Jogadores

Cria da base do Milan, Mario Trebbi, conquistou a Itália e a Europa com a camisa rossonera

Se pedíssemos que o nome “Maldini” fosse associado a um número, este certamente seria o 3, que ficou eternizado nas costas de Paolo, filho de Cesare, ambos ex-jogadores do Milan. Porém, antes de esta camisa rossonera ficar associada de maneira indelével à família de craques, outros atletas fizeram bonito ao envergá-la. É o caso de Mario Trebbi, que a vestiu na ocasião em que o Diavolo se sagrou campeão da Europa pela primeira vez, batendo o lendário Benfica de Eusébio, em 1963.

Futebolisticamente falando, Trebbi, cresceu vestindo rossonero. O defensor chegou aos juvenis do Milan em 1954, perto de completar 15 anos, juntamente ao atacante Giancarlo Danova, que também atingiria o nível profissional com a camisa dos lombardos. Segundo Vittorio Trapanelli, responsável pelas categorias de base do Diavolo naquela época, Mario era um rapaz tímido, mas com visíveis habilidades. Além disso, tinha muita vontade de aprender, participava dos treinos com muito entusiasmo e aceitava qualquer conselho que pudesse lhe ajudar.

Trebbi foi crescendo e ganhando experiência com o Diavolo, chegando a vencer as principais competições juvenis com sua equipe. Antes da existência daquilo que hoje conhecemos como Campeonato Primavera, a liga de juniores italiana, os times das séries A e B disputavam, com seus garotos, o Campeonato Cadetti, que Mario venceu duas vezes pelo Milan, em 1957 e 1959. O defensor também faturou três canecos de outra tradicional competição juvenil italiana, a Copa Viareggio – em 1957, 1959 e 1960.

Àquela altura, Trebbi já vinha sendo observado por Luigi Bonizzoni e Gipo Viani, que compunham a comissão técnica do Milan, e ganhou algumas chances entre os adultos. O defensor, que podia atuar como zagueiro e lateral-esquerdo, estreou pela Serie A justamente num dérbi contra a Inter, em substituição ao veterano Francesco Zagatti. A partida terminou em 0 a 0 e Mario, inclusive, por pouco não fez um gol que teria garantido a vitória rossonera. A partir dali, apesar de ainda marcar presença em algumas competições juvenis, passaria a ter mais tempo entre os profissionais.

No verão de 1960, após 18 aparições como profissional do Milan, Trebbi foi convocado para os Jogos Olímpicos, que ocorreram em Roma. O defensor não entrou em campo na competição e ficou a um triz de ganhar uma medalha – a Itália perdeu a semifinal para a Iugoslávia no sorteio e caiu para a Hungria na decisão de terceiro lugar. Mario também não viria a ter grandes chances pela Nazionale adulta: atuou apenas em dois amistosos, com vitórias sobre Irlanda do Norte, em 1961, e Áustria, em 1963.

Em 1960-61, o defensor atuou em quase todos os jogos do Milan – entrou em campo em 31 dos 36. Porém, ter sido vice-campeão italiano após ganhar o posto de Zagatti e formar uma defesa com Maldini, Sandro Salvadore e Giovanni Trapattoni não lhe garantiu continuidade. Era uma época em que não havia substituições e, em 1961-62, o Diavolo foi buscar Nereo Rocco no Padova. O novo técnico confiava em Luigi Radice, rossonero que fora emprestado aos biancoscudati, e lhe deu a posição de Trebbi.

Na reserva, o garoto de Sesto San Giovanni venceu o Campeonato Italiano da temporada 1961-62, e só recuperou o posto no ano seguinte, devido à venda de Salvadore para a Juventus, em negócio que levou Bruno Mora ao Milan. Como zagueiro pela esquerda, Trebbi se tornou uma peça importante no time de Rocco e contribuiu para a conquista da Copa dos Campeões de 1962-63 – a primeira de um clube do Belpaese em toda a história. Em Wembley, os rossoneri seguraram o poderoso Benfica de Eusébio, que era bicampeão da competição.

