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Subestimado, Gonzalo Higuaín se tornou o maior artilheiro de uma única edição da Serie A

É comum ouvir críticas consideravelmente pesadas a Gonzalo Higuaín no Brasil. Não só através de palavras depreciativas, como “grosso”, “caneludo” ou “fraco”, mas também comparações exageradas com atacantes de nível bem inferior. Autor de 366 gols na sua carreira, Pipita balançou as redes muito mais do que desperdiçou chances em seus anos como camisa 9. Quando desembarcou na Itália, quebrou um recorde que perdurava mais de seis décadas. Pouco ele não fez.

A vida do atacante argentino começou na França – literalmente, pois ele nasceu na Europa. Jorge Higuaín, ex-jogador de Boca e River, atuava no Brest em 1987, ano de nascimento de seu filho. Foram 10 meses até a mudança para a América do Sul, onde a família seguiu após a aposentadoria do zagueiro, que tinha o apelido de Pipa – daí a origem do apelido Pipita, em referência ao nariz avantajado de ambos. Um amante do futebol, Gonzalo treinou por muito tempo nas categorias de base do River Plate e não demorou para se destacar, atraindo olhares do estrangeiro.

Em 2006, o atacante tinha 19 anos quando Raymond Domenech o chamou para integrar a seleção francesa. Diferentemente de David Trezeguet, que optou por defender os Bleus tendo a dupla nacionalidade argentina, Higuaín escolheu vestir a camisa albiceleste. Não chegou a disputar os Jogos Olímpicos em 2008, mas foi para a seleção principal já em 2009, convocado por Diego Armando Maradona.

Esse chamado veio quando já tinha deixado seu país. No River, jogou até 2007, e ficou lembrado no Brasil como o autor de dois gols que eliminaram o Corinthians da Copa Libertadores de 2006. O Real Madrid, sob uma nova filosofia de contratação, desembolsou uma cifra bem considerável – 13 milhões de euros – para contar com o prodígio em seu elenco. Na época, os merengues buscaram outros nomes promissores, como o lateral-esquerdo Marcelo.

Seu primeiro gol foi memorável. Recebendo um passe magistral de Antonio Cassano, saiu na cara do goleiro para empatar o clássico de Madrid contra o Atlético. O jogo terminou em 1 a 1, com tento de Fernando Torres para os colchoneros. Vale mencionar que Higuaín jogava muitas vezes fora de posição para acomodar Raúl e Ruud van Nistelrooy pelo meio. Depois da saída dos medalhões, a concorrência continuou bem acirrada.

Depois de ocupar definitivamente a vaga de Ruud, Pipita foi, pela primeira vez, o artilheiro do Real em La Liga na temporada 2008-09. Com 22 gols, ficou atrás apenas de Lionel Messi, David Villa, Samuel Eto’o e Diego Forlán no ranking de goleadores do torneio. Durante sua reta de largada pelos blancos, mostrou o repertório completo de um finalizador nato: fazia de esquerda e de direita, com chutes colocados, batidas fortes de fora área ou cabeçadas certeiras. Não existia tempo ruim para colocar a bola na casinha.

O bom desempenho ainda evoluiu com a chegada de Cristiano Ronaldo e outros craques na edição seguinte da liga. Nela, o argentino fez 27 gols, um a mais que CR7, e ficou somente atrás de Messi na artilharia geral. Pipita ainda marcou quatro vezes na Copa do Mundo de 2010, realizada na África do Sul, e terminou como o marcador máximo albiceleste na competição – além de ter sido apenas o terceiro atleta de seu país a anotar uma tripletta no torneio, se igualando a Guillermo Stábile (1930) e Gabriel Batistuta (1994 e 1998). Vivendo seu melhor momento desde que chegou à Espanha, viu uma lesão grave interromper seu crescimento exponencial na Europa.

Higuaín chegou ao Napoli para substituir Cavani e foi tão letal quanto o matador uruguaio (Getty)

Uma hérnia de disco no final de 2010 fez com que Gonzalo tivesse que passar por uma cirurgia e ficar cerca de quatro meses fora dos gramados. Depois desse revés, deixou de ter o status de titular absoluto. Karim Benzema, que antes era definitivamente seu reserva, começou a fazer um revezamento na posição de centroavante e passou a ser, cada vez mais, parte imprescindível do onze inicial. O estilo de jogo com mais recursos, indo além da definição, acabou casando melhor com Ronaldo, a estrela do time, do que o jeitão matador de Pipita.

