Listas

Os 20 maiores argentinos do futebol italiano

Nenhum país cedeu mais jogadores à Itália do que a Argentina. A ligação de futebolistas argentinos com o Belpaese é muito forte e existe há bastante tempo. O meio-campista Francisco Priano, que, em 1911-12, jogou pela Andrea Doria, clube que deu origem à Sampdoria, pode ser considerado o primeiro jogador de origem argentina a atuar no futebol italiano. Nascido em Gênova, imigrou para Buenos Aires e, só depois, voltou para a cidade natal para jogar. Porém, se considerarmos apenas jogadores nascidos na Argentina, é só em 1912 que os primeiros albicelestes foram à Bota.

A família Mosso emplacou três futebolistas de Mendoza no Torino, em 1912-13. Francisco (goleiro/atacante), Eugenio (atacante) e Benito (meia) defenderam os granata e foram os primeiros argentinos na elite do futebol italiano – há conflito de informação se Francisco nasceu na Argentina ou na Itália. Mais tarde, Julio Mosso (meia) também jogou pelo Toro. Portanto, a ligação entre os albicelestes e a Itália no futebol comemorou seu centenário recentemente e, durante este tempo, foram vários hermanos que se destacaram no Belpaese.

A partir da constituição da Serie A como ela é hoje – grupo único com equipes jogando por pontos corridos –, há o registro de que 310 argentinos já tenham entrado em campo ao menos uma vez na elite do futebol italiano. O grande número se deve à forte relação entre os países. Afinal, a Argentina, assim como o Brasil, recebeu grande leva de imigrantes italianos nos séculos XIX e XX, e muitos deles, oriundi, tiveram direito à dupla nacionalidade. Isso auxiliou na adaptação dos jogadores ao país e também na sua absorção ao mercado, mesmo quando regras impediam ou dificultavam a chegada de estrangeiros.

O nosso top 20 é composto majoritariamente por homens ofensivos e isto não ocorre por acaso. A Argentina, com oito artilharias da Serie A, só perde para a Itália em número de jogadores que lideraram a tabela de gols do Campeonato Italiano. O primeiro deles, Julio Libonati, do Torino, conseguiu o feito em 1927-28. O último albiceleste a conseguir o feito foi Hernán Crespo, que, em 2000-01, quando defendia a Lazio, marcou 26 vezes. Ambos estão no nosso Top 20.

Sem fazer mistério, o melhor jogador argentino de todos os tempos, Diego Armando Maradona, que viveu seu auge no Napoli, fecha a lista e foi, claro, considerado por nós o albiceleste mais importante a jogar na Itália. Primeiro, os nomes de 30 outros jogadores que ficaram fora das principais posições do Ranking Quattro Tratti. Escolhemos 50 hermanos e demos maior destaque a 20 deles.

Critérios
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe, desempenho por seleções nacionais e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Observação: alguns jogadores nascidos na Argentina não foram levados em consideração por nós por terem atuado apenas em outras seleções nacionais. Casos de Mauro Germán Camoranesi (Itália), Néstor Combin (França) e David Trézéguet (França).

Top 50 Argentina

21. Raimundo Orsi; 22. Pedro Manfredini; 23. Humberto Maschio; 24. Attilio Demaría; 25. Ramón Díaz; 26. Julio Cruz; 27. Enrique Guaita; 28. Matías Almeyda; 29. Ernesto Grillo; 30. Pedro Pasculli.; 31. Claudio López; 32. Carlos Tévez; 33. Gonzalo Higuaín; 34. Bruno Pesaola; 35. Ezequiel Lavezzi; 36. Roberto Ayala; 37. Fernando Redondo; 38. José Chamot; 39. Miguel Ángel Pantó; 40. Rodrigo Palacio; 41. Santiago Solari; 42. Ariel Ortega; 43. Nicolás Burdisso; 44. Juan Carlos Morrone; 45. Pedro Troglio; 46. Roberto Sosa; 47. Kily González; 48. Óscar Ruggeri; 49; Hugo Campagnaro; 50. Ernesto Cucchiaroni.

20° – Miguel Montuori

Posição: atacante
Clube em que atuou na Itália: Fiorentina (1955-61)
Títulos: Serie A (1955-56), Coppa Italia (1960-61), Copa Grasshoppers (1957), Copa da Amizade Ítalo-francesa (1958-59 e 1959-60), Copa dos Alpes (1959-60) e Recopa europeia (1960-61)
Prêmios individuais: nenhum

O presidente viola Enrico Befani trouxe Montuori para o clube por indicação de Padre Volpi, religioso italiano que atuava no Chile, onde o argentino jogava – pelo Universidad Católica, fez 24 gols em 26 jogos. Já no primeiro ano, a contratação se provou válida, pois, no título da Serie A 1955-56, o recém-chegado foi o vice-artilheiro da Fiorentina, com 13 gols, sendo um ótimo companheiro para o brasileiro Julinho Botelho, um dos maiores craques da história florentina. Nos cinco anos que vestiu a camisa violeta, Montuori ganhou muitas taças menores. Os últimos grandes títulos vieram na temporada derradeira.

O argentino fez parte das conquistas da Coppa Italia e da Recopa, porém sem a relevância de anos anteriores. A falta de protagonismo do craque do ataque tem uma trágica justificativa. Em abril de 1961, em um jogo contra o Perugia, Montuori tomou uma bolada no rosto, que provocou o descolamento de sua retina. Após complexas cirurgias, o ídolo viola foi aconselhado a pendurar as chuteiras. Aposentou-se aos 28 anos e continuou morando em Florença, onde morreu, em 1998.