Trebbi esteve presente nos polêmicos jogos entre Milan e Santos: no Maracanã, os times disputaram título mundial (Popperfoto/Getty)

Na época seguinte, 1963-64, Rocco rumou ao Torino e os resultados do Milan, apesar de bons, não foram extraordinários – em que pese o único gol de Mario com a camisa do clube, numa vitória por 3 a 1 sobre o Genoa. Treinados por Luis Carniglia e, depois, Nils Liedholm, os rossoneri não conseguiram nenhum título na temporada: ficaram na terceira posição da Serie A, caíram nas quartas da Coppa Italia e da Copa dos Campeões e ainda perderam o Mundial de Clubes para o Santos de Pelé. Naquela ocasião, o Milan venceu por 4 a 2 na Itália, mas o Peixe deu o troco e forçou um jogo extra no Maracanã, dois dias depois. Pelo placar mínimo, os paulistas venceram o confuso duelo de desempate, no qual Trebbi chegou a ser escoltado pela polícia.

Aquela terminaria sendo a última temporada de Trebbi como titular do Milan. Após dois anos no banco, o defensor encerrou a sua passagem pelo Diavolo com 167 aparições e rumou, juntamente com Maldini, ao Torino – onde seria recebido de braços abertos por Rocco. Vestindo grená, contudo, jamais se consolidou no onze inicial. Ainda assim, já sob as ordens de Edmondo Fabbri, faturou a Coppa Italia, em 1968.

Depois de três temporadas e 48 jogos pelo Torino, Trebbi deixou a Serie A e passou ao Monza, onde foi treinado por Radice, ex-colega de Milan, e recebeu a faixa de capitão. Apesar de um bom primeiro ano, no qual os bagai brigaram por um inédito acesso à elite, terminando na quinta posição da segundona, o restante da experiência de Mario na Brianza foi complicado. Dono da braçadeira por quatro campanhas, o defensor não conseguiu evitar o descenso do time à terceirona, em 1973.

Trebbi teve sua última experiência como jogador na Civitanovese, pela qual disputou a Serie D em 1973-74. O clube rossoblù foi exatamente aquele em que, na temporada seguinte, o ex-defensor iniciou sua carreira como técnico.

Como treinador, Trebbi não teve grande destaque. O lombardo esteve à frente de times menores, como Savoia, Barletta, Siracusa e Alessandria, sendo que foi pelos cinzentos que teve seu trabalho mais longevo, durante três temporadas. A sua última experiência como técnico foi na Pro Patria, ocasião em que conduziu a equipe nas seis derradeiras rodadas da Serie C2 e somou quatro vitórias fundamentais para livrá-la do rebaixamento.

Após deixar definitivamente o mundo do futebol, Trebbi continuou vivendo em Sesto San Giovanni, sua cidade natal, e faleceu na vizinha Paderno Dugnano, em 2018, pouco antes de completar 79 anos. Apesar de não ser lembrado por muitos torcedores, Mario teve trajetória invejável no Milan. Afinal, obteve algo que não é para qualquer um: prata da casa, galgou posições nos juvenis e esteve presente em momentos fundamentais da história rossonera.

Mario Trebbi
Nascimento: 9 de setembro de 1939, em Sesto San Giovanni, Itália
Morte: 14 de agosto de 2018, em Paderno Dugnano, Itália
Posição: zagueiro e lateral-esquerdo
Clubes como jogador: Milan (1958-66), Torino (1966-69), Monza (1969-73) e Civitanovese (1973-74)
Títulos como jogador: Copa Viareggio (1957, 1959 e 1960), Serie A (1959 e 1962), Copa dos Campeões (1963) e Coppa Italia (1968)
Clubes como treinador: Civitanovese (1974-75), Alessandria (1975-78), Savoia (1979-80 e 1981-82), Barletta (1980-81), Siracusa (1982-83) e Pro Patria (1986-87)
Seleção italiana: 2 jogos

Compartilhe!

Deixe um comentário