Higuaín não via a rivalidade com o francês de forma negativa. “Karim me fez tirar a minha melhor versão e eu a dele. É uma pena que não pudemos jogar tanto [juntos], mas ele é um 9 tremendo e evoluiu muito”, disse, no ano passado, à ESPN argentina. Ao fim de 2013, com três conquistas do Campeonato Espanhol, decidiu que sua passagem por Madrid chegava ao fim. Foi especulado, na época, que seu novo destino podia ser a Juventus, mas outro time na Itália resolveu desembolsar uma senhora quantia para contar com o goleador.

O Napoli tinha acabado de perder Edinson Cavani, seu matador, para o Paris Saint-Germain, porém, vendendo o craque uruguaio por mais de 60 milhões de euros. Dois terços desse valor foram reinvestidos em seu substituto. Higuaín chegava para assumir a camisa 9 partenopea e virar o novo responsável por garantir gols à equipe.

Com começo animador, marcou em quatro jogos consecutivos, incluindo um tento em vitória externa sobre o Milan, na Serie A, e outro crucial contra o Borussia Dortmund, na Champions League. Era a primeira rodada do time de Rafa Benítez no torneio, em um grupo dificílimo. Arsenal e Marseille completavam o quarteto de clubes que competiam numa chave em que qualquer um tinha chance de passar. Jogando em Nápoles, os alemães foram derrotados por 2 a 1, sendo de Higuaín o gol que abriu o placar.

O desfecho dessa Champions League foi doloroso para os azzurri. O novo centroavante napolitano ainda marcou contra o Marseille e o Arsenal mas não foi o suficiente para garantir a classificação. Os Gunners, o Napoli e o Dortmund empataram todos com 12 pontos. No entanto, por saldo de gols, passaram os ingleses e os aurinegros. Na Liga Europa, a história do time italiano também foi curta, com uma eliminação nas oitavas de final para o Porto.

Em sua temporada de estreia na Serie A, Gonzalo marcou 17 gols. A Lazio, sua vítima preferida, sofreu cinco deles – três no confronto de returno, na primeira tripletta de Pipita em solo italiano. Milan e Inter foram outros adversários relevantes que perderam para o Napoli em jogos com tentos de Higuaín. Já na Coppa Italia, o centroavante foi peça crucial na trajetória rumo ao título. Não só balançou as redes dos dois times da capital – a dos biancocelestes nas quartas e a da Roma nas semifinais –, como também participou do segundo da decisão, com uma assistência primorosa para Lorenzo Insigne.

Apesar dos anos de bastante consistência, um episódio marcaria a carreira de Higuaín por todo o restante dela. Na Copa do Mundo de 2014, no Brasil, novamente ele foi o camisa 9 albiceleste e não fez um grande torneio. É verdade que, contra a Bélgica, nas quartas de final, realizou um lindo gol, que eliminou os europeus. Porém, na final, acabou desperdiçando uma chance incrível cara a cara com Manuel Neuer e viu a Alemanha levantar o troféu depois de vencer por 1 a 0 na prorrogação.

Pelo Napoli, Pipita se tornou o maior recordista de gols numa edição da Serie A; no entanto, sua idolatria foi para o brejo após uma “traição” (Getty)

“Fala-se mais dos gols que perdi do que aqueles que fiz”, resume bem o atacante, que admitiu não ter sido mais o mesmo depois desse erro. O episódio que marcou sua carreira é um contraste bem grande com tudo o que sempre entregou. Além disso, a “maldição” perdurou por mais duas finais, sendo ambas de Copa América. Não converteu as oportunidades que teve nas decisões e ficou lembrado por esses três lances.

Depois da frustração no Brasil, Higuaín retornou para vencer mais um título na Itália. No final de 2014, o Napoli enfrentou a campeã da liga, a Juventus, na final da Supercopa. O dia foi dos argentinos: Carlos Tévez marcou duas vezes para os bianconeri e Pipita também anotou uma doppietta, empatando o jogo a dois minutos do fim da prorrogação. Nas penalidades máximas, Carlitos desperdiçou a sua, enquanto o compatriota converteu numa disputa comprida que, terminou em 8 a 7 para os partenopei.

Apesar do título na Supercopa, em dezembro, o Napoli teve uma temporada particularmente frustrante – principalmente pela eliminação na semifinal da Liga Europa, para o Dnipro. O time de Benítez também caiu a um passo da decisão da Coppa Italia e terminou a Serie A apenas na quinta posição. Higuaín fez a sua parte e terminou o ano com 29 gols marcados, sendo 17 pelo campeonato nacional.