19° – Daniel Bertoni 

Posição: meia
Clubes em que atuou na Itália: Fiorentina (1980-84), Napoli (1984-86) e Udinese (1986-87)
Títulos: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

Multi-vencedor pelo Independiente e campeão do mundo, Bertoni (ao centro na foto) chegou à Itália por Florença. Ponta-direita habilidoso e veloz, o argentino era perigo constante para os adversários. A passagem pelos viola rendeu mais de 100 presenças e 31 gols. A grande temporada foi a segunda, quando a Fiorentina ficou com o segundo posto da Serie A, um ponto atrás da campeã Juventus. Ao lado de Francesco Graziani, Bertoni liderou o time em gols, balançando as redes nove vezes.

Em 1984, Bertoni chegou ao Napoli, mesma época que Maradona desembarcava no San Paolo. A dupla albiceleste durou apenas duas temporadas e, no ano de estréia, o camisa sete se aproveitou muito dos passes do dez, balançando as redes onze vezes na Serie A, maior número do ponta-direita na Itália. Porém, desentendimentos com o técnico Ottavio Bianchi, fizeram com que fosse para a Udinese, onde jogou uma temporada e não repetiu as atuações anteriores.

18° – Claudio Caniggia

Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Hellas Verona (1988-89), Atalanta (1989-92 e 1999-00) e Roma (1992-94)
Títulos: Copa América (1991) e Copa das Confederações (1992)
Prêmios individuais: nenhum

Caniggia era um veloz atacante, se posicionava muito bem e fazia gols de todas as formas. Seu primeiro clube na Itália foi o Hellas Verona, onde alternou momentos bons e ruins (fraturou até a perna) e ficou apenas um ano. A Atalanta, rival do clube gialloblù, foi o próximo passo do cabeludo na Itália. Em Bérgamo, Cani não conseguiu grandes rendimentos com a equipe na Copa Uefa, mas, nos campeonatos italianos que disputou, conseguiu ajudar os orobici com gols e se tornou ídolo, ao lado do brasileiro Evair.

Com a queda de nível da Atalanta, o argentino foi vendido para a Roma. Na capital, apesar de grande concorrência, Caniggia vinha como titular. Porém, na 24ª rodada da Serie A, contra o Napoli, o cabeludo foi pego no exame antidoping por uso de cocaína e punido por 13 meses. O problema resultou na saída do atacante da Itália. Em 1999, com a Atalanta na Serie B, Cani topou voltar ao clube para ajudar no acesso à elite. Apesar de marcar apenas duas vezes na segunda passagem pela Lombardia, o retorno nestas circunstâncias reforçou seu espaço no coração dos bergamascos.

17° – Julio Libonatti

Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Torino (1925-34), Genoa (1934-36) e Rimini (1937-38)
Títulos: Serie A (1927-28), Serie B (1934-35) e Copa Internacional (1927-30)
Prêmios individuais: Artilheiro do Campeonato Italiano (1927-28) e Artilheiro da Copa Internacional (1927-30)

Muita gente acha que o Torino só começou a ter projeção na Itália na década de 1940, com Valentino Mazzola e o Grande Torino. Ledo engano: na década de 1920, um atacante argentino de origem italiana já tinha sido destaque na equipe que conquistou o primeiro e único scudetto grená antes dos conquistados pelo timaço. Julio Libonatti chegou à Itália em 1925, após destacar-se pelo Newell’s Old Boys e pela seleção albiceleste, pela qual conquistou um título e um vice da Copa América. Com futebol alegre, veloz, acrobático e muito técnico, rapidamente se tornou um dos jogadores mais queridos da torcida do Toro. E não demorou para entrar na história do clube e também a ser chamado para a seleção italiana, que defendeu por seis anos.

Libonatti atuava como o mais avançado atacante da equipe, e marcava muitos gols. Mas não só: era responsável por ser o grande garçom do time, e servia a Gino Rossetti e principalmente a Adolfo Baloncieri, cérebro do time e um dos maiores jogadores italianos da época. No segundo ano em Turim, viu o time conquistar o scudetto, depois revogado porque dirigentes do clube tentaram subornar um jogador da Juventus no dérbi. Porém, um ano depois, foi o grande nome da conquista do scudetto, este para valer: em 1927-28, Libonatti fez 35 gols na campanha do título. Voltou a ser importante no ano seguinte, quando a equipe acabou perdendo a final da Serie A no jogo-desempate, contra o Bologna, e ficou mais cinco anos na equipe. Até hoje, com 157 gols, é o segundo maior artilheiro da história granata, com 15 gols abaixo de Paolo Pulici. Antes de se aposentar, Libonatti teve ainda discretas passagens por Genoa e Rimini – neste último clube, foi jogador-treinador, mas não chegou a atuar em partidas oficiais.

