Brasileiro, Toninho Cerezo começou a aventura na Roma como titular, condição que nunca perdeu. Chegou para a temporada 1983-84, na sequência do segundo título do clube na Serie A, e logo colocou Carlo Ancelotti no banco de reservas. Cerezo jogou todas as 50 partidas da Roma naquele ano, muitas delas no sacrifício por causa das dificuldades físicas de alguém que já vinha de meia temporada no Atlético-MG antes de ser contratado.

A passagem de Cerezo durou três anos e até hoje é lembrada pela última partida dele pelo clube, a decisão da Coppa Italia, em 1986. Era sabido que ele deixaria a Roma, devido ao relacionamento ruim com o presidente Dino Viola, e ainda acabou cortado da Copa do Mundo daquele ano por causa de uma lesão muscular sofrida um mês antes da estreia do torneio. Cerezo já estava no México, mas optou por voltar para a capital para seu último jogo. Mesmo machucado, entrou no segundo tempo e marcou de cabeça o gol do título contra a Sampdoria, que seria seu próximo time.

3º – Cafu

Posição: lateral-direito
Período em que atuou: de 1997 a 2003
Títulos conquistados: 1 Copa do Mundo (2002), 1 Copa América (1999), 1 Copa das Confederações (1997), 1 Serie A (2000-01) e 1 Supercoppa (2001)
Prêmios individuais: nenhum

Quando achava que era atacante, Cafu foi rejeitado em peneiras de Corinthians, Palmeiras, Santos e Atlético-MG. Pinçado pelo São Paulo, descobriu-se lateral-direito pelas mãos de Telê Santana e Muricy Ramalho. Consagrou-se assim na Itália: fisicamente perfeito para a posição, ganhou o apelido de “pendolino” (um tipo de trem de alta velocidade) graças à capacidade de atravessar o flanco durante os 90 minutos de cada partida.

Cafu chegou à capital italiana a um custo baixo, em 1997, para disputar posição com Fabio Petruzzi. Eram tempos difíceis na Roma, que vinha de campanhas ruins, e o brasileiro logo convenceu Zdenek Zeman a mantê-lo como titular absoluto. Foi devastante nas seis temporadas em que esteve na Cidade Eterna e ainda se consagrou com o título da Serie A e a sequência de chapéus em Pavel Nedved em um dérbi contra a Lazio. Aos 33, deixou a Roma para jogar no Milan.

2º – Paulo Roberto Falcão

Posição: meia
Período em que atuou: de 1980 a 1985
Títulos conquistados: 2 Coppa Italia (2006-07 e 2007-08) e 1 Supercoppa (2007)
Prêmios individuais: Bola de Prata no Mundial-82; eleito para a seleção europeia em 1982 e 1983

O reinado de Paulo Roberto Falcão durou cinco anos, o mais curto entre os monarcas da Roma. Poderia ter sido maior não fosse a dificuldade que o presidente Dino Viola tinha para administrar suas principais estrelas após momentos de decepção. A demora na recuperação de uma lesão fez com que Falcão fosse praticamente dado de graça ao São Paulo, e a Roma ainda teve de indenizá-lo. Há quem diga que o rancor de Viola tenha sido motivado pela negativa do craque em bater um pênalti na final da Liga dos Campeões de 1984, da qual o time da capital sairia derrotada. O cartola morreu sem confirmar nem negar.

Ainda assim, Falcão contribuiu para mudar o status da Roma. Foi contratado para alavancar a equipe, assim o fez. Transformou um time inofensivo no principal adversário da Juventus em solo italiano, além de um rival a ser batido na Europa. Em cinco temporadas, ganhou três títulos, um punhado de vices e fez a Roma conhecida mundialmente. Fosse possível medir, alguém diria que Falcão ainda é o maior craque a ter vestido a camisa giallorossa. O pouco tempo necessário para ficar na história só comprovaria isso.

1º – Aldair

Posição: zagueiro
Período em que atuou: de 1990 a 2003
Títulos conquistados: 1 Copa do Mundo (1994), 1 Copa América (1997), 1 Copa das Confederações (1997), 1 Bronze olímpico (1996), 1 Serie A (2000-01), 1 Coppa Italia (1990-91), 1 Supercoppa (2001)
Prêmios individuais: nenhum

Aldair sobreviveu a Zdenek Zeman, e isso já é notícia. O brasileiro de carreira mais positiva no Campeonato Italiano foi obrigado a jogar como lateral-direito durante parte da gestão do técnico tcheco. Lento e previsível, não convenceu, fez péssimas partidas, mas nunca saiu de campo vaiado. E isso mostra o quanto a torcida venerava “Pluto”, zagueiro que defendeu as cores da Roma durante 13 anos. Elegante e concentrado, mordia os calcanhares adversários e saía jogando com lançamentos de canhota.

O presidente Dino Viola viajou a Lisboa, pessoalmente, para contratar Aldair. Pagou 6 milhões de liras pelo zagueiro de 24 anos e ignorou os críticos de que o valor seria alto demais por um defensor estrangeiro, num tempo em que a Itália ainda produzia os melhores da posição. Pois o brasileiro começou titular e só perdeu a posição quando não aguentava mais o ritmo forte da Serie A. Tanto esforço foi recompensado: a camisa 6 que o Pluto carregava passou uma década aposentada. Só foi realocada na temporada passada, quando a direção da Roma entrou em contato para pedir autorização para cedê-la a Kevin Strootman.

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