Na Serie A seguinte, Pipita viveu seu melhor ano em termos de número e desempenho: foram 35 jogos e incríveis 36 gols marcados pelo certame nacional. O artilheiro absoluto ultrapassou Gunnar Nordahl, atacante histórico do Milan, que havia feito 35 tentos em 1950. Um recorde que durava mais de seis décadas e foi quebrado por um camisa 9 que não jogava, nem de longe, no time mais rico do campeonato. E a coroação desse feito veio com uma última rodada impecável.

Enfrentando o Frosinone, Gonzalo precisava de uma tripletta para alcançar a marca citada – que, em 2020, seria igualada por Ciro Immobile, da Lazio. Depois de dois gols de oportunismo, Pipita recebeu de Dries Mertens, matou no peito e emendou uma bela puxeta para fazer o terceiro. 4 a 0 no placar. Os napolitanos, comandados por Maurizio Sarri, até chegaram a liderar a Serie A, mas terminaram com o segundo lugar. E do mesmo jeito que a Juventus veio arrasadora para tirar a liderança do Napoli e faturar o quinto scudetto consecutivo, fez com seu principal jogador.

Em busca de dar um passo à frente no objetivo de conquistar a Europa, a Vecchia Signora resolveu desembolsar uma cifra astronômica para contratar o grande nome do futebol italiano daquela temporada. Por 90 milhões de euros, Higuaín se tornou o argentino mais caro da história da modalidade. Naquele momento também se tornou a compra mais custosa da história da Juventus e a mais onerosa da Serie A. Além de um jogador, a Juve passou o recado que só as conquistas nacionais não estavam bastando.

Obviamente, a torcida napolitana não ficou nada contente. A rivalidade, que vai muito além das quatro linhas, se aflorou e o ex-atacante azzurro ficou pintado como traidor: a idolatria pelos 91 gols e 26 assistências em 146 aparições logo foi para o ralo. Não faltou hostilidade em direção a ele em todas as visitas ao San Paolo, assim como vídeos de sua camisa sendo queimada ou jogada fora viralizaram nas redes sociais.

Embora contestado, o centroavante argentino foi goleador de uma Juventus vencedora (Getty)

Sua adaptação foi imediata em Turim, como era esperado. Um dos motivos pelos quais a Juventus insistiu em seu nome era justamente por já estar habituado ao futebol nacional. E na estreia, deixou sua marca saindo do banco. A Fiorentina empatava fora de casa quando o centroavante substituiu Mario Mandzukic e precisou de menos de 10 minutos para vencer Ciprian Tatarusanu.

Claramente a nova contratação não chegou para ser reserva. Porém, Mandzukic era um dos nomes de maior confiança de Massimiliano Allegri, por tudo que entregava em campo. A solução na temporada foi a mudança de esquema, e de também de função para o croata. Se antes ele era claramente um pivô, o cara mais avançado, depois da chegada da concorrência, cavou sua vaguinha pela ponta esquerda graças a toda sua entrega tática. A vantagem física sobre os laterais era clara e o cruzamento em direção à segunda trave partindo da direita passava a ser uma arma bem perigosa. E que foi, exaustivamente, aproveitada por Pipita.

Junto de um Paulo Dybala em ascensão e da chegada de outros bons nomes, como Daniel Alves e Medhi Benatia, além de uma espinha dorsal muita bem estruturada, com Gianluigi Buffon, Giorgio Chiellini, Leonardo Bonucci, Andrea Barzagli, Miralem Pjanic e outros nomes que andavam em alta, a Juventus foi muito longe em todas as competições que disputou – e por pouco não conquistou todas, contando com 32 bolas nas redes de seu artilheiro.

Na Serie A, novamente foi campeã sem muitos problemas, e com 24 gols de Pipita, que foi o quarto principal artilheiro do torneio. Na Coppa Italia, a final com a Lazio foi decidida ainda na etapa inicial. Nas competições da Bota, Higuaín encontrou seu antigo time quatro vezes e só não marcou em uma delas. No primeiro duelo contra o Napoli, pela liga, abriu o placar com um bomba de esquerda e não comemorou.