16° – Roberto Néstor Sensini

Posição: zagueiro
Clubes em que atuou na Itália: Udinese (1989-94 e 2002-06), Parma (1994-99 e 2001-02) e Lazio (1999-00)
Títulos: Supercopa da Uefa (1993 e 1999), Copa Uefa (1994-95 e 1998-99), Coppa Italia (1998-99, 1999-00 e 2001-02), Serie A (1999-00), Supercopa da Itália (2000) e Prata olímpica (1996)
Prêmios individuais: nenhum

Sensini e sua polivalência casaram muito bem com o futebol italiano. Apesar de jogar em todas as posições da defesa e também como volante, ele se destacou mais como um zagueiro seguro que passou a maior parte da carreira no Belpaese. Foram 17 anos, divididos entre Udinese, Parma e Lazio, ue lhe fizeram ter destaque o suficiente para jogar em uma Olímpiada (1996) e três Copas do Mundo pela Argentina – 1990, 1994 e 1998; jogaria também em 2002, mas uma lesão impediu o capitão da Albiceleste de atuar no Mundial da Ásia. Na Udinese, viveu seus primeiros anos na Itália brigando na parte de baixo da tabela na elite e também na Serie B, mas mostrando a segurança característica – seu grande momento aconteceu no jogo-desempate pela salvezza contra o Brescia, em 1991-92, quando anulou o romeno Ghoerghe Hagi e ajudou a equipe a ficar na Serie A.

Foi para o Parma pouco depois, para substituir o belga Georges Grün, e pelos gialloblù, conseguiu seu primeiro título, a Copa da Uefa 1994-95. Mas foi em 1999 que o defensor argentino se concretizou como um dos pilares da grande equipe crociata. Ao lado de um elenco tão forte, Sensini ganhou a Coppa Italia e a segunda Copa Uefa. Finalizou sua primeira passagem pelo clube atuando como volante no 3-5-2 de Nevio Scala, lateral-esquerdo no time de Carlo Ancelotti e como zagueiro no time de Alberto Malesani. Em 1999, o argentino foi pedido por Sven-Göran Eriksson para reforçar a Lazio, que também contava com um esquadrão. Em 1999-00, os biancocelesti saíram da fila de 26 anos e conquistaram o segundo scudetto da história. Após passar pela melhor fase da carreira, Sensini voltou ao Parma, onde jogou por duas temporadas e, por fim, escolheu a Udinese, seu primeiro clube na Itália, para jogar nos últimos anos da carreira, sendo o xerife da defesa e até técnico da equipe, por breve período. Com mais de 39 anos, chegou a ser o mais velho estrangeiro a atuar na Serie A, e só teve o recorde superado por Javier Zanetti.

15° – Daniel Passarella

Posição: zagueiro
Clubes em que atuou na Itália: Fiorentina (1982-86) e Inter (1986-88)
Títulos: Copa do Mundo (1986)
Prêmios individuais: nenhum

Liderança e técnica se juntavam no líbero Daniel Passarella, que também arriscava bolas paradas e subidas à área adversária para cabecear. Após já chegar à Itália consagrado por uma passagem histórica pelo River Plate e por um título mundial em 1978, nos primeiros anos de Fiorentina, o argentino comandou uma boa defesa e teve destaque em um time que brigava pela metade de cima da tabela. Com problemas de saúde do técnico Giancarlo De Sisti, a Viola alternou altos e baixos, mas, em 1985-86, a linha defensiva voltou a mostrar força e Passarella ainda foi o artilheiro da equipe, com onze gols na Serie A.

Aos 33 anos, o líbero foi ao México, sagrou-se bicampeão mundial (não entrou em campo, vitimado pela famosa Maldição de Montezuma e relegado ao banco por Carlos Bilardo) e, principalmente pelas boas atuações na Fiorentina, acabou sendo contratado pela Inter do presidente Ernesto Pellegrini e do técnico Giovanni Trapattoni. Os nerazzurri tinham um bom time e, com Passarella integrando a linha defensiva ao lado de Bergomi, Ferri, Beppe Baresi, Matteoli e Marangon, sofreram apenas 17 gols, alcançando o posto de melhor defesa e terceira colocação na Serie A. No ano derradeiro da sua passagem na Itália, o argentino apresentou queda de rendimento (ainda marcou cinco vezes) e, após ter agredido um gandula, chegou a ficar seis jogos suspenso. Encerrou sua trajetória na Bota pouco depois, por pouco não tendo feito parte de um histórico time da Inter, que ficou com o scudetto na temporada seguinte.

14° – Abel Balbo

Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Udinese (1989-1993), Roma (1993-1998 e 2000-2002), Parma (1998-1999) e Fiorentina (1999-2000)
Títulos: Coppa Italia (1999), Copa Uefa (1999), Serie A (2001) e Supercoppa italiana (2001)
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie B (1990-91)

Marino Mariottini, diretor da Udinese, havia ido à Argentina para contratar Sensini, mas também se encantou por Balbo e levou ambos para a Itália. Nos bianconeri, fez 120 partidas e 65 gols, 22 deles anotados na Serie B 1990-91, Dois anos depois, os gols do argentino – vice-artilheiro da Serie A, com 21 tentos – colaboraram para que o time não deixasse a elite. Nos quatro anos em que jogou no Friuli, Balbo ficou conhecido por marcar muitos gols de cabeça e também após arrancadas fulminantes.

Na Roma, o atacante alcançou a idolatria e chegou a usar a braçadeira de capitão. O oportunismo de Balbo rendeu 78 gols nas 170 partidas em que vestiu giallorosso pela primeira vez. Os primeiros títulos só vieram, porém, em 1999, longe do Olímpico. Em um Parma recheado de argentinos, ganhou a Copa Uefa e a Coppa Itália. O atacante ainda jogou na Fiorentina, onde formou boa dupla com Batistuta, e voltou à capital, onde, com menos destaque (só atuou três vezes em dois anos), fez parte do elenco romanista campeão da Serie A 2000-01 e da Supercoppa 2001.

13° – Antonio Angelillo 

Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Inter (1957-61), Roma (1961-65), Milan (1965-66 e 1967-68), Lecco (1966-67), Genoa (1968-69) e Angelana (1969-71)
Títulos: Copa das Feiras (1960-61), Coppa Italia (1963-64) e Serie A (1967-68)
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie A (1958-59)

Descendente de italianos, Angelillo fez a maior parte da carreira no país de seus ancestrais. O rápido atacante, que contribuía muito com a equipe, se adaptou bem à Inter e, em 1958-59, marcou 33 gols em 33 partidas da Serie A – recorde para o Italiano disputado por 18 times. Apesar dos bons desempenhos, o ítalo-argentino não foi campeão em nerazzurro e, por problemas com o técnico Helenio Herrera, se transferiu para a Roma.

Nos giallorossi, Angelillo se reinventou: passou a jogar no meio-campo, pensando mais o jogo. Com a camisa da Roma, conseguiu sua primeira taça, a Copa das Feiras de 1960-61 e, em 1963-64, ganhou a  Coppa Italia. Quando foi para o Milan, o ítalo-argentino já não era mesmo (chegou a ser emprestado para o pequeníssimo Lecco, que jogou a Serie A pela única vez no ano em que Angelillo lá esteve), mas conseguiu um scudetto, como figura secundária. Ainda jogou a Serie B pelo Genoa, onde marcou cinco vezes, e a Serie D no Angelana, onde atuava como jogador e treinador. Atualmente, é observador da Inter e colaborou com as chegadas de Córdoba e Javier Zanetti aos nerazzurri.

12° – Hernán Crespo 

Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Parma (1996-00 e 2010-12), Lazio (2000-02), Inter (2002-03 e 2006-09), Milan (2004-05) e Genoa (2009-10)
Títulos: Coppa Italia (1998-99), Supercoppa Italiana (1999, 2000, 2004, 2006 e 2008), Serie A (2006-07, 2007-08 e 2008-09) e Copa Uefa (1998-99)
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie A (2000-01), Time do Ano da Europa, pela associação européia de mídia esportiva (2000-01) e Seleção da Copa do Mundo (2006)

Na última década, Crespo foi um dos melhores centroavantes do mundo e passou a maior parte da carreira balançando as redes na Itália – foi atuando por lá que conseguiu três convocações para Copas do Mundo e chegou ao posto de terceiro maior artilheiro da seleção argentina. No Parma da Parmalat, o Valdanito se concretizou entre os craques da posição e ganhou dois títulos, sendo importantíssimo: na Coppa Italia, um gol em cada partida final e, na Copa Uefa, mais um tento decisivo. Na ótima Lazio, Crespo ficou ainda maior e, na Serie A 2000-01, conseguiu a artilharia, com 26 gols.

Por problemas financeiros da Lazio, se transferiu para a Inter, onde as lesões atrapalharam sua continuidade – marcou 16 gols em 30 jogos, nove deles na campanha nerazzurra até a semifinal da Liga dos Campeões. Após passar pelo Chelsea, foi emprestado ao Milan e teve passagem razoável, em que marcou menos gols, mas foi importante – fez até dois na final da LC contra o Liverpool, mas viu seu time perder nos pênaltis. Após outro ano em Londres, voltou à Itália e, entre 2006 e 2009, ganhou quase tudo com a Inter, sempre contribuindo com gols, principalmente no primeiro ano da volta. Depois da saída de Milão, Crespo jogou no Genoa e encerrou a trajetória italiana onde começou, no Parma, em 2012. Até hoje, Crespo é o maior artilheiro da história do Parma em jogos da Serie A. Com 153 gols pelo Campeonato Italiano, o argentino ainda é um dos 25 maiores goleadores da história do torneio – ocupa a 23ª posição. Atualmente, o ex-centroavante é técnico das categorias de base do Parma.

11° – Walter Samuel 

Posição: zagueiro
Clubes em que atuou na Itália: Roma (2000-04) e Inter (2005-14)
Títulos: Serie A (2000-01, 2005-06, 2006-07, 2007-08, 2008-09 e 2009-10), Supercoppa Italiana (2001, 2005, 2006, 2008 e 2010), Coppa Italia (2005-06, 2009-10 e 2010-11), Liga dos Campeões (2009-10) e Mundial de Clubes (2010)
Prêmios individuais: Melhor defensor, Oscar do Calcio (2010)

Força, posicionamento, técnica e grande habilidade no jogo aéreo são as características de um dos grandes zagueiros da história do futebol albiceleste. Samuel chegou na Itália para jogar na Roma e, na temporada de estreia, impactou positivamente na equipe. O ex-jogador do Boca Juniors foi figura central do elenco que deu o terceiro e último scudetto da história giallorossa. O grande nível das apresentações lhe rendeu o apelido de The Wall (O Muro) e uma transferência para o Real Madrid, clube no qual chegou cotado como um dos maiores zagueiros do mundo.

Samuel, no entanto, não se adaptou à Liga e, após um ano de insucesso na Espanha, voltou à Itália e se juntou à Inter, que dominou o final dos anos 2000 no país. Fazer parte daquele elenco nerazzurro rendeu 14 taças ao zagueiro, que, na maior parte das conquistas, teve papel central – só ficou de fora do time por uma grave lesão no joelho ou por problemas musculares. Na vitória da Liga dos Campeões, a defesa interista foi muito exaltada e o camisa 25 foi um dos craques do setor, fazendo dupla muito elogiada com Lúcio. Samuel ainda é dono de dois recordes: ao lado de Stankovic, é o estrangeiro com mais títulos da Serie A (seis, cinco pela Inter), e também é o maior vencedor da história dos dérbis de Milão. Conquistou 10 vitórias em onze jogos – perdeu apenas o último, em 2014. Muito querido pela torcida da Inter, foi ovacionado em sua despedida, juntamente com Zanetti, Cambiasso e Milito.