As semifinais da Coppa começaram no Juventus Stadium. A Velha Senhora levou um susto na etapa inicial, com o gol anotado por José Callejón, mas a virada veio com dois tentos de Dybala e outro de Pipita. Na volta, Higuaín marcou duas vezes, sob intensas vaias. Claro, ele não celebrou efusivamente. Mas a expressão já era outra, se compararmos com a primeira ocasião em que machucou o Napoli.

O que representaria a cereja do bolo de sua carreira e de todo o projeto que a Juve construiu na década de 2010, porém, ficou no quase. Em 2017, a equipe chegou à finalíssima da Champions League e Gonzalo fez aquela que pode ser considerada sua melhor partida, em nível de clubes, na semifinal europeia. Em um perfeito dueto com Daniel Alves, recebeu duas assistências do brasileiro para anotar uma doppietta na ida, contra o Monaco, em pleno principado. O segundo, inclusive, foi um golaço, no qual recebeu um passe primoroso de calcanhar antes de concluir.

Na finalíssima, a frustração veio. Ela fica ainda maior se considerarmos o golaço que Mandzukic fez naquela decisão contra o Real Madrid, terminada com 4 a 1 para os merengues. Mario surpreendeu a todos com grande agilidade e acertou um belo voleio, com uma assistência de peito de Higuaín. Além desse vice, a Juve também amargou outro na Supercopa Italiana, ante o Milan.

Higuaín, assim como vários outros centroavantes, não escapou da “maldição da camisa 9” do Milan (Getty)

Os espanhóis viriam a ser novamente uma pedra no sapato na Champions League seguinte. Desta vez nas quartas de final, numa arbitragem bem contestada pelos italianos, a Juve foi eliminada com um gol de pênalti, nos acréscimos, no Santiago Bernabéu. Na Espanha, os comandados de Allegri haviam buscado uma desvantagem de três tentos até ver Ronaldo balançar as redes.

Antes da eliminação para o Real, Higuaín havia sido decisivo para a classificação contra o Tottenham. Marcou duas vezes no empate por 2 a 2 em Turim e novamente deixou um na Inglaterra, além de dar uma assistência para Dybala, que fechou o placar num 2 a 1 de virada em Wembley.

Na Juve, Pipita demonstrou um poder de decisão que, por muitas vezes, lhe era cobrado: a capacidade de aparecer em grandes momentos. O tento mais importante da campanha juventina na Serie A de 2017-18 foi dele, em pleno Derby d’Italia, contra a Inter. A equipe de Turim perdia por 2 a 1, a menos de cinco minutos do fim, e empatou com um fortuito gol contra de Milan Skriniar; depois, quase aos 90 de bola rolando, o camisa 9 virou outra partida crucial para a Vecchia Signora.

Naquela temporada, Higuaín anotou 23 vezes, sendo 16 pelo campeonato, e foi convocado para disputar sua terceira Copa do Mundo. Pipita era reserva e atuou em três partidas, mas não entrou em campo na peleja que decretou a queda da Argentina – nas oitavas de final, a albiceleste sofreu uma rocambolesca derrota por 4 a 3 para a França. Em seguida, se aposentou da seleção. Mas não foi a única notícia ruim que o mês da competição lhe reservou.

Mesmo com tantas participações diretas em gols marcados para a Juventus, a diretoria do clube buscou outro centroavante de elite para o elenco – ou melhor, o maior centroavante de elite em circulação. No mesmo dia da final da Copa de 2018, Cristiano Ronaldo desembarcou na Velha Bota para desbancar Higuaín em vários sentidos. Por 100 milhões de euros, passou a ser a contratação mais cara da história do time e da Serie A. Logicamente, também ocuparia a função de principal finalizador da equipe.

Era praticamente impossível fazer coexistirem Mandzukic, Dybala, Higuaín e Ronaldo em uma mesma equipe. Além da questão esportiva, do equilíbrio necessário para a estrutura tática, os salários dos dois últimos citados eram muito elevados. Apesar de ter entregado tudo o que dele se esperava, o argentino foi mandado embora para o Milan, por empréstimo, de uma forma até desrespeitosa pela sua trajetória. Junto dele foi o ainda jovem Mattia Caldara, em uma negociação que envolveu o retorno de Bonucci a Turim, após um ano desastroso vestindo rossonero.