10° – Luis Monti

Posição: volante
Clube em que atuou na Itália: Juventus (1931-38)
Títulos: Serie A (1931-32, 1932-33, 1933-34 e 1934-35), Coppa Italia (1937-38) e Copa do Mundo (1934)
Prêmios individuais: Seleção da Copa do Mundo (1930 e 1934)

Forte fisicamente, bom marcador e com qualidade no passe e no chute, o volante chegou à Itália aos 30 anos de idade e por valores altos: cinco mil dólares por mês e uma casa bancada pelo clube. Foi pedido expresso do atacante Raimundo Orsi, argentino que figura na 21ª posição em nossa lista – antes de atuar pelo Flamengo, Orsi jogou na Juve entre 1928 e 1935, conquistando um scudetto a mais que seu compatriota. Porém, seu início em Turim foi complicado. Os altos custos não se justificaram no início, pois Luis Monti desembarcou na cidade fora de forma e estreou mal. O ítalo-argentino optou por treinar de forma intensa, longe do elenco, para retomar o bom nível físico. Perdeu quase 15 quilos e se sentiu pronto para ajudar a Juventus, atual campeã italiana. Com tamanha dedicação, se tornar ídolo não seria difícil.

Ao chegar a um time campeão, Luisito agregou ao elenco, que ficou ainda mais forte. O ítalo-argentino era figura importante da proteção à defesa e da saída de bola bianconera. Com ele, a Juventus completou o pentacampeonato consecutivo, feito conhecido como Quinquennio d’Oro – Monti participou de quatro conquistas. Na reta final da carreira futebolística, Monti foi importante para o título da Coppa Italia 1937-38. Um ano depois se aposentou, aos 37 anos, depois de sofrer grave lesão. Após 261 partidas e 22 gols em bianconero, não havia mais desconfiança, Luis Monti ficou na história. Até porque, nenhum jogador em toda a história atuou em duas finais de Copas do Mundo por dois países diferentes – foi vice com a Argentina em 1930 e levantou a taça Jules Rimet com a Itália quatro anos depois.

9° – Esteban Cambiasso

Posição: volante
Clube em que atuou na Itália: Inter (2004-14)
Títulos: Coppa Italia (2004-05, 2005-06, 2009-10 e 2010-11), Serie A (2005-06, 2006-07, 2007-08, 2008-09 e 2009-10), Supercoppa Italiana (2005, 2006, 2008 e 2010), Liga dos Campeões (2009-10) e Mundial de Clubes (2010)
Prêmios individuais: Time do Ano da Europa, pela associação europeia de mídia esportiva (2005-06)

Dez anos de dedicação a apenas um clube italiano e 15 títulos, além de muita raça e desempenhos espetaculares na volância colocam Cambiasso entre os dez melhores argentinos que já passaram pelo Belpaese. Em fim de contrato com o Real Madrid, o argentino chegou gratuitamente aos nerazzurri, que não venciam um título desde 1998, e, na temporada de estreia, colaborou com a conquista da Coppa Italia. Nos anos seguintes, Cambiasso se mostrou uma das contratações mais valiosas de toda a história da Beneamata. A profunda identificação com o clube chegou a fazer com que o volante vestisse a camisa que era de Giacinto Facchetti (foto), na conquista de alguns títulos, como no scudetto 2006-07 e na Liga dos Campeões 2009-10.

O “Cuchu” mostrava raça, mas também tinha técnica, e na Inter se mostrou um volante completo, atingindo o auge da carreira, sendo o pilar do time e capitão em boa parte da última temporada, já que Zanetti havia se lesionado. A chegada de Cambiasso marcou a virada da Inter, que se tornou multi-campeã no final dos anos 2000. O grande ano do argentino foi também a temporada mais vitoriosa da história recente nerazzurra, 2009-10. O camisa 19 marcou oito vezes, um dos gols importantíssimo, contra o Chelsea, nas quartas de final da Liga dos Campeões. A LC foi um dos cinco títulos da Beneamata no ano, e sempre com Cambiasso em grande nível. Sua trajetória na Inter acabou em 2013-14, após 431 partidas e 51 gols.

8°- Diego Pablo Simeone

Posição: volante
Clubes em que atuou na Itália: Pisa (1990-92), Inter (1997-99) e Lazio (1999-2003)
Títulos: Copa Uefa (1997-98), Supercopa da Uefa (1999), Coppa Italia (1999-00), Serie A (1999-00), Supercoppa Italiana (2000), Copa América (1991) e Copa das Confederações (1992)
Prêmios individuais: Nenhum

Simeone se destacava pela raça, marcação implacável e boa técnica para executar bons passes e finalizar de fora da área. Aos 20 anos, o volante chegou à Itália, através do Pisa do presidente Romeo Anconetani. Porém o clube caiu e não conseguiu voltar à elite, provocando a saída do jovem argentino, que chegou a jogar uma segundona no Belpaese. Mais maduro após passagem de cinco anos pela Espanha, “El Cholo” voltou à Bota para defender a Inter. Na temporada de estreia vestindo nerazzurro, Simeone fez parte de momentos marcantes: deu o passe para um dos gols que deram a Copa Uefa ao clube e marcou duas vezes, contra o rival Milan, decidindo o dérbi. No entanto, no ano seguinte, o mau relacionamento com Ronaldo o fez deixar a Lombardia.

Em 1999, se juntou ao forte time laziale e, no ano de estreia, colaborou com quatro conquistas da nova equipe, sendo peça fundamental no time de Sven-Göran Eriksson. Protagonista, marcou o gol que decidiu a vitória contra a Juventus, então líder, e marcou quatro gols nas seis rodadas seguintes, que serviram para que a Lazio ultrapassasse a Velha Senhora e, no último respiro, garantisse o scudetto. Simeone foi, ainda, carrasco do seu antigo clube, e marcou um dos gols da vitória biancoceleste sobre a Inter, na final da Coppa Italia. Sobre a equipe nerazzurra, Simeone ainda ganhou o título da Supercoppa italiana e, em 2001-02, foi um dos carrascos de um dos dias mais tristes da história interista: marcou um dos gols no 4 a 2 que tirou da boca da equipe milanesa um scudetto que não vinha há anos.

7° – Renato Cesarini

Posição: meia
Clube em que atuou na Itália: Juventus (1929-35)
Títulos: Serie A (1930-31, 1931-32, 1932-33, 1933-34 e 1934-35)
Prêmios individuais: Nenhum

O contexto da chegada de Cesarini a Juventus não era bom: quatro anos sem taças nacionais. Mas a equipe comandada por Carlo Carcano tinha boas peças e, com o novo contratado, os títulos deveriam voltar a aparecer. Um ano depois da contratação do criativo meia ítalo-argentino, a Velha Senhora retomou o caminho das conquistas e foram incríveis cinco scudetti consecutivos – o feito só foi repetido duas vezes na história, por Torino e Inter. Cesarini acabou sendo o mais representativo dos importantes ítalo-argentinos que aquela Juve tinha – além do próprio, jogaram lá Orsi e Monti, já citados aqui.

Além de trazer criatividade ao time, o meia marcava gols e muitas vezes de forma seguida e em momentos fundamentais, na reta final dos jogos. Por isso, na Itália, este período das partidas é conhecido como “zona Cesarini”. Com o acidente que matou o presidente Edoardo Agnelli, a Juventus perdeu grande parte das suas estrelas e o ítalo-argentino se foi. Depois, entre 1946 e 1948, voltou à equipe para tentar frear o Grande Torino, mas bateu na trave, ficando sempre com a segunda posição. Em 1959, pela segunda vez foi treinador da equipe e desta vez sim, conquistou títulos: foi bicampeão nacional e ganhou uma Coppa Italia.

6° – Diego Milito

Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Genoa (2004-05 e 2008-09) e Inter (2009-14)
Títulos: Serie A (2009-10), Coppa Italia (2009-10 e 2010-11), Supercoppa Italiana (2010), Liga dos Campeões (2009-10) e Mundial de Clubes (2010)
Prêmios individuais: Guerin d’oro (2008-09), Atacante do Ano da Uefa (2009-10), Jogador do Ano da Uefa (2009-10), Homem do Jogo da final da Uefa Champions League (2009-10), Oscar del Calcio: Jogador mais amado pelos torcedores (2009), Oscar del Calcio: Melhor artilheiro (2009), Oscar del Calcio: Melhor jogador estrangeiro (2010) e Oscar del Calcio: Melhor jogador (2010)

Diego Milito chegou ao Belpaese, no meio da temporada 2003-04, quando o Genoa disputava a Serie B. Mesmo jogando apenas 20 partidas, o centroavante de ótima finalização e boa mobilidade mostrou as características tradicionais, conseguindo 12 gols. Na segunda temporada, o Príncipe foi o vice-artilheiro da Serie B, com 21 gols, e teria sido o responsável por recolocar os grifoni na Serie A, mas, punido por combinação de resultados, o time acabou rebaixado e Milito deixou a equipe. Depois de fazer sucesso no espanhol Zaragoza, Milito voltou a Gênova três anos depois, como contratação do final do mercado. Na segunda passagem com a camisa rossoblù, os 24 gols do argentino ajudaram o Genoa a se classificar para a Liga Europa – apenas por critérios de desempate, o time não jogou a Liga dos Campeões.

Com o grande desempenho e a vice-artilharia da Serie A, Diego Milito se transferiu para a Inter, onde formou trio impossível com Eto’o e Sneijder e viveu altíssimo e muito rápido auge. Em 2009-10, o Príncipe foi um dos líderes do time nerazzurro, marcou 30 vezes e anotou em todas as finais que renderam o inédito Triplete à Inter e ao futebol italiano – inclusive contra todos os adversários do mata-mata da Liga dos Campeões e dois na finalíssima, contra o Bayern Munique. Depois, por problemas físicos e de lesões, o camisa 22 alternou altos e baixos, mas gravou seu nome na história da Inter ao marcar uma tripletta contra o Milan (apenas Nyers e Amadei haviam chegado ao feito) e ao superar o número de gols de Ronaldo pela equipe. Os 75 gols marcados e as 171 partidas disputadas o deixarão para sempre nos corações interistas.