Higuaín vestiu a camisa 9 do Milan e não escapou da maldição referente ao número da peça, que durou desde a aposentadoria de Filippo Inzaghi, em 2012, até a chegada de Olivier Giroud, em 2021. Pipita ficou apenas seis meses em Milão, e pouco conseguiu reproduzir dos anos anteriores de sucesso. O começo chegou a ser animador, no entanto, a queda física e o declínio técnico foram evidentes. E na chance que teve de enfrentar a Juve, foi expulso após explodir para cima da arbitragem ao receber um cartão amarelo, quando sua equipe já perdia por 2 a 0. Depois da segunda advertência, precisou ser contido por todos em campo.

Em sua segunda passagem pela Juve, o argentino teve apenas um papel de coadjuvante (Getty)

Por conta de seu baixo rendimento, o Milan não se mostrou satisfeito em continuar a pagar seus altíssimos salários e deixou isso claro nos bastidores do mundo da bola. Até que apareceu um interessado e, sem cerimônia, em acordo com a Juventus, o argentino terminou dispensado, com oito gols em 22 jogos.

Higuaín foi tentar a sorte em novo empréstimo, dessa vez ao Chelsea. Pipita chegava aos Blues para reencontrar Sarri, o treinador que lhe ajudara a ter o melhor desempenho da carreira, e que pedira sua contratação para aprofundar as opções de ataque e, quem sabe, revitalizá-lo. Apesar de ter adicionado o título da Liga Europa ao currículo, o centroavante não pode dizer que o casamento com os londrinos deu certo. Mas o técnico não desistiu de seu camisa 9.

No verão europeu de 2019, Sarri assinou com a Juventus ao mesmo tempo que Gonzalo retornava de seus dois empréstimos frustrantes. Havia uma grande expectativa em relação a Dybala, Cristiano e Higuaín. Poderiam os três jogar juntos? “Se eu estivesse em um bar seria uma boa ideia”, ironizou o treinador, no começo da temporada.

Nos momentos em que Pipita era o titular, quem pagava o pato era seu compatriota, que ficava no banco. Higuaín chegou a balançar as redes em jogos importantes, nas vitórias contra Napoli, Inter e Atalanta, na Serie A, e nos dois triunfos sobre o Bayer Leverkusen, na Champions League, mas não passou de 11 tentos em 44 aparições. Claramente em declínio físico, e também de importância para o elenco bianconero, viu o momento de deixar definitivamente o futebol europeu após a saída de Sarri, ao fim da temporada, e a chegada de Andrea Pirlo para seu lugar. Somando suas duas passagens pela Juventus, conquistou cinco troféus e marcou 66 gols em 149 partidas.

Perto de completar 33 anos, teve como seu derradeiro destino foi a Major League Soccer, onde atuou pelo Inter Miami, ao lado de seu irmão, o meia Federico Higuaín. Lá, viveu seus últimos momentos como profissional e anotou 29 gols nos 70 jogos que fez nos Estados Unidos, até se aposentar, aos 35. Sobre continuar no esporte, ele deixou claro que não é seu objetivo em entrevista ao site Goal. “Eu gostaria de talvez explorar a culinária ou tocar violão, aprender inglês. Mas não tenho intenção de permanecer no futebol, pelo menos não logo. É um mundo que está se tornando cada vez mais tóxico a cada dia e eu não me vejo no futebol após parar de jogar. Eu quero estar longe do esporte”, disse.

Apesar da carreira vitoriosa e repleta de altos, os baixos – e, principalmente, as críticas exageradas – pesam em um ambiente precisamente descrito por ele como tóxico. Gonzalo percebeu isso e teve de lidar com esse aspecto desagradável do esporte de alto rendimento durante os 17 anos em que jogou futebol. Ao menos, Higuaín teve cabeça para não se abalar e continuar dando o seu melhor, seguindo uma clara filosofia. “Ganhar ou perder é uma consequência, o mais importante é a viagem, e isso é algo que as pessoas nunca tirarão de mim. Tive uma carreira maravilhosa”, definiu.

Gonzalo Gerardo Higuaín
Nascimento: 10 de dezembro de 1987, em Brest, França
Posição: atacante
Clubes: River Plate (2005-07), Real Madrid (2007-13), Napoli (2013-16), Juventus (2016-18 e 2019-20), Milan (2018), Chelsea (2019) e Inter Miami (2019-22)
Títulos: La Liga (2007, 2008 e 2012), Supercopa da Espanha (2009 e 2013), Copa do Rei (2011), Coppa Italia (2014, 2018 e 2020), Supercopa Italiana (2015), Serie A (2017, 2018 e 2019) e Liga Europa (2019)
Seleção argentina: 75 jogos e 31 gols

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