5° – Juan Sebastián Verón

Posição: meia
Clubes em que atuou na Itália: Sampdoria (1996-98), Parma (1998-99), Lazio (1999-01) e Internazionale (2004-06)
Títulos: Copa Uefa (1998-99), 4 Coppa Italia (1998-99, 1999-00, 2004-05 e 2005-06), Supercopa europeia (1999), 2 Serie A (1999-00 e 2005-06) e 2 Supercoppa Italiana (2000 e 2005).
Prêmios individuais: Time do Ano da Europa, pela associação europeia de mídia esportiva (1999-00)  e membro da lista Fifa 100

Verón teve duas fases na carreira: uma como explosivo meia-atacante e outra como meia-central de técnica inigualável. La Brujita chegou à Itália pela Sampdoria, de Sven-Göran Eriksson, onde começou a mostrar o enorme talento. Mas os blucerchiati foram ficando pequenos para o argentino, que se transferiu para o Parma, da Parmalat. Pelos crociati, foi campeão da Copa Uefa (com assistência para um dos gols da decisão) e da Coppa Italia.

O craque ficou ainda maior e, por valores altíssimos, foi jogar na Lazio. Verón fez muitos gols (vice-artilheiro da equipe, com oito), foi decisivo em dérbi contra a Roma e, com isso, colaborou com o scudetto laziale – também ganhou Coppa e Supercopa da Itália. Valorizado, se trnasferiu ao Manchester United por valor recorde para um clube inglês, à época, mas não conseguiu ter sucesso nem lá nem no Chelsea, muito por lesões no joelho direito. La Brujita voltou a ter destaque em Milão, quando ajudou a Inter a sair da fila e participou do início da era vencedora nerazzurra. Pela Beneamata, conquistou quatro títulos, e teve destaque no segundo deles: na Supercoppa de 2005, no 1 a 0 sobre a Juventus, ele deslocou Abbiati, após contra-ataque armado aos 5 minutos de acréscimos do segundo tempo e garantiu o título milanês.

4° – Gabriel Batistuta

Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Fiorentina (1991-2000), Roma (2000-02) e Inter (2002-03)
Títulos: Serie B (1993-94), Coppa Italia (1995-96), Supercoppa Italia (1996 e 2000-01), Serie A (2000-01), Copa América (1991 e 1993), Copa Kirin (1992) e Copa das Confederações (1992)
Prêmios individuais: Artilheiro da Copa América (1991 e 1995), Artilheiro da Copa das Confederações (1992), Artilheiro da Serie A (1995-96), Jogador Argentino do Ano (1998), Futebolista Estrangeiro do Ano da Serie A (1999), Terceiro Melhor Jogador do Mundo FIFA (1999) e Hall da Fama do Futebol Italiano (2013).

Batistuta era sinônimo de gol, uma vez que balançava as redes de qualquer maneira: com oportunismo, chutes potentes com as duas pernas, cabeçadas precisas e cobranças de falta milimétricas. Dava para escolher. Contratado pelo vice-presidente Vittorio Cecchi Gori para a Fiorentina, o argentino chegou marcando 13 tentos. Os viola chegaram a cair para a Serie B, e Batigol, que derramou lágrimas com a queda, permaneceu para liderar o time na conquista do título e na volta à elite. Seu retorno teve direito à artilharia da Serie A (26 gols marcados) e, no ano seguinte, veio a conquista da Coppa Italia. No título da Supercoppa de 1996, doppietta, no 2 a 1 contra o Milan. Batistuta já era ídolo, sua comemoração já estava enraizada na cultura da torcida e ele ainda recusou transferência milionária para o Manchester United.

O camisa 9 era fundamental à equipe, os muitos gols dele potencializavam o desempenho da Fiorentina. Mas, o clube não voltou a conquistar títulos, Batigol queria mais, mirava um scudetto. O clube tinha dívidas e precisava saná-las. Então, por quase 30 milhões de dólares, o argentino deixou Florença após nove anos, como segundo maior artilheiro da história viola (152 gols na Serie A e 207 no total), para jogar na Roma. Batistuta cumpriu a própria missão e, com 20 gols, liderou a artilharia giallorossa na campanha que culminou na taça da Serie A. No ano seguinte, teve muitos problemas no tornozelo e jogou menos. Acabou sendo emprestado por seis meses à Inter, mas sem o mesmo destaque. Aos 34 anos, 12 deles vividos na Itália, deixou o país em busca de petrodólares antes de se aposentar.

3° – Omar Sívori

Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Juventus (1957-65) e Napoli (1965-68)
Títulos: Serie A (1957-58, 1959-60 e 1960-61), Coppa Italia (1958-59, 1959-60 e 1964-65) e Copas dos Alpes (1963 e 66).
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie A (1959-60) e Bola de Ouro (1961)

Sívori ficou conhecido pela habilidade na canhota (chegou a ser apelidado de El Gran Zurdo, ou “O Grande Canhoto”, em português), pela velocidade em campo e pelo meião que só ia até o meio da canela. Desta forma, trouxe impacto imediato e, com 22 gols, ajudou a Velha Senhora a vencer a décima Serie A do clube (que deu direito à estrela no peito). Na ocasião, atuou ao lado de Charles e Boniperti, com quem formava o chamado Trio Mágico. Outro scudetto foi conquistado em 1959-60, quando “El Cabezón” foi o artilheiro da disputa. No ano seguinte, Bola de Ouro para ele – à época, quando o prêmio era dado apenas a europeus, já tinha dupla cidadania e até defendia a seleção italiana. Sívori foi o primeiro italiano (apesar de nascido na Argentina) a ganhar o troféu.

Com a saída de Boniperti, o argentino assumiu a braçadeira de capitão e chegou a marcar seis gols, em uma partida contra a Inter – em protesto contra a federação, a Inter escalou juvenis e proporcionou o que, até hoje, é o recorde de gols de um só jogador no Derby d’Italia. Sem ganhar novos scudetti, Omar Sívori deixou a Juventus e foi para o Napoli. Pelos partenopei, teve duas primeira boas temporadas – terceiro e quarto lugar, respectivamente. Ao lado de Zoff e Altafini, foi ainda mais longe, e quase foi campeão italiano em 1967-68 (vice-campeão), quando já estava em baixa, por causa de uma séria lesão, e tinha a função de orientar os mais jovens e conduzir a equipe no ataque. Por causa da contusão, se aposentou perto do natal de 1968, com 33 anos.

2° – Javier Zanetti

Posição: lateral direito
Clube em que atuou na Itália: Inter (1995-2014)
Títulos: Mundial Interclubes (2010), Liga dos Campeões (2009-10), Copa Uefa (1997-98), Serie A (2005-06, 2006-07, 2007-08, 2008-09 e 2009-10), Supercoppa Italiana (2005, 2006, 2008 e 2010) e Coppa Italia (2004-05, 2005-06, 2009-10 e 2010-11)
Prêmios individuais: Pallone d’Argento (2001-02) Prêmio Giacinto Facchetti (2012), Prêmio Gaetano Scirea por carreira exemplar (2010), Prêmio da crítica da Associação Italiana de Jogadores – AIC (2012) e integrante da lista Fifa 100

Exemplo de dedicação a um clube, a história de Javier Zanetti se confunde com as últimas linhas da biografia interista. Foram 19 anos como jogador e, desde então, o trabalho segue como dirigente. O Trator foi um dos melhores laterais-direitos do mundo, pois era muito bom no apoio e bastante consistente na defesa. Contratado pela Inter em 1995, dois anos depois, na final da Copa Uefa, Pupi marcou um dos gols do título nerazzurro. A liderança exalava no camisa 4, que, em 1999, passou a ostentar a braçadeira de capitão, com a aposentadoria de Bergomi, outra bandeira nerazzurra.

Na fase de seca interista, Zanetti foi cobiçado por Barcelona e Real Madrid e rejeitou os gigantes espanhóis. A lealdade aos nerazzurri deu resultado e, a partir de 2005, ganhou 15 taças, entre elas, a sonhada Liga dos Campeões, que, quando levantou, parecia ser não acreditar no que ocorria. Em 20 anos de clube, Zanetti tem o seguinte currículo: é o jogador com mais títulos conquistados pelo clube (16), o que mais vezes vestiu a camisa nerazzurra (858 vezes) e o que mais jogou consecutivamente como titular (137 vezes). Ainda é o jogador estrangeiro com mais jogos pela Serie A e o segundo que mais vezes entrou em campo no total (618 jogos), atrás apenas de Paolo Maldini. Por ser estrangeiro e em uma época em que as trocas de clube são comuns, é algo que merece destaque. Não bastasse isso, Pupi é, até hoje, um exemplo de lealdade, caráter e elegância no mundo do futebol.

1° – Diego Armando Maradona

Posição: meia-atacante
Clube em que atuou na Itália: Napoli (1984-91)
Títulos: Serie A (1986-87 e 1989-90), Coppa Italia (1986-87), Copa Uefa (1988-89) e Supercoppa Italiana (1989-90)
Prêmios individuais: Guerin d’Oro, futebolista do ano da Serie A (1984-85), Bola de Ouro da Copa do Mundo (1986), Time da Copa do Mundo (1986 e 1990), Jogador do ano World Soccer (1986), Artilheiro da Serie A (1987-88) e Artilheiro da Coppa Italia (1987-88).

Desde a chegada em Nápoles, Maradona mostrou que a sua passagem pela cidade seria inesquecível. À época, contratado por um valor recorde, foi apresentado ao San Paolo lotado, mas foi brilhar mesmo depois de conquistar a Copa do Mundo de 1986 com a Argentina. Ao lado de Bruno Giordano e Careca, os outros dois componentes do trio MaGiCa, conseguiu levar o Napoli ao seu primeiro scudetto e ainda conseguiu a Coppa Italia. “El Diez” ainda liderou os partenopei ao segundo scudetto, uma Copa Uefa e uma Supercoppa Italiana e ainda a dois vices nacionais.

A intensidade da relação Maradona-Itália ficou evidente na Copa disputada no país. Na semifinal jogada em Nápoles, a torcida local optou por apoiar o craque partenopeu, ao invés de torcer pela Nazionale. Na final, em Roma, que culminou com o título alemão, o restante da Itália deu o troco e vaiou o hino argentino. Sem conseguir se livrar da cocaína, Maradona teve problemas no final de sua trajetória napolitana. Porém, até hoje, o craque é um dos maiores jogadores de toda a história do futebol e o maior artilheiro da história azzurra, com 115 gols e, em 2000, a camisa 10 foi aposentada.

1 comentário

  • Duas discordâncias neste top 20: Tevez fora dele e Caniggia dentro e … pasmem, a primeira colocação, deveria estar invertido com o Maradona em segundo e Zanetti em primeiro. Talvez tenha uma pitada de clubismo (por ser Interista) mas tipo, Maradona quando chegou a Napoles já era um jogador conhecido. Fez história no Napoli e se consagrou, sem discussão. Só acho que os 19 anos de dedicação de Zanetti com a Internazionale, chegou como ninguém e se aposentou como o maior ídolo recente (talvez até geral) da história do clube.

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